18/07/2016

Qual o verdadeiro significado do escapulário?

Compreenda por que devemos utilizar o escapulário e seu significado para a Igreja

Muitas pessoas utilizam o escapulário por modismo ou simplesmente porque outros o usam, mas qual é o verdadeiro significado dele?
Muitas pessoas usam o escapulário ou outros objetos de devoção sem saber o seu verdadeiro significado, pior ainda quando o usam como um amuleto, algo mágico que “dá sorte”, que livra de “mau olhado” ou coisa semelhante.

Qual o verdadeiro significado do escapulário
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com 

Como se o verdadeiro sentido não viesse do coração daquele que usa tal objeto, o qual, conhecendo o seu verdadeiro significado, o usa para sinalizar algo que está em seu íntimo, em sua fé, em seus propósitos e em sua conversão. Muitos usam cruzes, medalhinhas, terços e vários escapulários de Nossa Senhora do Carmo como modismo, porque todo mundo está usando ou aquele artista usou na novela.

 

Mas qual o verdadeiro significado do escapulário?


O escapulário ou bentinho do Carmo é um sinal externo de devoção mariana, que consiste na consagração a Santíssima Virgem Maria, por meio da inscrição na Ordem Carmelita, na esperança de sua proteção maternal. O escapulário do Carmo é um sacramental. No dizer do Vaticano II, “um sinal sagrado, segundo o modelo dos sacramentos, por intermédio do qual significam efeitos, sobretudo espirituais, que se obtêm pela intercessão da Igreja”. (SC 60)
“A devoção do escapulário do Carmo fez descer sobre o mundo copiosa chuva de graças espirituais e temporais”. (Pio XII, 6/8/50).

Leia mais:
 

.: Reze a novena de Nossa Senhora do Carmo
.: O escapulário da Virgem do Carmo
.: Escapulário: sinal de esperança ou ignorância?
.: Existe proteção quando se usa amuletos?


A devoção ao escapulário de Nossa Senhora do Carmo teve início com a visão de São Simão Stock. Segundo a tradição, a Ordem do Carmo atravessava uma fase difícil entre os anos 1230-1250. Recém-chegada à Europa como nômade, expulsa pelos muçulmanos do Monte Carmelo, a Ordem atravessava um período crítico. Os frades carmelitas encontravam forte resistência de outras ordens religiosas para sua inserção. Eram hostilizados e até satirizados por sua maneira de se vestir. O futuro dos carmelitas era dirigido por Simão Stock, homem de fé e grande devoto de Nossa Senhora.


O escapulário era um avental usado pelos monges durante o trabalho para não sujar a túnica. Colocado sobre as escápulas (ombros), o escapulário é uma peça do hábito que ainda hoje todo carmelita usa. Com o tempo, estabeleceu-se um escapulário reduzido para ser dado aos fiéis leigos. Dessa forma, quem o usasse poderia participar da espiritualidade do Carmelo e das grandes graças que a ele estão ligadas; entre outras o privilégio sabatino.

Em sua bula chamada Sabatina, o Papa João XXII afirma que aqueles que usarem o escapulário serão depressa libertados das penas do purgatório no sábado que se seguir a sua morte. As vantagens do privilégio sabatino foram ainda confirmadas pela Sagrada Congregação das Indulgências, em 14 de julho de 1908.

O escapulário é feito de dois quadradinhos de tecido marrom unidos por cordões, tendo de um lado a imagem de Nossa Senhora do Carmo, e de outro o Coração de Jesus, ou o brasão da Ordem do Carmo. É uma miniatura do hábito carmelita, por isso é uma veste. Quem se reveste do escapulário passa a fazer parte da família carmelita e se consagra a Nossa Senhora. Assim, o escapulário é um sinal visível da nossa aliança com Maria.

 

Compromissos de quem utiliza o escapulário


É importante destacar algumas atitudes que devem ser assumidas por quem se reveste desse sinal mariano:

• Colocar Deus em primeiro lugar na sua vida e buscar sempre realizar a vontade d’Ele.

• Escutar a Palavra de Deus na Bíblia e praticá-la na vida.

• Buscar a comunhão com Deus por meio da oração, que é um diálogo íntimo que temos com Aquele que nos ama.

• Abrir-se ao sofrimento do próximo, solidarizando-se com ele em suas necessidades, procurando solucioná-las.

• Participar com frequência dos sacramentos da Igreja, da Eucaristia e da confissão, para poder aprofundar o mistério de Cristo em sua vida.
Eu fui revestido com o escapulário, no dia 16 de julho de 1996, quando estava no noviciado da Canção Nova. Nesse dia, consagrei minha afetividade e sexualidade aos cuidados da Virgem Maria, que pode contar sempre com os meus esforços e abertura de coração para ser digno de receber as graças dessa santa devoção.




14/07/2016

Os filhos prediletos da Virgem Maria

Existem filhos prediletos de Maria? Por que a Virgem Santíssima amaria mais a alguns de seus filhos?

Ser filho predileto da Santíssima Virgem Maria é um privilégio reservado a poucos. De modo diverso, os outros modos de pertença a Nossa Senhora estão ao alcance de todos. Cada um de nós pode aspirar ser e fazer-se efetivamente escravo, apóstolo e vítima da augusta Rainha dos Céus. Devido ao seu alto grau de entrega, nós poderíamos até afirmar que ser vítima de Maria constitui a perfeição do amor. Além disso, o próprio Jesus Cristo, Filho de Maria, disse: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (Jo 15, 13). No entanto, a vida dos santos nos concede exemplos de profunda intimidade e de união muito maior com a Mãe de Deus.

São Domingos de Gusmão e Nossa Senhora do Rosário

Este título de predileto, ou esposo, da Virgem Maria pareceria um piedoso exagero, produto de um entusiasmo vazio, se ela própria não o tivesse confirmado por várias vezes na vida dos santos. Nossa Senhora, dizem os santos, é a “Esposa das almas puras – ‘Sponsa animarum sanctarum’. E cheios de amor para com esta doce Soberana, impotentes quase para traduzir e exprimir os sentimentos de sua alma, foram vistos estes ardentes apaixonados de Maria se prostrarem a seus pés, colocarem-lhe no dedo um anel, e lhe pedirem para chamá-la sua Esposa amada”1.

  
A Virgem Maria e a graça da união esponsal


Não foram somente os santos, mas a própria Maria Santíssima também dá esse nome abençoado e cheio de graça, que é o de “esposo”, a esses felizes privilegiados. Sem exageros, mas com filial piedade, vejamos, em toda a sua beleza e em toda a sua encantadora intimidade, esta nova relação com nossa Mãe e Rainha, estabelecendo, desde o princípio, se é ou não permitido a todas as almas aspirar o título de esposo, ainda que sob o impulso de uma graça particular e com a aprovação de um diretor espiritual esclarecido.

Ser esposo de Nossa Senhora é, e sempre será, uma exceção, uma graça de concedida a alguns escolhidos. Isto é assim simplesmente porque é a Virgem Maria quem faz essa escolha. Por isso, não podemos fazer desta graça esponsal algo comum. “Quando Ela quer elevar uma alma a estas alturas, Ela vem por si bater-lhe à porta do coração, convidar, instar, e sobretudo, pôr ali uma generosidade em arroubo, dignos do título que Ela quer dar, e em proporção com as relações que devem existir entre o esposo e a esposa”2.

A respeito desses privilegiados de Nossa Senhora, não há ensinamento mais convincente do que a vida dos santos. Pois, estes foram homens guiados pelo Espírito Santo, o Espírito do Deus da verdade. Estes gloriosos servos, filhos e escravos, pediam, por vezes, com tocante ansiedade, à humilde e condescendente Virgem Maria que fosse a sua Esposa imortal. Outras vezes, a própria Mãe de Deus toma esse nome abençoado e cheio de graça. A este respeito, poderíamos citar muitos exemplos. 

