quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Sociedade laica não quer dizer sociedade ateia

Numa sociedade pluralista, a laicidade é lugar de comunhão e relacionamento entre diversas tradições espirituais e a nação
 
O Senhor Jesus se encontrou com os grupos mais diversos de pessoas, dos mais simples e machucados da sociedade até as altas autoridades que circulavam durante sua vida pública, pelos caminhos da Judeia e da Galileia. Muitos acorriam a ele com suas misérias e inquietações, buscando a força da mensagem libertadora do Evangelho e a cura das enfermidades. Tantos emergiam do meio da multidão para se fazerem seus discípulos. Outras pessoas observavam de longe os acontecimentos. Alguns grupos se aproximavam com questionamentos, alguns deles formulados como verdadeiras armadilhas, a fim de envolvê-lo em contradição. A sabedoria do Senhor lhes devolvia muitas das perguntas, remetendo sempre ao confronto vital com a verdade.
 
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Muito expressivo é o encontro com fariseus e herodianos (Cf. Mt 22, 15-21) a respeito do imposto devido ao Imperador. Pode-se imaginar o contexto do comprometedor diálogo que se travou, num ambiente em que a população vivia oprimida, pagando tributos a uma potência estrangeira, dinheiro que chegava a uma autoridade que se revestia de pretensos poderes divinos. A resposta de Jesus é muito conhecida: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus” (Mt 22, 21). Tal afirmação já foi indevidamente usada para separar fé e vida, negócios e devoção, quando o cerne da questão é justamente dar a Deus o que é de Deus. E a Deus pertence o coração humano e seu destino de vida e salvação.
 
A narrativa encontrada nas primeiras páginas da Bíblia indica justamente a convicção das pessoas de fé: “Façamos o ser humano à nossa imagem e segundo nossa semelhança” (Gn 1, 26). Somos criaturas de Deus, pensadas desde toda a eternidade para sermos felizes em comunhão com ele.
 
Pertencer a Deus e dar-lhe o devido e primeiro lugar em nossa vida é condição para a realização e a felicidade. O dever do amor e da adoração a Deus é o primeiro dos mandamentos, a primeira condição para o pleno desenvolvimento de todas as potencialidades humanas.
Em todas as épocas da história se fizeram sentir o indiferentismo, o relativismo e o ateísmo. Uma de suas formas ganha o nome de laicismo, diferente da laicidade. Se a justa laicidade do Estado não assume como oficial qualquer religião, a Igreja Católica propugna um mútuo respeito pela autonomia de cada uma das instâncias, a civil e a religiosa. Ao Estado cabe assegurar o livre exercício das atividades espirituais, culturais e caritativas das pessoas de fé. Numa sociedade pluralista, a laicidade é lugar de comunhão e relacionamento entre diversas tradições espirituais e a nação. Sociedade laica não quer dizer sociedade ateia!
 
Infelizmente, ensina o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, permanecem, inclusive em sociedades democráticas, expressões de laicismo intolerante, que hostilizam qualquer forma de relevância política e cultural da fé, procurando desqualificar o empenho social e político dos cristãos, porque se reconhecem nas verdades ensinadas pela Igreja e obedecem ao dever moral de ser coerentes com a própria consciência; chega-se também e mais radicalmente a negar a própria ética natural. Esta negação, que prospecta uma condição de anarquia moral cuja consequência é a prepotência do mais forte sobre o mais fraco, não pode ser acolhida por nenhuma forma legítima de pluralismo, porque mina as próprias bases da convivência humana. Neste quadro, a marginalização do Cristianismo seria uma ameaça para os próprios fundamentos espirituais e culturais da civilização (Cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, números 571 a 574).
 
Este laicismo, ideologia que pretende se impor no mundo ocidental, e cada vez mais no Brasil, como única admissível, tem livre trânsito na grande imprensa e deseja relegar a fé à esfera do privado e opondo-se à sua expressão pública (Cf. São João Paulo II, no dia 24 de janeiro de 2005). Em nome de tal ideologia se levantam os defensores das contradições correntes, como a defesa dos direitos dos animais a qualquer custo pelos mesmos partidários do aborto ou de eutanásia e da absoluta falta de princípios em assuntos de moral sexual. Podemos ampliar o horizonte, para identificar uma verdadeira cruzada que se espalha pelo mundo pela eliminação de todos os sinais religiosos em escolas ou outros espaços.
 
O Concílio Vaticano II, na Constituição sobre a Igreja no mundo Contemporâneo, Gaudium et Spes (Cf. número 36) já constatava que muitos parecem temer que a íntima ligação entre a atividade humana e a religião constitua um obstáculo para a autonomia dos homens, das sociedades ou das ciências. Se por autonomia das realidades terrenas se entende que as coisas criadas e as próprias sociedades têm leis e valores próprios, que o homem irá gradualmente descobrindo, utilizando e organizando, é perfeitamente legítimo exigir tal autonomia. Se, porém, com as palavras autonomia das realidades temporais se entende que as criaturas não dependem de Deus e que o homem pode usar delas sem ordená-las ao Criador, ninguém que acredite em Deus deixa de ver a falsidade de tais afirmações. Pois, sem o Criador, a criatura não subsiste. De resto, todas as pessoas de fé, de qualquer religião, sempre souberam ouvir a sua voz e manifestação na linguagem das criaturas. Antes, se se esquece Deus, a própria criatura se obscurece.
 
