domingo, 7 de fevereiro de 2016

Longe de Deus, a alma adoece, fica perdida e sem rumo

Saiba quais são as consequências de se afastar de Deus

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Ricardo Ida – Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com


Convido você a tomar a Palavra de Deus no Evangelho de São Lucas.


“E disse: Um certo homem tinha dois filhos. E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda. E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente. E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades. E foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos, a apascentar porcos. E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada. E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti

(Lucas 15, 11-18).


Não podemos ser mero ouvintes da palavra e não a colocar em prática. A Palavra precisa encarnar em nós, iluminar as nossas atitudes. O primeiro ensinamento é quando o filho pede a parte da herança. É a figura do homem que se afasta de Deus por causa do pecado.

O pecado nos afasta de Deus. Não é Deus que se afasta do homem mas o homem que começa a experimentar dentro de si mesmo essa desarmonia. Em gênesis após Adão e Eva pecarem diz “Deus chamou o homem”. Mesmo quando pecamos Deus não desiste de nós.


Quando estamos em pecado, acontece uma surdez espiritual e não conseguimos discernir a voz do Senhor da voz do mundo e do demônio. Devido a essa distância,  Deus não para de nos chamar para junto d’Ele.

O Senhor não precisaria criar os homens, mas, por amor, os criou, a fim de que vivessem em Sua presença e comunhão.
A alma adoece quando entra nas veredas do pecado e se distancia do Pai; ela fica surda e não consegue escutar a voz do Senhor. Por isso, no sacramento do batismo, o padre diz: “Éfeta!”, para que a criança possa ouvir a voz do Senhor.

Enquanto estivermos vivos, Deus nos enviará anjos e suscitará em nosso coração a Sua voz. “Eis que estou à porta e bato.” O Senhor está batendo, porque não quer perder nenhum de nós. Por isso Ele continua nos enviando Seu Espírito Santo.

O Senhor Deus chamou o homem e lhe perguntou: “Onde estás?”. Hoje, Ele está nos perguntando: “Onde você está? Como está a sua vida? O que tem feito com ela? O que tem feito com seu tempo? Onde está você?”. Será que estamos dentro dos planos de Deus? Será que estamos de acordo com a vontade do Criador.

Nossa vida está de acordo com a Palavra do Senhor e com Seus mandamentos? Será que todos os dias buscamos realizar a vontade d’Ele?
Quanta luta o homem interior precisa travar, todos os dias, por causa do pecado original! Por isso precisamos nos alimentar da Palavra, ser sustentados por ela, pois há, dentro de nós, desequilíbrios e inconstâncias.

 

Como preencher o coração?


Nossa alma tem desejo por Deus. O Catecismo nos ensina que o homem é um ser religioso e precisa buscar as coisas do céu. Nada nesse mundo vai poder preencher nosso coração, a não ser Jesus Cristo. Somos preenchidos à medida que nos entregamos à vontade de Deus.

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Peregrinos participam da Quinta-feira de Adoração. 
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com


Quem peca torna-se escravo, mas Jesus derramou Seu Sangue para nos salvar
da escravidão do pecado. Qual tem sido nossa atitude diante ao pecado?

Precisamos ter a coragem de olhar para nós mesmos, pois vivemos num mundo distante de Deus, sem nos preocuparmos com o amanhã, com a vida eterna. O mais triste ainda é que muitos cristãos não fazem essa parada de olhar para si, para o seu coração e ver como estão vivendo sua consagração. O que estamos fazendo da nossa vida?

 O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que não podemos morrer com pecado mortal. Precisamos lutar e estar vigilantes para não cairmos nesse pecado. Eu não posso morrer com pecado mortal, porque não quero cair na morte eterna. Precisamos nos arrepender de nossos pecados, porque não sabemos o dia que Jesus vai nos chamar para prestarmos conta de nossa vida.