Para mencionar somente alguns dos grandes santos esposos de Maria, recordamos que São Bernardo, São Domingos, São Fulberto de Chartres, São Bernardino de Sena, São João Eudes e Padre Berthier, entre outros, forneceriam a nós material abundante a respeito destes místicos desponsórios. Destes, citaremos apenas este trecho de uma súplica a Nossa Senhora, do Padre Berthier, falecido em 1908:

Ó Maria, sempre Virgem!… Calcando aos vossos pés todas as coisas terrenas, escolho-vos por minha Mãe; quero ter-vos por minha única Amada, minha esposa, minha toda formosa. Eu vos suplico: sede a esposa de meu coração! Como símbolo de piedade trarei sempre sobre o coração a imagem da vossa Conceição Imaculada, para que, a toda hora do dia e da noite, me lembre de vós, ó dulcíssima esposa!
E como tudo é comum entre os esposos, tornar-me-eis participante dos dons celestes, de que Deus vos constituiu dispensadora, e eu me esforçarei por dar-vos honra e por estender vosso amor tanto em minhas palestras particulares, como no santo tribunal, como no santo ministério da pregação.3

 As consequências desta vida de entrega esponsal


Oh! Que inefável união! Que encantadora intimidade há entre a Virgem Maria e seus filhos prediletos! Que graça inefável é ter esta a doce Virgem como esposa e viver com ela as relações de ternura e de caridade que reinam entre duas almas que se amam!

Em uma união matrimonial, três coisas são necessárias: o amor mútuo; a intimidade de uma vida comum; e a comunhão dos bens. No amor mútuo, de nossa parte, amamos tão pouco e com tão pouco ardor, mas Maria Santíssima se contenta somente com os nossos desejos e esforços. No entanto, da sua parte, em retribuição ao nosso amor, tão escasso, ela nos ama com todas as ternuras de seu Coração materno, que não é um coração qualquer, mas de Mãe de Deus. Quanto à intimidade da vida comum, trata-se da mesma união existente sob o título de filhos de Maria. “E como a vida é agradável em tal companhia! Como a virtude é atraente, e os sofrimentos, invejáveis, quando partilhados por semelhante coração, impostos por tais mãos!”4 

Enfim, na comunhão de bens, é mister nada reservar para nos mesmos, mas tudo entregar: nosso coração, nosso espírito, nossa vontade, nossos sofrimentos, nossas lágrimas, nossos pecados e nossos próprios defeitos. “Doce Virgem, eu vos entrego tudo… E, em troca, eu vos peço que nunca, outro amor, a não ser o de Jesus, entre no meu coração… de Jesus só, em vós e por vós!”5

Oh! Mil vezes felizes são os que têm o coração puro, a alma grande o bastante e o espírito tão elevado, para aspirar uma tal aliança com a Virgem Maria, tão encantadora e formosa esposa! Não! Para estes esposos, a Terra não é mais a Terra, mas o Céu! Eles podem caminhar ainda nas trevas deste mundo, mas são luz! Há neles uma atmosfera celeste, que os envolve e transfigura. Certamente, este título é grande e sublime demais para ser compreendido e apreciado por todas as almas.


O caminho dos esposos da Santíssima Virgem Maria


Assim, dizer-se esposo da Rainha do Céu é um privilégio reservado àqueles que Deus chama para uma união mais íntima com sua Mãe Santíssima. No entanto, repetimos para as almas generosas, que desejam viver mais estreitamente unidas à sua amada Esposa, esta prática é permitida, contanto que seja fruto de um amor ardente e de um desejo sincero, de trilhar eficazmente o caminho da santidade. “Qui sapiens est, intelliget haec!6 – “Ele [o esposo] é sábio, entenderá isso”.

Para trilhar este caminho esponsal, antes, devemos expor nossa aspiração, bem como nossos esforços para agradar a Santíssima Virgem Maria, a um homem de Deus, a um bom diretor espiritual. Pois, sem obediência, a doação não será recebida por Nossa Senhora. Entretanto, se feita em espírito de submissão e aprovada pelo pastor de nossas almas, esta entrega será para nós um estímulo no dever, um pacto de amor, e um penhor de perseverança. Com a aprovação de nosso diretor, poderemos então dizer:

Ó Maria, ó doce Maria! Elevai nossos corações, elevai até vós nossas almas, e dai-nos a graça de compreender, de sentir, de provar, desde esta triste peregrinação, o que compreenderemos e apreciaremos tão clara e deliciosamente no Céu: que sois tudo… tudo para nossas almas, e que vos podemos amar com um imenso amor!7


Links relacionados:


Referências:

1 PADRE JÚLIO MARIA LOMBAERDE. O segredo da verdadeira devoção para com a Saníssima Virgem: segundo São Luís Maria Grignion de Montfort, p. 69; cf. S. Anselmo, Sup. Salve Reg. S. A. Cret. in Orat. 2 de anu. B. V.
2 Idem, p. 70.
3 Idem, ibidem.
4 Idem, p. 71.
5 Idem, ibidem.
6 Idem, ibidem.
7 Idem, p. 72.



Autor: Natalino Ueda

13/07/2016

Por onde começar a ler a Bíblia?

É necessário um plano de leitura para ler a Bíblia

A Bíblia não é um simples livro. Ela é uma biblioteca de 73 livros, bem diferentes, diversos estilos, escritos em épocas distantes. Por isso, é necessário um plano de leitura.
A Bíblia se explica por si mesma. A 1º necessidade de um cristão é ter certeza de sua salvação, saber que Deus o ama e o escolheu. Por isso, o 1º livro a ser estudado é a 1º carta de São João.

 

Depois, siga o plano de leitura abaixo:


1.1º Carta de São João. Duas vezes.
2.Evangelho de São João
3.Evangelho de São Marcos
4.As pequenas cartas de São Paulo:
Gálatas;
Efésios;
Filipenses;
Colossenses;
1º e 2º Tessalonicences;
1º e 2º Timóteo;
Tito;
Filêmon;
5.Evangelho de São Lucas
6.Atos dos Apóstolos
7.Carta aos Romanos
8.Evangelho de São Mateus
9.1º e 2º Carta aos Coríntios
10.Hebreus
11.Carta de São Tiago
12.1º e 2º Carta de São Pedro
13.2º e 3º Carta de São João
14.Carta de São Judas
15.Apocalipse (Revelação)
16.1º Carta de São João. Terceira vez.
17.Evangelho de São João. Segunda vez.
Depois, deve ser estudado os livros do Antigo Testamento. Neste tempo, aproveite para estudar e rezar com os Salmos.

 

Para o estudo siga o plano de leitura abaixo


1.Gênesis
2.Êxodo
3.Números
4.Josué
5.Juízes
6.1º Samuel
7.2º Samuel
8.1º Reis
9.2º Reis
10.Amós
11.Oséias
12.Isaías (1-39)
13.Miquéias
14.Naum
15.Sofonias
16.Habacuc
17.Jeremias
18.Lamentações
19.Ezequiel
20.Abdias
21.Isaías (40-55)
22.1º Crônicas
23.2º Crônicas
24.Esdras
25.Neemias
26.Ageu
27.Zacarias
28.Isaías (56-66)
29.Malaquias
30.Joel
31.Jonas
32.Rute
33.Tobias
34.Judite
35.Éster
36.Eclesiástico
37.Cântico dos Cânticos
38.Jô
39.Eclesiastes
40.1º Macabeus
41.2º Macabeus
42.Baruc
43.Daniel
44.Sabedoria
45.Levítico
46.Deuteronômio


Fonte: Livro A Bíblia no meu dia-a-dia / Pe. Jonas Abib

Deus é responsável por nascer crianças com deficiências?

