25/11/2019

Os maiores desafios depois do divórcio

Sabemos quão difícil é carregar a cruz, e um divórcio indesejado é uma cruz gigante

É fato que, hoje, muitas pessoas se divorciam na tentativa de melhorarem suas vidas, porém, não estão cientes de todos os desafios que terão de enfrentar e as consequências inevitáveis que esse processo traz consigo.
Foto: Halfpoint by Getty Images
Na Bíblia, em Malaquias 2,16, Deus nos diz que odeia o divórcio. Em Mateus 19,60 vemos que o casamento é uma união permanente. “Muitos casamentos, que foram desfeitos por motivos triviais, poderiam ter sido salvos se marido e mulher tivessem sido capazes de se perdoar mais” ( Mateus 18,21-22).

Incertezas e angústias

Na justiça, o divórcio pode, muitas vezes, legalizar um estado de discórdia entre um casal, configurando um processo de disputa e exigindo a criação de novas estruturas de convivência doméstica, principalmente, no que diz respeito a pais e filhos. Tanto no âmbito da psicologia clínica quanto no âmbito judicial, os estudos demonstram que os conflitos vividos pelos pais, antes e durante o processo de um divórcio, causam problemas de ajustamento nos filhos, que vivenciam o divórcio como um mistério que precisa ser explicado com clareza e objetividade. Todos os familiares vivenciam incertezas e angústias que ameaçam a estabilidade pessoal, exigindo a elaboração de uma perda.

Desafios do processo

Os desafios decorrentes desse processo são muitos. Os problemas financeiros; a criação de filhos; a solidão, muitas vezes esmagadora; e o sentimento de fracasso são alguns dos problemas e desafios que os divorciados enfrentam. Por mais que esse tenha sido consensual, muitas vezes, leva muito tempo para desaparecer.
Surgem sentimentos de perda, fracasso, desamparo, abandono, rejeição, medo, insegurança e incertezas, circundando esses sujeitos, que afetam diretamente os novos arranjos familiares e que precisam ser trabalhados.
Seguem abaixo algumas dicas e os principais desafios que podemos enfrentar nesse processo:

Suporte

A primeira coisa aconselhável a ser feita é buscar um bom suporte espiritual e também psicológico. Nesse momento, é de fundamental importância poder contar com alguém de confiança, ter um espaço para compartilhar sua história e seus sentimentos, dividir as dores da perda e receber um suporte profissional para ajudá-lo a reestruturar a vida e se preparar para esse novo momento, onde muitos ajustes precisam ser feitos. Então, tanto a psicoterapia, na busca por um bom psicólogo, como também a direção espiritual feita por um bom sacerdote, podem constituir um ótimo ponto de partida. São meios bastante adequados para fortalecer a pessoa e, também, lhe proporcionar ferramentas para enfrentar com coragem os desafios que virão.

Vida financeira

Já diz o ditado que divórcio é sinônimo de prejuízo, e isso é um fato. Tudo o que o casal tinha antes será, agora, dividido por dois. A divisão das economias empobrece ambas as partes e, isso, é inevitável. Você vai perder reservas e aumentar os custos da sua vida. Portanto, deve estar preparado para isso.

Filhos

Visitas, pensão e educação. Não é preciso dizer que, muitas vezes, serão eles que arcarão com as duras consequências da separação dos pais. É preciso reservar tempo, com calma, para conversar e garantir a seus filhos que você os ama; sobretudo, explicar-lhes que eles não são os responsáveis pelo divórcio dos pais. Responda suas perguntas da forma mais sincera e objetiva possível, evite distribuir culpas e busque preservar e manter em harmonia a relação deles com o pai e a mãe. Continuar na mesma casa e manter a rotina podem ajudar.

Amigos

Amigos são para sempre, mas a dura realidade é que, na separação, há também uma divisão natural daqueles com quem vocês mais conviviam enquanto casal. Por outro lado, é provável que o seu meio social mude naturalmente com o decorrer do tempo.

Moradia

Esse também pode ser um impasse entre o casal que se separa. Como a maioria dos processos caminha para que, a guarda dos filhos seja compartilhada por ambos os genitores, ainda assim, é comum que os filhos passem mais tempo com a mãe, que assume normalmente a rotina de escola, saúde, higiene, alimentação etc., se isso não esbarrar em outros tipos de problemas, é aconselhável que a mãe permaneça no local de moradia anterior à separação, para que, dessa forma, altere-se o menos possível a rotina dos filhos. Num processo de divórcio consensual, a residência entra como objeto de partilha, mas pode ficar como “usufruto dos filhos” até que os mesmos atinjam a maioridade.

