16/11/2017

A identidade do Filho de Deus

Com o sacramento do batismo, você adquiriu a identidade de filho de Deus

Deus sempre renova nossa experiência com Ele, fazendo o novo acontecer, fazendo florescer um tempo de graça na nossa história, no nosso dia a dia, em nossa identidade de Filho de Deus.
Caminho sempre numa Palavra da Bíblia: “Quem está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho, tudo se fez novo” (2Cor 5,17).
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Poder transformador

Em Deus não há monotonia, n’Ele nada se repete, tudo se renova; e quando estamos em Cristo, essa renovação acontece com uma força e um poder transformador.
Tenho 23 anos de conversão e de vida com Deus, e a cada manhã tudo se renova na minha vida.
Jesus assume, com todo o coração e alma, a missão d’Ele, sem medo de se expor e sem medo de morrer pelo que veio anunciar. Ele sempre assumiu Sua identidade de Filho de Deus! Foi rejeitado pelos de Sua raça, da Sua estirpe, o povo a quem Ele foi enviado. Jesus foi perseguido e ameaçado, porém, não desistiu, foi até o fim, sendo condenado à morte, sendo flagelado, derramando Seu Sangue pelos nossos pecados. Ele não desistiu. Morreu e foi justificado pela Ressurreição, sempre assumindo a identidade d’Ele.
Muitas vezes, não temos a coragem de assumir a nossa identidade, de forma que nem sempre damos testemunho dela [identidade], pois queremos ser iguais a todo mundo.
No entanto, nós nos esquecemos de que Aquele “a quem temos de imitar” não se fez igual aos demais; pelo contrário, viveu de maneira diferente, fez a diferença e incomodou.
Hoje é o dia de nos perguntarmos: eu tenho incomodado com a minha vivência do Cristianismo? Eu tenho sido autêntico? Tenho dado testemunho da minha fé?
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Opção radical por Deus

A vivência da Sua identidade levou Jesus à cruz. Talvez, também tenhamos de passar pela cruz por fazermos a opção radical por Deus. Mas precisamos dizer sem medo: isso é o que Ele quer de nós, que sejamos autênticos, diferentes, separados e santos.
Preciso ainda dizer: as pessoas com quem convivemos esperam também que sejamos diferentes e que tenhamos posições diferentes no dia a dia. São Paulo revela que até mesmo toda a criação espera que nos manifestemos: “De fato, toda a criação espera ansiosamente a revelação dos filhos de Deus” (Rm 8,19).
Você já reparou no seu documento de identidade? O que ele contém? Ele traz seu nome completo, sua filiação (nome do pai e da mãe), a data do seu nascimento, o número do registro de seu nascimento, a cidade onde você nasceu, a data da expedição da carteira, a sua foto, sua digital e o número do registro geral e sua assinatura.
Como será a nossa identidade de cristãos? No céu, o nosso nome está completo também, assim como o nome daqueles que lhe deram a vida, aqui na Terra, estão registrados lá.
A filiação evidenciada no céu é a de que você é filho de Deus. Há a data do seu nascimento e, no lugar da data da expedição da carteira, há a data do seu batismo, pois, por meio desse sacramento, você adquiriu a identidade de filho de Deus.
O céu o conhece muito bem, por isso não precisa de foto nem assinatura, pois a “assinatura” são as opções que você faz.

A garantia do Sangue de Jesus

Sangue de Jesus lhe dá a garantia do seu nome registrado no céu.
O desafio é demonstrarmos aqui, nesta terra, nossa identidade de filhos de Deus, de cidadãos do céu, pois, no lugar da cidade onde nós nascemos, está escrito que você e eu somos cidadãos do céu. Mostre para todos a sua identidade.
Eis o desafio de hoje: seguir os passos de Jesus e não negar a identidade de cristão, de filho de Deus.
Isso implica testemunho de vida e luta constante pela santidade.
Estamos juntos nesta!
Conte comigo!
Deus abençoe!

