28/01/2018

Razões para entender a indissolubilidade do matrimônio

Há muitas razões para entender a indissolubilidade do matrimônio

Jesus deixou bem claro que o casamento é uma realidade para toda a vida. Os fariseus perguntaram a Ele sobre o que Moisés tinha determinado, isto é, a possibilidade do divórcio: “É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo qualquer?” (Mt 19,3).

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

O Senhor lhes deu uma resposta enfática: “Não lestes que o Criador, no princípio, fez o homem e a mulher e disse: Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne? Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu”. Jesus deixou claro: “Por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no princípio não foi assim”. E, por isso, Ele disse: “Eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério” (Mt 19,3-10).

Jesus enfatizou que “no princípio não era assim”, ou seja, no coração de Deus, quando Ele criou o homem e a mulher, estabeleceu o casamento para sempre. “Sereis uma só carne” (Gen 2,23). Carne na Bíblia quer dizer natureza humana.

Há muitas razões para entender a indissolubilidade do matrimônio. São Paulo compara o casamento com a união de Cristo com Sua Esposa, a Igreja. “Maridos, amai as vossas esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5,25). Ora, então o casamento é sinal da união eterna de Jesus com a Igreja, e de maneira indissolúvel. Ele não se separa da Igreja nem a Igreja d’Ele. O Senhor derramou Seu Sangue por amor à Igreja, e Seus mártires fizeram o mesmo por amor a Ele.

A marca do verdadeiro amor é a indissolubilidade, pois amar é decidir fazer o outro feliz sempre. Isso não tem limite de tempo. Um amor provisório não é amor. Amar é comprometer-se com a felicidade do outro para sempre: na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-o e respeitando-o todos os dias da sua vida.

O casamento é a base da família, e esta é a base da sociedade. Se o casamento se dissolver, a família se dissolverá e a sociedade perecerá. O Papa João Paulo II usou palavras muito fortes para explicar isso. Ele disse que “a família é insubstituível”, que ela é “o santuário da vida”, um “patrimônio da humanidade”. Ela é a “Igreja doméstica”. Da importância da família se entende a importância da indissolubilidade matrimonial.

O casamento faz surgir uma prole: filhos, netos, bisnetos… É desta união permanente que surge a beleza de uma família, berço da vida. É triste quando se quebra o vínculo da unidade pela separação do casal. Por isso, é necessário que os casamentos sejam bem preparados, de modo que não haja casamentos que mais tarde um Tribunal da Igreja possa declarar que foi nulo. E, infelizmente, isso tem acontecido muito, porque falta uma boa preparação para os casamentos. Muitos se casam sem maturidade, sem saber profundamente o que significa “amar”, dar a vida pelo outro e pela família.

Há casamentos que duram 50, 60, 65 anos… Uma vez li essa história:

“Um famoso professor se encontrou com um grupo de jovens que falava contra o casamento. Argumentavam que o que mantém um casal é o romantismo e que é preferível acabar com a relação quando esse se apaga, em vez de se submeter à triste monotonia do matrimônio.

O mestre disse que respeitava a opinião deles, mas lhes contou a seguinte história: “Meus pais viveram 55 anos casados. Numa manhã, minha mãe descia as escadas para preparar o café e sofreu um enfarto. Meu pai correu até ela, levantou-a como pôde e quase se arrastando a levou até à caminhonete. Dirigiu a toda velocidade até o hospital, mas quando chegou, infelizmente ela já estava morta. Durante o velório, meu pai não falou. Ficava o tempo todo olhando para o nada. Quase não chorou. Eu e meus irmãos tentamos, em vão, quebrar a nostalgia recordando momentos engraçados.