Deus é responsável por crianças nascerem com deficiências e outros padecimentos da humanidade?

O primeiro parágrafo do Catecismo da Igreja afirma que “Deus é Perfeito e Bem-aventurado”, n’Ele não há sobra, erro nem maldade. “Deus é amor” (1Jo 4,8); “Eterna é a Sua misericórdia” (Sl 117,1).

Deus é responsável por nascer crianças com deficiências - 1600x1200 
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com


A Bíblia é repleta de passagens que falam do amor de Deus por nós. “Deus amou o mundo a tal ponto que deu o Seu Filho único para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). São Paulo disse que “essa é prova do amor de Deus por nós, porque, ainda quando éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (Rom 5,8). Será que pode haver maior prova de amor por nós? Diante de tudo isso, não há como alguém pensar que Deus possa ser responsável por uma criança nascer com deficiência. Então, de onde vem esse mal?

 

Deus é suficientemente bom para tirar do próprio mal o bem


A resposta católica para o problema do mal e do sofrimento foi dada de maneira clara por Santo Agostinho († 430) e por São Tomás de Aquino († 1274):
“A existência do mal não se deve à falta de poder ou de bondade em Deus; ao contrário, Ele só permite o mal, porque é suficientemente poderoso e bom para tirar do próprio mal o bem” (Enchiridion, c. 11; ver Suma Teológica l qu, 22, art. 2, ad 2). Como entender isso?

Deus, sendo Perfeitíssimo, não pode ser causa do mal, logo, esta é a própria criatura, que pode falhar, já que não é perfeita como seu Criador. Só Deus é infalível e isento de imperfeições. Na verdade, o mal, ensina a filosofia, é a carência do bem. Por exemplo, a doença é a carência do estado de saúde, a ignorância é a carência do saber, e assim por diante. Por outro lado, o mal pode ser também o uso errado, mau, de coisas boas. Uma faca é boa na mão da cozinheira, mas na mão do assassino… Até mesmo a droga é boa, na mão do anestesista.

Deus permite que as criaturas vivam conforme a natureza de cada uma; permite, pois, as falhas respectivas. Assim, o sofrimento é, de certa forma, inerente à criatura. Mas por que Deus permite o sofrimento? Ele é Amor e Onipotência, poderia evitá-lo!

Para que o homem fosse “grande”, digno e nobre, Deus o fez livre, inteligente, dotado de mãos maravilhosas, sensibilidade, vontade, memória etc., que nem as pedras, árvores e animais receberam. A liberdade é o toque maior de nossa semelhança com Deus. Ele teve de correr o risco de nos fazer livres, para que fôssemos dignos, mesmo sabendo que a criatura poderia lhe voltar as costas. Deus não poderia impedir o homem de lhe dizer “não”, senão, tiraria dele a liberdade, e ele seria apenas um robô. Deus não quis isso, mas Ele nos deu também a inteligência, como uma luz para guiar nossos passos; e nos deu a vontade para permanecer no bem e evitar o mal.

Ele quis fazer a criatura humana livre como Ele, criou-o da melhor maneira possível, à Sua imagem. É a liberdade que nos diferencia dos animais, dos robôs e teleguiados. Podemos escolher espontaneamente o rumo de nossa vida e o teor de nossas ações. E nisso podemos errar, cometendo graves danos, especialmente quando usamos mal da nossa liberdade e inteligência, desobedecendo a Deus.

É Deus quem nos sustenta e nos mantém vivos, mas Ele não tira a nossa liberdade. Do contrário, não haveria merecimento nem culpa de nossa parte. Não haveria dignidade no homem. Então, por isso, Ele não quer, mas permite a morte e o sofrimento no mundo. Aqui está o nó da questão: Deus respeitou e respeita a liberdade da criatura que lhe diz ‘não’, embora pudesse e possa obrigá-la ao ‘sim’ – o que evitaria sofrimentos –, mas isso destruiria a grandeza do homem, que consiste em sua liberdade de opção.

 

Deus não é paternalista, é Pai


Depois de dar ao homem todas essas faculdades maravilhosas, Deus lhe deu o mundo em suas mãos, para cuidar dele como um jardineiro. “O Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo” (Gen 2, 15). Se o homem não cuida bem desse mundo, se não ama os irmãos, se não obedece às leis divinas, então dá origem à dor, e isso não é culpa de Deus. Daí, surge o pecado e o mal moral, que gera também o mal físico. “O salário do pecado é a morte” (Rom 6,23). Por isso, Jesus foi até a cruz, para “tirar o pecado do mundo” (Jo 1,29), a causa de todo sofrimento e morte.

Deus não é paternalista, é Pai, ou seja, Ele não fica “passando a mão por cima” dos erros dos homens e consertando os seus estragos como fazem muitos pais. O Senhor deixa que o homem sofra as consequências de seus erros. Essa é a lei da justiça, e quem erra deve arcar com as consequências dos seus erros.
Os nossos erros geram sofrimentos para os nossos descendentes também. Os filhos não herdam os pecados dos pais, mas podem sofrer por causa desses pecados.

Eu sofro não só por causa dos meus pecados, mas também por causa dos pecados dos homens, de todos os tempos e lugares, especialmente daqueles que estão mais ligados a mim: parentes, amigos etc. A humanidade é solidária.
É lógico que os vícios de um pai fazem sofrer os filhos e a esposa; e assim por diante. Deus não é o culpado nem deseja nada disso. A culpa é nossa mesmo. Que culpa teria Deus, se, por exemplo, um pai irresponsável, passasse uma noite bebendo e, depois, sofresse um acidente de carro e morresse por dirigir embriagado? Não! A culpa não é de Deus, é do homem.

 

O Senhor não desrespeita as leis que Ele mesmo criou


Se você teimar em ligar o seu ventilador em uma tomada de 220 volts, quando o manual manda ligar em 110 volts, é claro que você vai queimar o motor do ventilador. Que culpa tem Deus disso?
O mesmo se deu e se dá com o mundo e com o homem.

Temos um Projetista que fez o homem e mundo belos, organizados, harmoniosos, mas não respeitamos o seu catálogo; então, destruímos Sua bela obra e geramos o sofrimento.

Quando ouvimos que é preciso “aceitar a vontade de Deus” diante do sofrimento e da morte, não quer dizer que foi Deus quem quis aquele mal, aquela tragédia, doença etc. Não! Deus não pode querer o mal. Mas Ele o permite, porque não desrespeita as leis que Ele mesmo criou e, de modo especial, o nosso livre arbítrio. Deus respeita a nossa dignidade e semelhança a Ele.

Se Ele ficasse nos livrando das consequências dos nossos pecados, nunca nos tornaríamos filhos maduros. Se Ele, por exemplo, suspendesse a lei da gravidade quando alguém salta de uma altura para a morte, ele destruiria o mundo todo.

“Deus não fez a morte nem tem prazer em destruir os viventes”, diz o livro da Sabedoria (1,13). “Ora, Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez à imagem de sua própria natureza. É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão” (Sab 2,23).


Leia também:

:: O que é a tradição da Igreja?
:: A Bíblia promove ou proíbe a oração aos anjos?
:: O que a Igreja diz sobre purgatório?
:: Cirurgia plástica é pecado?


Podemos então dizer que é, principalmente por causa de sua liberdade, que o homem é grande; por isso, pode sofrer. Ele é imagem de Deus sem ser Deus. Na sua sabedoria e bondade infinitas, Deus achou por bem correr o risco de poder nos ver errar e sofrer. Foi o preço da nossa semelhança a Ele.
O Criador poderia estar constantemente vigiando o mundo, de modo que nunca houvesse algum desastre ou sofrimento. Mas esse procedimento seria menos digno de Deus, que deseja dar ao homem a oportunidade de realizar-se, tornar-se grande, com liberdade e nobreza.