Autor: Pe Roger Luiz
Fonte: Canção Nova

15/11/2017

Nunca perca o encanto e a ternura pela vida

Que as dores vividas não nos roubem o olhar de esperança nem o encanto pela vida

Viver é uma aventura, e, diga-se de passagem, uma aventura muito bela! Descobrem a beleza da vida, as almas que nunca perdem o encanto e a ternura diante de cada novo dia e de cada nova experiência.
Enche-se de leveza e alegria o coração que nunca perde a novidade e que enfrenta as realidades, a cada dia, como se tudo fosse novo, encantando-se diante da criação e diante da beleza presente nos detalhes do existir.
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com
Ao contrário, quem perdeu o encanto com a vida e a enxerga com ares de “hora extra”, acreditando já ter contemplado tudo o que ela tem a oferecer, acaba por conceber a existência como um peso, como realidade opaca e destituída de significado.
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Quando se perde o encanto pela vida

Uma das piores coisas do mundo, pior até que “dor de dente”, é conviver com alguém que se cansou de viver, que vê a vida de maneira distorcida e negativa em virtude das marcas que o passado lhe acrescentou.
Quem fica com os olhos fixados no passado se torna incapaz de ver o presente. E quem não o vê está morto.
Não existe maior expressão de morte para alguém do que deixar de enxergar o mundo e o presente, como se fosse a primeira vez.
Que as dores que vivemos não nos roubem o olhar de esperança nem o encanto diante de cada situação.
Nosso presente é o presente que Deus nos entrega, e cabe a nós, com o auxílio e a graça d’Ele, reconstruir no hoje, as belas e originais ilustrações e formas de nossa história.
Fomos criados para a felicidade, independentemente do nosso passado e das dores que vivenciamos.
Ser feliz não é viver sem sofrimentos, mas é saber crescer com esses, não permitindo que eles nos aprisionem.
Não existe realização sem luta e desafio. Quem luta por sua felicidade já a alcançou, é apenas uma questão de tempo. É possível ser feliz no hoje. A felicidade é sempre uma real possibilidade, depende apenas da forma como enxergamos a vida.
Nunca desista de lutar pela vida e por seus sonhos, saiba que você é muito mais do que seu passado e suas escolhas erradas.
Creia que hoje, agora, é o momento ideal para ser feliz e viver o encanto pela vida!

Autor: Padre Adriano Zandoná

14/11/2017

O pecado é o motivo de nossa tristeza

Tenha certeza: o pecado é o motivo de sua tristeza, e só Jesus pode lhe devolver a alegria verdadeira

Em algumas situações específicas, em que duas pessoas eram condenadas à morte, os romanos costumavam aplicar uma pena extremamente cruel. Amarravam as duas pessoas uma à outra, rosto com rosto, braço com braço, mão com mão, perna com perna e assim por diante. Depois, matavam apenas um deles e colocavam ambas no sepulcro, amarradas. À medida que o cadáver ia se decompondo, liberava substâncias que consumiam em vida o corpo daquele que com ele estava amarrado.
Dessa maneira, podemos entender melhor a que São Paulo aludia ao dizer: “Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte?” (Rm 7,24). Ele não falava de seu corpo físico, mas do corpo do pecado ao qual estava amarrado.
Foto: Wesley Almeida / cancaonova.com
Qual aquele condenado, não temos forças para nos livrar deste corpo de pecado que nos consome. Estamos de tal maneira amarrados a ele, que parecemos formar um só corpo, e não estamos amarrados por fora, mas por dentro, em nosso coração.
Precisamos de alguém que nos desamarre e nos livre desse corpo que nos mata e faz apodrecer em vida.
Os cristãos são o suave odor de Cristo, mas, quando se tem um corpo de pecado trancado no coração, o próprio coração se corrompe e começa a empestear, com o mau cheiro, o ar à sua volta. Em vez de ser causa de alegria e felicidade para si e para os outros, torna-se causa de sofrimento e infelicidade, porque se afasta de Deus e entra em discórdia com as pessoas para defender interesses egoístas.
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A verdade é que somos as primeiras vítimas desse mal; sentimo-nos tristes, abatidos e abandonados, porque somos pecadores e, em nosso coração, vive uma lepra chamada pecado, que o insensibilizou à presença amorosa de Deus. E o pior é que não podemos fugir dele, como se foge de uma pessoa desagradável. Não podemos fugir, porque o pecado nos fala de dentro do nosso coração (cf. Sl 36,2), nós o levamos conosco para onde vamos.

