09/05/2012

O perigo das meias verdades

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Uma meia verdade é pior que uma mentira

À medida que cresce na mídia a tendência do “politicamente correto”, que, na versão católica do Papa Bento XVI, pode-se traduzir como “ditadura do relativismo”, alguns católicos, líderes e, às vezes, pregadores parecem ter medo de assumir a verdade integral pregada pela Igreja. Nota-se certo receio de “ir contra a corrente”, contra a vontade da maioria, esquecendo-se de que Jesus é “Sinal de contradição”, e que por isso foi perseguido e crucificado, para não deixar de dar testemunho da verdade que salva. A verdade não depende da maioria, mas de si mesma.

A verdade é fundamental; por isso o Papa tem sido seu paladino incansável. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que o que salva é a verdade: “Com efeito, "Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (I Tm 2,4). Deus quer a salvação de todos pelo conhecimento da verdade. A salvação está na verdade” (CIC § 851).

Sem a verdade não há salvação. Jesus disse diante de Pilatos que veio ao mundo “para dar testemunho da verdade” (cf. Jo 18,37); e aceitou morrer para testemunhá-la. E deixou claro que “a verdade vos libertará”.

Assim, a verdade não pode ser passada “pela metade”, pois se torna perigosa mentira. Sabemos que uma meia verdade é pior que uma mentira. Não podemos pregar o Evangelho pela metade, deixando de mostrar especialmente aquilo que visa destruir o pecado e levar o pecador à conversão. Por exemplo, a frase “Não podemos comer comida estragada”, está correta e é muito importante; mas, se eu disser só a metade da frase: “Não podemos comer comida”, muitos vão morrer de fome. Entendeu por que a meia verdade é pior do que uma mentira?

Mutatis mutandis” (mudando o que deve ser mudado), noto que alguns ensinam a fé católica em meias verdades. Como? Ao apresentarem uma questão, expõem apenas uma parte da verdade sobre o assunto, deixando de falar do pecado e das exigências de conversão. Por essa razão, não podemos, por exemplo, dizer apenas, aos casais de segunda união, que eles não devem se afastar da Igreja e que não podem ser discriminados, etc., sem lhes dizer também que a situação deles não é lícita diante do Evangelho e que não podem receber os sacramentos.


Assista: "A Igreja Militante que espera no Senhor", com professor Felipe Aquino


Da mesma forma, é claro que temos de acolher, respeitar e não discriminar os homossexuais, e amá-los como verdadeiros irmãos, mas não podemos deixar de dizer-lhes que o Catecismo da Igreja Católica considera a prática homossexual (não a tendência) como “depravação grave” (CIC § 2357), tendo em vista que “a tradição sempre declarou que 'os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados'. São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados” (idem).

Quando se fala aos jovens sobre masturbação e fornicação (sexo realizado por pessoas não casadas), alguns tendem a minimizar a gravidade desses pecados, e alguns até têm a coragem de dizer que não são pecados, quando o Catecismo diz o contrário: “Entre os pecados gravemente contrários à castidade é preciso citar a masturbação, a fornicação, a pornografia e as práticas homossexuais” (CIC § 2396).

Santo Agostinho dizia: “Não se imponha a verdade sem caridade, mas não se sacrifique a verdade sem caridade”. Como declarou o Papa Bento XVI, na “Caritas in veritate”, “caridade sem verdade é sentimentalismo”. Jesus perdoou a mulher adúltera e a salvou da morte, mas não deixou de mostrar a ela o seu grave pecado: “Vá e não peques mais”. Sem mostrar o pecado ao pecador ele não pode se libertar da morte espiritual.

O profeta Ezequiel, em dois capítulos (3,18 e 33) também chama a atenção para a necessidade de se corrigir o pecador:

“Se digo ao malévolo que ele vai morrer, e tu não o prevines e não lhe falas para pô-lo de sobreaviso devido ao seu péssimo proceder, de modo que ele possa viver, ele há de perecer por causa de seu delito, mas é a ti que pedirei conta do seu sangue. Contudo, se depois de advertido por ti, não se corrigir da malícia e perversidade, ele perecerá por causa de seu pecado, enquanto tu hás de salvar a tua vida” (Ez 3,18-19).

“Se eu disser ao pecador que ele deve morrer, e tu não o avisares para pô-lo de guarda contra seu proceder nefasto, ele perecerá por causa de seu pecado, mas a ti pedirei conta do seu sangue” (Ez 33,8).

Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

Fonte: Canção Nova

08/05/2012

Quando desejamos ser bons, Deus entra em ação

Hoje é muito comum as pessoas se aplicarem a exercícios físicos. Elas vão às academias, praticam natação, fazem caminhada, corrida, musculação. As pessoas se aplicam a isso tudo. E o segredo está em se aplicar às atividades físicas. Quem as pratica consegue ir adiante. Os que não persistem ficam para trás.

O Senhor está levando Seus valentes guerreiros, aqueles que Ele quer formar para a Sua "tropa de elite", para sua “academia”. Aí Ele quer formá-los. E o ponto de partida é um sólido treinamento na fé. Nós, devido ao pecado original, queremos sempre ser os primeiros. O primeiro, porém, deve ser Deus. Sempre Deus. Unicamente Deus. Ele é o primeiro, Ele precisa ser o único.

"Quem pratica consegue. Os que não persistem ficam para trás", adverte monsenhor Jonas


De maneira muito concreta, Jesus era o primeiro na vida de José. Em segundo lugar estavam os outros, e destes Maria era a primeira. Ele era sempre o terceiro, ou melhor: o último. José era sempre o último.

O que ele passou não foi fácil. Deus exigiu mais fé de José do que de Maria. A ela, um anjo apareceu comunicando a mensagem. Ela pôde até mesmo questioná-lo. Com José não foi dessa forma: ele não viu nem conversou com o anjo. Ele precisou acreditar.

