04/07/2011

Os infernos buscam neutralizar o poder e domínio de Deus

No Evangelho ouvimos relatos de expulsão de demônios por Jesus. Talvez este fato nos pareça um pouco raro, porque estar possuído por um demônio nos parece algo exclusivo daqueles tempos. Entretanto, isso acontece também em nossos dias, mesmo que seja pouco frequente. Mas o problema de fundo para o homem de hoje é a pergunta se o demônio, como pessoa, existe ou não.

Acontece que o homem moderno e até o cristão moderno apenas creem no demônio. Este há conseguido realizar, em nossos dias, sua melhor manobra: fazer que se duvide de sua existência. Queremos, por isso, agora meditar um pouco sobre o diabo e seu atuar no mundo e em nossa vida. Os habitantes do inferno buscam neutralizar o poder e o domínio de Deus. E porque não lhes é dado enfrentar-se diretamente com Deus, atuam indiretamente. Tratam de atrair sua criatura preferida na terra: o homem. Assim cada um de nós é um campo de luta em que se enfrentam o bem e o mal, as forças divinas e as forças diabólicas. Quem negaria tal realidade?

Nenhum de nós será tão ingênuo de acreditar estar fora dessa luta permanente. Cada um de nós experimenta esta tensão, este conflito em seu corpo e em sua alma. Percebemos que um ser forte atua em nós e nos quer impor sua vontade, e que necessitamos de outro mais forte para libertar-nos. Fomos libertados já no dia de nosso batismo. Mas o demônio voltou a nós e deixamos que ele entrasse de novo por meio de nossos pecados.

A grande obra do diabo é o pecado. Ele é o “pai do pecado”. A realidade do mal - que leva os homens a matar, roubar e enganar; que faz triunfar ao injusto e sofrer ao justo. Que torna egoístas aos que já têm muito e leva ao desespero os marginalizados - tudo isso e muito mais é obra dele, bem presente e atual em nosso mundo.

Realmente, o homem não vive sozinho seu destino. É incapaz de ser absolutamente independente. Ou se entrega a Deus ou é acorrentado pelo demônio. Tanto no bem como no mal não somos nós que vivemos: é Cristo ou satanás quem vive e triunfa em nós. Ou somos filhos de Deus ou somos filhos do diabo!

Jesus Cristo combate, desde o princípio de Sua missão, contra essa potência do mal, incrivelmente ativa e dispersa pelo mundo. Em toda parte Jesus a descobre, a expulsa, a destrona. Nesse contexto devemos ver também os textos do Evangelho. No centro dos textos bíblicos não está o possuído pelo demônio, mas Cristo. A Ele devemos dirigir nosso olhar. Porque sozinhos, nós não conseguiremos nos soltar do poder do maligno. Com nossas forças não poderemos vencer o mal dentro de nós. É necessário que Cristo nos fortaleça em nossa luta diária contra o inimigo de Deus. É necessário que Cristo nos liberte, passo a passo, do poder destruidor dele [demônio].

Também a Santíssima Virgem Maria, a vencedora do diabo, há de ajudar-nos nisso. Como Cristo procedeu no Evangelho com os possuídos, assim quer expulsar a injustiça, a mentira, o ódio e todo o mal da terra. Quer em nós e por nós criar um mundo novo melhor, renovar a face da terra. Quer construir uma Nação de Deus, onde reinam a verdade, a justiça e o amor.

Queridos irmãos, também nós seremos, um dia, totalmente livres da influência do maligno. Será no dia feliz de nosso encontro final com Deus, da nossa volta à Casa do Pai.

Veja mais: A prática do exorcismo

Padre Nicolás Schwizer - Shoenstatt mov.apostólico
pn.reflexiones@gmail.com

02/07/2011

Vencendo as aflições

Jesus pode eliminar a sua tristeza na raiz!

Em algumas situações específicas em que duas pessoas eram condenadas à morte, na época do Império Romano, os romanos costumavam aplicar uma pena extremamente cruel. Amarravam as duas pessoas uma à outra, rosto com rosto, braço com braço, mão com mão, perna com perna, e assim por diante; depois matavam apenas uma delas e as colocavam ambas no sepulcro, amarradas. À medida que o cadáver ia se decompondo, liberava substâncias que consumiam em vida o corpo daquela que com ele estava amarrada.