Só Jesus pode lhe devolver a alegria verdadeira

Tenha certeza: o pecado é o motivo de sua tristeza, e só Jesus pode lhe devolver a alegria verdadeira. É necessário que Ele o liberte desse mal, mate essa lepra e mude seu coração corrompido em um novo coração. Toda pessoa que pensa ser impossível que seus pecados lhe sejam perdoados, entra em desespero, e torna o seu estado pior do que era antes. Então, tenha confiança em Deus!
Se você, alguma vez, já se sentiu perdido por causa de alguma coisa que fez, se teve medo de cair no inferno, sentiu-se desolado e sem forças, se, depois de repetidas lutas contra um mesmo pecado, mais uma vez você foi vencido e sentiu vontade de desistir, tenho uma ótima notícia para você: só quem assim se sentiu pode experimentar o que é ser salvo pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, e este mesmo Jesus pode eliminar sua tristeza na raiz.

Autor: Márcio Mendes

13/11/2017

Não se esqueça de viver

Viver é ser responsável, sim, mas também ser livre para ser quem é

Alguma vez, na vida, você já se esqueceu de viver? Eu já!
Gosto muito do clássico Pollyana’, de Eleanor Porter, que narra a história de uma menina, filha de um missionário pobre, que, após ficar órfã, vai morar em outra cidade com sua tia Polly Harrigton, uma madame que possuía muitos bens materiais e grande influência em todos os setores da sociedade, mas era infeliz. Na concepção de Pollyana, ela não sabia viver. Segundo a garota, viver era ter um tempo só seu, no qual pudesse fazer coisas de que gostava sem se preocupar com regras, horários e leis; e a tia Polly tinha regras, horários e leis para tudo.
Foto ilustrativa: Wesley Almeida / cancaonova.com
O certo é que, com a chegada da menina, de uma hora para outra, tudo começou a mudar em Beldingsville, uma típica cidadezinha dos Estados Unidos. A tia Polly, aos poucos, tornou-se uma pessoa melhor, mais amável, e o mesmo acontece com praticamente todos os que conhecem aquela garota e seu incrível ‘Jogo do Contente’. É que Pollyanna não aceita desculpas para a infelicidade e empenha-se, de corpo e alma, em ensinar às pessoas o caminho para superar a tristeza e valorizar a vida.

A criança que ainda existe dentro de nós

Em muitos aspectos, concordo com ela; aliás, esse livro é um dos que mais marcaram minha vida até hoje. Assim como aquela garota, acredito que viver é ser responsável sim, mas também ser livre para ser quem é, sem precisar prestar contas, ao mundo, da roupa que se veste e de cada passo que se dá. É ter tempo para estar com as pessoas que se ama, ouvir o canto dos pássaros, contemplar as flores, correr no parque, fazer castelos na areia e rir de si mesmo quando sentir vontade.
Tempos atrás, levei um susto ao perceber que não estava “vivendo”. Envolvida em um exigente projeto dentro da missão evangelizadora que assumo, estava dedicando-lhe mais tempo do que deveria. Dormia e acordava pensando nas melhores chances de conquistar as metas do dia seguinte, e, quase sem perceber, minha vida estava girando em torno de tal projeto.
Era tudo com boa intenção, já que a meta era evangelizar, mas, certamente, estava indo por atalhos, não pelo caminho certo. Até que, ao voltar para casa, num fim de tarde, observei, no jardim do prédio onde moro, várias florzinhas – daquelas que soltam suas sementes e voam pelo ar quando as sopramos. Lembrei-me, rapidamente, do quanto gosto dessas flores e me admirei de não as ter enxergado antes, sendo que passava no mesmo lugar no mínimo duas vezes ao dia! Parei um pouco, sentei-me ali mesmo e fui soprando as flores, do jeito que eu fazia quando era criança e continuo repetindo o ato até hoje.
Parece que, quando vejo as sementinhas suspensas no ar, sendo levadas para o alto pelo vento, sinto-me mais livre, mais leve, mais perto de Deus; e a agitação e os problemas do dia a dia, por um instante, voam com elas. É uma sensação muito boa! Experimente fazer isso e você vai perceber que a criança que você era ainda está dentro de você e se alegra com coisas assim, bem simples.