O que é pecado mortal? O Catecismo da Igreja Católica define muito bem isso: ao ferirmos um dos dez mandamentos, conscientemente, estamos em pecado mortal. As pessoas não querem alimentar a alma, cuidam somente do físico. É preciso alimentar a alma com santidade, com a vida de oração e a Palavra.

 

Como alimentar a alma?


Alimentamos a alma, em primeiro lugar, quando fazemos a vontade de Deus; e isso pode ser feito por meio de Sua Palavra, dos sacramentos da Igreja, da vida de oração e do Santo Terço. Nossa Igreja é rica e tem tudo isso para nós!

Quanto tempo você gasta em frente ao espelho? Quanto tempo reserva para alimentar sua alma? Você quer que ela fique distante de Deus, experimentando uma tremenda angústia e desespero?

 Será que estamos nos empenhando em buscar um coração puro? Como tem sido a nossa conduta? Qual é o tipo de livro e programa de televisão que temos deixado entrar em nós?

A misericórdia de Deus é para que tenhamos coragem e força de lutar contra o pecado. Precisamos vigiar e olhar para nossa vida e falar um ‘não’ ao pecado. A causa da nossa tristeza, diz Santo Agostinho, é o pecado. Ninguém é feliz longe de Deus. É feliz aquele que busca a santidade de vida. Não se engane achando que as pessoas que estão lá fora estão felizes.

Nessa ano da misericórdia, precisamos buscar a confissão e mudar de vida. Precisamos ter a coragem de olhar para dentro de nós e verificar nossos sentimentos. A contrição perfeita acontece quando nos arrependemos e buscamos o sacramento da confissão.


 Autor: Ricardo Ida

Transcrição e adaptação: Fernanda Soares

Fonte: Canção Nova

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Beber pra quê?

Quero abrir uma reflexão: Beber para quê?

Vamos a um happy hour? Que tal uísque no jantar ou talvez uma geladinha neste verão? Que tal uma dose para encarar um encontro amoroso? Em ocasiões festivas, a presença do vinho, champanhe e outras bebidas é inquestionável, como um líquido imprescindível em certas culturas. Médicos, muitas vezes, receitam uma dose de alguma bebida alcoólica antes de dormir como uma espécie de tranquilizante, ou uma taça de vinho tinto no almoço para baixar o colesterol. O álcool relaxa, encoraja e transforma os mais tímidos em galanteadores.
 
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Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com


Longe de qualquer defesa ou de um ataque extremista, quero abrir essa questão à reflexão. Gaste tempo para refletir! Beber para quê?
Nem todo mundo que bebe é alcoolista, mas há muitos alcoolistas que, de fato, sofrem e fazem sofrer. Alcoolismo é doença, causa doenças e grande destruição familiar. Sou marcado por uma história de alcoolismo em casa e sei o quanto isso feriu minha vida.Beber para quê?

Ao apresentar os dois lados da moeda, quero fazer você refletir sobre essa
realidade que, querendo ou não, cerca nossa vida! Muitas vezes, vamos simplesmente categorizando tudo em certo e errado, mas não emitimos uma opinião bem formada. Por favor, nada de extremismos de causas!

 

Beber para quê?


Por trás de um copo com álcool há uma pessoa, uma história e, com certeza, um impulso que mobiliza o ato de levar esse copo até a boca e se deixar devanear por tal bebida. Mas que impulso é esse? Que necessidade é essa?
Freud escreve em ‘O Mal-estar na Civilização’: “Devemos a tais veículos não só a produção imediata de prazer, mas também um grau altamente desejado de independência do mundo externo, pois se sabe que, com o auxílio desse ‘amortecedor de preocupações’, é possível, em qualquer ocasião, afastar-se da pressão da realidade e encontrar um refúgio num mundo próprio, com melhores condições de sensibilidade. Sabe-se igualmente que é exatamente essa propriedade dos intoxicantes que determina o seu perigo e a sua capacidade de causar danos”.
Partindo disso, podemos encontrar alguns “para quês”, ou seja, alguns “motivos” para beber!