Dessa maneira, podemos entender melhor a que São Paulo aludia ao dizer: "Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte?" (Rm 7,24). Ele não falava de seu corpo físico, mas do corpo do pecado ao qual estava amarrado.

Qual aquele condenado, não temos forças para nos livrar deste corpo de pecado que nos consome; estamos de tal maneira amarrados a ele que parecemos formar um só corpo com ele, e não estamos amarrados por fora, mas por dentro, em nosso coração. Precisamos de alguém que nos desamarre e nos livre desse corpo que nos mata e que nos faz apodrecer em vida.

Os cristãos são o suave odor de Cristo, mas, quando se tem um corpo de pecado trancado no coração, o próprio coração se corrompe e começa a empestear, com o mau cheiro, o ar à sua volta. Dessa forma, em vez de ser causa de alegria e felicidade para si e para os outros, torna-se causa de sofrimento e infelicidade porque se afasta de Deus e entra em discórdia com as pessoas para defender interesses egoístas.

A verdade é que somos as primeiras vítimas desse mal; sentimo-nos tristes, abatidos e abandonados porque somos pecadores, porque, em nosso coração, vive uma lepra chamada pecado, que o insensibilizou à presença amorosa de Deus. E o pior é que não podemos fugir dele como se foge de uma pessoa desagradável; não podemos fugir, porque o pecado nos fala de dentro do nosso coração (cf. Sl 36,2); nós o levamos conosco para onde vamos.

Tenha certeza: o pecado é o motivo de sua tristeza, e só Jesus pode lhe devolver a alegria verdadeira. É necessário que o Senhor o liberte desse mal, mate essa lepra e mude seu coração corrompido em um novo coração. Toda pessoa que pensa ser impossível que seus pecados lhe sejam perdoados, entra em desespero e, com o seu desespero, torna o seu estado pior do que era antes. Então, tenha confiança em Deus!

Se você alguma vez já se sentiu perdido e, por causa de alguma coisa que fez, teve medo de cair no inferno, sentiu-se desolado e sem forças, se depois de repetidas lutas contra um mesmo pecado mais uma vez você foi vencido por ele e sentiu vontade de desistir, tenho uma ótima notícia para você: Só quem assim se sentiu pode experimentar o que é ser salvo pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, e este mesmo Jesus pode eliminar a sua tristeza na raiz!

(Do livro: "Vencendo Aflições – Alcançando Milagres").

01/07/2011

Existe poder soberano?


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Há leis morais que não dependem do nosso querer

O grande São Tomás de Aquino, na sua monumental obra “Suma Teológica”, ensina que a criatura humana, dotada de razão, está submetida à Divina Providência. Por isso o decálogo do Criador é intocável por estar vinculado à lei natural. Nenhum poder humano pode estabelecer leis que entrem em choque com essa lei originária, como por exemplo, permitir apoderar-se de propriedade alheia legítima, autorizar o homicídio, aprovar a infidelidade conjugal.

Há leis morais que não dependem do nosso querer. São tão sábias que se tornam imperativo categórico, emparelhando com as leis da física. "A lei do Senhor é perfeita" (Sl 19, 7). Se alguém acha que o poder público está acima do direito natural, está lhe conferindo uma autoridade soberana. Nem mesmo o poder judiciário está acima da ordem natural. Só Deus é soberano. "Nem o príncipe, nem o imperador são realmente soberanos" (Maritain). Nem tampouco é soberana a vontade do povo quando quer seguir caprichos. A lei injusta, ou contrária à reta ordem, mesmo que exprima a vontade da maioria, não tem valor de lei. Assim se evitam os males à comunidade.