O desafio do ativismo em nossa vida

Naquele fim de tarde, sentada no muro do canteiro, fui percebendo que havia dias em que eu me esquecia de fazer as coisas simples e descomplicadas, as quais me causam tanto bem. Eu havia permitido que o trabalho definisse minha rotina e roubasse-me a leveza da vida. Tudo foi passageiro e superado com sucesso, graças a Deus, mas não pretendo repetir a experiência!
Sei que não estou imune ao ativismo, porque me vejo, continuamente, diante de grandes desafios no exercício da missão assumida, mas continuo buscando o equilíbrio entre o fazer e o ser. Sei que o mais importante, diante de Deus, não é o que faço, mas quem realmente sou para Ele.
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Não é o caso de arranjar desculpas, mas a realidade de nosso tempo, considerado a “Era do Desenvolvimento”, põe-nos diante do grande perigo, que é passar pela vida sem sentir o prazer de viver.
Contemplamos uma sociedade “controlada” pela sede do saber, ter e poder, porém, mesmo “sabendo” e “tendo” tanto, não pode viver com liberdade usufruindo do que possui.
É preciso empenho para não se deixar levar por essa correnteza, e aí entram a fé e a fidelidade aos nossos princípios de vida para nos sustentar.

Tenha a coragem de parar um pouco

Precisamos pontualizar onde queremos chegar, de fato, e seguir em frente sem perder a inspiração inicial. O trabalho é importante e necessário, mas não tem o direito de nos escravizar, a não ser que lhe demos essa chance.
Hoje, se a vida está cheia de compromissos e lhe falta tempo para fazer as coisas de que você mais gosta, tenha a coragem de parar, nem que seja um pouco, e priorizar o que realmente é mais importante para você. Acredito que terá ótimas surpresas, como eu as tenho tido.
Lembre-se: a vida é o que temos de mais precioso! Não se esqueça de viver!

Autora: Dijanira Silva

06/11/2017

A solidão e o silêncio revelam o que somos

A experiência do deserto e da solidão é de grande valia para que o ser se contemple

Uma condição essencial para que nossos relacionamentos sejam equilibrados e sadios é a qualidade do relacionamento que temos com nós mesmos. Se nosso coração não tem a devida maturidade para enfrentar-se em sua real identidade, este se construirá de maneira oca e ausente de inteireza.
A experiência do deserto e da solidão é de grande valia para que o ser se contemple e se enfrente, e assim possa compreender-se como é. De forma a nos oferecer uma rica possibilidade de encontro, remetendo-nos ao encontro com nós mesmos e nos preparando para, a partir da consciência do que somos, nos encontrarmos verdadeiramente com o outro.
Foto: Wesley Almeida / cancaonova.com
Há quem não se permita viver a experiência da solidão e tende a criar barulhos e ocupações por receio do silêncio, o qual revela o que somos.
Existem aqueles que afirmam “ser de todos” e comunicar-se, constantemente, com todos; porém, é preciso recordar que o lançar-se na dimensão relacional não pode ser fuga, mas sim um passo consciente de alguém resolvido em sua individualidade, que deseja doar e comunicar o que é e também acolher a verdade expressa por outro. Contudo, ninguém pode doar-se se antes não se possuir.
Os desertos proporcionados pela vida, se bem direcionados, podem preparar-nos qualitativamente para o encontro com os demais, e principalmente, para o encontro com Deus.