Para que você entenda o quanto esse grande homem de Deus foi treinado na fé, para ser o servo fiel e justo de que Deus precisava, eu lhe explico o seguinte: O casamento entre os judeus era realizado em duas etapas: a primeira era o noivado. Eles já eram casados e apenas aguardavam o momento de poder conviver na mesma casa (a segunda etapa). José e Maria estavam na fase do noivado. Ele preparava a casa e ela, o enxoval.

Foi nesse tempo que Maria explicou a José a necessidade de ir à casa de Isabel, pois sua prima estava grávida e em idade avançada. E então partiu, ficando lá alguns meses. Mas quando voltou... ela trazia sinais evidentes de gravidez. José não era tolo! Apesar de a tradição pintá-lo como um “velhinho”, ele era jovem, como qualquer rapaz daquela época. Ele estava se preparando para o casamento.

O pai adotivo de Jesus viu Maria “naquele” estado. Sabia que o filho não era seu. Vários pensamentos podem ter invadido sua mente: “De quem seria? O que teria acontecido? Foi na viagem? Foi na região? Na casa de Zacarias? Ou Maria inventou a viagem para casa de Isabel por já estar grávida? Então, a traição era dupla!” Para ele, aquilo foi muito difícil porque, embora a cabeça “estivesse a mil”, o coração confiava na noiva.

Sendo um homem justo e não querendo difamá-la publicamente, ele resolveu repudiá-la secretamente, como a Lei mandava: um homem não podia se casar com uma adúltera. Era contra a Lei.

Veja bem: Ele era o "traído". Maria não lhe disse nada do que havia acontecido. Mesmo assim, ele queria agir com bondade. Teria de cumprir a Lei, mas com extrema misericórdia.

Precisamos de um coração bom como o de São José. Nosso coração é muito mau. Pensamos de maneira maldosa e não aguentamos nem sequer a ideia de ser traídos. Tudo o que ele pôde fazer como homem justo foi repudiá-la, mas secretamente, para não difamá-la.

Quando desejamos ser bons, Deus entra em ação. Ele é o oposto do mal. Portanto, se há maldade em nós, somos o oposto de Deus Pai. Enquanto estivermos persistindo no mal, o Senhor não terá como se aproximar de nós.

José, graças a Deus, tinha a cabeça e o coração bons!

Homem, e se você vivesse hoje a situação de São José? Imagine depois de tudo quase pronto para o casamento, sua noiva aparecer grávida! E você sabe que o filho não é seu! Em sonho um anjo lhe diz para não ter medo e se casar com ela, porque o que nela fora concebido era obra do Espírito Santo! Eu pergunto: você acreditaria?

A cabeça e o coração de José eram bons! Por causa disso, Deus podia agir nele. Revelou Seu mistério em sonho, e ele, por ser dócil, acreditou. Assim a graça aconteceu.

Quando agimos com o coração cheio de maldade, esterilizamos a ação de Deus!

A partir dessa revelação, a vida desse grande santo mudou. Ele acordou e, naquela mesma noite, foi preparando tudo para buscar Maria assim que o dia despontasse. Daquele dia em diante, ele não mais viveu para si, mas para a Virgem Maria e para o Menino Jesus, a quem ela concebera por obra do Espírito Santo. José se torna um homem de fé: ele baseia tudo na fé. Ele se chama “o justo” porque acreditou.

É assim que Deus precisa treinar você. Quanto maior for a missão que Deus quer confiar a você, tanto mais difíceis precisarão ser os exercícios de treinamento.

Não se perturbe: você não sabe aonde Deus quer levá-lo, para qual missão Ele o está preparando. Aguente firme, meu irmão! Aguente firme, minha irmã! O Senhor está treinando você. Ele está provando sua fé. Ele precisa fazer com você mais do que Ele fez com Seu pai adotivo, São José.


Trecho do livro "Combatentes na fé" de monsenhor Jonas Abib

07/05/2012

Queremos ver Jesus

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Faça a experiência com o Senhor

Jesus, ao chegar a Jerusalém para a festa da Páscoa judaica, é aclamado pela multidão de peregrinos que acorrem à cidade para o cumprimento do preceito religioso de participação nessa festa. Entre esses peregrinos, encontram-se gregos que se dirigem a Filipe e manifestam o desejo de ver Jesus, o qual os atrai mais do que a própria festividade.

O Senhor, na ocasião de Seu batismo por João, disse a André e ao outro discípulo que o acompanhava, quando perguntaram a Ele onde Ele morava: “Vem e vê”. Depois, o próprio Filipe, que já havia sido chamado por Jesus para segui-Lo, convidou também Natanael para o encontro com Cristo, com a mesma expressão: "Vem e vê". Agora são os gregos da região de Betsaida que se empenham para ver o Messias.


"Ver" significa "conhecer", ter a experiência da presença e do diálogo, em um tempo de convívio e comunicação com Jesus. Filipe, diante do pedido dos gregos, diz isso a André, pois, assim como este e Pedro, ele também era de Betsaida, cidade de cultura grega. Quando Filipe e André falam com Jesus, Ele lhes responde procurando remover qualquer equívoco. Está próximo o desenlace do Seu ministério de amor e dom de si, sem temer perseguições, ameaças e morte. A glória de Cristo não é o poder e o sucesso, mas o dom total de Sua vida no amor, a ser assumido também pelos discípulos.

Assista: Eliana Ribeiro cantando "Grão de trigo"


O dom da própria vida é o ato fecundo que gera mais vida, tanto naquele que se doa como naqueles que são tocados por seu amor. A

vida é fruto do amor e ela será tanto mais pujante quanto maior for a plenitude do amor, no dom total.

