06/09/2011

Ninguém pode ser feliz se não for amado


Amar é construir alguém querido

O amor gera a vida; o egoísmo produz a morte. A psicologia mostra hoje, com toda clareza, que as graves perversões morais têm quase sempre como causa principal uma "frustração amorosa".

Os jovens se encaminham para as drogas, para o sexo vazio, para o alcoolismo e para tantas violências, porque são carentes de amor, 'desnutridos' de amor. A pior anemia é a do amor. Leva à morte do espírito. Ninguém pode ser feliz se não for amado, se não fizer uma experiência de amor. Se isso é importante na infância e na adolescência, também na vida conjugal isso é verdade. E esse "amor conjugal" começa a ser aprendido e treinado no namoro. Na longa viagem da vida conjugal, que começa no namoro, você precisa levar a bagagem do amor. Você amará de verdade o seu namorado não só porque ele é simpático, bonito ou porque é um atleta, mas porque você quer o bem dele e quer ajudá-lo a ser ainda melhor, com a sua ajuda.

Muitas vezes, você quis e procurou uma namorada perfeita, ou um rapaz ideal, mas saiba que isso não existe. A primeira exigência do amor é aceitar o outro como ele é, com todas as suas qualidades e defeitos. Só assim você poderá ajudá-lo a crescer, amando-o como ele é. Alguém já disse que o amor é mais forte do que a morte e capaz de remover montanhas.

O amor tem uma força misteriosa; quando você ama o outro gratuitamente, sem cobrar nada em troca, você desperta-o para si mesmo, revela-o a si mesmo, dá-lhe ânimo e vida, "ressuscita-o". É com a chama de uma vela que você acende outra. Da mesma forma é com a doação da sua vida que você faz a vida do outro reviver. Desde o namoro você precisa saber que "amar não é querer alguém construído, mas construir alguém querido". É claro que um casal se aproxima pelo coração, mas cresce pelo amor, que transcende os sentimentos e se enraíza na razão.

Todo relacionamento humano só terá sentido se implicar no crescimento dos envolvidos. De modo especial no namoro e no casamento isso é fundamental. A ordem de Deus ao casal é esta: "crescei". Deus não nos dá uma "ajuda adequada" (cf. Gên 2, 18) para "curtirmos a vida" a dois; mas para crescermos a dois. Isso vale desde o namoro. E o que faz crescer é o "fermento" do amor.

São Paulo expressou as exigências do verdadeiro amor melhor do que ninguém: "O amor é paciente, O amor é bondoso. Não tem inveja. O amor não é orgulhoso. Não é arrogante. Nem escandaloso. Não busca os seus próprios interesses, Não se irrita, Não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, Mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa. Tudo crê, Tudo espera, Tudo suporta. O amor jamais acabará" (I Cor 13, 4-7).

Medite um pouco sobre cada linha deste hino do amor e pergunte a si mesmo se você está vivendo isso no seu namoro.

Desde o namoro é preciso ter em mente que a beleza do amor está exatamente na construção da pessoa amada. É uma missão para gente madura, com grandeza de alma. Construir uma pessoa é educá-la em todos os aspectos, e isso é uma obra do coração.

O amor tudo suporta, tudo crê, tudo espera; o amor não passa jamais.

Foto

Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

Prof. Felipe Aquino, casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Trocando Idéias". Saiba mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: www.cleofas.com.br

05/09/2011

Proibições e castidade

Como ficam os estímulos da Bíblia a uma vida casta?

Para expressar uma porção de conceitos, o mais das vezes pouco claros, a psicologia tomou emprestado um vocábulo polinésio. Trata-se da palavra "tabu". Esta imediatamente nos leva a uma ideia potencialmente negativa. Seriam proibições (quase sempre idiotas para o homem moderno) a respeito de assuntos dos quais nem se deve falar. Mexer nessa área seria expor-se a perigos sobrenaturais. Derivam do respeito que se deve ter para com objetos sagrados. Seriam interdições mágicas, que não devem ser discutidas por serem santas. Tal ideia se avizinha de uma neurose. Mais de uma vez na vida já escutei gente sentenciando que a maioria das proibições religiosas, de ordem sexual, seriam meros tabus, portanto, leis irracionais. Neste caso, como ficam os estímulos da Bíblia a uma vida casta? “Ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, honroso e puro” (Fil 4, 8)?


Quando em assuntos sexuais se procura mostrar a beleza da sexualidade, como uma forte energia motivadora, um bem desejado por Deus dentro da vida matrimonial, não se pode mais falar em tabu. Este existe onde não há motivação, onde tudo é misterioso e sem razão de ser. O verdadeiro discípulo de Cristo sabe por que deve se abster de desregramentos sexuais. Isso é uma espécie de disciplina, visando bens maiores. O que buscamos é relativizar o legítimo prazer sexual, por sabermos que existem bens maiores, como o amor a Deus e ao próximo. "Só os puros verão a Deus" (Mt 5, 8).