Identidade pessoal

Quem sou eu sem minha mulher, sem meus filhos ou marido? Essa pergunta pode rondar sua mente nos primeiros momentos depois de uma separação. Nesse aspecto, a ajuda de um bom profissional pode ser muito útil, para que, aos poucos, você possa recuperar de volta a sua identidade pessoal dentro desse novo modo de vida. Por isso, é importante ir atrás de referências, antigas ou novas, que venham reforçar sua identidade.

Vida familiar

Quando um casal decide se separar, há também um ajuste importante na vida dos familiares envolvidos direta ou indiretamente. É muito importante, nesse momento, voltar-se, um pouco mais, para os “seus familiares”, que podem ser, grande ajuda e suporte, sobretudo nas fases iniciais.
Outro aspecto importante será redefinir como ficarão as relações com a família do ex-cônjuge, com quem, muitas vezes, os laços são muito estreitos e já se considera parte da sua família também. Aos poucos, um novo formato de relação surgirá, mas procure sempre manter o vínculo dos avós e tios com seus filhos.

Estilo de vida e estado civil

Aqueles hábitos que você tinha antes de separar-se, como sua vida social e atividades de lazer, por exemplo, agora serão diferentes. Você tomará muitas decisões sozinho, a não ser as que envolvem seu tempo com seus filhos. Também pode acontecer, em alguns casos, que a mulher fique em tempo integral com os filhos, o que, certamente, acarretará sobrecarga, exigindo que ela se desdobre para dar conta do recado.
Alguns homens podem sentir-se novamente como na época de solteiros e ter o desejo de viver como tal, saindo com amigos solteiros, buscando namoricos e relações passageiras, até como forma de reviver os bons tempos antes do casamento. O fato é que a vida mudou e os tempos são outros, o matrimônio marca profundamente a vida de uma pessoa, e para nós cristãos é um laço indissolúvel. A não ser que um Tribunal Eclesiástico declare nula essa união.
Para muitas mulheres, pode ser até humilhante assumir perante a sociedade e a Igreja seu novo status como “divorciada”, principalmente se em seu coração não desejava a separação. Esse também é um tema que deve ser tratado com todo cuidado junto a um terapeuta ou diretor espiritual.

Atividades sociais

Casais normalmente têm atividades sociais diferentes de pessoas solteiras, sobretudo, casais com filhos. Nessa nova condição de vida, tanto o homem com a mulher levarão algum tempo até ajustar novamente sua vida social, a escolher as companhias para sair, talvez encontrar pessoas que estejam no mesmo estado de vida.
Em alguns momentos, os filhos estarão presentes; em outros, você estará sozinho.
No início, pode parecer estranho ou até mesmo fazer com que você se sinta deslocado em determinado ambiente. Aos poucos, as coisas tendem a se definir e você se adaptará a esse novo contexto.

Nova união

É muito comum que, nesse momento, logo após a separação, muitas pessoas venham dar conselhos; um deles é que a melhor forma de esquecer um amor é encontrar outro.
“São numerosos hoje, em muitos países, os católicos que recorrem ao divórcio segundo as leis civis e contraem civilmente uma nova união. A Igreja, por fidelidade à palavra de Jesus Cristo – ‘Todo aquele que repudiar sua mulher e desposar outra comete adultério contra a primeira; e se essa repudiar seu marido e desposar outro comete adultério’ (Mc 10,11-12) –, afirma que não pode reconhecer como válida uma nova união se o primeiro casamento foi válido. Se os divorciados tornam-se a casar com outra pessoa, mesmo que no civil, ficam numa situação que contraria objetivamente a lei de Deus. Portanto, não podem ter acesso à comunhão eucarística enquanto perdurar essa situação. Pela mesma situação, não podem exercer certas responsabilidades eclesiais.
A reconciliação pelo sacramento da penitência só pode ser concedida aos que se mostram arrependidos por haver violado o sinal da aliança e fidelidade a Cristo, e se comprometem a viver uma continência completa.”
Matrimônio só deixa de existir quando sua nulidade é declarada, o que só pode ser feito por um Tribunal Eclesiástico.