A metáfora do grão sendo transformado exprime muito mais potencialidades do homem do que aquelas que lhe são conhecidas. O grão que desaparece para dar lugar à planta e ao fruto é a conversão de vida. É libertar a vida da submissão e escravidão aos interesses dos chefes deste mundo e colocá-la a serviço de Jesus, presente no nosso próximo. É alcançar a liberdade da vida eterna na prática do amor. Com o dom de si novas e surpreendentes potencialidades se revelam. A morte, sem ser um fim trágico, pode ser também o começo de uma vida nova, mais plena, já neste mundo.

Morrer para os limites e valores impostos por uma cultura de consumo e opressão para viver livre na comunhão de amor e vida com os irmãos, particularmente os mais necessitados. Isso é servir Jesus, é assim que se manifesta a glória de Cristo e a glória do Pai. Quem não teme a própria morte confunde o opressor poderoso, chefe deste mundo, e conquista a liberdade, que tudo transforma pelo amor.

Viver é dar a vida, e tem-se a vida à medida que ela é dada.

Padre Wagner Augusto Portugal
Vigário Judicial da Diocese da Campanha (MG)

Fonte: Canção Nova

04/05/2012

A ternura torna a vida mais leve e descomplicada

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Ela nos ensina a saber esperar

A vida da gente seria tão mais descomplicada se nela houvesse um pouco mais de ternura. Sim, ternura para se perceber e perceber os outros com a singeleza que é própria de uma folha embalada pelo vento. Ternura para compreender as tristezas sob um ar de aprendizado e acréscimo.

O terno não se permite amargar por decepções. Ele desenvolve a faculdade de enxergar mais longe, indo além da simples experiência para perceber o positivo que se esconde em cada realidade.

A ternura nos ensina a saber esperar, a ter paciência diante de nossa fraqueza e da alheia, aguardando o derradeiro momento no qual a virtude vai verdadeiramente florescer. Muitos relacionamentos acabam por ausência de ternura, em virtude de um fatal descuido nos detalhes. O que os [relacionamentos] encerra não é tanto a ausência do amor, mas do cuidado (ternura).


Assista: "Deus quer nos curar através do amor", com padre Adriano Zandoná


Existem várias formas de amar, mas, apenas a via da ternura assegura sua (amor) correta percepção. Amor sem ternura é verão sem sol, arte sem beleza, vida sem movimento. O amor precisa de ternura para se encarnar e para se fazer sentir. Muitos pais amam, mas não são compreendidos assim. Por quê? Será ausência de ternura?

É preciso investir na ternura, ela torna a vida mais leve e o amor verdadeiramente perceptível. Ternura no olhar, falar, abraçar; o coração não se desenvolve sem ternura, pois, ela nos transporta à nossa real essência: afinal, viemos à existência por um ato de extrema Ternura. Não tenhamos medo de ser ternos. Isso não nos diminuirá, ao contrário, nos enobrecerá e tornará nossa vida mais feliz e sinceramente acompanhada (quem é terno atrai ternura).

Ternura, simplesmente ternura! Isso, de fato, descomplicará e qualificará cada fragmento de nosso todo. Sem receio e sem protocolos, ousemos e, no concreto de nossa vida, façamos essa linda experiência!

Padre Adriano Zandoná
Comunidade Canção Nova
Fonte: Canção Nova

03/05/2012

Exorcista padre Rufus Pereira falece na Inglaterra


Padre Rufus Pereira faleceu na madrugada dessa quarta-feira, 2, de uma parada cardíaca durante o sono. A informação foi divulgada hoje pela secretária do sacerdote, Érika Gibello.

O sacerdote estava em sua residência em Londres, na Inglaterra, durante esta semana e aparentava estar bem, segundo divulgou a Irmã Kelly Patrícia, do Instituto Hesed, em suas redes sociais. A religiosa esteve com ele no último sábado, 28, e disse que ele "estava radiante, muito feliz".

O corpo de padre Rufus permanecerá na Inglaterra até que terminem os preparativos para levá-lo à Índia, onde será sepultado. A data ainda não foi divulgada.

Padre Rufus completaria 79 anos, neste domingo, 6, e era conhecido no mundo todo por seu ministério de exorcismo. Ele foi vice-presidente da Associação Internacional dos Exorcistas e iniciou a Associação Internacional para o ministério de libertação.

Ele esteve na sede da Comunidade Canção Nova sete vezes, conduzindo encontros de cura e libertação. "Padre Rufus era um santo, um homem incansável, pregador do Evangelho, apaixoando por Jesus Cristo e por sua missão", lembra Vinícius Adamo, tradutor do sacerdote no Brasil.

Biografia

Padre Rufus foi sacerdote na Arquidiocese de Bombaim, Índia. Estudou Filosofia, Teologia e Sagrada Escritura em Roma, onde foi também ordenado em 1956. Era doutorado em Teologia Bíblica.

Durante vários anos serviu como diretor de quatro escolas secundárias em Mumbai. Além de pregador de retiros, conferencista e professor de Bíblia, ele também era editor da Revista Nacional Carismática da India “Charisindia”. Foi professor de Sagrada Escritura em cursos de pós-graduação em vários Institutos Teológicos Pontifícios.

O sacerdote era também presidente da Associação Internacional para o Ministério de Libertação e vice-presidente da Associação Internacional de Exorcistas. Publicou numerosos artigos bíblicos e teológicos, especialmente, sobre evangelização e cura.

Conheceu a Renovação Carismática Católica (RCC), em 1972, logo quando esse movimento eclesial teve início na Índia. Foi designado pelo Arcebispo Cardeal Gracias para se dedicar exclusivamente a esse movimento. Desde então atuava pregando em encontros, retiros e missões por todo o seu país e também pela Ásia, África, Europa e em alguns lugares na América Latina, como o Brasil, onde esteve várias vezes, inclusive na Comunidade Canção Nova.