Na hora do sepultamento, papai, já mais calmo, passou a mão sobre o caixão e falou com sentida emoção: “Meus filhos, foram 55 bons anos. Ninguém pode falar do amor verdadeiro se não tem ideia do que é compartilhar a vida com alguém por tanto tempo“. Ele fez uma pausa, enxugou as lágrimas e continuou: “Ela e eu estivemos juntos em muitas crises. Mudei de emprego, renovamos toda a mobília quando vendemos a casa e mudamos de cidade. Compartilhamos a alegria de ver nossos filhos concluírem a faculdade, choramos um ao lado do outro quando entes queridos partiam. Oramos juntos na sala de espera de alguns hospitais, nos apoiamos na hora da dor, trocamos abraços em cada Natal e perdoamos nossos erros. Filhos, agora ela se foi, eu estou contente. E vocês sabem por quê? Porque ela se foi antes de mim e não teve de viver a agonia e a dor de me enterrar, de ficar só depois da minha partida. Sou eu que vou passar por essa situação, e agradeço a Deus por isso. Eu a amo tanto que não gostaria que sofresse assim”.

Quando meu pai terminou de falar, meus irmãos e eu estávamos com os rostos cobertos de lágrimas. Nós o abraçamos e ele nos consolou dizendo: “Está tudo bem, meus filhos, podemos ir para casa”.

Esse foi um bom dia. E, por fim, o professor concluiu: “Naquele dia, entendi o que é o verdadeiro amor. Ele está muito além do romantismo, e não tem muito a ver com o erotismo, mas se vincula ao trabalho e ao cuidado a que se professam duas pessoas realmente comprometidas”.

Quando o mestre terminou de falar, os jovens universitários não puderam argumentar, pois esse tipo de amor era algo que não conheciam. O verdadeiro amor se revela nos pequenos gestos, no dia a dia e por todos os dias. O verdadeiro amor não é egoísta, não é presunçoso nem alimenta o desejo de posse sobre a pessoa amada.

“Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado com certeza chegará mais longe.” “A paciência pode ser amarga, mas seus frutos são doces.”


Autor: Prof. Felipe Aquino

27/01/2018

Devemos ter coragem de sair da zona de conforto e progredir

Não fique no plano das promessas tenha coragem de progredir

Entra ano e sai ano e as promessas se tornam grandes e muitas vezes irreais. Projetos são idealizados e não concretizados. E a frustração e o desânimo tornam-se companheiros cada vez mais frequentes.
Que tal iniciar o ano de uma forma diferente? O que você deseja fazer neste ano que não fez? Pense em algo.
Devemos ter coragem de sair da zona de conforto e progredir
Foto Ilustrativa: Arquivo CN/cancaonova.com
Agora, pense no que você precisa fazer para que esse projeto se realize, e não fique apenas no papel. Pensou? Aqui é preciso gastar neurônio. Traçar um caminho real e não imaginário, do que eu preciso fazer para alcançar meu objetivo. Por exemplo. Quero trocar de carro: para trocar de carro eu preciso saber o valor do meu atual e o valor do carro que eu desejo comprar. Depois de saber o valor da diferença, é necessário saber onde poupar. Onde poderia diminuir a minha despesa? Nos gastos com refeição e saídas noturnas aos finais de semana? Com aquele lanche que compro todos os dias quando saio do trabalho, ao passar naquela padaria maravilhosa? Na conta do celular? Seja real, verdadeiro e prático. Desse valor que poderá ser poupado, onde será bem aplicado para a troca do carro? Talvez um consórcio. Tudo isto poderá ser realizado ao longo do ano de 2018, até que a troca seja feita. Ótimo! Já temos um planejamento anual. No entanto, existe um erro nisso tudo. Afinal de contas, muitos brasileiros já fazem isso e, todo o planejamento não sai do papel. E ao chegar ao final do ano, permanece com o mesmo carro, frustrado e sem dinheiro.

O segredo está no hoje!