A Igreja está relacionada com a sociedade. O filósofo agnóstico Habermas advertiu o mundo, diante do Cardeal Ratzinger, que todos deveriam ouvir mais a Igreja, porque ela é movida por reta intenção e tem experiência em assuntos humanos. A atual secularização da sociedade leva a catástrofes. Sabemos que o ser humano tem inteligência ordenadora a fim de tornar o convívio humano voltado para o bem comum. Por isso os legisladores podem produzir leis para um melhor convívio. Mas falece-lhes autoridade para minar a família tradicional, concedendo privilégios descabidos a outros grupos. Os legisladores não têm o poder de "criar". Não têm o poder de classificar o cachorro e o gato como se fossem da mesma espécie. "E Deus viu que tudo o que fizera era muito bom" (Gn 1, 31).

Não queiramos fazer coro com a Organização das Nações Unidas (ONU), nem com certos juízes desorientados, quando procuram relativizar a união conjugal entre um homem e uma mulher. Os legisladores têm poder subsidiário diante das leis eternas. Estas, sim, são soberanas, porque vêm do Criador.


Dom Aloísio R. Oppermann scj - Arcebispo Uberaba
domroqueopp@terra.com.br

30/06/2011

A quem precisamos hoje fazer o bem?


200309luzia_g“Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos” (Gl 6,9).

Todos nós somos chamados por Deus a retomar as boas práticas. No entanto, em meio às adversidades e aos muitos afazeres da vida, muitas vezes, nos cansamos de praticá-las ou ficamos relaxados. Hoje é o dia de as recomeçarmos; graças a Deus, temos esta oportunidade.

Quando usamos de caridade para com as pessoas, nós somos os primeiros a ser beneficiados, porque colhemos o que plantamos e porque, como diz a Palavra de Deus, há mais alegria em dar que em receber.

Seguramente, muitas pessoas passarão hoje pela nossa vida e teremos a chance de servi-las da melhor maneira possível, seja com uma boa ação, seja com um sorriso ou um algum tipo de socorro. Mesmo que não sintamos vontade de praticar esse gesto amoroso, tomemos a firme decisão e peçamos a Jesus a graça de fazermos o bem sem olhar a quem, a exemplo d’Ele.

Senhor, renova em nosso coração a disposição de ajudar todas as pessoas que precisam de nós.

Jesus, eu confio em Vós!

29/06/2011

Dê um passo até Deus que com certeza Ele dará milhares até você!


Nascer de novo é encontrar novamente o caminho de Deus

Dunga
Foto: Maria Andrea
Deus é capaz de falar com todos e, ao mesmo tempo, com cada um. Com isso, temos a responsabilidade de estar prontos para ouvi-Lo e estar abertos para recebê-Lo.

Permita que o Espírito Santo seja capaz de fazer a obra em sua vida. Dê o seu testemunho sobre o que Deus está fazendo em você. Eu fico imaginando: O que será que o Espírito Santo está fazendo nas pessoas que estão lendo esta pregação agora? Mesmo que você não sinta nada, não quer dizer que Ele não esteja agindo em sua vida. Dê um passo em direção a Deus e Ele dará milhares de passos em sua direção.

Deus fala conosco desde o princípio. Ao nascermos, recebemos a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade; um pouco mais tarde, por meio do Catecismo, recebemos, pela primeira vez, o Corpo do Nosso Senhor. Mas, infelizmente, com o tempo, com a idade, vamos nos afastando um pouco do Senhor. Por isso, Jesus fala do "nascer de novo", é isso que Ele quer dizer. Nascer de novo é encontrar novamente o caminho de Deus, ir até Ele em busca de respostas. Chega um momento em nossas vidas no qual sentimos a necessidade de "nascer de novo".

É preciso que o espírito vivencie nossa vida, não podemos viver apenas da carne, ela é boa, porém, é o nosso espírito que nos dá a estabilidade de que precisamos. É exatamente nesse ponto que renascemos no Espírito Santo, quando as coisas carnais não satisfazem mais nosso ser. Esse é o chamado d'Ele [Espírito Santo].

Até mesmo nos prazeres carnais a carne é limitada, ela não suporta que você fique deitado o dia todo ou coma além do necessário, nem mesmo mantenha relações sexuais com seu parceiro ou parceira [além da conta]. Se você se entrega aos prazeres da carne durante toda a vida, você se torna uma pessoa limitada.