Certa ocasião, numa roda de conversa, falei a meus interlocutores que eu admirava muito o gesto heroico da mártir catarinense Beata Albertina Berkenbrock. Ela preferiu derramar seu sangue a satisfazer os instintos sexuais de um homem brutal. Ela preferiu morrer por causa de suas convicções religiosas. E também para defender a honra da mulher. Então um distinto senhor sentenciou: “Essa moça não serve de modelo para a juventude de hoje”. Trata-se de alguém que capitulou diante do mundo moderno. Ele acha que a mulher, em vez de dar a sua vida por convicções de fé, deveria se entregar pacificamente. Essa bem-aventurada – que do céu ela me ouça- seguramente não agiu por força de tabu, mas por convicções de fé.


Dom Aloísio R Oppermann scj - Arcebispo de Uberaba
domroqueopp@terra.com.br

02/09/2011

Deus nos treina a partir do necessário

Deus nos treina a partir do necessário Nosso Deus, que é Pai, nos dá só o necessário; “o pão nosso de cada dia”. Quando ensinou o pai-nosso aos apóstolos, Jesus falou numa linguagem própria dos judeus. Ele estava falando de coisas concretas. O “pão nosso de cada dia” quer dizer, de fato, a porção necessária para cada dia. O problema é que estamos mal-acostumados e queremos abundância. Só nos sentimos seguros quando temos de sobra. É o que o sistema deste mundo faz conosco. Por isso, é muito difícil nos acostumar só com o necessário para cada dia.

Porém, Deus insiste: “Meus filhos, vocês precisam aprender a viver de minha Providência”.

Nossa grande preocupação de pais são os filhos. Mas nossos filhos, principalmente as crianças, irão suportar tudo isso. Para eles será muito mais fácil. Nós, adultos, é que vamos sofrer. As crianças têm seus costumes e preferências, mas, facilmente, vão superar as dificuldades justamente por ser crianças e não ter se acostumado com o sistema deste mundo. Nós é que vamos ter dificuldades porque estamos viciados nesse sistema. Especialmente aqueles que foram pobres, que passaram necessidades e hoje têm certo conforto – experimentam pobreza, mas também abundância –, precisam adaptar-se porque podem facilmente ceder diante do sistema.

Chegará um tempo em que só terá acesso à economia, à saúde, à educação e ao trabalho quem se cadastrar; quem receber a marca na mão ou na testa, como está no livro do Apocalipse. O risco é ter os filhos como desculpa e ceder. O segredo é adaptar-se agora ao sistema de nosso Pai.

Hoje existe na Europa uma moeda única. O que parecia uma coisa distante já é uma realidade. A moeda única será rapidamente uma realidade e o mundo todo será regido por ela, com todas as suas consequências.

Por isso é que o Pai está nos alertando. Ele não quer que soframos mais do que o necessário. Se não treinarmos agora, quando a situação piorar vamos sofrer demais.

Este é o Sistema de Deus: ter o necessário, só o necessário e nada mais. É este o treinamento que Deus quer nos dar; é nisso que Ele quer nos adestrar.

Deus te abençoe!

Monsenhor Jonas Abib Fundador da Comunidade Canção Nova

(Trecho do livro "Divina Providência - Considerai como crescem os lírios" de monsenhor Jonas Abib)

01/09/2011

Precisamos abrir nosso coração ao perdão


Padre Alir Sanagiotto
Foto: Maria Andréa/cancaonova
Meus irmãos, criados por Deus, todas as pessoas nascem boas. Por isso é importante entrar na história de cada uma delas e conhecê-las. Isso nos ajuda a dar o passo para o perdão. A palavra "perdoar" é um processo, por isso é importante conhecer os fatos que aconteceram em nossa vida e que ficaram esquecidos.

Quantas pessoas precisamos perdoar! E perdoar não é esquecer, por isso é importante que coloquemos emoção quando perdoarmos, porque é a emoção que dará vida ao nosso perdão. Decidamos pelo perdão e o façamos com emoção, porque assim nos lembraremos, pois o perdão é algo muito importante.

Outra atitude é que perdoar é uma decisão, um ato de bondade, uma ordem de justiça. Há pessoas que dizem não perdoar, pois acham que só Deus perdoa. Se você não consegue, peça a ajuda de Deus, mas é preciso que você também faça a sua parte dizendo: “Eu o perdoo”. O Senhor nos pede para perdoar, e Ele nunca nos pediria algo impossível. Mas quantas vezes devemos fazê-lo? Disse Jesus: “Até setenta vezes sete”, ou seja, até você se libertar.

Hoje, há muitas orações de perdão. Então reze e comece a dizer que perdoa. O que fazemos com as pessoas que nos ferem? Agarramos e colocamos na prisão do nosso coração. Então, começamos a carregá-las. No entanto, o Senhor não nos fez para sermos presídios, por isso precisamos abrir nosso coração.

Quanto se gasta em remédio, em terapias, quando a causa está na falta de perdão! Você precisa se livrar dessa tortura; é preciso compreender que perdoar não é ser trouxa, não é ser fraco. Os fracos se vingam, os fortes perdoam. Quem perdoa é mais forte, pois se não perdoamos, nos nivelamos por baixo.

"Os fracos se vingam, os fortes perdoam"
Foto: Maria Andréa/cancaonova

A fórmula perfeita para perdoar, ensinada por Jesus, em Lucas 23,34: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!”. Perdoar é declarar o outro inocente. Jesus estava no alto da cruz olhando tudo o que Lhe fizeram, mas os perdoou, porque viu que eram inocentes.