Todo esse planejamento está projetado para um futuro. Que pode chegar ou não. E o problema do futuro é que não vivo ele. E quando vivo, corro o grande risco de desenvolver um transtorno de ansiedade. Então, o que desse planejamento eu posso realizar hoje? Se desejo vender, é preciso anunciar a venda. Tirar foto do carro, anunciar na internet, colocar uma placa de “vende-se”! Tudo isso eu posso fazer AGORA! Ficar apenas no projeto, não impulsionará ninguém chegar a lugar algum. É preciso saber onde quero chegar, como chegar, mas acima de tudo, dar a partida. Sair do lugar, dar o primeiro passo! A sua mente só saberá que você quer chegar a algum lugar, quando já estiver no caminho.
Vamos pensar naquela pessoa que deseja muito, ao final do próximo ano, participar da corrida de São Silvestre ou de alguma meia maratona que acontece nas grandes capitais. Se ela desejar e planejar tudo o que precisa fazer, como: mudar a alimentação, dedicar um tempo do seu dia para fortalecer a musculatura na academia e ir para a rua correr; se essa pessoa planejar mas não iniciar esse processo, então, chegará ao final do ano e ela não terá condições físicas para participar da corrida. Tudo ficará apenas no desejo e no pensamento.

Planeje, mas execute

Por isso, não adianta planejar e não executar. E o executar precisa ser agora, no calor da motivação, da criatividade!
Outro ponto determinante é sobreviver no percurso da execução do projeto. Sair da zona de conforto é desgastante, instável e inseguro. Por esses motivos, muitas vezes desistimos no meio do caminho. Pois o meio do caminho é este lugar em transição, que não é mais de onde eu estava, mas também, não é onde eu desejo chegar. Essa transição gera a angústia da instabilidade, do não saber se vai dar certo, “se eu vou conseguir”. No entanto, se eu ficar preso a emoção da angústia e insegurança, provavelmente ficarei vulnerável as situações externas e assim desistirei. Se seu projeto é bom; real; possível de se realizar; não fique preso às emoções próprias da fase de transição. Tenha coragem de dar o primeiro passo! De sair do ponto de partida e perseverar na transição.
Não deixe para ir à academia amanhã; fazer dieta na segunda; poupar dinheiro no próximo mês, amar seus filhos, pais, amigos e esposo (a) amanhã. Viva o hoje! É isso que você tem – o hoje; preciso sonhar e planejar o amanhã, mas se não colocar em prática hoje, tudo ficará sempre no “amanhã”. Inicie e persevere!

Autora: Aline Rodrigues

26/01/2018

Ler a Bíblia entendendo que tudo converge para Jesus

É preciso ler a Bíblia, entendendo que tudo converge para Jesus

Bíblia é palavra inspirada, é Deus que revela-se aos homens; em contrapartida, uma exigência para ler a Bíblia é a fé de quem a lê. É preciso a adesão da fé, para que essa palavra produza frutos na vida de quem se debruça sobre a Palavra de Deus e acredita na ação divina. E para que essa  exista, é preciso contar com o auxílio do Espírito Santo, que nos direciona a Deus, e nos dá o entendimento necessário para aceitar e crer na Revelação.
Já nos ensinou São Jerônimo: “Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”. Não podemos ignorar Jesus. Temos de contar com o Espírito Santo, que nos conduz na leitura da Sagrada Escritura e nos põe no caminho do Cristo. Ler e acreditar na Sagrada Escritura é caminhar com o Senhor, é ouvir o Seu convite: “Vem e segue-me!”
Ler a Bíblia entendendo que tudo converge para Jesus
Foto Ilustrativa: Paula Dizaró/cancaonova.com

A importância dos Evangelhos

Daí a importância de lermos a Sagrada Escritura, em especial os Evangelhos. Toda a Bíblia é revelação de Deus. O Antigo e o Novo Testamento possuem a mesma importância, mas, os Evangelhos têm um lugar de excelência, pois ali se encontra a vida de Jesus, e todos os outros livros se convergem para o centro, que é Cristo.
Orienta-nos a Dei Verbum, Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina: Ninguém ignora que, entre todas as Escrituras, mesmo do Novo Testamento, os Evangelhos têm o primeiro lugar, enquanto são o principal testemunho da vida e doutrina do Verbo encarnado, nosso Salvador.
É preciso ler todos os livros da Bíblia, entendendo que tudo converge para Jesus. E quando lemos os quatro Evangelhos não é diferente. É importante ler esses livros para percebermos vários aspectos da vida de Cristo. Os quatro Evangelhos se completam. Cada um possui suas características próprias; e vistos em conjunto; ajudam-nos a conhecer e seguir Jesus.