As crianças e os inocentes sofrem, porque participam da dignidade humana, como já explicamos, e compartilham a sorte da humanidade.
Então, a criança não sofre para pagar os pecados de uma suposta vida anterior.

Ela sofre, porque é solidária com a humanidade; e as consequências de seus erros a atingem também, embora inocente. Não é precioso inventar teorias complicadas para explicar o sofrimento, nem mesmo culpar Deus pelo erro que é nosso.

Deus não interfere no sofrimento da criança a todo instante, fazendo milagres para impedir o mal, para não destruir a ordem natural que Ele mesmo criou.

Em consequência do pecado, o sofrimento e a morte fazem parte da história de todos os homens, inocentes ou pecadores. A fé ensina que Deus Pai, pelo sofrimento redentor de Jesus, resgatará todo sofrimento da criança inocente e fará cada uma ressuscitar um dia com Cristo.

Não devemos esquecer que os primeiros mártires da Igreja são os inocentes que morreram pelas mãos de Herodes, em Belém (Jr 31,15). Hoje, são santos mártires da Igreja. O seu sofrimento não foi em vão. Não podemos olhar os fatos só com os olhos deste mundo; é preciso vê-los à luz da fé.

A Paixão e Morte de Jesus resgataram o mundo. O Pai entregou Jesus por nós assim. Ainda duvidaremos do Seu amor?


Fonte: Canção Nova

12/07/2016

Por meio da Oração, sempre se chega a Libertação total de uma pessoa?

O poder da Oração e o querer de Deus….

 

Por meio da Oração, sempre se chega a Libertação total de uma pessoa?


A primeira coisa que acho importante dizer é que nossa vida é e sempre será um mistério, e que, aquilo que é o querer de Deus, nem sempre é de nosso entendimento…
 
Uma outra coisa importante que precisamos aprender sobre a oração: Por meio da oração não obrigamos a Deus a fazer aquilo que estamos lhe pedindo, mas a oração sempre será um meio de nos achegarmos a Deus para saber qual é a Sua vontade…

Com estas duas pequenas observações acima, quero lhe responder o título deste artigo, que tem por pergunta:
Por meio da Oração, sempre se chega a Libertação total de uma pessoa?

A minha experiência pessoal diz que não, nem sempre chegamos a uma total libertação de uma pessoa ou de um caso que acompanhamos, mesmo que esta pessoa passe diversas vezes por orações de libertação, ou até mesmo por Exorcismos.
 
E o primeiro motivo que entendi de uma pessoa não ser liberta completamente, e o tempo foi realmente me comprovando isso;  é que quando cuidamos de alguém que está experimentando algum tipo de ataque do Demônio, a pessoa vive realmente um grande sofrimento, mas de alguma forma Deus se utiliza deste sofrimento na qual a pessoa esta vivendo para purifica – lá, para ajudar em conversões de pessoas que lhe são próximas, e para que através dela as pessoas possam crer na horrível existência do Mal. 

E a verdade é que tudo isso se torna um verdadeiro mistério para nós, muitas vezes não compreendemos, não aceitamos, porque queremos que tal pessoa seja completamente liberta do mal que lhe faz sofrer. Há pessoas que até mesmo se revoltam contra Deus, mas Deus na Sua infinita Misericórdia sabe se utilizar de tudo para o bem e a salvação destas pessoas.

Uma outra coisa que aprendi quando não conseguimos chegar a uma completa libertação de uma pessoa, é que precisamos continuar rezando por ela, e é necessário que um acompanhamento continue sendo feito

Se ela passa por sessões com algum exorcista, os Exorcismos precisam ser continuados, pois não sabemos quando Deus irá agir de uma vez por todas e liberta – lá por completo, e é bom sempre lembrarmos que apesar de muitas vezes não chegarmos a uma total libertação, a oração, as sessões de Exorcismos sempre consegue lhes dar uma tranquilidade maior diante do sofrimento.

A continuidade do acompanhamento pessoal destas pessoas é necessário também para que possam ir evoluindo em determinadas áreas ou aspectos de suas vidas e do dia a dia que lhes cercam, na qual eram atingidas com maior gravidade ou ainda não conseguiam responder de maneira positiva.

Por exemplo:  Já vi casos de pessoas que foram atingidas por manifestações diabólicas e que não importava onde estavam, estas pessoas tinham reações extremamente agressivas, ou reações típicas de pessoas realmente possuídas; mas que com o passar do tempo, com um acompanhamento correto e com muita oração, estas pessoas conseguiram uma certa autonomia sobre si, e ninguém se apercebia das realidades que elas viviam.

:: Oração de Libertação do Vício da Pornografia
:: Deus, a Oração e o Tempo
:: Libertação: Precisamos nos confessar! Uma revisão de vida!

Existem casos também que quando estavam recebendo pela primeira vez orações era necessário muitas pessoas para segura – lás e as reações eram extremamente agressivas, mas que com o passar do tempo e de muita oração, as reações já não mais eram tão expressivas.

É difícil compreendermos estas coisas, mas é tudo muito real! É difícil acompanharmos casos que não sabemos o porquê deles persistirem, e não conseguirmos alcançar a completa libertação da pessoa.
 
Mas mesmo assim não podemos desanimar, precisamos persistir!
O que acontece também em casos que não chegamos a uma total libertação, e já pudemos comprovar, é que a pessoa em questão não deu os passos necessários que lhe foi aconselhado e instruído. E ai por mais que rezemos não conseguiremos grandes resultados. Por isso, eu particularmente quando percebo que a pessoa em questão não esta dando os passos, ou lá no fundo não quer ter esforço nenhum, prefiro que dê um tempo nos atendimentos, e que espere mais tempo para voltar. Pois a pessoa precisa cair em si e ver que não existe na área espiritual um “passe de mágica“, mas que é um caminho exigente e de muita renuncia!

E por fim, existem casos que pela gravidade do envolvimento com o ocultismo, com seitas diabólicas e coisas do tipo, é necessário anos e anos de atendimentos e muita oração. Nestes casos até chegamos a uma libertação total, mas por vezes acontece que precisamos acompanhar a pessoa por dois ou três anos com orações quinzenais, e isso se torna muito exigente tanto para a pessoa, quanto para quem esta acompanhando. E o que acontece é as pessoas abandonarem o acompanhamento no meio do caminho.
 
É por isso que quando as pessoas me escrevem, ou vem à Canção Nova e me procuram para serem atendidas, nem sempre eu consigo atende – las, e se morarem muito longe recomendo que busquem um acompanhamento em grupos de oração próximos de onde moram, procurem o seu pároco e lhe peçam ajuda, ou coisas do tipo, ha não ser que tenham a possibilidade de estarem de tempos em tempos vindo a Canção Nova em Cachoeira Paulista; mas o tempo já me mostrou que são raras as pessoas que conseguem continuar um acompanhamento morando longe.

Mas não desanimemo-nos meus irmãos, o Senhor não tem Suas mãos atadas e pode quando quiser e como quiser libertar um filho Seu das garras do Demônio. Façamos a nossa parte, empenhemos os esforços que cabe a cada um de nós, e ao Seu tempo Deus fará o que for necessário!



Que pecados nos impedem de comungar?


A gravidade dos pecados podem ser maior ou menor

A Igreja nos ensina que não podemos comungar em pecado mortal sem antes nos confessarmos. Pecado mortal é aquele que é grave, normalmente contra um dos Dez Mandamentos de Deus: matar, roubar, adulterar, prostituir, blasfemar, prejudicar os outros, ódio etc. É algo que nos deixa incomodados.