Você que está em situações difíceis e, muitas vezes, para e diz a si mesmo: "Eu não aguento mais!". Essa é a voz da alma, ela não foi feita para isso; sua alma foi feita para viver a eternidade com Deus. Nesse momento Ele lhe dirá: "Necessário vos é nascer de novo".

O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do espírito é espírito.

"Mesmo que você não sinta nada, não quer dizer que Ele não esteja agindo em sua vida", afirma o missionário
Foto: Maria Andrea

Não é fácil realizar essa mudança em nossas vidas, todos sempre fomos criados para competir, gerar lucro, ser os melhores. Independentemente de qualquer coisa, pessoas que vivem em função disso nasceram da carne e viverão dela. Ao passo que aquelas que vislumbram algo maior, que estão dispostos a se empenhar na missão divina, nasceram na alma e viverão dela. Sem dúvida, não é algo fácil, mas a recompensa dessa vida é gratificante, para isso basta "nascer de novo" e retornar aos braços de Deus. Só que agora você tem a experiência ao seu lado, não é mais aquela criança que não tinha vivência; hoje você pode se entregar ao Senhor sabendo onde pode ou não errar. Porém, é bem mais fácil entregar-se ao vício, seja ele o álcool, as drogas, o sexo ou qualquer outro.

É claro que não é uma mudança que ocorrerá do dia para a noite, você precisa mudar seus hábitos. Reze, leia a Bíblica um pouco todo dia e adore ao Senhor. Muitas pessoas têm preguiça de ler a Palavra de Deus por terem uma visão errônea dela. As pessoas acham que devem decorá-la ou lê-la em pouco tempo; mas se engana quem pensa isso. Você tem a vida inteira para ler a Bíblia. Leia-a aos poucos, um Salmo em um dia, uma carta na outra, mas faça com que isso se torne um hábito, faça isso todos os dias, reserve 30 minutos do seu tempo para lê-la.

Vá à Santa Missa. Não é necessário ir todos os dias, reserve um dia da semana, de preferência aos domingos. Encontre-se com Deus, comungue o Corpo, Sangue e Alma de Jesus. Acredite, você estará nascendo de novo a cada ato desse.

Uma simples vinda à Canção Nova pode fazer com que você renasça. Você se lembra de quando eu disse, no começo, que você não terminará essa pregação da mesma forma que começou? Pois bem, se você quiser, se permitir, Deus trará um novo início para você.

Esqueça a carne, nasça agora da água e do Espírito Santo. Quando estamos sob a ação do Espírito Santo, até mesmo nossas palavras são conduzidas, nossos atos são pensados, toda nossa vida é reestruturada.

Todos aqui temos fé, mas, infelizmente, a colocamos em coisas que não valem a pena. Colocamos fé e esperança na loteria ou em um jogo de futebol em vez de “apostarmos” no que realmente nos sustenta: nas coisas de Deus. Vamos apostar no Senhor, vamos ter esperança e fé n'Ele! Não devemos desistir do Senhor nunca!

A cada dia existe um detalhe novo de Deus na nossa vida, mas para percebermos esses detalhes precisamos ouvi-Lo. Esteja atento a essas mudanças e agradeça pelas graças. Quando passar em frente a uma igreja aberta, entre e agradeça pela graça da vida, pelo dia, por seus irmãos.

Mais do que qualquer coisa, aprenda a perdoar. Não guarde mágoa ou rancor de ninguém. Recomece uma vida renovado com Cristo, com espaço apenas para o amor e a esperança. Vivencie seu espírito. Deus é o Senhor do tempo, como Ele mesmo diz: um minuto é como um ano e um ano pode ser como um minuto. Ele pode fazer você viver todas as emoções maravilhosas que ainda não viveu em sua vida, para isso, você só precisa "nascer de novo".
Transcrição e adaptação: Gustavo Souza


28/06/2011

Fiz tudo errado! E agora!?