Peculiaridades

O Evangelho segundo São Marcos, por exemplo, quer nos apresentar a pessoa de Jesus. Precisamos conhecê-Lo, pois decidimos segui-Lo. Com o Evangelho de São Mateus, considerado o mais catequético dos quatro, aprendemos ensinamentos de Jesus, porque, só é possível segui-Lo se soubermos como escolher o Seu caminho nas situações da vida. O Evangelista São Lucas nos apresenta a universalidade da mensagem de Cristo. É para todos! E somos chamados a anunciar essa mensagem a todos. Por fim, o Evangelho segundo São João, que possui uma literatura mais simbólica, pois nos propõe a fé nos mistérios de Jesus, que é Deus.
Conhecer Jesus, saber Seus ensinamentos, levar a mensagem de salvação aos outros e experimentar fé nos mistérios divinos, eis alguns dos motivos pelos quais devemos ler e estudar os Evangelhos. Além disso, nos permitir compreender que Jesus é o centro da Sagrada Escritura, e assim ler cada um dos outros livros da Bíblia, com suas características próprias e relacionando-os com os demais [livros bíblicos], é um bom caminho para aceitar o convite da Igreja, de que nos debrucemos gostosamente sobre o texto sagrado (Dei Verbum), ou seja, sintamos seu sabor, seu gosto na nossa vida.

Autor: Denis Duarte

25/01/2018

O perdão deve ser declarado em todas as circunstâncias

Perdão íntimo e interior são sementes para novas feridas. O perdão precisa ser verbalmente declarado

O perdão não pode ser somente uma decisão interior, guardada no fundo do coração. O perdão precisa ser exteriorizado. Perdão íntimo e interior são sementes de novas feridas. O perdão precisa ser verbalmente declarado. Assim como um juiz que precisa proclamar a sentença, a pessoa que decide perdoar deve declarar o perdão. Mais do que desejado e pensado, o perdão tem de ser declarado. O perdão exige uma palavra de proclamação. Nem que seja sozinha, no banheiro ou no automóvel, a pessoa, quando se decide pelo perdão, precisa falar em voz alta: “Eu perdoo!”. E precisa falar num tom de voz que, ao menos ela mesma possa ouvir. E falar repetidas vezes.
Foto ilustrativa: Paula Dizaró / cancaonova.com
O perdão precisa ser gotejado no próprio ouvido. É do ouvido que chega ao coração.
O ideal seria poder proclamar o perdão para quem nos ofendeu, entretanto, nem sempre é possível. A pessoa pode não querer ouvir o perdão, ou estar impossibilitada de fazê-lo, como por exemplo, se morar longe ou já tiver morta, porém, mais importante do que a pessoa ouvir é você falar.
O perdão é, em primeiro lugar, um gesto curador para a gente mesmo. Portanto, declare o perdão. Fale sobre o perdão. Goteje perdão em seus próprios ouvidos, por meio de palavras seguras e decisivas que revelem o desejo da vontade.