Padre Rufus também foi diretor do Instituto Bíblico Carismático Católico. E recentemente foi integrado ao International Catholic Charismatic Renewal Services (ICCRS), em Roma, como o responsável mundial pelo ministério de cura e libertação.

Fonte: Canção Nova Notícias

O sacramento da unção dos enfermos

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Une intimamente o doente a Cristo

No ritual da unção dos enfermos encontra-se a seguinte petição a Deus: “Por esta santa unção e pela Sua infinita misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo, para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve e, na Sua misericórdia, alivie os teus sofrimentos”. Esta oração contém o objeto central desse sacramento, ou seja, confere a ele uma graça especial que une mais intimamente o doente a Cristo.

Jesus veio para revelar o amor de Deus. Frequentemente faz isso nas áreas e situações em que nos sentimos especialmente ameaçados em função da fragilidade de nossa vida, devido às doenças, morte, etc.. Deus Pai quer que nos tornemos saudáveis no corpo e na alma e reconheçamos nisso a instauração do Reino d'Ele. Por vezes, só com a experiência da enfermidade percebemos que precisamos do Senhor mais do que tudo. Não temos vida, a não ser em Cristo. Por isso os doentes e os pecadores têm um especial instinto para perceber o que é essencial.

No Antigo Testamento, o homem doente experimenta os seus limites e, ao mesmo tempo, percebe que a doença está ligada misteriosamente ao pecado. Os profetas intuíram que a enfermidade poderia ter também um valor redentor em relação aos próprios pecados e aos dos outros. Assim, a doença era vivida diante de Deus, do qual o homem implorava a cura. No Novo Testamento eram os enfermos que procuravam a proximidade de Jesus, procurando “tocá-Lo, pois d'Ele saía uma força que a todos curava” (Lc 6,19). A compaixão de Jesus Cristo pelos doentes e as numerosas curas de enfermos são um claro sinal de que, com Ele, chegou o Reino de Deus e a vitória sobre o pecado, o sofrimento e a morte. Com a Paixão e Morte o Senhor dá um novo sentido ao sofrimento, o qual, se for unido ao d'Ele, pode ser meio de purificação e de salvação para nós e para os outros.


Assista: "O Sacramento da Unção dos Enfermos", com o professor Felipe Aquino


A Igreja, tendo recebido do Senhor a ordem de curar os enfermos, procura pôr isso em prática com os cuidados para com os doentes, acompanhados da oração de intercessão. Ela possui, sobretudo, um sacramento específico em favor dos enfermos, instituído pelo próprio Cristo e atestado por São Tiago: «Quem está doente, chame a si os presbíteros da Igreja e rezem por ele, depois de o ter ungido com óleo no nome do Senhor» (Tg 5,14-15).

Desta forma, o sacramento da unção dos enfermos pode ser recebido pelo fiel que começa a se sentir em perigo de morte por doença ou velhice. O mesmo fiel pode recebê-lo também outras vezes se a doença se agravar ou então no caso doutra enfermidade grave. A celebração desse sacramento, se possível, deve ser precedida pela confissão individual do doente. A celebração deste sacramento consiste essencialmente na unção com óleo benzido, se possível, pelo bispo, na fronte e nas mãos do enfermo (no rito romano, ou também noutras partes do corpo segundo outros ritos), acompanhada da oração do sacerdote, que implora a graça especial desse sacramento. Ele só pode ser administrado pelos sacerdotes (bispos ou presbíteros).

Este sacramento confere uma graça especial que une mais intimamente o doente à Paixão de Cristo, para o seu bem e de toda a Igreja, dando-lhe conforto, paz, coragem, e também o perdão dos pecados, se ele não puder se confessar. E consente, por vezes, se for a vontade de Deus, também a recuperação da saúde física do fiel. Em todo o caso, essa unção prepara o enfermo para a passagem à Casa do Pai. Por isso, concede-lhe consolação, paz, força e une profundamente a Cristo o doente que se encontra em situação precária e em sofrimento. Tendo em vista que Senhor passou pelas nossas angústias e tomou sobre Si as nossas dores.

Muitos doentes têm medo desse sacramento, e adiam-no para o fim, porque pensam se tratar de uma espécie de “sentença de morte”. No entanto, é o contrário disso: a unção dos enfermos é uma espécie de “seguro de vida”. Quem, como cristão, acompanha um enfermo deve libertá-lo desse falso temor. A maior parte das pessoas que está em risco de vida tem a intuição de que nada mais é importante nesse momento do que a confiança imediata e incondicional Àquele que superou a morte e é a própria Vida: Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador.



02/05/2012

Estado laico e humanismo integral

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Ele é um servidor da sociedade e de seus valores

Sob o pretexto do uso da expressão “Estado laico” vem se desenhando no Brasil uma proposital confusão entre o que seja “sociedade” e “Estado”. Aquela [sociedade] é maior que este [Estado], portanto, o Estado é um servidor da sociedade e de seus valores e não o contrário.

O pluralismo de ideias e a dignidade da pessoa humana, princípios fundantes de nossa República, são garantidos no artigo 1º, incisos III e V de nossa Carta Magna. Prestigiar essa variação cultural de nosso povo é preceito constitucional. Também não se pode tratar como expressões sinônimas, Estado laico = humanismo ateu, outro enfadonho equívoco que se vislumbra nas entrelinhas dos debates atuais.

A proposta de vida cristã pautada no Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo não é um ideal para “vida privada”, para o “recôndito do lar”, mas sim uma proposta que faz parte da cultura brasileira, da vida pública do povo brasileiro, daí porque o suposto “Estado laico” não pode querer excluir o aspecto religioso da vida pública. Seria criar um Estado sem sociedade, o que é um retorno às ditaduras no século XX.