 

O álcool como fonte de prazer


Muitas pessoas têm no álcool uma fonte de prazer. É aí que eu me questiono: será que fui feito para o prazer de um gole ou para o efeito de uma dose? Se Deus me promete o prazer de uma eternidade, por que me contentar com efêmeros prazeres? Não! Minha alegria não pode estar contida em uma dose. Preciso ir além e não determinar a fonte de minha alegria em coisas que passam.
Outras pessoas bebem “para quê” possam ter independência do mundo externo, mas não dá para, nesta vida, querermos tal estado de apatia! Somos gente em relação, o mundo externo é onde nosso mundo interno se situa. Não adianta querer fugir. É preciso reagir, lutar, para que a força do nosso mundo interno mude o que está externo.

 

Para esquecer os problemas


Ainda há pessoas que, para amortecerem suas preocupações, encontram no álcool uma solução. Mas fica a mesma reflexão acima: por que amortecer aquilo que precisa ser enfrentado? Atos de coragem precisam ser tomados em doses de verdade e luta!

Há ainda pessoas que, para se afastarem da pressão da realidade e refugiar-se em um mundo paralelo, bebem todas doses possíveis! Porém, junto à ressaca do dia posterior surge a pressão do dia anterior e um mundo mais cruel ainda! Sobriedade para encarar pressão pode ser a saída mais certa nesses momentos.

Além dos “para quês” acima, fica ainda uma última reflexão: sabe-se que é exatamente essa propriedade dos intoxicantes que determina o seu perigo e a sua capacidade de causar danos. De fato, muitas doenças são ocasionadas pelo alcoolismo (ele já é uma doença em si).

Meu pai é vítima dessa realidade, pois até hoje sofre com fortes dores devido à pancreatite ocasionada pelo consumo excessivo de álcool. Além de males físicos, o exagero de álcool causa, em muitas famílias, situações traumáticas, abandono e negligência. Beber “para quê”?

Encerro essa reflexão querendo que você descubra o seu “para quê” beber. Mais que levantar uma bandeira de certo e errado, de pode e não pode, faz mal e faz bem (pois há no pensamento “moderno” uma necessidade de categorização absurda), quero levá-lo a uma reflexão profunda, pois por trás de um copo de álcool há uma história, uma vida! Mas que vida está sendo vivida?

Como dizia Viktor Frankl: “Quem tem um “para que viver” suporta quase qualquer o como viver”




Autor: Adriano Gonçalves
Fonte: Canção Nova

Eu quero escolher as escolhas de Deus

Se eu escolho a escolha de Deus, aceito, acolho o envio de Deus para levar a Boa Nova a todos os povos

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Padre Anderson Marçal. 
Foto: Arquivo Canção Nova


“Dominais todos os povos, ó Senhor”. Essa é a nossa oração, o nosso pedido, porque se olharmos as coisas, catástrofes naturais que estão acontecendo no mundo e o que está acontecendo entre os povos, nós que conhecemos Deus, que já fizemos uma experiência com Deus que é amor, ao cantar esse salmo reconhecemos que este “dominar” é com o braço de Deus de misericórdia.

Precisamos entender que a misericórdia é o encontro de duas ações, Deus que coloca o Seu coração na miséria que Ele encontra. Mas, para que Ele encontre a miséria é necessário que eu vá ao encontro de Deus. Ele é misericordioso e vai perdoar, mas só recebemos essa misericórdia se quisermos sair, é necessário levantarmos os nossos braços para o Pai.

Deus quer pular no buraco em que nós nos encontramos, na condição em que nos encontramos. Quem comunga toca em Deus e Ele, que pode dominar todos os povos, cabe na palma da sua mão. Mas, para Deus dominar todos os povos, quis escolher pessoas, enviar essas pessoas e dar poder a elas. E ouvimos isso seja no Evangelho ou na primeira leitura de hoje.