Que pecados nos impedem de comungar
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

 

O que diz o Catecismo da Igreja Católica (CIC) sobre isso


§1856 – O pecado mortal, atacando em nós o princípio vital que é a caridade, exige uma nova iniciativa da misericórdia de Deus e uma conversão do coração, que se realiza normalmente no sacramento da Reconciliação:
“Quando a vontade se volta para uma coisa em si contrária à caridade pela qual estamos ordenados ao fim último, há no pecado, pelo seu próprio objeto, matéria para ser mortal… quer seja contra o amor de Deus, como a blasfêmia, o perjúrio etc., ou contra o amor ao próximo, como o homicídio, o adultério, etc.

Por outro lado, quando a vontade do pecador se dirige às vezes a um objeto que contém em si uma desordem, mas não é contrário ao amor a Deus e ao próximo, como, por exemplo, palavra ociosa, riso supérfluo etc., tais pecados são veniais” (S. Tomás, S. Th. I-II,88,2).
§1857 – Para que um pecado seja mortal, requerem-se três condições ao mesmo tempo: É pecado mortal todo pecado que tem como objeto uma matéria grave, e que é cometido com plena consciência e deliberadamente” (RP 17).

Leia mais:
:: O sigilo do sacramento da confissão
:: Efeitos espirituais do sacramento da confissão
:: Como fazer uma boa confissão?
:: Eucaristia e confissão, armas contra a tentação


§1858 – A matéria grave é precisada pelos Dez Mandamentos segundo a resposta de Jesus ao jovem rico: “Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não defraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe” (Mc 10,19). A gravidade dos pecados é maior ou menor; um assassinato é mais grave do que um roubo. A qualidade das pessoas lesadas entra também em consideração. A violência exercida contra os pais é em si mais grave do que contra um estrangeiro.

§1859 – O pecado mortal requer pleno conhecimento e pleno consentimento. Pressupõe o conhecimento do caráter pecaminoso do ato, de sua oposição à lei de Deus. Envolve também um consentimento suficientemente deliberado para ser uma escolha pessoal. A ignorância afetada e o endurecimento do coração (cf. Mc 3,5-6; Lc 16,19-31) não diminuem, antes aumentam, o caráter voluntário do pecado.

§1860 – A ignorância involuntária pode diminuir ou até escusar a imputabilidade de uma falta grave, mas supõe-se que ninguém ignore os princípios da lei moral inscritos na consciência de todo ser humano. Os impulsos da sensibilidade, as paixões podem igualmente reduzir o caráter voluntário e livre da falta, como também pressões exteriores e perturbações patológicas. O pecado por malícia, por opção deliberada do mal, é o mais grave.


§1861 – O pecado mortal é uma possibilidade radical da liberdade humana, como o próprio amor. Acarreta a perda da caridade e a privação da graça santificante, isto é, do estado de graça. Se este estado não for recuperado mediante o arrependimento e o perdão de Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, já que nossa liberdade tem o poder de fazer opções para sempre, sem regresso. No entanto, mesmo podendo julgar que um ato é em si falta grave, devemos confiar o julgamento sobre as pessoas à justiça e à misericórdia de Deus.

§1862 – Comete-se um pecado venial quando não se observa, em matéria leve, a medida prescrita pela lei moral, ou então quando se desobedece à lei moral em matéria grave, mas sem pleno conhecimento ou sem pleno consentimento.



Fonte: Canção Nova

Piercing e a tatuagem no corpo de um cristão

Será que o uso dessas práticas, mesmo na cultura ocidental pós-moderna, não vem carregado de um sentido espiritual?

“Não fareis incisões na vossa carne por um morto, nem fareis figura alguma no vosso corpo. Eu sou o Senhor” (Lv 19,28).
Vemos, neste texto bíblico, a proibição de Deus ao povo de Israel de fazer incisões na pele. Para não cairmos em fundamentalismos, temos de ir ao contexto e descobrir a essência da mensagem. O que observamos é que o uso dessas incisões trata-se de uma prática idólatra dos povos pagãos que circundavam Israel, e a essência é que não condiz com o seguimento do Deus Uno qualquer forma de idolatria e, então, o corpo do homem não pode ser um espaço de expressões idólatras.

O que a Igreja diz sobre o uso de tatoo e piercing - 940x500

Tatuagem e piercing têm alguma coisa a ver com isso? “A expressão piercing tem sido usada para designar um tipo de adorno inserido por perfuração em certas partes do corpo. Tatuagem é a pintura da pele com pigmentos insolúveis e definitivos.” 1

Olhando assim, de forma objetiva, parece que a tatuagem e o piercing não têm nada de censurável. Mas precisamos nos aprofundar no significado deles. Penso que a análise da moralidade dessas práticas passa por duas questões:

Primeiro: essas práticas geralmente estão relacionadas a comportamentos tantas vezes velados, mas presentes, cheios de vaidade, sensualidade e irreverência. Mesmo que na intenção pessoal isso não esteja claro, tatuagens e piercings, na nossa cultura, carregam esses significados. Nesse sentido, o texto do Levítico não está tão distante dessa realidade, porque vaidade, sensualidade e irreverência são verdadeiros ídolos a quem o homem moderno presta culto e realiza sacrifícios inescrupulosos. Mesmo que pessoalmente seja apenas uma atitude adolescente de inclusão a um grupo, a motivação deste está envolvida com esses valores.

Não nos enganemos, pois tudo o que fazemos com nossas coisas, especialmente com o nosso corpo, comunica nossos valores e transmite mensagens boas ou ruins. Usando isso, ainda que a intenção primeira não seja essa, o usuário contribui para a valorização desses cultos que tanto têm destruído as virtudes contrárias a esses valores em nossa sociedade: simplicidade, pureza e mansidão.

Leia mais:

:: Existe reencarnação?
:: Quem cometeu suicídio está condenado?
:: Quem é Jesus?
:: Por que batizar uma criança?


Alguém pode questionar que outras práticas normais, como o uso de brincos e maquiagens, também podem ter um significado de culto à vaidade, sensualidade e irreverência. Sim, isso é verdade. Mas essa exortação vale também para elas, porque as práticas comuns, sem a virtude da temperança, também podem nos dispor a essas ciladas.

É significativo que, na maioria das culturas, especialmente o piercing tenha um sentido religioso e espiritual. “A ideia hinduísta desse objeto é que ele representa um contato, uma abertura para a atuação de divindades nas mais variadas áreas da vida humana, cada uma representada por uma parte do organismo. É interessante observar que o uso do piercing está tão ligado a essas crenças hinduístas, que os locais de colocação (lábios, umbigo, nariz, sobrancelhas entre outros) correspondem, exatamente, aos pontos correspondentes aos chamados “chakras”, ou seja, centros de energia onde se daria a interação entre o corpo e a mente, de onde se poderia estabelecer o controle sobre eles.” 2

Será, então, que o uso dessas práticas, mesmo na cultura ocidental pós-moderna não vem carregado de um sentido espiritual? Será que não expõe, de algum modo, a pessoa a realidades espirituais, uma vez que “vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar” (1Pd 5,8)?

Outra questão a se considerar é o respeito ao corpo, templo do Espírito. Essa é uma forte exortação de São Paulo em 1Cor 6,12-20, e também do Catecismo da Igreja Católica. 

Este, quando trata do quinto mandamento da Lei de Deus – “Não matarás”–, além do evidente, fala também sobre a necessidade do respeito à saúde (§§ 2288-2291) como um apelo moral do cristão. Nesse sentido, o piercing e a tatuagem também não se harmonizam com esses valores. 

De maneira geral, os profissionais de saúde contraindicam o uso dessas marcas em nosso corpo, pois elas expõem o corpo a uma série de complicações, desde a transmissão de doenças contagiosas, no momento da aplicação, como da Hepatite B (HBV), da Hepatite C (HCV) e do vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), Sífilis etc., como complicações posteriores: infecções diversas, dermatites, alergias e até há relatos de casos registrados de endocardite infecciosa (uma infecção grave na camada interna do coração). Isso tudo, sem contar que, no caso das tatuagens, a remoção posterior é difícil, podendo expor a pessoa a novas complicações.