Não queremos um retorno ao Estado religioso, mas também não podemos admitir que o Estado laico seja sinônimo de um Estado ateu, no qual “quem de alguma forma professe uma fé religiosa seja ela qual for, seja considerado um cidadão de segunda categoria e por isso tenha de ficar quieto e não se manifeste” – com bem acentua Dom Odilo Scherer (“Fazemos questão do Estado laico”, Época, 25/06/2007, p.110).

Precisamos de clareza na cena política. O Estado é laico, mas a sociedade não o é. Ao contrário, em sua grande maioria a sociedade professa uma fé religiosa, cuja manifestação está garantida como direito fundamental no artigo 5º, VIII da Constituição Federal. Portanto, aos cristãos cabe o chamado de Cristo: “Duc in altum” ["Faz-te ao largo" (Lc 5,4)].

Não obstante o governo é pluralista e laico, logo, não pode impor que a proposta da Igreja Católica por um humanismo integral seja vista como coisa estranha, ao contrário, é uma proposta que faz parte da cultura e da vida brasileira. Defender o uso de crucifixos e Bíblias em prédios e espaços públicos, lutar contra o aborto, defender a família, defender a vida humana na integralidade é dever missionário dos cristãos que formam a maioria do povo brasileiro, muito embora o Estado (microparte da sociedade) seja laico. “Não somos cidadãos de segunda classe”, insisto em Dom Odilo Scherer.


Assista: "Liberdade religiosa e relativismo cristão", com padre Paulo Ricardo


É oportuno lembrar o que diz o procurador-geral da República aposentado, Cláudio Fonteles, quando pontua com base na Doutrina Social da Igreja (DSI) que o Estado deve ser visto de forma subsidiária quando se discute a temática das questões sociais, com preeminência para pessoa e seus valores. Diz ele: “é de muito relevo à Doutrina Social da Igreja o chamado princípio da subsidiariedade, que significa posicionar as instituições oficialmente engendradas pela razão humana, ou seja, o Estado e todo o aparato de serviços públicos executivos, legislativos e judiciais postos à satisfação das necessidades da pessoa humana, na vida em sociedade, em plano secundário. Vale dizer: toda essa estrutura executiva, legislativa e judicial não pode chamar a si a definição absoluta das questões sociais, subjugando, alienando, excluindo a pessoa humana do exercício de sua subjetividade criadora, manifestada singular ou comunitariamente.”

Por trás da defesa intransigente do chamado “Estado Laico” revela-se sorrateiramente a ideia de um humanismo ateu, humanismo inumano, ou fragmentado, se comparado ao humanismo integral defendido pela Igreja. Indagamos: é possível um humanismo ateu? Diz Henri de Lubac: “Não é certo que o homem, tal como parece querer dizê-lo, por vezes, não possa organizar a terra sem Deus. O que é verdade é que, sem Deus, ele não pode, no fim de contas, organizá-la senão contra o homem. O humanismo exclusivo não passa de uma humanismo inumano” (“O drama do humanismo ateu”, Editora Porto: Lisboa, 1943, p.10).

Quando destruímos embriões, fazemos apologia ao aborto, violamos a família e negamos de forma contumaz a pobreza crescente, não só estamos refutando o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, estamos desrespeitando os próprios direitos humanos plasmados na Constituição Federal e o humanismo integral.

E como se define um humanismo integral em rechaço ao “humanismo ateu” que se desenha em paralelo ao “Estado Laico”. Quem pode nos responder é o Compêndio da Doutrinal Social da Igreja em seu parágrafo 153, que à luz da tradição bimilenar da Igreja diz; “153 – A raiz dos direitos do homem, com efeito, há de ser buscada na dignidade que pertence a cada ser humano. Tal dignidade, conatural à vida humana e igual em cada pessoa, se apreende antes de tudo com a razão.

O fundamento natural dos direitos se mostra ainda mais sólido se, à luz sobrenatural, se considerar que a dignidade humana, doada por Deus e depois profundamente ferida pelo pecado, foi assumida e redimida por Jesus Cristo mediante a Sua encarnação, morte e ressurreição. A fonte última dos direitos humanos não se situa na mera vontade dos seres humanos, na realidade do Estado, nos poderes públicos, mas no próprio homem e em Deus seu criador.

Tais direitos são “universais, invioláveis e inalienáveis, enquanto “inerentes à pessoa humana e à sua dignidade” e porque “seria vão proclamar os direitos, se simultaneamente não se envidassem todos os esforços a fim de que seja devidamente assegurado o seu respeito por parte de todos, em toda parte e em relação a quem quer seja. Inalienáveis, enquanto “ninguém pode legitimamente privar destes direitos um seu semelhante, seja ele quem for, porque isso significaria violentar a sua natureza”.

Enfim, o que está no cenário é um “Estado laico” ao lado de um humanismo ateu e cristofóbico em contraste com uma sociedade que deseja ardentemente viver no aqui-e-agora um humanismo integral. Como lembra Frei Raniero Cantalamessa: “A suprema contradição que o homem de sempre experimenta – entre a vida e a morte – foi superada. Mas a contradição mais radical não está em viver e morrer, mas entre viver “para o senhor” e viver “para si mesmo”... Viver para si mesmo é novo nome da morte.” (“O poder da cruz”. 5º ed. Loyola: São Paulo, 2009, p. 13).

Roberto Wagner Lima Nogueira
Advogado, Professor, Mestre em Direito Tributário.