Vivemos uma grande batalha, na qual não nos é possível escolher, como cristãos, a não ser a dependência livre e realizadora de Deus e da força de sua Palavra. Os direitos de Deus se expressam magistralmente na palavra do Apóstolo: “Ninguém pode colocar outro alicerce diferente do que já está colocado: Jesus Cristo. Se então alguém edificar sobre esse alicerce com ouro, prata, pedras preciosas ou com madeira, feno, palha, a obra de cada um acabará sendo conhecida: o Dia a manifestará, pois ele se revela pelo fogo, e o fogo mostrará a qualidade da obra de cada um. Aquele cuja construção resistir ganhará o prêmio; aquele cuja obra for destruída perderá o prêmio – mas ele mesmo será salvo, como que através do fogo. Acaso não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá, pois o templo de Deus é santo, e esse templo sois vós. Vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (I Cor 3, 11-17).
 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A importância da oração do rosário em família

É fundamental que a família cristã reze o rosário todos os dias
 
Segundo uma tradição, São Domingos de Gusmão, espanhol, recebeu de Nossa Senhora a devoção do santo rosário, que ele rezava continuamente em suas caminhadas pela conversão dos hereges cátaros que agitavam a vida da Igreja na França.
 
Em suas aparições, em Fátima e Lourdes, Nossa Senhora pediu insistentemente aos videntes para que rezassem o terço sempre. Ela disse aos pastorinhos, em Fátima, que “não há problema de ordem pessoal, familiar, nacional e internacional, que o santo terço não possa ajudar a resolver”. Por isso, o terço e o rosário tornaram-se orações amadas pelo povo de Deus. O Papa João Paulo II disse que essa era “a sua oração predileta”; sempre o víamos rezando-a.
 
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Bento XVI o recomendou fortemente. Disse: “O rosário é oração bíblica, toda tecida da Escritura Sagrada. É a oração do coração, em que a repetição da Ave-Maria orienta o pensamento e o afeto para com Cristo, tornando-se súplica confiante na nossa Mãe”.
“O terço, quando rezado de modo autêntico, não mecânico ou superficial, mas profundo, traz paz e reconciliação. Contém em si a potência curadora do nome santíssimo de Jesus, invocado com fé e com amor no centro de cada Ave-Maria” (5 de maio de 2008 -ZENIT.org).
 
Na sua Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, de 2005, São João Paulo II disse: “Uma oração tão fácil e, ao mesmo tempo, tão rica merece verdadeiramente ser descoberta de novo pela comunidade cristã”.
 
Muitos Papas recomendaram o rosário: Leão XIII, em 1883, na Encíclica Supremi apostolatus officio, apresentou-o como “um instrumento espiritual eficaz contra os males da sociedade”. São Pio V, em 1571, estabeleceu a invocação a Nossa Senhora do Rosário, como agradecimento à Virgem pela vitória da cristandade, na batalha de Lepanto, contra os turcos otomanos muçulmanos que pretendiam destruir o Cristianismo na Europa.
 
Além dos inúmeros Papas, também muitos santos se destacaram pelo amor ao rosário: São Luís Maria Grignion de Montfort, Santo Afonso de Ligório, São Pio de Pietrelcina e muitos outros. Essa devoção tem como base o fato de que, do alto da cruz, Jesus Cristo, num ato de amor, nos deu Maria como Mãe (cf. Jo 19,26). Se Jesus no-la deu como Mãe, é porque precisamos dela para nossa vida e salvação. Então, cada cristão e cada família cristã precisa da proteção materna de Nossa Senhora para enfrentar a luta da vida, as tentações, provações etc. A Igreja sempre ensinou que “família que reza unida permanece unida”, sobretudo quando reza o terço.
 
Na oração do santo rosário, a Virgem Maria nos ensina e nos anima na vida de Cristo, partilhando conosco aquelas coisas que “ela guardava no seu coração” (cf. Lc 2,52). “É uma oração contemplativa, não pode ser apenas uma repetição mecânica de fórmulas”, disse o Papa Paulo VI na Exortação Apostólica Marialis cultus.
Lembro-me, com saudade, de que minha mãe, todos os dias, reunia seus nove filhos, às 18h em ponto, para rezar o terço. Era algo que não falhava. Hoje, vejo todos os meus irmãos na Igreja, todos casados, nenhum separado. Não me lembro de um dia de desespero em nosso lar, embora tivéssemos todos os problemas que toda família tem. O santo terço diário foi sempre a nossa força, o nosso consolo. Nunca o deixei de rezar, mesmo nos meus tempos de cadete do Exército, durante três anos na Academia Militar.
 