Quanto ao piercing, alguém pode perguntar se há alguma diferença entre ele e o brinco usado nos lóbulos das orelhas. Sob o ponto de vista da saúde, há muita diferença. O lóbulo da orelha é a região que apresenta melhores condições, porque tem vascularização adequada (nem muito como, por exemplo, a língua e lábios; nem pouco, como nas cartilagens), é arejado, pouco exposto a suor e secreções e é de fácil higienização. Trata-se, assim, de uma região do corpo com improváveis chances de complicações. Outra é a situação dos diversos locais do corpo em que se costuma usar piercing, em que a exposição a riscos é muito maior. Aliás, veja-se como a tradição de culturas civilizadas tem valor. 

Nela se escondem sabedorias que nem imaginamos. O verdadeiro progresso social e cultural está em um novo que parte da tradição.
Ainda ponderando sobre o respeito ao corpo, será que a tatuagem e o piercing respeitam a beleza da pessoa?

Penso que as aberrações que vemos por aí nos dão a pista da resposta: não. Não, porque qualquer coisa que marque o corpo de forma estável ou permanente comunica que ele não é tão bom assim, ele não é tão digno e tão belo, e precisa ser melhorado (isso seria diferente de uma prótese, que visa justamente restaurar, em um determinado corpo, a integridade perdida e que é própria do ser humano).

A Igreja não tem nenhum pronunciamento claro ou oficial sobre essa questão. Mas ela nos dá os princípios da fé que, com o discernimento dos espíritos (cf I Cor 10,12), podemos, sim, ponderar e fazer um juízo sobre questões como essa. “O corpo, porém, não é para a impureza, mas para o Senhor” (1Cor 6,13b).

Que seus princípios partam sempre da dignidade do seu corpo para Deus, e que seus discernimentos busquem, em tudo, glorificar o Senhor.


Referências:
1. Dra Mannoun, Piercing e tatuagens na adolescência, o que você precisa saber.
2. Marcia Rezende, O que a Bíblia diz sobre o piercing.



11/07/2016

Um amigo antecipa o céu

Um amigo leva a gente pra longe mesmo quando a gente se esconde

Conscientes ou não, o fato é que todos nós necessitamos uns dos outros para sermos verdadeiramente felizes neste mundo. Podemos até trabalhar para ter o pão em nossa mesa, mas ele se torna muito mais saboroso quando é degustado na presença de pessoas queridas.
Esforçamo-nos para alcançar metas e conquistar sonhos, mas de que adiantaria vencer se não houvesse com quem partilhar a vitória? Ou seja, todo mundo passa pela necessidade de ter com quem contar e poder dividir sua vida; um amigo entra justamente nesse espaço sagrado do nosso ser, onde, pela força da amizade, o “eu” dá lugar ao “nós” e o egoísmo perde seu poder.

Um amigo antecipa o céu - 1600x1200
ImagineGolf, 17329893 , iStock photos by gett image


É por isso que quem tem a coragem de viver uma grande amizade consegue ir além em muitos aspectos de sua vida. Ziza Fernandes afirma, em uma de suas canções, que “um amigo leva a gente pra longe mesmo quando a gente se esconde”. A meu ver, essa é uma das grandes virtudes da amizade.

Ver as capacidades escondidas nas marcas do passado


Um bom amigo acredita no outro, consegue ver suas capacidades muitas vezes escondidas atrás dos medos e das marcas do passado, e o ajuda a dar a volta por cima. Sabemos bem que uma das coisas mais importantes nesta vida é ouvirmos, na hora certa, alguém nos dizer: “Vá em frente, você é capaz, eu acredito em você!”. É como se essas palavras acendessem milhares de luzes em nosso interior, nos fazendo enxergar nosso potencial e nos permitindo experimentar um pouco do céu na terra. Quem é amigo sabe fazer isso com verdade e coerência. Aliás, amizade tem tudo a ver com verdade, respeito e liberdade.
Ninguém, nem mesmo o melhor amigo, tem o direito de “mandar na vida do outro”, muito menos, à custa de boa intenção, passar por cima de seus valores, levando a pessoa a uma espécie de dependência afetiva que, antes de ser sinal de amizade, é sinal de egoísmo.


Veja mais:
:: Cultive as amizades verdadeiras
:: A importância dos laços de amizade
:: Na vida precisamos de amigos
:: Amizade é característica dos santos, ensina Bento XVI

 

O verdadeiro amigo nunca tira a liberdade do outro

Recordo-me de uma história que meu pai contava quando eu era criança, que nos ajuda a perceber o valor da liberdade na amizade.
Havia uma menina que morava em uma casa de sítio, e tudo lá se resumia em harmonia e sossego. Podia-se ouvir nitidamente o canto dos pássaros e contemplar, todos os dias, o nascer e o por do sol. Até que, certa vez, a menina observou que um majestoso sabiá vinha todas as tardes cantar bem próximo à sua janela.

O gesto foi se repetindo por muitos dias; então, a menina considerou que o sabiá era seu amigo, começou a apreciar mais o seu canto, alegrar-se com sua chegada e, principalmente, contar-lhe seus segredos. O pássaro também foi se acostumando com a amiga, já não tinha medo de ser apanhado e chegava a cantar cada vez mais perto dela. Costumava ficava um pouco após o canto, saltando entre um galho e outro como que a ouvir suas partilhas. Depois, abria suas bonitas azas amarelas e voava na direção do infinito. A menina aguardava ansiosa a volta dele no dia seguinte, apesar de para ela parecer uma eternidade, pois queria sua presença e seu canto o tempo inteiro.


Um dia, ela teve a infeliz ideia de, numa armadilha, capturar o sabiá. Então, no fim daquela tarde, quando ele chegou para cantar, foi preso em uma gaiola que passaria a ser a sua residência. A alegria da menina contrastava com a tristeza do pássaro que se debatia de um canto a outro, querendo de volta a liberdade. Naquele dia, não houve canto nem conversa, a menina ficou chateada por perceber que o sabiá não gostou da gaiola que ela havia mandado construir com tanto requinte. Já o sabiá, ficou desapontado por perceber que, na verdade, ela nunca fora sua amiga. Nos dias seguintes, o pássaro também não cantou e estava cada vez mais abatido, até que a menina resolveu soltá-lo, afirmando que ele não serviria para ser seu amigo. Ele, por sua vez, voou para tão longe que nunca mais voltou.


Eis a moral da história: se a menina fosse realmente amiga do pássaro, não o teria prendido. Um amigo verdadeiro nunca tira a liberdade do outro e também não é egoísta, não o engaiola. O respeito às particularidades do outro é algo sublime e fundamental em todos os relacionamentos, inclusive na amizade. Penso que quem consegue valorizar e amar seus amigos por aquilo que cada um é, sem esperar nada em troca e sem roubar sua essência, traz um pouco do céu para a terra, pois é assim que Deus nos ama.

 

Fortalecer os laços de amizade


Aproveite, portanto, este dia para fortalecer os laços de amizade que fazem parte da sua história. Dedique tempo de qualidade aos seus amigos, aprenda a “apreciar o canto sem prender o sabiá”. Expresse sua gratidão e afeto a cada um, quebre distâncias com um telefonema, uma mensagem ou, se possível, vá ao encontro de seus amigos e leve um abraço, um sorriso sincero e a disposição para o acolher. Dessa forma, você o ajudará a experimentar, aqui na terra, um pouco do céu.


Fonte: Canção Nova

A inocência roubada...