Isso nunca é fácil! Entretanto, nossos erros de cada dia possuem a capacidade de apontar o quanto nos falta de humildade, especialmente se tivermos a "sorte" de cometê-los diante dos outros. Assim como a decepção, o erro precisa trazer um aprendizado, senão nos tornamos reféns deste amigo disfarçado de traidor.

Enfim, não temos muitas opções: ou aprendemos com os erros ou nos fechamos para a vida!

Qual o segredo para viver a santidade?

Quando temos a coragem de viver e fazer no momento presente a vontade de Deus, podemos dizer, sem medo, como o Salmista:

“É o Senhor quem me sustenta e me protege” ( Sl 3).

Nem sempre a vontade de Deus se manifesta como gostaríamos ou imaginamos, mas o segredo está em acolhê-la e render-se a ela de coração.

Quando nós vemos a vida dos santos, ficamos admirados, contudo, achamos que não é para nós. Quando o único caminho certo para a santidade é fazer a vontade divina em todos os momentos da nossa vida. Esta é a via mais segura para sermos santos.

Peçamos hoje ao Senhor, insistentemente, que Ele corte radicalmente tudo o que não for da vontade d’Ele na nossa vida.

Senhor, dá-nos a graça de estarmos inteiros na Tua vondate no dia de hoje e que nada e ninguém nos tire da Tua presença.

Jesus, eu confio em Vós!

Com carinho e orações!

27/06/2011

As razões da esperança



Como ser cristão num ambiente paganizado?

O mundo em que vivemos, muitas vezes chamado de aldeia global pela diversidade de culturas que convivem com a proximidade oferecida pelos meios de comunicação, traz consigo o desafio da tolerância nas relações humanas e, ao mesmo tempo, a possibilidade de nos manifestarmos legitimamente, a fim de que tudo o que nos é próprio se transforme em dom a ser compartilhado.


Constata-se que o Cristianismo é hoje alvo de repetidas investidas, com as quais é questionado em seus princípios e orientações morais. Num tempo em que as espécies animais, as árvores e as águas são valorizadas como nunca – e com razão! – ser a favor da vida desde a concepção até a morte natural é considerado conservadorismo! As chamadas questões de gênero encontram artilharia pronta para mirar a Igreja e os cristãos, a ponto de os conceitos oriundos da Sagrada Escritura não poderem ser oferecidos para a formação das consciências. É possível que o relato da criação que afirma ter Deus criado homem e mulher seja censurado por aí! Um rolo compressor pretende calar a voz da pregação corajosa do Evangelho, quando personalidades da Igreja se levantam para denunciar o tráfico de pessoas e de drogas. Em nossa região, chega-se ao ponto de personalidades eclesiásticas necessitarem de esquemas especiais de segurança para exercerem o direito de ir e vir.



Como ser cristão num ambiente paganizado?
O primeiro passo é a certeza nascida da escolha de Deus, no seguimento de Jesus Cristo, não se envergonhando d'Ele nem de Seu Evangelho. A coerência com as opções feitas conduz ao respeito nas relações interpessoais. Já ouvi, de algumas pessoas, a manifestação de apreço aos cristãos que, mesmo debaixo de saraivadas de acusações, se mantêm firmes. Depois, a verdade vem a ser oferecida e não imposta, acreditando na voz da consciência, muitas vezes abafada, mas sempre presente, por meio da qual o Espírito Santo suscita em todas as pessoas a busca do bem. Em algum momento as pessoas se sentirão provocadas pela força da retidão! Além disso, respeitar as opções dos outros não significa obrigatoriamente apoiá-las. Ninguém pode nos obrigar a assinar um manifesto a favor do erro patente, cujos frutos se fazem imediatamente notar!

E por falar em frutos, não é difícil notar a quantidade de crianças, adolescentes e jovens sem referências familiares sólidas, como resultado de algumas gerações até estimuladas ao divórcio. Vale continuar, de nossa parte, a fazer propaganda da família estável, dos filhos considerados dom de Deus, do relacionamento entre homem e mulher vivido segundo a lei de Deus. Retrógados? Tradicionais? Antes, corajosos, sem medo de pôr à disposição nosso modo de viver e entender a existência humana.