Sobretudo hoje, em que se multiplicam os problemas e os pecados, a ofensa a Deus, e os filhos estão muito mais sujeitos aos maus exemplos, é fundamental que a família cristã reze, todos os dias, o santo terço para se colocar debaixo da poderosa intercessão de Nossa Senhora. Então, terão paz, mesmo neste mundo tão conturbado.
 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Namorar uma pessoa mais velha dá certo?

Muitas pessoas vivem em um namoro literalmente uma “neura” de seus desejos e aspirações.
O namoro é um tempo fantástico de conhecimento da pessoa com quem namoramos. Eu busco conhecê-la e ela o mesmo. Nisto de fato acontecerão pontos de convergência e divergência. Afinal são duas pessoas diferentes, de contextos diferentes, educação diferentes, as vezes de culturas diferentes e por ai vai. Quis até enfatizar a repetição da palavra “diferentes” pois um namoro para dar certo ele não pode ser a somatória do que se tem como “iguais” mas sim a capacidade de acordos frente aos “diferentes”.
 
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O que é igual raramente será um problema a ser resolvido entre vocês dois, a menos que o social exija isso de vocês e ai vocês dois terão que juntos buscar o “acordo”. O que “pega” são os diferentes. E ai onde mora a “caixa de pandora” da crise mas também se encontra o “pó de pirlimpimpim” para o sucesso a dois. Só pessoas capazes de fazer acordos livres e saudáveis entre os “diferentes” se beneficiam de maneira madura de uma relação afetiva! Ambos crescem!
Com base nisto que falei acima podemos pensar um pouco sobre a pergunta que intitula este texto:

Namorar uma pessoa mais velha dá certo?”

O simples fato de namorar uma pessoa mais velha não é caso de dar errado ou certo, o detalhe não está numa questão de idade mas na capacidade de lidar com os diferentes. E isto vale para até quem é da mesma idade!
A primeira coisa a desmitificar é que nem sempre sua idade cronológica bate com sua idade afetiva. Podemos perceber isso em pessoas com 30,40 anos que tem uma idade afetiva beirando os 15, 20 anos. Até mesmo um de 20,30 anos com idade afetiva beirando os 40, 50 ( nem por isso ele é maduro – maturidade é a idade afetiva compativel ao que se espera de sua idade cronológica +- isso) .

Então idade cronológica não define muita coisa!

A segunda coisa é “ o que de fato me impulsiona neste relacionamento?” Muitas pessoas vivem em um namoro literalmente uma “neura” de seus desejos e aspirações. Deposita no outro suas “esperanças” “expectativas” e “faltas” . Nesta hora te digo caminho a beira do suicídio da relação. Ai podemos pensar que pessoas de idades mais aproximadas tenham mais possibilidades de se encontrarem quando as aspirações e vivencias de vida e isso já é um ganho. Pessoas com vivencias diferentes terão que fazer muito mais acordos na relação. Por exemplo: Um rapaz no auge dos seus 20 anos pensando na faculdade, curso e intercâmbio namorando uma mulher de 30 anos já formada com doutorado nas mãos já pensando em ser mãe e se casar. Pode dar certo sim, mas terão que fazer muito mais acordos para solidificar a relação. Ai te digo o que dará sucesso ou não a relação serão o quanto as motivações de cada um forem em prol da relação e dos dois e nunca fechado no particular de cada um. (obs. usei o rapaz mais novo e mulher mais velha mas o mesmo diria de uma mulher mais nova e uma homem mais velho)

Terceira coisa não fazer do relacionamento um jogo de projeções. Isso pode acontecer quando a diferença de idade na verdade é um reflexo de uma busca louca em encontrar no outro o que não tive ou me falta. Por exemplo querer namorar uma menina mais nova para ser ter uma “sensação de permanecer o eterno garoto”. Ou namorar uma mulher mais velha querendo assim os cuidados mais “maternos” do que de fato de uma namorada .

Um quarto e último ponto que gostaria de tocar é o quanto neste namoro de pessoas de idades diferentes há uma cumplicidade e verdade frente ao que cada um sente. Pois se isto for uma aliança frágil, as pressões da família, da sociedade, dos amigos enfraquecerão a relação. Ou seja o que cada um sente é forte o bastante para que o relacionamento prossiga? Ou o olhar do outro sobre vocês será persecutório demais não fazendo vocês suportarem?

Enfim o sucesso de um relacionamento não depende muito das diferenças das idades mas sim no quanto as motivações, maturidade, projeções e desejos estão afinados. O quanto de fato esta relação de namoro enriquece ambos na construção de uma família sólida e feliz! Lógico é bom ficar atendo as discrepâncias tão grandes que possam surgir. Tipo um cara de 20 anos querer namorar uma mulher de 60, ou uma de 60 namorar um rapaz de 20 denuncia muita coisa não? Será que quero uma mulher ou avó para cuidar de mim? Termino este texto não querendo ser polêmico ou preconceituoso mas sim para fazer refletir o que de fato tem nos movimentado!

Fonte: Canção Nova