“Obrigado, Senhor Jesus, porque, como Deus, nos conhece e Sua Palavra nos liberta. Obrigado, porque nos deu o exemplo da cruz quando declarou todos inocentes. Ajude-nos para que nosso coração seja igual ao Seu, puro e saudável. Peço-Lhe, Senhor, que essa Palava se encarne em nós, seja um bússola a nos indicar o caminho certo. Que Seu Espírito Santo venha em socorro à nossa fraqueza. Obrigado, Jesus!”.

Quantas bênçãos recebemos! Vamos colocar no altar de Jesus as pessoas que nos ofenderam. Vamos dar aos nossos inimigos, àqueles que nos ofenderam, o que temos de melhor: entregá-los no altar do Senhor.

Transcrição e adaptação: Michelle Mimoso
Comunidade Canção Nova

31/08/2011

O pensamento sobre o Reino dos céus

Jesus nos convida para modificar nossos critérios

À reflexão de seus seguidores Jesus propôs um dos temas mais difíceis sobre qual seja o Reino dos céus. Pedagogo Divino, Cristo expôs inúmeras parábolas para falar sobre os mistérios deste Reino (cf. Mt 13, 1-52). Não é, realmente, fácil reportar às verdades invisíveis. O grande perigo é projetar falsas ideias no Reino, que já é agora uma realidade, mas que ainda está para se consumar para cada um. Há sempre toda uma carga de nosso imaginário consciente ou inconsciente. Cumpre evitar pintar o Reino a vir com as cores de um paraíso à moda das grandes mitologias pagãs, com suas descrições encantadoras, mas irreais.
Para deixar claro em que consiste o Reino, o Mestre Divino recorreu às parábolas, ou seja, a narrações alegóricas nas quais o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior.

É impossível fechar numa descrição unívoca o que é o Reino dos céus. Ele escapa a toda determinação precisa. Ele, porém, está intimamente ligado à Pessoa mesma que o anuncia: Jesus de Nazaré. É tesouro oculto, pérola rara, comparação que mostra sua preciosidade. Quem o valoriza deixa qualquer outro bem para ter a posse dele.

Neste Reino, representado por uma rede, entram bons e maus, mas um dia se dará a separação definitiva no fim dos tempos, quando os infiéis receberão justo castigo. Para isso cumpre fugir da utopia política e não se deixar levar pelo fervor dos falsos profetas e seus arroubos messiânicos. Promessas dos que fabricam usinas de ilusão. É preciso ficar atento às mensagens da mídia que não passam de sistema de ideias dogmaticamente organizado como um instrumento de enganação política.

Somente Jesus tem promessas de vida eterna no Reino dos céus. O céu e a terra passarão, mas felizes os que compreendem a salvação que Deus oferece em seu Filho Jesus Cristo. Entretanto, como o Reino dos céus é algo a ser conquistado, apenas os que cooperarem para o progresso e o desenvolvimento da cidade terrena, competentes nas tarefas específicas confiadas a cada um é que poderão, um dia, possuir em plenitude este Reino lá na eternidade.

Trata-se do cumprimento do dever em casa, no trabalho, no apostolado. É preciso, de fato, ir além da estrutura social para sempre contemplar as pessoas que vivem os acontecimentos históricos como co-herdeiros do céu.

O pensamento do Reino dos céus não pode ser alienante, mas deve levar a ações concretas a bem do próximo. Mostra que as instituições e a sociedade no seu conjunto devem estar a serviço, sobretudo, dos marginalizados, dos mais pobres e deserdados da fortuna. Ao falar do Reino dos céus, Jesus nos convida precisamente a modificar nossa maneira e nossos critérios humanos.

É participando da história do mundo visível que cada um trabalha para que ninguém perca o rumo do Paraíso. São os mesmos atos, as mesmas decisões, os mesmos engajamentos que tomam sentido e valor numa e noutra realidade. Corre-se, de fato, o risco de se ater a valores diferentes segundo os critérios do mundo e os do Reino.

Tão somente alguém entrará no Reino se puder dizer ao deixar esta terra: "O mundo ficou melhor porque eu por ele passei". É, portanto, participando de acordo com a vocação específica de cada um e sua responsabilidade social que se entrará na posse definitiva do Reino oferecido por Cristo. Trata-se de cultivar os talentos que o Ser Supremo conferiu a cada ser pensante, velando pelos irmãos no meio dos quais Deus nos chama a servi-Lo. Deste modo se aguarda o retorno de Jesus na hora da morte e no fim dos tempos.

Esta expectativa é que permite a cada um se situar de maneira justa nos engajamentos concretos que é preciso assumir na sociedade em que vive. É esta abertura contínua para o outro que nos guarda de toda idolatria funesta e de todo descorajamento. Estas foram as primeiras palavras de João Paulo II ao assumir a Cátedra de Pedro: "Não tenhais medo. Abri todas as portas da sociedade a Cristo". Essa é a tarefa sublime do cristão que deve trabalhar no desenvolvimento integral das pessoas, levando a mensagem do Reino dos céus. É pedir então a Jesus que dê a cada um de Seus seguidores olhos para ver as necessidades do próximo e ouvidos para entender os apelos do Espírito Santo. Então, sim, o seguidor do Mestre Divino será semelhante a um proprietário que tira de seu tesouro coisas novas e velhas. Para isso é necessário pedir sempre ao Senhor: “Venha a nós o vosso Reino” e trabalhar corajosamente para que todos deles participem para glória de Deus e bem das almas.

Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos

30/08/2011

Curados pelo olhar de Jesus


Padre Alir Sanagiotto
Foto: Maria Andréa/cancaonova.com
Hoje é o dia da graça. A partir de hoje você também pode receber a graça de ser olhado por Jesus, curado pelo olhar d'Ele.

“Ora, uma criada viu Pedro sentado perto do fogo; encarou-o bem e disse: 'Este aqui também estava com ele!' Mas ele negou: 'Mulher, eu nem o conheço!' Pouco depois, um outro viu Pedro e disse: 'Tu também és um deles.' Mas Pedro respondeu: 'Não, homem, eu não'. Passou mais ou menos uma hora, e um outro insistia: 'Certamente, este aqui também estava com ele, pois é galileu!' Mas Pedro respondeu: 'Homem, não sei de que estás falando!' E, enquanto ainda falava, o galo cantou. Então o Senhor se voltou e olhou para Pedro. E Pedro lembrou-se da palavra que o Senhor lhe tinha dito: 'Hoje, antes que o galo cante, três vezes me negarás'. Então Pedro saiu do pátio e pôs-se a chorar amargamente” (Lucas 22,56-62)

Como Jesus, um dia, olhou para um jovem rico e o amou, certamente fez o mesmo com Pedro. Com o olhar de Cristo, o apóstolo sentiu um profundo arrependimento e se pôs a chorar.

“Judas, o traidor, ao ver que Jesus fora condenado, ficou arrependido e foi devolver as trinta moedas de prata aos sumos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: 'Pequei, entregando à morte um inocente'. Eles responderam: 'Que temos nós com isso? O problema é teu'. E ele jogou as moedas no Santuário, saiu e foi se enforcar” (Mateus 27,3).

Essa é a diferença de um homem que não foi olhado por Jesus. Assim como foi grave o erro de Judas por vender Jesus, também foi grave o erro de Pedro ao negar o Senhor; no entanto este teve a graça de ser olhado por Jesus; Judas, não. Após seu erro, este [Judas] se escondeu, não procurou por Jesus. Ele se arrependeu, ficou tomado pelo remorso, mas isso não foi o suficiente. Ele, que havia se preparado junto com os apóstolos, não teve o olhar de Jesus. Esta, meus irmãos, é a grande tentação para todos nós.

"Eu gostaria de olhar para você com o olhar de Deus para que você sentisse o Seu amor."
Foto: Maria Andréa/cancaonova.com

Assim o demônio quer fazer com todos nós. Depois de errarmos, o maligno quer que nos escondamos. Todos nós gostaríamos de falar a verdade, mas quando o fazemos, nem sempre somos acolhidos. A culpa também está em nós, porque se acolhêssemos o outro que errou, ele não precisaria mentir.

Nós católicos, todas as quintas-feiras, temos o Santíssimo Sacramento exposto em muitas igrejas, mas temos de nos convencer de que precisamos desse olhar de Cristo.

Eu gostaria de olhar para você com o olhar de Deus para que você sentisse o Seu amor. O Senhor olha para o pecador sem se importar se antes ele vivia afastado da Igreja. Jesus só pode nos olhar com misericórdia e ternura. Se Judas tivesse olhado para Jesus, teria sido 'fulminado' por Seu olhar restaurador.

“Jesus, olhe para mim, que Seus raios de fogo me queimem, me purifiquem”.
Foto: Maria Andréa/cancaonova.com

Peça ao Senhor: “Olhe para mim, faça comigo o que fez com Pedro”. Imagine quantas pessoas sofrem com depressão porque não olham para Jesus. Meus irmãos, façam adoração, vão diante de Jesus.

Quando Deus nos criou, nos fez semelhantes a Ele. Fomos criados sem nenhum defeito, sem nenhuma ferrugem. O problema é que não adianta pegar um ferro enferrujado e jogá-lo na caldeira por 10 minutos. Não é um tempo suficiente para purificá-lo. Por isso precisamos passar mais tempo diante do Santíssimo.

“Senhor, volte Seus olhos para mim e me purifique desde o ventre de minha mãe”.

“A lâmpada que ilumina o corpo é o olho. Se teu olho for límpido, ficará cheio de luz; mas se teu olho for ruim, ficará todo em trevas”. Então, se seu olho estiver doente, todo seu corpo estará nas trevas. Uma questão muito prática é a sexualidade. Infelizmente, pouco se fala do sentido positivo dela. Todos nós, por causa da proposta do mundo, a olhamos de forma negativa. Precisamos ter um olhar diferente com relação a tudo que Deus criou. Quando estivermos diante do Santíssimo, precisaremos pedir ao Senhor que cure nossos olhos para vermos as coisas de forma positiva.