Mas as incompreensões são inevitáveis. Com o Apóstolo São Pedro, podemos tomar posição: "Quem é que vos fará mal, se vos esforçais por fazer o bem? Mais que isso, se tiverdes que sofrer por causa da justiça, felizes de vós! Não tenhais medo de suas intimidações, nem vos deixeis perturbar. Antes, declarai santo, em vossos corações, o Senhor Jesus Cristo e estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que a pedir. Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência. Então, se em alguma coisa fordes difamados, ficarão com vergonha aqueles que ultrajam o vosso bom procedimento em Cristo. Pois será melhor sofrer praticando o bem, se tal for a vontade de Deus, do que praticando o mal. De fato, também Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte, na existência humana, mas recebeu nova vida no Espírito" (I Pd 3, 15-18).



Para dar razões da esperança que em nós existe, é preciso não fugir da convivência com o que é diferente. Antes, com a necessária formação, aprender a dialogar, escutando as motivações das outras pessoas. O respeito mútuo fará vir à tona os verdadeiros valores. Aos cristãos caberá estar atentos ao que existe de mais humano, o mistério mais profundo da consciência.

Pode também acontecer que a brecha aberta pelo próprio Deus nos corações seja o mistério da dor. Por ela só pode passar o amor gratuito, livre, que ilumina todos os espaços. Muitas pessoas, aguerridas em suas batalhas verbais, escondem angústias terríveis, para as quais não há resposta senão no mistério de Cristo morto e ressuscitado, o Senhor em quem acreditamos. Ele é o melhor e definitivo presente que podemos oferecer a todos. O Espírito da verdade, prometido por Jesus, nos dê, também na atual geração, a necessária lucidez para o testemunho corajoso do Evangelho.

24/06/2011

Entrevista: A prática dos exorcismos

Não acreditar no demônio não o protegerá dele

A existência do demônio é um grande chamado a pensarmos na existência de Deus, sem o qual aquele não existiria. Entre os elementos que ocorrem nos casos de manifestações demoníacas trazidos pelos filmes estão: o falar palavras em línguas desconhecidas, a manifestação de coisas distantes ou ocultas, superioridade de força em relação à idade ou condições físicas, aversão a Deus, a Virgem Maria, aos demais santos e à Igreja. Leia mais nesta entrevista com o Padre Demétrio Gomes da Silva.

Padre, o exorcismo é um tema que exerce fascínio entre as pessoas e sempre explorado pelo cinema, que abusa dos "sustos" como forma de garantir a audiência. O que é o exorcismo?

Padre Demétrio Gomes: O exorcismo é uma ação litúrgica – propriamente um sacramental – utilizada, como afirma o Catecismo da Igreja Católica, quando a Igreja pede publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou objeto sejam protegidos contra a ação do maligno e subtraído ao seu domínio. A prática dos exorcismos foi iniciada na Igreja pelo seu próprio Fundador, e nela esteve presente ao longo de toda sua existência. Foi o mesmo Senhor quem deu aos apóstolos o poder de expulsar os espíritos imundos, afirmando que, entre os sinais que os acompanhariam os que creem, estaria a expulsão dos demônios (cf. Mt 16,17).

Atualmente os exorcismos podem ser classificados como públicos e privados. Os primeiros são aqueles administrados em nome da Igreja, por uma pessoa legitimada e segundo os ritos previstos; em caso contrário, são privados. Também como solenes e simples. Os exorcismos solenes são aqueles previstos para os casos de possessão ou obsessão diabólica; já os simples são aqueles que estão integrados dentro de outros ritos, como os do catecumenato ou do batismo.

Em linhas gerais, qual é a posição da Igreja para reconhecer a necessidade de um exorcismo? Quem pode ministrá-lo?

Padre Demétrio Gomes: Como afirmou, certa vez, o Papa Bento XIV, na Carta Sollicitudini, de 1745, essa necessidade se dá quando o exorcista possui uma certeza moral de que o exorcizando esteja realmente atormentado pelo demônio. Essa certeza moral é atingida quando se emprega todos os meios prudenciais para certificar-se de que não se trata de algum fenômeno de ordem puramente natural.