O poder da palavra

Nossa palavra tem poder de ligar e desligar, unir e separar, concretizar nossos sonhos e anseios. A palavra é a grande arma para ferir e para curar o coração. O ser humano se constrói ou se destrói pela palavra. Um amor se constrói ou se destrói pela palavra dita na hora certa; calada na hora necessária.
O perdão deve ser declarado em todas as circunstâncias. Não interessa se a pessoa está perto ou longe, e nem interessa se ela deseja ou não ser perdoada. Pode ser que ela não queira ser perdoada e não peça perdão. Tudo bem! Sua decisão de perdoar tem de ser maior do que o pedido ou a omissão de quem provocou a ofensa. Muitas vezes, aquele que nos ofendeu não se sente culpado. Talvez tenha apenas reagido e se ache perfeitamente justificado. Há casos em que, a pessoa que nos ofendeu, se sente injustiçada por ser considerada culpada. Claro que, nesse caso, essa pessoa não nos pedirá perdão. Não importa: é preciso perdoar e declarar o perdão. É preciso gotejar perdão no próprio coração.

Padre Léo, scj

O Senhor prefere revelar-se através da simplicidade

A simplicidade de Deus nos surpreende

Quem gosta de viver sabe que as coisas mais importantes desta vida se escondem nos detalhes simples dos acontecimentos ordinários. Não as aprendemos nos livros, nas aulas nem em sermões. Passam de pessoa à pessoa por meio de gestos e comportamentos concretos. A única forma de um pai ensinar a um filho ser honesto, por exemplo, consiste em ele mesmo ser honesto. Se assim não for, ele bem pode esforçar-se em dar ao filho enormes sermões sobre essa virtude, mas certamente, não terá bom êxito. Por outro lado, se o pai for honesto, não precisará sequer usar as palavras. Falando da simplicidade que se esconde nos detalhes “revelada por intermédio dos pequenos”, partilho uma experiência que vivi em Portugal. Aliás, é importante dizer que foi na Aldeia de São Romoão. Aldeia aqui tem uma conotação diferente do que eu imaginava, algumas são como se fossem pequenas cidades iguais algumas do Brasil, e São Romoão é uma dessas. Fica ao pé da Serra da Estrela, um dos pontos turísticos mais importantes do País, terra linda e cheia de gente simples e acolhedora.
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Foto Ilustrativa: ZU_09 / by Getty Images
Alguns irmãos e eu fomos para esse lugar em missão, e a mim foi designado o encargo de fazer uma pregação sobre a passagem bíblica de Lucas 19, 1-10, que narra a conversão de Zaqueu. Por acaso, você já leu ou meditou sobre essa passagem alguma vez na vida? Naquela época, Zaqueu era chefe dos cobradores de impostos e não era bem visto por conta da profissão que exercia. Tinha muitos bens, mas era pobre por não ser amado. Gosto dessa leitura, e logo me dispus a meditar sobre o que esse homem experienciou naquele dia inesquecível. No qual, justamente o Mestre do Amor, ao passar por Jericó, resolveu jantar em sua casa.
Como será que ficou seu coração? Quando, Jesus, lhe dirigiu o olhar em direção àquela árvore “onde ele estava escondido entre galhos e folhas”, nem um pouco preocupado com sua dignidade, mas movido pela vontade de conhecer, de perto, aquele Homem tão diferente dos outros rabinos do seu tempo. Dizem que ele subiu na árvore, porque era de baixa estatura, mas será que foi só por isso?

E se fosse você?

Durante a pregação, fui estimulando cada um a colocar-se no lugar de Zaqueu, e a procurar imaginar seus sentimentos ao ouvir a voz do Senhor chegar aos seus ouvidos, comunicando-lhe que iria visitá-lo. Depois perguntei: E se fosse você? Como receberia o Senhor para jantar em sua casa esta noite?
Com entusiasmo, cada um foi dando sua resposta. Algumas senhoras vibravam ao dizer que iriam fazer um banquete, usar toalhas de seda nas mesas, arrumar a casa com flores, e caprichar nos detalhes. Iriam oferecer-lhe vinho da melhor qualidade, em taças de cristal e por aí seguiam dando asas à imaginação. Foi bem divertido, e serviu também para “quebrar o gelo” (tanto do relacionamento entre nós, como do frio que naquela terra é caprichado).
Quando já estávamos retomando a concentração, ouvi uma voz de criança gritar forte no meio da assembléia: “Se Jesus fosse me visitar eu ia dar-lhe muitos beijos!”. Era o Abel, um menininho de cinco anos cheio de vida, com o rosto bem corado e olhos claros, como a maioria de seus conterrâneos. Ao som de sua voz, todos nós nos voltamos para ele. Admirados!
Eu tive até dificuldades para enxergá-lo no meio de tanta gente grande. Depois, fiquei alguns segundos contemplando a grandeza de Deus, que gosta de se revelar através dos simples. Dizer mais o que naquela hora? Abel disse tudo em tão pouco!