A solidão e o silêncio revelam o que somos

A solidão e o silêncio revelam o que somos, fazendo-nos entender nossa singularidade e, consequentemente, a singularidade daqueles que nos acompanham. Ao vivê-los [solidão e silêncio], aprendemos a compreender as diferenças que nos caracterizam, assim como as de cada pessoa. Então, poderemos reconhecer: “O outro não sou eu. Ele pensa, vive e ama de outra forma, e desse modo, precisa ser respeitado e acolhido”. No deserto, descubro um outro que possui uma singularidade e que não tem a obrigação de ser do jeito que eu quero nem de corresponder às minhas carências e frustrações.
Quando passamos a nos enxergar, fazendo a experiência de nos aceitar como somos, podemos amar inteiramente aos outros sem os forçar a ser o que desejamos. O amor real não exige que o outro se encaixe em nosso modelo de perfeição, este compreende e aceita quem o outro é.
A solidão ajuda a formar em nós essa percepção, preparando-nos para um qualitativo encontro, pois nela somos capazes de nos contemplar, compreender e nos doar com inteireza. Por isso, é preciso assumir-se para doar-se, percebendo-se como único, para assim poder acolher a unicidade de outra pessoa. Um pouco de solidão, muitas vezes, tem a função de nos equilibrar quando bem vivida (no autoconhecimento) e direcionada, tendo como meta o amor e a autodoação.

A experiência do deserto

O deserto é também experiência de liberdade, de perceber-se livre e amado por Deus, que respeita o que somos, e entender que para amar uma pessoa é preciso renunciar a uma mentalidade de posse, deixando-a livre para expressar-se como é.
Que essa bela experiência do deserto nos confira profundidade e nos leve a compreender nosso imenso valor e o de cada pessoa. Dessa maneira, poderemos amar com mais qualidade e com o sagrado respeito que nos torna mais autênticos e encontrados em nossa essência, possibilitando-nos a realização com relação ao que somos.


Autor: Padre Adriano Zandoná

02/11/2017

O Dia de Finados

A COMEMORAÇÃO NA HISTÓRIA

Os primeiros vestígios de uma comemoração coletiva de todos os fiéis defuntos são encontrados em Sevilha (Espanha), no séc. VII, e em Fulda (Alemanha) no séc. IX.
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O fundador da festa foi Santo Odilon, abade de Cluny, o qual a introduziu em todos os mosteiros de sua jurisdição, entre os anos 1.000 e 1.009. Na Itália em geral, a celebração já era encontrada no fim do séc. XII e, mais precisamente em Roma, no início do ano de 1.300. Foi escolhido o dia 2 de novembro para ficar perto da comemoração de todos os santos.
Neste dia, a Igreja especialmente autoriza cada sacerdote a celebrar três Missas especiais pelos fiéis defuntos. Essa prática remonta ao ano de 1915, quando, durante a Primeira Guerra Mundial, o Papa Bento XV julgou oportuno estender a toda Igreja esse privilégio de que gozavam a Espanha, Portugal e a América Latina desde o séc. XVIII.