O exorcismo solene, tal como está previsto no Ritual de Exorcismos, só pode ser realizado por um sacerdote e com a devida licença do Bispo diocesano, que pode concedê-la, como indica o Código de Direito Canônico, a um presbítero piedoso, douto, prudente e com integridade de vida.


Psiquiatria, psicologia e neurologia hoje diagnosticam e oferecem tratamento para muitos transtornos antes encarados como possessão demoníaca. Esses aspectos são considerados pela Igreja na avaliação dos casos em que se suspeita de possessão? Quando o exorcismo é descartado?

Padre Demétrio Gomes: Para evitar uma tendência a considerar todos os eventos aparentemente extraordinários uma intervenção do demônio, o próprio Ritual de Exorcismos indica que, antes do uso deste sacramental, o exorcista deve manifestar a máxima prudência, não crendo facilmente que alguém esteja possesso, pois não se descarta, a princípio, a existência de alguma doença, sobretudo, de ordem psíquica. Neste sentido, o exorcista, sempre observando o sigilo da confissão, poderá recorrer aos peritos em ciência médica e psiquiátrica para avaliação de cada caso. Se ficar comprovado que o fenômeno é, de fato, de ordem natural, não deverá ser realizada a celebração do exorcismo.

Agora, a Igreja está atenta a outro extremo. Àquela postura dos que consideram que o demônio não intervém na vida dos homens, tentando reduzir a intervenção dos espíritos malignos a fenômenos meramente psíquicos ou paranormais. Também o Ritual de Exorcismo alerta sobre essa questão, solicitando a atenção aos artifícios e fraudes usadas pelo diabo para enganar a pessoa, para convencer o possesso a não se submeter ao exorcismo, afirmando tratar-se de doença natural. Aliás, esta é uma das grandes vitórias do demônio: fazer acreditar que ele não existe ou que não atua na história dos homens de hoje.

Infelizmente, pode acontecer, como notou certa vez o exorcista de Roma, padre Gabriele Amorth, de muitos sacerdotes aderirem a esta segunda postura e acabarem se descuidando do tremendo dever de caridade que têm de atender a estas pessoas atormentadas pelo demônio, afirmando, sem uma diligente investigação, tratar-se de algum fenômeno psicológico.

Avaliando, de forma mais direta, três filmes que abordam o Exorcismo: "O Exorcista", "O exorcismo de Emily Rose" e "O Ritual", mais recente, em quais pontos (de forma geral) essas obras apresentam conteúdo fidedigno ao Exorcismo na Igreja e em quais se distanciam?

Padre Demétrio Gomes: Sobre os três filmes citados, pode-se dizer que abordam conteúdos reais ocorridos realmente nos exorcismos, acrescentados com toques cinematográficos para torná-los mais “palatáveis” aos apreciadores do gênero. Entre os elementos que ocorrem nos casos de manifestações demoníacas trazidos pelos filmes estão: o falar palavras em línguas desconhecidas, a manifestação de coisas distantes ou ocultas, superioridade de força em relação à idade ou condições físicas, aversão a Deus, a Virgem Maria, aos demais santos e à Igreja. Não é difícil encontrar esses elementos nos filmes citados, o que certamente revela que houve um mínimo de preocupação por parte dos diretores por investigar os casos de exorcismo na Igreja. Aliados a estes conteúdos aparecem também outras imprecisões, que certamente passarão despercebidas pelo público geral. Penso, por exemplo, no último exorcismo do filme “O Ritual”, no qual o seminarista – ou diácono? – aparece realizando as funções próprias e exclusivas de um sacerdote na celebração do exorcismo maior. Apesar dessas e outras imprecisões, penso que esses filmes trazem muito mais semelhanças com o real do que cenas fantasiosas.


Algo nesses filmes chamou sua atenção ou surpreendeu?