Vida de oração e Igreja

Assim como foi dito no início, ter um bom terapeuta para acompanhá-lo nesse processo e um bom diretor espiritual são de fundamental importância, mas isso deve ser reforçado com uma vida constante de oração e frequência assídua à igreja, às Missas e aos sacramentos.
A Igreja, nesse momento, mais do que nunca é mãe e deve acolher o divorciado. Sabendo da grande dificuldade que se avizinha, compadecendo-se da dor, a Igreja está sempre presente para perdoar e acolher, mesmo em caso de queda.
Sabemos quão difícil é carregar a cruz, e um divórcio indesejado é uma cruz gigante. Talvez essa seja uma oportunidade para um testemunho único, uma prova de amor a Deus maior que tudo, quando renunciamos ao amor a nós mesmos por uma prévia promessa feita a Ele, a do matrimônio. Então, no momento que conseguirmos olhar esse sofrimento como a cruz que nos assemelha a Cristo, unimos nossas dores às d’Ele, que, certamente, nos dará força, coragem e sabedoria necessárias para enfrentarmos esses desafios. Confiantes e certos de que não estamos sozinhos nessa luta, a Igreja nos acolhe e recebe; e Jesus Cristo caminha ao nosso lado. Confiantes em Suas promessas, podemos viver sem pecar.

Autora: Judith Dipp


24/11/2019

O que é uma oração de cura e libertação?

A oração de cura e libertação deve sempre ser ministrada

A oração de cura e libertação é uma oração preciosíssima e muito importante para o nosso dia a dia. Ela tem o poder pela fé, de nos ajudar em nossa cura física. Além disso, nos fortalece em nossa saúde mental, trazendo paz ao espírito. A oração de libertação é importante para fundamentar a cura interior e é importante, também, para que seja visível o sinal da cura do milagre de Deus em cada um de nós.
O que é uma oração de cura e libertação?
Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com
Ela é um combate contra nós mesmos diante das nossas fraquezas, das nossas misérias, limitações. Diante, até mesmo, das heranças negativas que trazemos em nós, seja na mente, no coração, no consciente, no inconsciente ou pelo mal que os nossos antepassados praticaram.
É, também, uma oração contra os embustes do inimigo, que tudo faz para desviar o homem da oração e da união com Deus. Por isso, a oração da libertação deve sempre ser ministrada. Não pode ser  ministrada só quando participamos de encontros ou quando vamos a um retiro, aprofundamento ou acampamento. A oração de cura e libertação ela tem de ser ministrada todos os dias da nossa vida.

Onde ela se faz necessária?

São muitas as situações onde a oração de cura e libertação se faz necessária. Como a princípio, dificilmente sabemos os motivos que originaram os problemas que estamos vivendo, seja da ordem que for, então, precisamos ter sempre, ao nosso alcance, uma poderosa oração de cura e libertação espiritual a nos auxiliar. Podem ser: oração de quebra de maldição dos antepassados, oração de renúncia, oração de invocação das Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo.
As Santas Chagas são potentíssimas. Papa Francisco nos ensina a invocação das cinco Chagas: a Chaga da mão esquerda, do pé esquerdo, da mão de direita, do pé direito e do coração perfurado. Sempre com a seguinte jaculatória: “Pela potentíssima Chaga da mão esquerda, sei que podes purificar, libertar e curar a mim e a minha família, livrando-nos de todo o mal físico e espiritual”. E, reza um Pai-Nosso, assim, faz com cada uma das Chagas.

Papa Francisco nos recomenda essa oração todas as noites antes de dormir

Faça em seguida a mesma jaculatória para a oração das outras Chagas. Então, teremos, durante à noite, a graça de dormirmos bem. A graça de não sofrermos pela insônia, pela opressão, pelo cansaço físico, pelo cansaço mental. Mas, tem a oração que ensinamos no livro “Por suas feridas fostes curados”, a oração que se chama “Via Sangres”, que é a invocação das sete Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Nesse livro você verá que, cada uma dessas Chagas: Chaga da circuncisão; Chaga da agonia; Chaga da flagelação; da coração de espinhos; do caminho doloroso do calvário; da crucificação de Morte do Nosso Senhor Jesus Cristo; e do coração perfurado. O sangue aspergido de cada uma dessas Chagas, como fonte de exorcismo de cura e libertação, livra-nos de todos os males físicos e espirituais, dos antepassados, da gestação, do ventre materno e da nossa história de vida após o nosso nascimento.

Autor: Ironi Spuldaro

23/11/2019

Como fazer uma oração de cura e libertação eficaz?