NA TRADIÇÃO DA IGREJA

Tertuliano (†220) Bispo de Cartago – afirma: “A esposa roga pela alma de seu esposo e pede para ele refrigério, e que volte a reunir-se com ele na ressurreição; oferece sufrágio todos os dias aniversários de sua morte” (De monogamia, 10).
O prelado atesta o uso de sufrágios na liturgia oficial de Cartago, que era um dos principais centros do Cristianismo no século III: “Durante a morte e o sepultamento de um fiel, este fora beneficiado com a oração do sacerdote da Igreja” (De anima 51; PR, ibidem).
Falando da vida de Cartago, no século III, afirma Vacandart, sobre a vida religiosa: “Aí vemos o clero e os fiéis a cercar o altar […] ouvimos os nomes dos defuntos lidos pelo diácono e o pedido de que o bispo ore por esses fiéis falecidos; vemos os cristãos […] voltar para casa reconfortados pela mensagem de que o irmão falecido repousa na unidade da Igreja e na paz do Cristo” (PR, ibidem).
São Gregório Magno (540-604), Papa e Doutor da Igreja, declara:
“No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma Aquele que é a Verdade, dizendo que se alguém tiver cometido uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem no presente século nem no século futuro (cf. Mt 12,31). Dessa afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro” (dial. 4, 39).
São João Crisóstomo (349-407), Bispo e Doutor da Igreja, afirma:
“Levemos-lhe socorro e celebremos a sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelos sacrifícios de seu pai (Jó 1,5), porque duvidar que as nossas oferendas em favor dos mortos lhes leva alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer as nossas orações por eles” (Hom. 1Cor 41,15). E “Os Apóstolos instituíram a oração pelos mortos e esta lhes presta grande auxílio e real utilidade” (In Philipp. III 4, PG 62, 204).
“Da mesma forma, rezando nós a Deus pelos defuntos, ainda que pecadores, não lhe tecemos uma coroa, mas apresentamos Cristo morto pelos nossos pecados, procurando merecer e alcançar propiciação junto a Deus clemente, tanto por eles como por nós mesmos” (idem).
Santo Epifânio (†403), Bispo da ilha de Chipre, diz:
“Sobre o rito de ler os nomes dos defuntos (no sacrifício) perguntamos: que há de mais nisso? Que há de mais conveniente, de mais proveitoso e mais admirável que todos os presentes creiam viverem ainda os defuntos, não deixarem de existir, e sim existirem ao lado do Senhor? Com isso se professa uma doutrina piedosa: os que oram por seus irmãos defuntos abrigam a esperança (de que vivem), como se apenas casualmente estivessem longe. E sua oração ajuda aos defuntos, mesmo se por elas não fiquem apagadas todas as dívidas […]. A Igreja deve guardar este costume, recebido como tradição dos Pais […] a nossa Mãe, a Igreja, nos legou preceitos, os quais são indissolúveis e definitivos” (Haer. 75, c. 8: pág. 42, 514s).
Os Cânones de Santo Hipólito (160-235), que se referem à Liturgia do século III, contêm uma rubrica sobre os mortos […] “[…] Caso se faça memória em favor daqueles que faleceram […]” (Canones Hippoliti, em Monumenta Ecclesiae Liturgica; PR, 264, 1982).
Serapião de Thmuis (século IV), Bispo, no Egito, compôs uma coletânea litúrgica, na qual se pode ver a intercessão pelos irmãos falecidos:
“Por todos os defuntos dos quais fazemos comemoração, assim oramos: “Santifica essas almas, pois Tu as conheces todas; santifica todas aquelas que dormem no Senhor; coloca-as em meio às santas Potestades (anjos); dá-lhes lugar e permanência em teu reino” (Journal of Theological Studies t. 1, p. 106; PR , 264, 1982).
“Nós te suplicamos pelo repouso da alma de teu servo (ou de tua serva); dá paz a seu espírito em lugar verdejante e aprazível, e ressuscita o seu corpo no dia que determinaste” (PR, 264,1982).
As Constituições Apostólicas, do fim do século IV, redigidas com base em documentos bem mais antigos, no livro VIII da coleção, relata:
Oremos pelo repouso de (citar nome), a fim de que o Deus bom, recebendo a sua alma, lhe perdoe todas as faltas voluntárias e, por sua misericórdia, lhe dê o consórcio das almas santas.