O meu desejo é que você acolha o fogo dos meus olhos para aquecer o seu coração. Que essa chama lhe devolva a beleza que você era quando o Pai o criou. Então, onde estiver, comece a pedir: “Jesus, olhe para mim, que Seus raios de fogo me queimem, me purifiquem”.

O que você deve fazer para renovar seu casamento? Volte a tratar seu marido, sua esposa, como tratava no começo, antes de casar ou quando eram recém-casados. A renovação é a volta ao início.

Também na vida religiosa, quando seus olhos eram voltados para o sacrário, mas hoje estão voltados para revistas, para a televisão. Peça a Deus que purifique novamente seus olhos. À medida que você os purifica, começa a ver e reconhecer Jesus em seus irmãos.

Transcrição e adaptação: Michelle Mimoso
Comunidade Canção Nova

29/08/2011

'Não se apresse para responder ao chamado de Deus', orienta padre Ivan

O Clube da Evangelização conversou com o padre Ivan Rodrigues. O sacerdote nos falou sobre a sua vocação, como a descobriu e a importância de um diretor espiritual nessa busca; e deu algumas orientações aos jovens que se sentem chamados à vocação sacerdotal. Atualmente ele é diretor espiritual no Instituto Canção Nova, todo o seu trabalho está voltado para a evangelização, com Santas Missas mensais para alunos e colaboradores, grupos de oração para os jovens, confissões, adoração ao Santíssimo Sacramento nas quintas-feiras, retiros de formação e de convivência e atendimento espiritual.

O sacerdote nos conta que as Missas e a quinta-feira de adoração são separadas por ensino e o grupo de oração separado nos três turnos de aula. O grupo de oração foi uma inspiração vinda do livro do padre Léo "Jovens Sarados", por isso possui o mesmo nome. O convite para os alunos se confessarem com frequência é feito de forma muito bonita, segundo padre Ivan. Ele passa de sala em sala convidando os alunos que já fizeram a Primeira Comunhão e, para os jovens que não a fizeram, estes são convidados para um bate-papo, dessa forma, ele valoriza a atitude da criança e do jovem que já buscam a orientação pela Palavra de Deus.

Foto: Wesley Almeida

“O Instituto Canção Nova é um campo de missão, nossa meta é muito mais do que ensinar uma disciplina ou formar um cidadão, mas que os alunos tenham uma experiência com Deus, um cidadão que tenha uma experiência com Deus, por isso começa da base até o momento em que ele vai entrar numa faculdade”, revela o sacerdote.

Com o início da Faculdade Canção Nova, ele disse ser muito provável que ele também seja o diretor espiritual desse local. Ele nos conta: "Vai ser um processo de evangelização, no qual vou me inserir com aqueles que serão futuros jornalistas, filósofos e demais formações dos cursos que teremos".

Sobre a vocação, padre Ivan afirma que o processo de discernimento e descobrimento de uma vocação se dá por meio de um encontro que você faz com Deus, que acontece de várias formas: a primeira delas é a partir da sua família, na qual você descobre um Deus que o ama, a partir do seu pai, da sua mãe.

O sacerdote também nos revelou que quando ingressou na Comunidade Canção Nova, em janeiro de 2003, sua intenção era se casar, pois foi a formação que recebeu dos seus pais. Mas, certo dia, por conta do trabalho que tinha, ele foi parar na casa de uma senhora, Maria da Penha, que lhe perguntou: "E Deus na sua vida?" Daquele dia em diante sua vida começou a mudar, depois daquele momento, ele começou a ver Deus manifestando sinais.

“Eu sempre relutei, mas aquela senhora foi a primeira pessoa que falou que eu seria padre e, eu briguei muito com ela. Mas conforme fui me aproximando de Deus, não tinha como ser diferente, mais dia ou menos dia, Ele mostrava sinais do que queria de mim. Cheguei a pensar que podia ser coisa da minha cabeça, mas fui caminhando e estreitando o relacionamento com Deus”, partilha.

Foto: Wesley Almeida

De acordo com o padre e missionário da Comunidade Canção Nova, uma maneira de você discernir sua vocação é buscar ser mais íntimo de Deus, afastar-se do barulho, da agitação da vida e procurar mais a Deus. Então, num dia de adoração, ele se viu interpelado pelo Senhor para se abrir a uma nova experiência no seminário e, foi a partir desse momento que decidiu entrar para o seminário. Mas ele afirma: “foi um processo que levou mais ou menos de 10 a 12 anos, entrei no seminário com 29 e hoje tenho 38 anos.”

"O papel do diretor espiritual é fazê-lo enxergar aquilo que você não consegue enxergar, ele não vai lhe dar a resposta, ele vai fazê-lo refletir e, na sua reflexão é que você encontrará as respostas de Deus", afirma o religioso. “Meu diretor espiritual, desde a época do seminário, é o padre José Augusto; ele teve um papel direto na minha vida quando senti algo por uma moça no tempo do meu seminário, ele não me proibiu de sentir, pelo contrário, me disse que era preciso discernir e purificar aquele sentimento. Com o tempo percebi que era uma cura interior, Deus me levava a ver algo que nunca tinha sentido da forma como sentia por aquela moça. Foi com a ajuda do meu diretor espiritual que soube purificar e discernir isso, de tal forma que vi que era uma cura interior, uma graça de Deus", revela o sacerdote.