O passo a passo para uma boa oração de cura e libertação

Eu parto da Palavra de Deus em Tiago 5,16: “Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz”.
A oração eficaz tem mais a ver com aquele que está orando do que com a oração que está sendo feita. Na verdade, o que diz a Escritura é exatamente isso, ou seja, muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.
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Foto Ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Deus ouve nossas orações?

Se somos justos e estamos na paz, certamente Deus ouvirá toda a nossa oração e toda ela será para nós cura e libertação. Existem alguns meios que são importantes para ministrarmos essa oração ou para buscarmos a cura e a libertação de todo mal físico.
Precisamos ter uma intimidade com Deus e estar em dia com os sacramentos como confissão frequente, Santa Missa, adoração ao Santíssimo Sacramento e toda vida sacramental, ser filho de Deus e estar disposto a servir ao Senhor e construir o Reino do Pai.
É importante termos intimidade com a Palavra de Deus, pois é necessário orarmos com a Palavra e também fazermos sua leitura diariamente. Mesmo que seja apenas um versículo, mas fazermos dela o alicerce da nossa vida.
Depois, podemos fazer a oração de mortificação como o jejum e a caridade, porque isso nos dá uma fortaleza muito grande em todo o combate de oração por cura e por libertação.
Outro ponto importante que precisamos refletir para buscar a cura e a libertação é a escravidão ao Espírito Santo. A oração diária ao Espírito de Deus é a comunicação, a intimidade e a busca da dependência total e absoluta ao Espírito Santo, que é por si só uma fonte poderosíssima de cura e libertação.

Dicas para rezar a oração de libertação

Primeiro: precisamos nos lembrar sempre, na oração de libertação, de dizer o nome (eu), batizado e pelos merecimentos do meu batismo em comunhão com a Igreja na pessoa do Santo Padre o Papa.
Segundo: devemos invocar o nome, as chagas e o Sangue de Jesus. Isso é um ponto necessário em toda oração de cura e busca pela libertação, pois não teremos como encontrá-la fora do nome de Jesus. Também invoquemos a poderosa intercessão da Virgem Maria, principalmente pelas suas lágrimas de sangue, como ela se demonstra na sua aparição em Salete.
Terceiro: depois da invocação, precisamos do poder do combate, dos arcanjos e dos anjos, principalmente invocar o poder de combate de São Miguel Arcanjo.
A Palavra de Deus diz que há demônios que só podem ser destruídos pelo poder de combate de São Miguel Arcanjo.
Assim, podemos ministrar essa oração. Muitas pessoas pensam que se fizerem, apenas num momento, a oração de cura e libertação, ela será curada e libertada.
Nós seremos sempre libertados e curados, mas não podemos nos esquecer de que estamos no mundo e somos passivos de erro, fraqueza, vício e fragilidades da carne.
Por isso, a oração de cura e libertação precisa ser permanente, diária e constante, sem jamais vacilar em nenhum momento, demonstrando a nossa total e absoluta dependência da misericórdia do Senhor.

Ouça o áudio:


Autor: Ironi Spuldaro

22/11/2019

Será que os santos atendem nossas orações?

Reflita: só Deus pode atender as nossas orações

Nessa sexta-feira, 3 de fevereiro, a Igreja celebra São Brás. Para continuarmos as reflexões sobre a oração, eu o questiono: Por que oramos aos santos? Essa oração tem eficácia? Nossos pedidos são atendidos por eles? Se os santos foram homens ou mulheres como nós, quais “poderes” eles teriam para atender nossa súplica? Se podemos pedir diretamente para Deus, por que “gastar tempo” pedindo para alguém que não seja Ele?
Mais uma vez, quem nos ajuda nessa reflexão é São Tomás de Aquino, por meio da Suma Teológica escrita por ele, para trazer à luz questões sobre a natureza de Deus, a natureza de Jesus e também algumas questões morais.
Os santos atendem nossas orações
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Reflexão de São Tomás de Aquino