Saiba como a inocência roubada pode afetar negativamente a sexualidade de um homem

a-inocencia-roubada 
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

A minha casa era no mesmo quintal da casa dos meus avós; os meus pais trabalhavam e costumavam me deixar aos cuidados deles. Além disso, era costume dos meus avós acolher outras pessoas em casa, sempre de forma gratuita, inclusive crianças e adolescentes para serem cuidados, pois minha avó gostava de acolher as pessoas e ajudá-las. Mas, infelizmente, ela acabava não lhes dando a devida atenção, pois também tinha um bar, de frente à sua casa, no qual trabalhava.

Nessa disposição de acolher as pessoas, ela acolheu um primo de terceiro grau. Ele já estava com 14 anos; eu, com cinco anos de idade. Como a casa dos meus avós era para mim um ambiente onde eu me sentia muito livre enquanto criança, porque podia brincar e tudo mais, era normal eu brincar dentro e fora de casa e conviver com esse meu primo.

Certo dia, ele me convidou a entrar na casa de meus avós, aproveitando-se do fato de eles não estarem lá. Minha mãe, neste dia, estava em casa, entretanto, como estava com a porta fechada, não percebia a situação. Inocente, respondi de imediato ao convite, não desconfiando das perversas intenções de meu primo.
Quando respondi “Estou indo”, ele apressadamente me conduziu para dentro da casa; não porque eu não pudesse ir sozinho, mas porque ele tinha pressa em suas intenções e queria ser discreto. Tão logo entramos, ele já foi me dizendo que queria me ensinar algo. Sua expressão me causava medo, sua voz e seus olhos transpareciam raiva, enquanto me ameaçava caso eu contasse aquilo a
alguém.

Eu não entendi o que estava acontecendo, não tinha consciência do que era sexo oral. Sentia um misto de sentimentos, confusão e medo,mas sendo ele maior do que eu, coagiu-me àquilo e vi-me indefeso. Ainda que inconsciente do que aquilo representava, sentia que era algo errado que estava acontecendo.


Leia mais:
:: O que é violência sexual?
:: Violência física: dormindo com o inimigo
:: Violência doméstica no casamento: o que fazer?
:: Violência psicológica, você sabe o que é?
:: Como combater a violência psicológica?


Pouco tempo depois, tudo foi interrompido pelos gritos de minha mãe, que buscava por mim. Nesse momento, ele me deixou ir. Ela me interrogou sobre onde eu estava e o que estava fazendo; limitei-me a dizer que estava brincando na casa de minha avó. Era nítido que ela havia percebido algo errado, mas, na ocasião, não chegou a descobrir, e eu não tive coragem de contar.

 

O silêncio

Passado um tempo, a irmã desse meu primo veio também morar na casa dos meus avós. Eu pude presenciar ocasiões onde eles se relacionavam de forma masoquista e sadomasoquista. Hoje, tenho essa compreensão, mas naquela época não as tinha. Eu era sempre orientado a não dizer nada a ninguém. Essas experiências despertavam algo em mim, uma curiosidade maior pelo meu corpo e pelo corpo dos outros. Então, nas oportunidades em que eu tinha de reproduzir o que fizeram comigo, eu reproduzia. Agora, o sentimento já não era mais de medo, mas de curiosidade e descoberta.


Mesmo após essas experiências, meus pais continuavam a trabalhar durante a semana e me deixavam com meus avós. Mas eu acabava ficando grande parte dos dias da semana quase que sozinho. Nesse tempo, era costume eu brincar com algumas vizinhas que moravam em frente à minha casa. Nós brincávamos de “casinha”. Na brincadeira, elas eram as esposas e eu era o esposo. Assim, quando brincávamos, nós nos beijávamos, tirávamos as nossas roupas e nos acariciávamos. Na verdade, tentávamos, porque, pelo falo de sermos crianças, não sabíamos fazer nada direito, nem sequer sentíamos prazer. Era uma reprodução do que já tínhamos visto e vivido até aquele momento. Lembro que cheguei a comentar com os mais velhos que elas eram minhas namoradas, e eles davam risadas desse comentário.


Um tempo depois, meus primos foram embora da casa dos meus avós. Mas, como se não bastasse, meus avós pegaram uma outra menina para cuidar. Ela era alguns anos mais velha do que eu e também já tinha tido experiências na área da sexualidade. Nós tivemos oportunidades de estar a sós e, nessa ocasião, eu já não era mais pressionado a fazer algo, era um acordo comum. Eu tinha de oito para nove anos idade, ela tinha 11. Eramos duas crianças que tiveram sua sexualidade despertada de forma precoce e reproduziam o que já tinham vivido até aquele momento.


Todas essas experiências aconteceram na minha infância. Ainda hoje, quando faço memória do fato de ter feito sexo oral no meu primo, sinto aquele gosto amargo na boca. Isso me marcou profundamente! Percebo que foi por meio disso que aconteceu o “start” na minha vida sexual, para que, ainda criança, eu já começasse a viver tantas coisas fora do tempo e de forma desordenada.
Citei, de forma cronológica, como os fatos aconteceram, e trago algumas marcas disso até hoje.

(Jovem anônimo de 23 anos)


Fonte: Canção Nova

11 de Julho - Dia de São Bento

Dedicou-se à vida de oração, meditação e aos diversos exercícios para a santidade... 


Abade vem de “Abbá”, que significa pai, e isto o santo de hoje bem soube ser do monaquismo ocidental. São Bento nasceu em Núrcia, próximo de Roma, em 480, numa nobre família que o enviou para estudar na Cidade Eterna, no período de decadência do Império.

Diante da decadência – também moral e espiritual – o jovem Bento abandonou todos os projetos humanos para se retirar nas montanhas da Úmbria, onde dedicou-se à vida de oração, meditação e aos diversos exercícios para a santidade. Depois de três anos numa retirada gruta, passou a atrair outros que se tornaram discípulos de Cristo pelos passos traçados por ele, que buscou nas Regras de São Pacômio e de São Basílio uma maneira ocidental e romana de vida monástica. Foi assim que nasceu o famoso mosteiro de Monte Cassino.

A Regra Beneditina, devido a sua eficácia de inspiração que formava cristãos santos por meio do seguimento dos ensinamentos de Jesus e da prática dos Mandamentos e conselhos evangélicos, logo encantou e dominou a Europa, principalmente com a máxima “Ora et labora”.

Para São Bento a vida comunitária facilitaria a vivência da Regra, pois dela depende o total equilíbrio psicológico; desta maneira os inúmeros mosteiros, que enriqueceram o Cristianismo no Ocidente, tornaram-se faróis de evangelização, ciência, escolas de agricultura, entre outras, isso até mesmo depois de São Bento ter entrado no céu com 67 anos.

 São Bento, rogai por nós!

Oração da Medalha de São Bento
A Cruz Sagrada seja a minha luz, não seja o dragão o meu guia. Retira-te, satanás! Nunca me aconselhes coisas vãs. É mau o que tu me ofereces, bebe tu mesmo os teus venenos!


Oração a São Bento
Ó Deus, Vós que Vos dignastes derramar sobre o bem-aventurado confessor, o Patriarca São Bento, o espírito de todos os justos, concedei a nós, Vossos servos e servas, a graça de nos revestirmos desse mesmo espírito para que possamos, com o Vosso auxílio, fielmente cumprir o que temos prometido. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oração para obter uma graça
Ó glorioso Patriarca São Bento, que vos mostrastes sempre compassivo com os necessitados, fazei que também nós, recorrendo a vossa poderosa intercessão, obtenhamos auxílio em todas as nossas aflições. Que nas famílias reine a paz e a tranquilidade; afastem-se todas as desgraças, tanto corporais como espirituais, especialmente o pecado. Alcançai do Senhor a graça que vos suplicamos, obtendo-nos finalmente que, ao terminar nossa vista neste vale de lágrimas, possamos louvar a Deus.