Ele nos surpreende

Voltei de São Romoão pensando: “certamente Jesus se sentiria muito bem na casa daquele menino, mas e eu, como será que tenho acolhido o Senhor em minha casa?”.
Há mais de dois mil anos, Ele visitou Zaqueu e levou a salvação para a casa dele, mudando completamente sua história. Mas não parou por aí, o Senhor continua nos visitando (também) nos dias de hoje. Às vezes, Ele vem sem avisar, chega de mansinho, discreto, silencioso ou falante, através de quem já conhecemos. Outras vezes, vem de um jeito novo e por meio de pessoas novas. O certo é que, quando Ele resolve nos surpreender, não há árvore que nos esconda do seu olhar penetrante.
De vez em quando, o Senhor me visita assim: quando eu menos espero estou diante d’Ele, o olhar d’Ele sonda-me por inteiro. “Marca um jantar” comigo e nem pergunta se já tenho algum compromisso, simplesmente ultrapassa meus planos, quebra minha rotina e ensina-me com Seu “jeito” que é assim que se vive e se ama nesta vida. Ele não se prende às regras das leis e o tempo está nas mãos d’Ele!
Parece-me que, o Abel já compreendeu a lição. Descobriu que o amor vai além de um banquete ou de uma mansão, e que a melhor acolhida está no calor do afeto traduzido. Eu estou aprendendo um pouco sobre isso a cada dia. E você? Preparemo-nos hoje para receber o Senhor em nossa casa. O certo é que Ele virá. Como? É tarefa nossa descobrirmos. Temos como pista, o fato de que, Ele prefere a simplicidade e sempre nos enxerga. Mesmo que, por um motivo ou outro, estejamos “sob a árvore”.
Que saibamos acolher o Senhor, e assim, sermos alvo da salvação, que – com Ele – entra em nossa casa. Estamos juntos!

Autora: Dijanira Silva

08/12/2017

Nossa Senhora da Imaculada Conceição

Comemoramos a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, a Rainha de todos os santos

Esta verdade, reconhecida pela Igreja de Cristo, é muito antiga. Muitos padres e doutores da Igreja oriental, ao exaltarem a grandeza de Maria, Mãe de Deus, usavam expressões como: cheia de graça, lírio da inocência, mais pura que os anjos.
A Igreja ocidental, que sempre muito amou a Santíssima Virgem, tinha uma certa dificuldade para a aceitação do mistério da Imaculada Conceição. Em 1304, o Papa Bento XI reuniu na Universidade de Paris uma assembleia dos doutores mais eminentes em Teologia, para terminar as questões de escola sobre a Imaculada Conceição da Virgem. Foi o franciscano João Duns Escoto quem solucionou a dificuldade ao mostrar que era sumamente conveniente que Deus preservasse Maria do pecado original, pois a Santíssima Virgem era destinada a ser mãe do seu Filho. Isso é possível para a Onipotência de Deus, portanto, o Senhor, de fato, a preservou, antecipando-lhe os frutos da redenção de Cristo.
Rapidamente a doutrina da Imaculada Conceição de Maria, no seio de sua mãe Sant’Ana, foi introduzido no calendário romano. A própria Virgem Maria apareceu em 1830 a Santa Catarina Labouré pedindo que se cunhasse uma medalha com a oração: “Ó Mariaconcebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”.
No dia 8 de dezembro de 1854, através da bula Ineffabilis Deus do Papa Pio IX, a Igreja oficialmente reconheceu e declarou solenemente como dogma: “Maria isenta do pecado original”.
A própria Virgem Maria, na sua aparição em Lourdes, em 1858, confirmou a definição dogmática e a fé do povo dizendo para Santa Bernadette e para todos nós: “Eu Sou a Imaculada Conceição”.
Nossa Senhora da Imaculada Conceição, rogai por nós!