Para esses questionamentos, São Tomás é muito claro em nos apontar a resposta: “De dois modos fazemos oração a alguém: para que esse mesmo a defira ou para que obtenha de outrem o que queremos”. Ou seja, no primeiro caso, o único que pode aceitar, conceder o que você pede é Deus. Portanto, é conveniente que você ore ao Senhor, pois é Ele e somente Ele quem vai deferir o seu pedido. É Ele quem tem todos os poderes (por ser Deus, onipotente) para conceder-lhe o que você pede.
São Tomás vai além ao dizer que podemos pedir a alguém que interceda junto Àquele que pode nos conceder. Fazendo uma comparação simples, muitas vezes, quando éramos crianças e queríamos receber alguma coisa que somente o pai podia nos dar, íamos até nossas mães. Por mais que elas não pudessem dar o que estávamos pedindo, sabíamos que elas intercederiam por nós junto a nossos pais. Ou ainda, dentro de uma empresa hierárquica, você deve falar primeiramente com o seu chefe imediato para solicitar alguma coisa. Por mais que ele não possa lhe conceder, é ele quem pode falar com a diretoria para conseguir o que você quer. Você, humildemente, apresenta o seu pedido ao seu chefe, que o leva adiante e pede à diretoria em seu nome.
Vida de oração

Súplica aos santos

Essas pequenas comparações podem ilustrar a realidade da oração aos santos. Ao apresentarmos nossas súplicas aos santos, não estamos pedindo para eles “resolverem” o que queremos, mas solicitando que eles intercedam junto de Deus por nós.
Por mais que os santos tenham sido homens ou mulheres como nós, eles têm o mérito de fazer parte da morada celeste e ver Deus face a face. A Igreja acredita e propaga, por meio da vida dos santos, que eles estão com Deus e têm livre acesso a Ele. Pelos méritos próprios de uma vida santa vivida aqui na Terra, eles chegaram ao Céu. Se a Igreja canoniza um santo, é porque ela atesta que essa pessoa está no Céu. Como sabemos, o Céu é a morada de Deus.

Devoção aos santos

Os santos, portanto, além de mostrarem com sua vida e com seu testemunho que é possível viver uma vida repleta de Deus, ainda nos ajudam, intercedendo por nós junto do Pai.
Tenho dois santos de devoção: Dom Bosco e Santa Teresinha do Menino Jesus, além do Beato Pier Giorgio Frassati. Ao olhar para a vida deles, espelho-me e encorajo-me a viver uma vida de santidade. Mas ainda sei que, se em alguma situação eu pedir a intercessão deles, poderão me ajudar do Céu, ao lado de Deus, onde também residem.
Qual é o seu santo de devoção? A quais “amigos do Céu” você tem pedido ajuda? Não nos esqueçamos deles, pois, com seu auxílio, chegaremos também ao Céu.

Autor: Guilherme Zapparoli

21/11/2019

Suicídio infantil, quais são os fatores de risco?

O suicídio infantil pode acontecer devido a uma desesperança gerada na criança

Suicídio infantil? Isso é possível? Infelizmente sim. Nos últimos 10 anos, observa-se um aumento de 40% de casos de suicídios infantil e pré-adolescente no Brasil. A boa noticia é que 90% dos casos, segundo a OMS, podem ser evitados.
Antes, vamos compreender melhor algumas questões. O desenvolvimento humano passa por várias fases. Até os 7 anos, o ser humano apresenta o que chamamos de pensamento mágico, ou seja, dominado pela imaginação, pelos desejos e fantasias. Com isso, a ideia de morte é mais limitada, e a incidência de ideação suicida, nessa fase, é bem mais difícil e mais rara. Aos 8 anos, começamos a compreender melhor nossas emoções, e é justamente a partir daí que a ideação suicida pode mostrar seus primeiros indícios. Entretanto, é importante ressaltar que as fases de desenvolvimento variam entre os indivíduos, porque cada ser humano é único; então, é necessário estarmos sempre atentos.
Suicidio infantil-fatores de riscoFoto: Wesley Almeida/cancaonova.com
Tendemos a pensar assim: como pode uma criança pensar em suicídio? Ela não tem capacidade de conseguir isso. A maior questão aqui é que a criança, muitas vezes, começa a dar os primeiros sinais e o desejo de morte vai crescendo até chegar à adolescência, ou até surgir uma oportunidade. Ou pensamos assim: o que falta a essa criança? Ela tem tudo! Tem muito mais do que eu tinha na idade dela. Porém, vivemos um mundo de muito estresse e muitas exigências, e a criança não está livre disso.
As muitas exigências geram, muitas vezes, o sentimento de frustração, porque a criança pode se sentir incapaz de não corresponder ao que se espera dela. O estresse leva à ansiedade, o que pode levar à depressão, à desesperança. É justamente a desesperança que precisa ser o maior ponto de atenção. É preciso estar atento aos sinais de que a criança considera o seu problema como indissolúvel, não há possibilidade de melhorar a sua vida.