“O diretor espiritual também foi importante na questão de me alimentar sobre o que é o sacerdócio, mostrar toda a dimensão do que é ser um padre. Então, conhecer uma vocação, o que é um chamado de Deus, foi fundamental, pois tive a tranquilidade e a paz para dizer: 'É isso que eu quero'”.

Para finalizar, indagamos padre Ivan sobre como um jovem pode identificar o chamado à vocação sacerdotal e, ele nos responde: "Primeiramente tudo parte de você se ver se identificando com a realidade de um sacerdócio. Procure participar de encontros vocacionais; ir a encontros vocacionais como a Canção Nova faz no mês vocacional. Paralelo a isso, se puder, tenha um diretor espiritual. Não tenha medo, porque vocação, em outras palavras, é um chamado de Deus, mas também é a sua resposta para Ele. Deus o chama para ser um jovem realizado na vocação e se Ele o quer como padre, tenha certeza de que será uma pessoa profundamente realizada. Dou meu testemunho como padre: sou um padre profundamente realizado. Não tenha pressa, pois é preciso que você vá gradativamente discernindo aquilo que Deus está lhe mostrando.

Assim como uma fruta colhida antes do tempo não é saborosa, se você entrar no seminário antes do tempo, por mais que seja a sua vocação, você pode se deparar com algumas realidades que vão decepcioná-lo, frustrá-lo ou fazê-lo desistir da sua vocação e, correrá o risco de ser uma pessoa frustrada. Caminhe com calma, participe de encontros, pois dessa forma conseguirá fazer um bom discernimento e poderá responder, com alegria, ao chamado de Deus".

27/08/2011

É preciso pedir mais o Espírito Santo


É preciso pedir mais o Espírito Santo O que é preciso para respirar? O ar já está aí! De que você precisa? De respirar. E só você pode fazer isso, ninguém pode respirar por você. E na hora em que você respira, o ar que o envolve penetra-o. Esse respirar é querer e pedir. Você quer e então aspira o ar e ele penetra os seus pulmões.

É a mesma coisa: você quer, quer verdadeiramente e pede: “Vinde, Espírito Santo!” E quando você quer verdadeiramente, quando pede verdadeiramente o Espírito Santo já está rodeando você, e Ele penetra, vai ao fundo do seu ser... E você é imerso no rio profundo, que é o Espírito Santo.

Mesmo quem já vive da presença do Espírito Santo precisa pedir para ser mais e mais mergulhado no rio profundo de Pentecostes, para ser ungido pelo Espírito Santo Paráclito. Se essa graça ainda não lhe sobreveio, ela pode acontecer nestes dias.

Deus o abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

(Trecho do livro "A sabedoria está no ar" de monsenhor Jonas Abib)

26/08/2011

Deus sempre providencia o necessário


Deus sempre providencia o necessário Se Deus nos deu a vida, que é o maior dom que recebemos, não vai dar o alimento para sustentá-la? Não vai dar a roupa para nos vestirmos? É claro que sim!

Se o Senhor cuida dos passarinhos, lhes dá alimento, ninho, filhotes, Ele não vai cuidar de nós? Somos muito mais do que passarinhos! E por que eles têm tudo isso? Porque os passarinhos seguem o sistema de Deus!

Confiar unicamente em Deus e na Divina Providência pode nos causar insegurança, pois no sistema do mundo aprendemos a confiar em dinheiro, trabalho, poupança, seguro, plano de saúde.

Por que os lírios do campo têm tudo? Porque eles também seguem o sistema de Deus! Se o Altíssimo cuida das flores, que um dia secarão e morrerão, quanto mais de nós, que somos filhos d'Ele. O que precisamos fazer é sair o mais depressa possível do sistema do mundo e mergulhar no sistema de Deus, que é a Providência Divina. É preciso fazer a experiência!

É Deus quem providencia! É o Senhor quem constrói a casa, quem guarda a cidade. Nós estamos aqui somente para colaborar, fazendo a parte que nos cabe. Os passarinhos têm de buscar o alimento todos os dias. A planta também trabalha sugando da terra o alimento de que precisa. Deus nos deu uma lei: “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto” (cf. Gn 3,19a).

Por isso, temos de trabalhar! Essa é a parte que nos cabe! Porém, o segredo é entender que o resultado não está no nosso trabalho (e aí está a mentira que o príncipe deste mundo nos ensinou). O resultado está em Deus, que é nosso Pai. Nós fazemos nossa pequena parte; quem constrói, quem guarda e conduz é o Senhor.

Deus te abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

25/08/2011

Viver o processo da fé


Padre Fábio de Melo
Foto: Maria Andrea
Por quanto sofrimento é preciso passar para chegar à verdade desta frase: “Deus caminha comigo, Deus é meu grande amigo, Ele é mais forte um abrigo, Ele caminha comigo, n'Ele posso confiar”? Não tem nada por acaso nesta vida, não podemos chegar se não caminharmos. Se eu preciso andar 5 km, preciso ter a disposição do primeiro passo e acreditar que de passo em passo chegarei. Tudo é processo, tem começo, meio e fim. O processo da fé é pontuado. A fé cristã é audaciosa, o que Jesus nos propõe é uma verdade audaciosa.