Fonte: Canção NovaLink

01/05/2012

O católico e a Igreja

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Não se pode ser mais ou menos católico

Não se pode ser “mais ou menos católico”, isto é, aceitar uma ou outra verdade religiosa ensinada pela Igreja, deixando algumas de lado. Isso é orgulho espiritual de alguém que pensa saber mais do que a Igreja, assistida e guiada pelo Espírito Santo desde Pentecostes (cf. João 14,15.25; 16,12-13; Lucas 10,16).

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) ensina que o que nos salva é a verdade:

“Com efeito, Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (I Tm 2,4). Deus quer a salvação de todos pelo conhecimento da verdade. A salvação está na verdade” (CIC § 851).

E São Paulo afirma que “a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (I Tm3,15).

“A missão do Magistério está ligada ao caráter definitivo da Aliança instaurada por Deus em Cristo com seu Povo; deve protegê-lo dos desvios e dos afrouxamentos e garantir-lhe a possibilidade objetiva de professar sem erro a fé autêntica. O ofício pastoral do Magistério está, assim, ordenado ao cuidado para que o Povo de Deus permaneça na verdade que liberta. Para executar este serviço, Cristo dotou os pastores do carisma de infalibilidade em matéria de fé e de costumes. O exercício deste carisma pode assumir várias modalidades” (CIC § 890).

O grande Papa São Gregório VII (1073-1085), que quebrou a fúria de Henrique IV e a triste “investidura leiga” dos séculos X e XI, declarou no seu documento Dictatus Papae: “A Igreja romana nunca errou, e segundo o testemunho das Escrituras nunca cairá no erro.” (n,22) “Ninguém deve ser considerado católico se não estiver de pleno acordo com a Igreja Católica.” (n.26). (Registrum Gregorii VII,MGH, Ep. Sel. II, n. 55ª - História da Igreja, Roland Frohlich).

O grande padre Leonel França, o maior jesuíta que Brasil conheceu, (1893-1948), fundador e reitor da primeira Universidade Católica do Brasil: PUC- RJ, disse: “[...] Quem não tem um conceito exato, uma percepção viva da infinita, absoluta e inefável majestade de Deus, na inviolabilidade soberana dos seus direitos, não pode entender a intransigência dogmática da Igreja Católica. A Igreja não é autora de um sistema humano, filosófico ou religioso, é depositária autêntica de uma revelação divina".

Cristo ensinou-nos uma doutrina celeste: "A doutrina que eu vos ensinei é d’Aquele que me enviou" (São João, 7,16; 12,49). Aos seus discípulos ordenou que a transmitissem a todo o gênero humano na sua integridade incorruptível. "Ensinai-lhes a observar tudo o que vos mandei' (Mt 26,20). E para que a falibilidade humana não alterasse o depósito divino, prometeu-lhes a eficácia preservadora de sua assistência. "Estarei convosco até o fim dos séculos".


Assista: "A Igreja católica é Divina", com professor Felipe Aquino


A Igreja Católica tem, pois, promessa divina de imortalidade e infalibilidade. Não foi, não será nunca infiel à sublimidade da sua missão. Quando a sinagoga, alarmada com os prodígios que sancionavam o Cristianismo nascente, prendeu os apóstolos e lhes impôs um silêncio criminoso, Pedro respondeu aos sinedritas um sublime: “non possumus” (não podemos).

No volver dos séculos nunca desmentiu a Igreja as promessas deste seu batismo de sinceridade. Todas as vezes em que o erro, armado como a força, mascarado como o sofisma ou “sub dolo” como a política, bateu às portas do Vaticano, pedindo ou impondo-lhe uma concessão, uma aliança, um compromisso, saiu-lhe ao encontro um ancião inerme e venerável na candura simbólica de suas vestes, e, com voz firme e olhar fito no céu, respondeu-lhe: “Non possumus...”.

E a Igreja continuará assim a sua missão de Mãe e Mestra da fé, até que o Cristo volte. São Paulo disse que sempre haveria hereges e heresias, que surgem de dentro da Igreja. Mas o Apóstolo disse que isso era bom para que saibamos onde está o erro e a verdade.

O bom católico não discute o que a Igreja ensina, ele ama e vive com ação de graças o que ela lhe diz. É grato a Deus por lhe mostrar pela Igreja o caminho reto que leva à felicidade neste mundo e ao céu na eternidade. Quando eu era menino ensinaram-me uma oração que nunca esqueci e que fiz dela minha norma de vida. É o ATO DE FÉ:

“Eu creio firmemente que há um só Deus, em três Pessoas realmente distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Creio que o Filho de Deus se fez homem, padeceu e morreu na cruz para nos salvar e ao terceiro dia ressuscitou. Creio em tudo o mais que crê e ensina a Santa Igreja Católica, porque Deus, Verdade infalível, o revelou. Nesta crença quero viver e morrer”.

Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

30/04/2012

Imagens de Deus

Imagem de Destaque
No amor de Cristo encontramos o verdadeiro rosto do Pai

Nosso relacionamento com Deus passa pelas imagens que d'Ele temos cultivadas em nosso coração. Imagens deturpadas do Senhor fazem com que nossa relação com o Senhor seja difícil e, por vezes, inconstante. Muitas vezes, será preciso realizar uma purificação em nosso coração para que a verdadeira imagem de Deus Pai possa habitar todo o nosso ser. Contudo, um processo de purificação não acontece do dia para a noite, é todo um processo de tomada de consciência.

Desde crianças fomos influenciados por inúmeras imagens de Deus que nos foram transmitidas por nossos pais e por tantas outras pessoas que conviveram conosco. Muitos tiveram essa experiência negativa nos primeiros anos da infância, ao ouvirem de seus pais: “Não faça mais isso, pois Deus te manda para o inferno!”, “Deus vai te castigar, viu?”. Interessante é notarmos que estas imagens negativas de Deus Todo-poderoso continuam muito atuais em nossa sociedade. Todos os dias o nome d'Ele é usado para impor medo nas crianças e, muitas vezes, também em pessoas já na fase adulta.