06/12/2017

A bênção da masculinidade

O homem realiza a sua identidade mais profunda quando vive a bênção da masculinidade

O primeiro capítulo da Bíblia é um belo poema que narra o projeto original de Deus para a criação.Cada estrofe desta canção é intercalada por um refrão, que é repetido de modo insistente: “E Deus viu que tudo era bom”.
Dia após dia, o Criador diz palavras de vida que se tornam realidade. A luz, as terras, as águas, florestas, estrelas, pássaros e peixes, animais de todo tipo são criados. Após tudo criar, Deus abençoa a criação dizendo: “Sede fecundos, encham as águas dos mares e que o pássaro prolifere sobre a terra” (Gn 1,22). A primeira bênção da Bíblia é a bênção da fecundidade. Por meio dela, a obra criada continuará seu curso. A força de vida que Deus depositou em sua obra agora tem vida própria. Cada ser vivo é chamado a colaborar com o Criador, continuando a obra da vida. “E Deus viu que tudo era bom”.
Foto: monkeybusinessimages by Getty Images
Mas no sexto dia da criação, antes de descansar, Deus criou o ser humano. O versículo 27 [Gênesis] é bastante claro: “Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou; criou-os macho e fêmea”. Esta é a identidade original do ser humano. Ele realiza a sua identidade mais profunda quando vive a bênção da masculinidade e da feminilidade. Deus não criou o ser humano como anjo. Criou seres sexuados. A sexualidade é uma força de vida que torna o ser humano capaz de colaborar com Deus ao continuar a obra da criação. O versículo 28 descreve a primeira bênção que a humanidade teria recebido: “Deus os abençoou e disse: ‘Sede fecundos, encham a terra’ (…)”.

A bênção da fecundidade

Após dar a bênção da masculinidade e da feminilidade, dá a bênção da fecundidade. Deus concede esta graça à criação para que o ser humano a administre com responsabilidade. Fomos nomeados “jardineiros” da criação. E, neste momento, o refrão deste belo poema muda de modo surpreendente. Deus contempla tudo o que criou e vê que não é apenas “bom”, mas “Deus viu que era MUITO bom” (Gn 1, 31).
Tudo isso é muito sério, pois hoje vivemos um tempo de “anti-bênção”, de “anti-criação”. Vivemos no meio de uma geração “mal-criada”. Nem vou gastar muito tempo em alertar para os riscos de uma “cultura gay” que já não se contenta em exigir “seus direitos”. Essa minoria autoritária não suporta ouvir críticas e cria mil maneiras de firmar-se como padrão de comportamento. A coisa é tão séria que muitos homens precisam simular uma certa homossexualidade  para não parecer fora de moda. Precisamos defender o direito de ser do jeito que Deus nos criou. É preciso exaltar a família, a sexualidade vivida de maneira serena e sadia.
É verdade que, algumas pessoas trazem o espinho da homossexualidade, e sofrem por isso. Precisam da nossa compreensão e da nossa solidariedade. Mas isso não nos faz tímidos em anunciar que o projeto original de Deus inclui a bênção da fecundidade. É preciso louvar o Criador por isso. Peço, neste dia, por tantos casais que têm dificuldades para ter filhos e que suplicam esta bênção. Peço por tantos jovens que ensaiam para serem bons maridos. Quantas mulheres esperam encontrar esta “bênção de homem”. Uma delas me disse que isso anda meio difícil! Por que será?