Hoje a Igreja nos convida a termos fé, a vivermos o processo da fé e acreditarmos mesmo que não tenhamos razões para isso. A nossa fé passa pelo processo da inteligência, mas ela acontece quando precisamos passar por uma situação humana que nos parece insuportável. E Deus começa arrancar de você frutos que não semeou. É a fé como dom, que começa a ver a vida a partir de um olhar que antes ninguém tinha lhe ensinado.

A Igreja diz que a fé é dom. E temos a responsabilidade de administrá-lo. A salvação é dom, mas é tarefa. Eu preciso buscar a minha atitude para confirmar o que Cristo realizou na minha vida. A fé humana indica para uma fé maior. A fé primeira que experimentamos na vida é a fé natural do dia a dia. Entramos num restaurante e não pensamos que a comida pode estar envenenada, você confia que não tem nada naquele alimento. A fé é uma experiência humana, natural, que dá equilíbrio para a gente.

Para mim não há nada mais precioso que confiar em alguém. Como é importante para o padre a confiança em quem está perto de nós. E a partir dessa experiência humana, Deus nos convida a experimentar algo muito maior.

Pedro, homem que fez a experiência de Jesus e mostra aqui sua fragilidade no processo de fé. Acho que Jesus o chamou de Simão nessa hora em que não tinha feito a experiência de Jesus, em que não tinha feito a travessia que ele precisava. A fé vai ser vivida enquanto formos gente.

A Igreja nos pede a fé no Ressuscitado, pois só essa fé nos poderá direcionar para o homem e a mulher que Jesus idealizou para cada um de nós. Estamos em travessia, processos que nunca terminam, pois nunca estaremos prontos para Deus. Sempre estaremos inacabados. A arte é assim, sempre inacabada, porque se estiver acabada, não haverá mais a fazer. Nós sobrevivemos daquilo que em nós é inacabado.

"A fé vai ser vivida enquanto formos gente", afirma padre Fábio
Foto: Mariana Lazarin

:: Veja fotos no Flickr
:: Veja + fotos também no Facebook



O que Deus já fez na sua vida hoje não será o suficiente para o que você precisará amanhã. Não somos postes, postes ficam parados, somos estrelas em deslocamento. Deus vai visitá-lo a partir da sua particularidade. Não devemos medir o quanto de fé cada um tem. Precisamos ser cada dia mais homens de fé. Muitas vezes, o caminho que precisamos percorrer não é tão longo, mas por não termos dimensão da distância, ficamos parados. Muitas vezes, eu encontro ateus que estão muitos mais próximos de Deus que eu, porque, às vezes, eles estão mais honestos e se aproximaram mais das questões humanas. Precisamos nos aproximar das questões humanas, estamos inseridos numa sociedade e é preciso encarnar em nossa história tudo aquilo que dizemos crer.

Se você acredita no mesmo Deus que eu, tenho com você uma responsabilidade. Pois não tenho o direito de negligenciar o conteúdo dessa pregação, por isso eu sou um padre de travessia. O papel de padre hoje é ser o testemunho coerente de quem fez esse opção radical por ser Jesus de novo através da vida sacramental. Os sacramentos que celebramos são para santificar nossa alma e dar sentido às atitudes do corpo. É a totalidade da salvação acontecendo em nós e através de nós.

A Igreja quer cada dia mais que a fé que celebramos vire vida na comunidade, que você sinta em Jesus o motivo da sua atitude. Eu estou aqui configurado a Ele, quero ser como Ele. Quanto mais eu acredito em Deus, tanto maior é a minha capacidade de acreditar nos meus irmãos.

Que amor a Deus é esse que não o faz amar seus irmãos? A fé que eu tenho em Jesus muda o modo de como eu olho para aqueles que estão do meu lado. Se Jesus tivesse a oportunidade de passar aqui como eu estou Ele lhe diria: “Vamos lá, não fique parado! Vamos fazer o que será. Vamos visitar regiões do seu coração às quais você ainda não conseguiu ir.”

Muitas vezes na nossa miséria não acreditamos que Deus acredita em nós. Vamos acelerar o processo de nosso crescimento pessoal. Quanto mais acreditarmos em Deus, e tivermos a fé para suportar o sofrimento, tanto mais O testemunharemos.

Hoje precisamos tomar a decisão de deixar Deus acelerar em nós o crescimento, para isso você precisa dar passos, tratar melhor seu marido, seu funcionário, deixar de fumar, etc. Você precisa acreditar em você.

O que você precisa fazer concretamente para dar um passo na fé? Faça seu compromisso consigo mesmo, acredite que a partir de hoje você será uma pessoa diferente, uma pessoa melhor. Acredite em si mesmo para demonstrar que Deus crê em você. Eu creio em Deus e Ele crê em mim, e nós dois juntos ninguém segura.