Não é frescura

A depressão infantil é uma realidade poucas vezes diagnosticada, isso porque, na maioria das vezes, não se presta atenção aos sinais que a criança vai apresentando, por se considerar uma fase ou birra, algo passageiro ou uma forma de chamar à atenção.
O pensamento suicida não está diretamente relacionado às doenças mentais como esquizofrenia, paranoia entre outros. Porém, em sua maioria, apresentam sinais de depressão ou transtornos como a bipolaridade. Por isso mesmo, a genética também pode ser um fator de risco, principalmente quando se tem um histórico familiar de suicídio.
Outros fatores de risco, além dos já apresentados acima, são depressão, estresse e pressão interna; é importante citar outros como dificuldade de interação social, Bullying, abuso infantil, uso de álcool e drogas na família e o acesso a instrumentos que possam facilitar a tentativa de suicidar-se.
Quero concluir lembrando que 90% dos casos podem ser evitados. O mais importante em tudo isso é estarmos atentos às falas sobre a morte ou outros sinais como tristeza prolongada, mudanças de comportamento, agressividade e irritabilidade. Em qualquer sinal, é importante conversar com a criança e observar se os sinais permanecem por um mês; neste caso, recomenda-se uma avaliação de um profissional.
Esse é um tema que precisamos conhecer mais fundo. Não podemos ignorar algo tão profundo, que atormenta as nossas crianças e adolescentes. Ao mesmo tempo, esgotar todas as reflexões ou até mesmo compreender todos os fatores num pequeno texto, é impossível. Por isso mesmo, em breve voltaremos a falar sobre esse tema, aprofundando-o em outros aspectos.

Autora: Manuela Melo

20/11/2019

Você é uma bolha de sabão?

O encanto frágil nos traz a desilusão de uma realidade que não existe no mundo real de nossas experiências humanas
Belas e encantadoras são as bolhas de sabão. Elas fascinam pela beleza multicolorida em contato com o sol, mas essa beleza não dura mais que alguns segundos. Um piscar de olhos e elas já não existem mais. Encerram seu ciclo tão rápido quanto surgiram, vão-se como chegaram, não têm história para contar.
Você é uma bolha de sabão
Vivemos em tempos de bolhas de sabão. Somos seduzidos pelas aparências e nos deixamos levar pela beleza transitória de algo que não dura mais que alguns momentos. Muitas vezes, nos perdemos correndo em busca do vazio contido dentro de uma bolha de sabão que nos promete a felicidade rápida. Iludidos pelas aparências, nos perdemos de nós mesmos e também de Deus. Iludidos pelas lindas bolhas de sabão que surgem em nosso caminho, corremos o risco de cair e tropeçar nas pedras ao longo da jornada.
Quando olhamos para a beleza efêmera das aparências, ficamos fixados naquilo que nos encanta, mas que não produz em nosso coração sabedoria. O encanto frágil nos traz a desilusão de uma realidade que não existe no mundo real de nossas experiências humanas.
Quando a bolha estoura, nada mais nos resta do que olharmos para a vida e nela buscarmos a beleza autêntica do cotidiano, com todas as suas dores e alegrias, que não são levadas pelo vento.
Muitos têm se tornado bolhas de sabão: vivem alimentando na alma uma existência despovoada de sentido, perderam-se dos valores que poderiam lhes proporcionar a autêntica felicidade. Criaram para si um mundo de bolhas de sabão, acreditaram naquilo que as impede de contemplar o amor real e concreto da vida. Alimentam a alma de espaços que nunca poderão ser preenchidos sem uma genuína experiência do amor de Deus.
Quando aqueles que viviam imersos em fantasias ilusórias acerca de Deus procuravam Jesus, tentando justificar suas fantasias, Ele mostrava com amor e paciência que aquelas ilusões não poderiam durar mais que um olhar de amor eterno. O carinho de Cristo imprimia em cada alma a realidade de uma existência pautada no amor incondicional de Deus por Seus filhos amados. Um amor real desfaz as ilusões da alma.
É preciso viver com os pés no chão e olhar para a transcendência do presente com admiração; assim, fazer do hoje a mais atraente experiência da ternura de Deus. Correr atrás daquilo que é superficial apenas aumenta no coração a lacuna de um amor construído em aparências ilusórias.
As bolhas de sabão são lindas, mas quando vistas apenas como uma brincadeira de criança. Não busquemos na vida concreta bolhas de sabão para nossas carências e vazios interiores. Busquemos a beleza de sermos amados por Deus e nos deixarmos amar por Ele.

Autor: Padre Flavio Sobreiro