Glorioso São Bento,
que dedicaste toda sua vida a Cristo e aos irmãos,
cuidando da vida espiritual
e estabelecendo pontes de amor
entre o coração de Deus e alma do homem,
protegei-me contra os ataques do mal,
livrai-me das insídias do inimigo,
concedei-me a paz interior
e a fortaleza diante das tempestades da vida.

Ó poderoso São Bento,
defendei-me dos olhares invejosos
e ensinai-me a partilhar o amor com todos.

Que a Cruz do Senhor me guie pelos caminhos de luz,
e que o dragão feroz que ronda nossa alma
seja afugentado pelo poder do Cristo Salvador.

Afasta de minha vida e de minha família
toda força do mal, e que, por tua intercessão,
eu anuncie as misericórdias do Cristo Senhor!
Amém!


Fonte: Canção Nova

07/07/2016

Qual a diferença da Bíblia Católica e a protestante?


 A bíblia protestante tem apenas 66 livros porque Lutero e, principalmente os seus seguidores, rejeitaram os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácida), 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-16; Daniel 3,24-20; 13-14. A razão disso vem de longe.

No ano 100 da era cristã os rabinos judeus se reuniram no Sínodo de Jâmnia (ou Jabnes), no sul da Palestina, a fim de definirem a Bíblia Judaica. Isto porque nesta época começava a surgir o Novo Testamento com os Evangelhos e as cartas dos Apóstolos, que os Judeus não aceitaram.

Nesse Sínodo os rabinos definiram como critérios para aceitar que um livro fizesse parte da Bíblia, o seguinte:

(1) deveria ter sido escrito na Terra Santa;
(2) escrito somente em hebraico, nem aramaico e nem grego;
(3) escrito antes de Esdras (455-428 a.C.);
(4) sem contradição com a Torá ou lei de Moisés.

Esses critérios eram nacionalistas, mais do que religiosos, fruto do retorno do exílio da Babilônia. Por esses critérios não foram aceitos na Bíblia judaica da Palestina os livros que hoje não constam na Bíblia protestante, citados antes.

Acontece que em Alexandria no Egito, cerca de 200 anos antes de Cristo, já havia uma forte colônia de judeus, vivendo em terra estrangeira e falando o grego. Os judeus de Alexandria, através de 70 sábios judeus, traduziram os livros sagrados hebraicos para o grego, entre os anos 250 e 100 a.C, antes do Sínodo de Jâmnia (100 d.C). Surgiu assim a versão grega chamada Alexandrina ou dos Setenta. E essa versão dos Setenta, incluiu os livros que os judeus de Jâmnia, por critérios nacionalistas, rejeitaram.

Havia então no início do Cristianismo duas Bíblias judaicas: uma da Palestina (restrita) e a Alexandrina (completa – Versão dos LXX). Os Apóstolos e Evangelistas optaram pela Bíblia completa dos Setenta (Alexandrina), considerando canônicos os livros rejeitados em Jâmnia. Ao escreverem o Novo Testamento usaram o Antigo Testamento, na forma da tradução grega de Alexandria, mesmo quando esta era diferente do texto hebraico.

O texto grego “dos Setenta” tornou-se comum entre os cristãos; e portanto, o cânon completo, incluindo os sete livros e os fragmentos de Ester e Daniel, passou para o uso dos cristãos.

Das 350 citações do Antigo Testamento que há no Novo, 300 são tiradas da Versão dos Setenta, o que mostra o uso da Bíblia completa pelos apóstolos. 

Verificamos também que nos livros do Novo Testamento há citações dos livros que os judeus nacionalistas da Palestina rejeitaram. Por exemplo: Rom 1,12-32 se refere a Sb 13,1-9;  Rom 13,1 a  Sb 6,3;  Mt 27,43 a Sb 2, 13.18; Tg 1,19 a Eclo 5,11;  Mt 11,29s a Eclo 51,23-30;  Hb 11,34 a 2 Mac 6,18; 7,42;  Ap 8,2 a Tb 12,15.

Nos séculos II a IV houve dúvidas na Igreja sobre os sete livros por causa da dificuldade do diálogo com os judeus. Finalmente a Igreja, ficou com a Bíblia completa da Versão dos Setenta, incluindo os sete livros.

Por outro lado, é importante saber também que muitos outros livros que todos os cristãos têm como canônicos, não são citados nem mesmo implicitamente no Novo Testamento. Por exemplo: Eclesiastes, Ester, Cântico dos Cânticos, Esdras, Neemias, Abdias, Naum, Rute.

Outro fato importantíssimo é que nos mais antigos escritos dos santos Padres da Igreja (Patrística) os livros rejeitados pelos protestantes (deutero-canônicos) são citados como Sagrada Escritura. Assim, São Clemente de Roma, o quarto Papa da Igreja, no ano de 95 escreveu a Carta aos Coríntios, citando Judite, Sabedoria, fragmentos de Daniel, Tobias e Eclesiástico; livros rejeitados pelos protestantes.

Ora, será que o Papa S. Clemente se enganou, e com ele a Igreja?  
É claro que não. Da mesma forma, o conhecido Pastor de Hermas, no ano 140, faz amplo uso de Eclesiástico, e do 2 Macabeus; Santo Hipólito (†234), comenta o Livro de Daniel com os fragmentos deuterocanônicos rejeitados pelos protestantes, e cita como Sagrada Escritura Sabedoria, Baruc, Tobias, 1 e 2 Macabeus.

Fica assim, muito claro, que a Sagrada Tradição da Igreja e o Sagrado Magistério sempre confirmaram os livros deuterocanônicos como inspirados pelo Espírito Santo.

Vários Concílios confirmaram isto: os Concílios regionais de Hipona (ano 393); Cartago II (397), Cartago IV (419), Trulos (692). Principalmente os Concílios ecumênicos de Florença (1442), Trento (1546) e Vaticano I (1870) confirmaram a escolha.

No século XVI, Martinho Lutero (1483-1546) para contestar a Igreja, e para facilitar a defesa das suas teses, adotou o cânon da Palestina e deixou de lado os sete livros conhecidos, com os fragmentos de Esdras e Daniel.

Sabemos que é o Espírito Santo quem guia a Igreja e fez com que na hesitação dos séculos II a IV a Igreja optasse pela Bíblia completa, a versão dos Setenta de Alexandria, o que vale até hoje para os católicos.

Lutero, ao traduzir a Bíblia para o alemão, traduziu também os sete livros (deuterocanônicos) na sua edição de 1534, e as Sociedades Biblícas protestantes, até o século XIX incluíam os sete livros nas edições da Bíblia.

Neste fato fundamental para a vida da Igreja (a Bíblia completa) vemos a importância da Tradição da Igreja, que nos legou a Bíblia como a temos hoje. 

Disse o último Concílio: “Pela Tradição torna-se conhecido à Igreja o Cânon completo dos livros sagrados e as próprias Sagradas Escrituras são nelas cada vez mais profundamente compreendidas e se fazem sem cessar, atuantes. Assim o Deus que outrora falou, mantém um permanente diálogo com a Esposa de seu dileto Filho, e o Espírito Santo, pelo qual a voz viva do Evangelho ressoa na Igreja e através da Igreja no mundo, leva os fiéis à verdade toda e faz habitar neles copiosamente a Palavra de Cristo” (DV,8).

Por fim, é preciso compreender que a Bíblia não define, ela mesma, o seu catálogo; isto é, não há um livro da Bíblia que diga qual é o Índice dela. 

Assim, este só pôde ter sido feito pela Tradição Apostólica oral que de geração em geração chegou até nós.

Se negarmos o valor indispensável da Tradição, negaremos a autenticidade da própria Bíblia.


Prof. Felipe Aquino