Alguns, quando crescem, conseguem se libertar dessas imagens distorcidas de Deus que lhes foi ensinado em determinadas épocas da vida. Outros não! O impacto que receberam, ao ouvirem que Deus castiga e se vinga de Seus filhos, foi tão grande e deixou marcas tão profundas na vida deles que, no hoje da vida, sofrem com as imagens negativas que ainda estão muito vivas em seu coração.

Pessoas adultas, quando são afligidas por alguma doença ou algum sofrimento, desenvolvem o seguinte pensamento: “O que será que eu fiz para Deus me castigar assim?”, “Deus me enviou esta doença para que eu pague pelos meus pecados”. Muitos impactos, acerca de um Deus tirano e castigador, podem acompanhar a vida de uma pessoa por longos estágios emocionais.


Assista: "Quem é Deus para mim?, com padre Demétrio Gomes


Quando olhamos para o Antigo Testamento encontramos muitas imagens distorcidas do Altíssimo. Era a mentalidade de um povo que cultivava uma imagem de um Deus tirano e vingativo. Quando não se compreende o contexto de um livro do Antigo Testamento é comum criar imagens negativas em cima de outras imagens negativas. Mas mesmo tendo essas imagens ofuscadas do Senhor, o que prevalece nos relatos é o rosto de um Deus misericordioso que sempre se compadece do Seu povo.

É em Jesus Cristo que nos é revelado o verdadeiro rosto do Pai: um Deus-amor, misericordioso, que sempre acolhe Seus filhos e filhas com os braços abertos. No amor de Cristo descobrimos a verdadeira imagem de Deus!

Nem sempre é fácil nos libertarmos de uma mentalidade que pode ter nos acompanhado durante décadas de nossa vida. Mas se desejamos ter um relacionamento profundo em Deus é necessário iniciarmos um processo de purificação em nossa maneira de pensar. A misericórdia e o amor que Deus tem por cada um de nós são muito maiores dos que medos que foram colocados em nosso coração.

Em Jesus descobrimos o amor do Pai em gestos concretos: acolheu os excluídos de Seu tempo dando a cada um a chance de recomeçarem a reescrever novas páginas de suas vidas; olhou com misericórdia para quem somente recebia olhares de condenação...

No amor e na misericórdia de Deus encontramos sempre novos motivos para olhar a vida com novos olhares. Prisioneiros de um inverno de medos, no amor de Deus encontramos uma linda primavera de possibilidades. No amor de Cristo encontramos o verdadeiro rosto do Pai, que nos impulsiona a sermos testemunhas da Misericórdia Divina a todos aqueles que buscam uma nova experiência de fé no cotidiano da vida. Novos olhares nascem de novas concepções. Novas imagens de Deus nascem da experiência de um verdadeiro amor.

Padre Flávio Sobreiro
Fonte: Canção Nova

27/04/2012

Deixe o que é velho para trás e siga em frente

"Se alguém está em Cristo é uma nova criatura. O mundo do antigo passou, eis que aí está uma realidade nova" (II Cor 5,17).

Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Nossas palavras são pobres quando dizemos “nova criatura”. Pobres para expressar tudo o que aconteceu conosco. Passou o que era velho. Eis que tudo se fez novo. Somos realmente novas criaturas!

"Considere-se morto para o pecado porque o Senhor já o libertou, e ponto final! Agora você está vivo para Deus, em Cristo Jesus!", exclama monsenhor Jonas Abib


É por isso que o Senhor quer que você viva em novidade de vida, deixando o velho para trás e olhando para frente. Seguindo em frente, para rumos novos, como filho de Deus.

São Paulo teve a grande graça de experimentar isso. Ele escreveu porque experimentou. Ele não falava de teorias, e sim de vida, de algo que estava vivendo. Por essa razão se expressou com tanto vigor na Carta aos Romanos. Desde o início do capítulo seis, o apóstolo dos gentios fala da salvação de Jesus, do que Cristo nos fez e conquistou para nós.

Quando chega ao versículo onze, Paulo afirma: "Do mesmo modo também vós: considerai que estais mortos para o pecado e vivos para Deus em Jesus Cristo" (Rm 6,11).

Cada palavra que está nesse versículo é preciosa. Este “considerai” não é uma consideração qualquer. Não é considere você, mas sim, se considere, saiba quem é você é e, porque é, considere-se e viva assim.

Imagine o filho de um rei: ninguém pode mudar essa realidade, mas, infelizmente, ele não está levando isso em consideração, não está vivendo como o filho de um rei. Então dizemos a ele: “Considere-se o filho de um rei. Por favor, viva como o filho de um rei. Deixe de lado esta vida miserável que você vive! Você é filho de um rei, então, considere-se assim”.

"Portanto, que o pecado não mais reine em vosso corpo mortal para vos fazer obedecer às suas concupiscências" (Rm 6,12).

Não, você não pode mais viver assim. Considere-se morto para o pecado porque o Senhor já o libertou, e ponto final! Agora você está vivo para Deus, em Cristo Jesus. Portanto, considere-se vivo em Cristo Jesus.

São Paulo continua na Carta aos Romanos:

"Não ponhais mais os vossos membros a serviço do pecado como armas da injustiça; mas, como vivos saídos de entre os mortos, fazendo dos vossos membros armas da justiça, ponde-vos a serviço de Deus. Pois o pecado não terá mais domínio sobre vós, visto que já não estais sob a lei, mas sob a graça" (Rm 6,12-14).

Em geral, consideramos o pecado apenas como uma culpa que contraímos diante de Deus, como algo jurídico, e não como o que ele é realmente: uma doença. O pecado é assim. Ele existe: é rebelião contra Deus, é situação de “não” a Deus. Para que esse mal se manifeste, ele precisa reinar em alguém. A Palavra de Deus nos diz isso.