Na primeira leitura fala também de escolha, Davi que reinou quarenta anos e também tinha sido escolhido por Deus. Para Deus dominar, Ele quis escolher pessoas. Você é escolhido, precisamos descobrir nossa missão, mas quando fui batizado significa que escolhi a escolha de Deus. Pela fé que você tem, você escolhe a escolha de Deus.

Jesus enviou os doze apóstolos, mas esses apóstolos tinham sido escolhidos dentre todos os discípulos. Por onde Jesus passava, Ele ia chamando. Ele enviou setenta e dois discípulos, a escolha é única, mas os papéis são diferentes. Ele enviou os doze apóstolos, apóstolo é aquele que leva Jesus, é aquele que anuncia, cura, proclama, ministra em nome de Jesus. Ele chama por graça e não por mérito.

A escolha não é somente para padres, consagrados, mas para todo aquele que escolhe a escolha de Deus, seja qual for a missão que recebemos.

Se somos discípulos de Jesus, vamos viver a escolha Dele


Você acredita em Jesus? Se você acredita, já está escolhendo a escolha de Jesus, porque a escolha é uma ação de Deus. Como os apóstolos, os discípulos, como Davi foi escolhido, nós fomos escolhidos por Deus, pelo batismo, mas também pela fé que está em nosso coração.

Quando eu acredito que Ele pode realizar maravilhas na minha vida e na vida dos meus significa que eu escolhi Jesus. Aquele que tem fé é um discípulo de Jesus. O grande problema, hoje, é que infelizmente em muitos lugares, inclusive em igrejas que se dizem cristãs, estão dizendo besteiras, estão usando a fé do povo simplesmente para se enriquecerem. Como um apóstolo de Jesus tem na sua casa torneiras de ouro?

Uma pessoa escolhida é uma pessoa enviada, “Jesus chamou os doze e começou a enviá-los dois a dois”, escolher a escolha de Deus requer liberdade. Jesus não disse que ia dar torneira de ouro para ninguém, não disse que iria fazer com que essas pessoas tivessem uma vida próspera. Aquele que se sente escolhido é enviado, primeiro é escolha, depois é envio.

Cristão que é cristão sabe que foi escolhido para levar Jesus às pessoas. Porque eu, sendo escolhido, sou também enviado ao mundo, sou enviado na fila do açougue, na fila do banco, quando estou educando meu filho. A pessoa enviada, sabendo-se escolhida por Deus para anunciar a Boa Nova, sabe que precisa anunciar mesmo quando o sofrimento bate à porta. Sou enviado a levar o Evangelho, a falar de Deus com minha própria vida.


Não é obrigação você ir à Missa, é necessidade, não é apenas cumprir um preceito, estou escolhendo a escolha de Deus. Assim como Ele escolheu Davi, me escolheu também e porque me escolhe eu O escolho. Deus me seduz e deixo-me seduzir. Deus me escolhe para que eu leve Jesus para a minha casa. Deus escolheu quem Ele quis e os enviou.


“Jesus chamou os doze e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros” (Marcos 6, 7).
O poder que Deus nos dá é de Ele reinar em nossa vida e não nos deixarmos reinar pelos poderes do mal. O mal existe, por isso Deus nos deu poder sobre ele. Mães, se vocês sabem que seus filhos estão sendo dominados pelo mal, rezem por eles. Filhos, rezem para que Deus liberte seu pai, sua mãe!


Se eu escolho a escolha de Deus, aceito, acolho o envio de Deus para levar a Boa Nova a todos os povos e Ele me dará poder sobre o mal para que ele não me domine.

Se Deus me escolheu é porque Ele quer o melhor para mim, por isso eu escolho
a escolha de Deus!



Autor: Padre Anderson Marçal

Transcrição e adaptação: Míriam Santos Bernardes

Fonte: Canção Nova