Autor: Padre Joãozinho

05/12/2017

Advento um tempo para recuperar a sintonia com Deus

O tempo do Advento é o momento de unirmos o nosso coração ao coração de Deus

Os cristãos se preparam para a celebração do Natal de Jesus em um tempo chamado advento, com momentos de espiritualidade e celebrações que recuperam a sintonia dos corações com o coração de Deus. Um tempo de esperança, que pode fecundar um futuro melhor sonhado por todos, particularmente quando se avalia o peso dos muitos percalços vividos na contemporaneidade – a desolação provocada pelos esquemas de corrupção, as irresponsabilidades e o gravíssimo descaso pelo outro, que é um irmão. De modo muito especial, o advento da vinda do Messias tem propriedade para reavivar sensibilidades perdidas, o gosto pelo bem, e sedimentar a convicção da importância de todas as pessoas, sem distinções.
Isso pode parecer mera teoria diante da dificuldade para se vivenciar a beleza e a delicadeza deste tempo, pois há uma avalanche de apelos nessa época para estimular o consumismo e as festas. Convive-se com a fantástica e ilusória sensação do belo, a partir de luzes e cores com fugacidade própria – logo após esse período vem a realidade com seus desafios. A força necessária para todos vem justamente do amor e da experiência de se encontrar com Jesus Cristo. Ora, o que define a vida e as pessoas não são as circunstâncias, nem mesmo os desafios da sociedade. Acima de tudo, o que define a autenticidade da condição humana e os rumos novos da história é o amor. E o amor torna-se realidade na experiência de se buscar Jesus Cristo. Eis o sentido da celebração do Natal, oportunidade singular e inigualável para se desenhar um horizonte diferente, conferir à vida uma orientação decisiva.
advento um tempo para recuperar a sintonia com Deus (2)
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Se aproxime do Messias

A alegria que nasce do encontro com Jesus não é artificial, diferentemente das que são produzidas por mecanismos ilusórios, efêmeros. É a felicidade que nasce da experiência de aproximar-se da fonte inesgotável do amor de Deus, Pai misericordioso, que transforma, recria e salva. Sem esse encontro, não há como passar da morte para a vida, da tristeza para a alegria, do absurdo para o sentido profundo da existência, do desalento para a esperança. Não aproximar-se do Messias Salvador é perder a chance de se qualificar como ser humano e, assim, contribuir para melhorar a sociedade. Distante dessa necessária espiritualidade profunda, que deve ser experimentada na dimensão existencial – longe de misticismos ou fundamentalismos – a humanidade não avançará rumo aos avanços almejados. As estatísticas serão sempre vergonhosas, revelando que a sociedade adoece cada vez mais, convivendo com o medo e o desespero. Permanecem as dinâmicas que levam ao desrespeito, à violência e à desigualdade social.
Sem o encontro com Cristo, que promove transformações nas pessoas, a humanidade continuará regida pela economia da exclusão, pela falta do compromisso com a solidariedade e com a busca pelo bem da coletividade. A idolatria perversa do dinheiro será sempre doença incurável e o povo permanecerá carente de governantes competentes, com sólida moral. Somente com uma profunda espiritualidade, temperando todas as práticas, será possível promover reformas fundamentadas na ética.
O convite permanente, com força singular no tempo do advento, é fixar o olhar n’Ele, Cristo, o Messias Salvador. Conhecê-Lo, dialogar com Ele, deixar-se transformar por suas propostas e lições – os valores do Evangelho. Essa experiência espiritual qualifica a existência, as ações e escolhas do ser humano. Por isso, é hora de aceitar a proposta de se encontrar com Jesus Cristo – abertura ao advento de um novo tempo.

Autor: Dom Walmor Oliveira de Azevedo