Não permita que o pecado se abrigue em você. Que esse mal não reine mais em seu corpo mortal! O pecado está por aí, procurando alguém a quem possa subjugar. Não permita isso!


Trecho do livro "Pão da Palavra - Vol. 2" de monsenhor Jonas Abib

26/04/2012

Precisamos aprender com as mulheres da Bíblia

Antonieta
Foto: Natalino Ueda/cancaonova.com
No livro de Juízes, capítulo 4, conhecemos Débora. Juíza, ela nos traz muitas virtudes. Profeta e temente a Deus, ela foi uma líder militar, porque traçou metas que levaram seu povo à vitória na guerra.

Minhas amadas, a característica daquela mulher nos ensina a buscarmos, em Deus, aquilo que precisamos aprender para sermos líderes. Muitas vezes, nós enfraquecemos em nossa luta como mãe e como dona de casa, porque não sabemos lutar.

Débora soube administrar seu tempo e não tomar decisões precipitadas. Ela soube esperar em Deus. A juíza é um exemplo para nós.

Outra mulher que gosto de me lembrar é Rute. Vamos nos deter neste livro, capítulo 1,16-18. Rute é um modelo de mulher que precisamos conhecer. Antes dela, precisamos conhecer Noemi. Mãe de dois filhos – um deles casado com Rute -, Noemi vê seu marido e filhos morrerem na guerra.

Sozinha, ela resolve sair daquela terra e chama suas noras para se despedir delas, pois já não tinha filhos para se casarem com elas. Rute, no entanto, recusa-se a partir por amor à sua sogra. Não quis separa-se dela. “Não insistas comigo, respondeu Rute, para que eu te deixe e me vá longe de ti. Aonde fores, eu irei; aonde habitares, eu habitarei. O teu povo é meu povo, e o teu Deus, meu Deus” (Rute 1,16).

Sozinhas em nova terra estavam Noemi e Rute. Esta vai trabalhar no campo, pegar o que sobrou da colheita para fazer disso o seu alimento e de sua sogra. Rute, sempre fiel a Deus, acabou se casando com Bozz. Ela soube ser fiel e dedicada à sua sogra e gerou os descendentes de Jesus Cristo.

Rute é uma mulher que nos ensina a cultivar uma amizade sadia, pois soube se desprender de sua família para abraçar a fé de sua sogra. Ela foi responsável, amiga, trabalhadora, confiável. Além de ser forte e destemida, ela também era doce, íntegra em tudo, no trabalho, no casamento, na família. Ela nos ensina a confiar em Deus diante das tribulações.

Outra mulher maravilhosa da Sagrada Escritura é a rainha Ester. Uma das rainhas mais importantes para o povo de Israel. Órfã, criada por parentes, ela foi parar no reino e se casou com o rei. A partir daí, lutou por seu povo. Ela era judia, mas o rei não sabia, pois ele era pagão.

Quando soube dos planos para acabar com seu povo, ela se preparou em Deus e fez, com suas amigas, um jejum de três dias com oração. Apresentando-se diante de seu rei, ela salvou seu povo.

Diante das armadilhas do demônio, precisamos fazer como mulheres de fé, precisamos fazer três dias de jejum e oração. Nas situações difíceis, Ester foi destemida e tinha uma fé admirável. Ela era uma mulher humilde, e a humildade cativa o coração de Deus.

Outras mulheres que se destacam estão no Evangelho. As mulheres do terceiro dia, que foram até o túmulo, mas não encontram Jesus, porque Ele havia ressuscitado. “Ide depressa e dizeis aos discípulos que Ele ressuscitou”.

Jesus apareceu primeiramente para uma mulher: Maria Madalena. Isso nos faz lembrar que precisamos ser as mulheres do terceiro dia.

"Ser uma mulher de fé não é difícil, pois é na simplicidade que isso acontece."
Foto: Natalino Ueda/cancaonova.com

“Mulher, por que choras?” Nós somos choronas, choramos de alegria e de tristeza. Maria Madalena corre para anunciar aos discípulos que ela tinha visto o Senhor. No primeiro momento, eles acharam que ela estava fazendo confusão, mas foram elas que anunciaram que o Senhor estava vivo. E porque Ele está vivo, seus problemas têm solução. Maria é a mulher que venceu e vencerá na batalha final, porque ela é a mãe do Salvador. Ela soube silenciar e nos ensina também viver a graça desse silêncio. Ela nos ensina a fazer a vontade de Deus.

Com essas mulheres da Escritura, lembrei-me de minha mãe, uma mulher de fé que, apenas com a 4ª série do ensino fundamental, conhece a Bíblia de cór, porque guarda a Palavra em seu coração. Também me lembrei de minhas três filhas, elas me surpreendem com a força que têm.

Ser uma mulher de fé não é difícil, pois é na simplicidade que isso acontece. Ser mulher de fé é fazer as coisas que não aparecem, mas que são feitas pelos filhos, pelos amigos, pelos colegas de trabalho.

Hoje, apresentamos Débora, mulher de fé, batalhadora que foi para guerra e venceu. Falamos de Rute, amiga e fiel. Aprendemos também com as mulheres do terceiro dia, porque precisamos proclamar que Jesus ressuscitou. Só podemos evidenciar essas virtudes com a ação do Espírito Santo, pois, sem Ele, é impossível.

Tudo o que precisamos para ser mulheres de fé é ser mulher do Espírito Santo.

“Quero ser, Senhor, essa mulher do terceiro dia que proclama: 'O Senhor está vivo'”.

Antonieta Santana Pereira Sales
Consagrada da Comunidade Canção Nova.

Fonte: Canção Nova