Transcrição e adaptação: Regiane Calixto
Comunidade Canção Nova

24/08/2011

Viva numa confiança incondicional em Deus


Fomos marcados por um conceito de fé totalmente errado, como se fé fosse somente acreditar na existência de Deus, nos dogmas da Igreja, na virgindade da Santíssima Virgem Maria, na ressurreição da carne, na infalibilidade do Papa, com a inteligência. Sem dúvida, também é isso. Mas o primeiro passo de fé não é crer intelectualmente, mas confiar em Deus: naquilo que Ele é. Acreditar nas verdades que a Igreja ensina é uma consequência disso [fé].

Ao ler os Atos dos Apóstolos, vemos que Paulo ia de cidade em cidade pregando o Evangelho. Em todos os lugares, ele deparava com incompreensão, fofocas, perseguição e era sempre levado aos tribunais. Muitas vezes foi condenado; apanhou e foi apedrejado.

Quantas vezes o apóstolo saiu das sinagogas apanhando... Mas em quem Paulo confiava? Em Deus! E porque confiava em Deus, apesar de toda perseguição, ia em frente. Inspirado por Deus, ele foi para Jerusalém, pois queria expor a seus irmãos o que lhe havia acontecido. Queria contar-lhes sua conversão e pregar o Evangelho. E o que aconteceu? Os próprios irmãos, sacerdotes do Deus vivo, se opõem a ele e o levam à prisão. Assim relata o livro dos Atos dos Apóstolos:

“No dia seguinte, resolvido a saber com certeza de que os judeus acusavam Paulo, o tribuno mandou tirar-lhe as correntes; depois ordenou uma reunião dos sumos-sacerdotes com todo o Sinédrio, e mandou Paulo descer para que comparecesse perante eles. Com os olhos fitos no Sinédrio, Paulo declarou: ‘Irmãos, é com uma consciência livre de qualquer remorso que eu procedi para com Deus até este dia’. Mas o sumo-sacerdote Ananias ordenou aos seus assessores que lhe batessem na boca” (At 22,30.23,1-2).

O sumo-sacerdote estava ali para julgar. O réu tinha todo o direito de se defender. O apóstolo dos gentios começou dizendo: “Irmãos, é com uma consciência livre de qualquer remorso que eu procedi para com Deus até este dia”. Mas Ananias, sumo-sacerdote, mandou os que estavam a seu lado que lhe batessem na boca. Incrível: Paulo estava diante de quem? Diante do sumo-sacerdote: o representante de Deus no meio do povo na época.

“Paulo lhe disse então: 'É a ti que Deus vai ferir, parede caiada! Tu te sentas para me julgar segundo a Lei e, sem consideração à Lei, ordenas que me batam?' Os assessores o advertiram: 'Tu insultas o Sumo Sacerdote de Deus!'” (At 23,3-4).

Na verdade, o apóstolo não sabia que se tratava do sumo-sacerdote (havia muito tempo estava fora de Jerusalém), por isso o chamou de hipócrita. Quando o soube, humilhou-se e disse:

“Eu não sabia, irmãos, respondeu Paulo, que ele era o sumo-sacerdote; de fato, está escrito: 'Tu não insultarás o chefe do teu povo'” (At 23,5).

Até as últimas consequências, o apóstolo dos gentios confia unicamente em Deus. Sua fé o faz agir corajosamente.

Como Paulo, temos de confiar exclusivamente em Deus, fundamentados numa fé que nos garante que nossa segurança está n'Ele. Todos, neste mundo, falham: marido, esposa, pai, mãe, filho, sacerdote, bispo... As pessoas nas quais mais confiamos e que mais amamos são humanas e, por isso, falham. Não é que vamos deixar de acreditar nelas. O problema é que, se depositamos nossa confiança apenas em pessoas e, pior: se achamos que elas não erram e não decepcionam, vamos viver de frustração em frustração.

Em Deus está nossa confiança! Quantas esposas se apoiam totalmente em seus maridos. Esquecem que eles são de carne e osso e falham. Consequentemente, as esposas se decepcionam. O mesmo pode acontecer com os homens: se depositam sua confiança na esposa, no trabalho, nos negócios... logo vem a decepção!

Quantas pessoas confiaram unicamente no padre, na religiosa, esquecendo-se de que são pessoas e podem errar. É necessário que caminhemos com elas, porém, nosso apoio está em Deus.

Precisamos reavivar nossa fé. Não é simplesmente acreditar em algumas verdades: é confiar em Deus. Confiar naquilo que Ele é. Não posso confiar em Deus somente se Ele me curar, se resolver meus problemas... Devo confiar no Senhor incondicionalmente: se não obtive a cura desejada, devo continuar confiando n'Ele. Busco, amo e confio em Deus por causa d'Ele, e não pelos benefícios que isso possa me oferecer.

Muitas vezes o Altíssimo faz maravilhas em nossa vida. Ele melhora situações econômicas, reconstrói casamentos, cura doenças... Mas, infelizmente, muitos apoiam sua fé apenas nisto: creem somente se o Senhor fizer o que desejam. Não é assim! Temos o exemplo de Paulo que só teve decepções com seu povo e com o sumo-sacerdote, mas, ainda assim, continuou confiando no Senhor. O alicerce de sua fé não estava nas pessoas, mas unicamente em Deus. Por isso não se decepcionou.

(Trecho extraído do livro "Divina Providência - Considerai como crescem os lírios" de monsenhor Jonas Abib)