SOBRE AS INDULGÊNCIAS

Constituição Apostólica Doutrina das Indulgências Papa Paulo VI, 1967, diz:
“A doutrina e o uso das indulgências vigentes na Igreja Católica há vários séculos encontram sólido apoio na Revelação divina, a qual vindo dos Apóstolos, se desenvolve na Igreja sob a assistência do Espírito Santo, enquanto a Igreja no decorrer dos séculos, tende para a plenitude da verdade divina, até que se cumpram nela as palavras de Deus (Dei Verbum, 8) e ( DI, 1).
Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos (Norma 1).
“Assim nos ensina a revelação divina que os pecados acarretam como conseqüência penas infligidas pela santidade e justiça divina, penas que devem ser pagas ou neste mundo, mediante os sofrimentos, dificuldades e tristezas desta vida e, sobretudo, mediante a morte, ou então no século futuro […]” (DI, 2).
“Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório, a remissão das penas temporais, sequelas dos pecados” (Catecismo da Igreja Católica, 1498).

CONDIÇÕES PARA GANHAR A INDULGÊNCIA PLENÁRIA

Para si ou para uma alma
1 – Confessar-se bem, rejeitando todo pecado;
2 – Participar da Santa Missa e comungar com esta intenção;
3 – Rezar pelo Papa ao menos um Pai Nosso, Ave Maria e Glória e
4 – Visitar o cemitério e rezar pelo falecido.
Obs.: Fora da semana dos falecidos, o item 4 pode ser substituído por: Terço em família diante de um oratório, Via-Sacra na igreja; meia hora de adoração do Santíssimo ou meia hora de leitura bíblica meditada.
Leia mais:

Autor: Prof. Felipe Aquino

01/11/2017

Solenidade de todos os Santos




A Igreja celebra a santidade dos cristãos que se encontram no Céu, para nos mostrar a vocação universal de todos para a felicidade eterna
“Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Todos são chamados à santidade: ‘Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito’ “(Mt 5,48) (CIC 2013).

Sendo assim, nós passamos a compreender o início do sermão do Abade São Bernardo: “Para que louvar os santos, para que glorificá-los? Para que, enfim, esta solenidade? Que lhes importam as honras terrenas? A eles que, segundo a promessa do Filho, o Pai celeste glorifica? Os santos não precisam de nossas homenagens. Não há dúvida alguma, se veneramos os santos, o interesse é nosso, não deles”.

Sabemos que desde os primeiros séculos os cristãos praticam o culto dos santos, a começar pelos mártires, por isto hoje vivemos esta Tradição, na qual nossa Mãe Igreja convida-nos a contemplarmos os nossos “heróis” da fé, esperança e caridade. Na verdade é um convite a olharmos para o Alto, pois neste mundo escurecido pelo pecado, brilham no Céu com a luz do triunfo e esperança daqueles que viveram e morreram em Cristo, por Cristo e com Cristo, formando uma “constelação”, já que São João viu: “Era uma imensa multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7,9).

Todos estes combatentes de Deus, merecem nossa imitação, pois foram adolescentes, jovens, homens casados, mães de família, operários, empregados, patrões, sacerdotes, pobres mendigos, profissionais, militares ou religiosos que se tornaram um sinal do que o Espírito Santo pode fazer num ser humano que se decide a viver o Evangelho que atua na Igreja e na sociedade. 

Portanto, a vida destes acabaram virando proposta para nós, uma vez que passaram fome, apelos carnais, perseguições, alegrias, situações de pecado, profundos arrependimentos, sede, doenças, sofrimentos por calúnia, ódio, falta de amor e injustiças; tudo isto, e mais o que constituem o cotidiano dos seguidores de Cristo que enfrentam os embates da vida sem perderem o entusiasmo pela Pátria definitiva, pois “não sois mais estrangeiros, nem migrantes; sois concidadãos dos santos, sois da Família de Deus” (Ef 2,19).

Neste dia a Mãe Igreja faz este apelo a todos nós, seus filhos: “O apelo à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade se dirige a todos os fiéis cristãos.” “A perfeição cristã só tem um limite: ser ilimitada” (CIC 2028).

Todos os santos de Deus, rogai por nós!