Padre Demétrio Gomes: Em minha opinião, existe uma característica comum a esses filmes citados – sobretudo aos dois últimos – que me parece digna de ser mencionada. Mesmo estando elencados na categoria “terror”, não diria que são filmes propriamente desse gênero. Sem dúvida alguma, contêm cenas assustadoras, que nos permitem vislumbrar o quão extraordinariamente podem manifestar-se as forças infernais. Porém, vejo estes filmes como um grande convite ao telespectador a enfrentar-se diante de uma pergunta fundamental: “Será que tudo o que existe se esgota nesta realidade que conhecemos pelos nossos sentidos?”. Parece-me que estes filmes proporcionam um grande apelo a abrir-nos ao sobrenatural, a descobrirmos que existe uma realidade que nos rodeia e ultrapassa aquilo que podemos captar com nossos sentidos, sem ferir, contudo, a nossa razão natural. A existência do demônio – tônica desses filmes – é um grande chamado a pensarmos na existência de Deus, sem o qual aquele não existiria. No fundo, subjaz – talvez inconscientemente – algo bem semelhante ao argumento filosófico utilizado por Santo Agostinho de Hipona, que apontava para a existência de Deus – o Bem – a partir da existência do mal, já que este consiste na privação do bem.

Estas características aparecem em algumas frases que chamam bastante a atenção do atento telespectador. Cito, por exemplo o trecho da Carta de São Paulo, que aparece na lápide do túmulo Emily Rose, ao final do filme sobre essa pessoa: “Trabalhai pela vossa salvação com temor e tremor” (Fil 2,12). E outra do filme “O Ritual”, que é uma frase do padre Lucas, personagem de Anthony Hopkins para o jovem seminarista Michael Kovak: “Escolher não acreditar no demônio não te protegerá dele.” Uma excelente exortação aos homens de nosso tempo, que pretendem banir toda a alusão a Deus da esfera pública. A presença do mal no mundo, paradoxalmente, é uma manifestação patente de que Deus existe.

Termino lembrando umas palavras tomadas dos escritos de Santa Teresa de Jesus bastante confortadoras diante do temor que pode surpreender-nos ao tratar deste tema:O demônio teme uma alma unida a Deus, como teme o próprio Deus.” É por isso que o sacramento da penitência – mais importante que os exorcismos, que são apenas sacramentais – é tão temido pelo demônio, pois aumenta a união do fiel a Deus. Infelizmente, é um dos sacramentos mais negligenciados de nosso tempo…


(Fonte: Revista A Tribuna, da Arquidiocese de Campinas).

23/06/2011

Unidos pela Eucaristia

"Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne, entregue pela vida do mundo" (Jo 6, 51). Cristo falou com clareza. A partir daí começou uma enorme discussão entre os judeus, a pergunta era esta: "Como é que ele pode pode dar a sua carne a comer?" (Jo 6,52).

Isso tudo nos ajuda muito, pois os judeus entenderam ao pé da letra que era para comer da Carne mesmo e beber do próprio Sangue de Cristo. Ao pé da letra se tornava uma coisa esquisita demais. Como Jesus não disse isso em símbolo, os judeus entenderam verdadeira e concretamente que era para comer a Carne e o Sangue d'Ele. O que eles não eram capazes de entender ainda é que era falado do Corpo glorioso de Jesus, exatamente o que recebemos na comunhão, Jesus inteiro, mas com o Corpo glorioso.


Ouça esta pregação

Os judeus entenderam que era realmente sobre [comer] o Corpo e o Sangue que Jesus estava falando, mas o interessante é que o Senhor não volta atrás quando alguém não acreditava nem fica dando explicações. Pelo contrário, Ele deu um passo a mais “Jesus disse: 'Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem consome a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida'” (Jo 6,53-55).

É simples? Como explicar isso? É um mistério. Assim como o Senhor criou todas as coisas, por que não poderia possuir o pão e o vinho como fez na Última Ceia? Ele continua vivo, Ele está no meio de nós. Na verdade, Jesus Cristo assume e possui o pão e vinho para que Ele esteja ali no Seu Corpo glorioso. Não O vemos presente ali porque ainda não somos um corpo glorioso e só um corpo glorioso consegue ver outro [corpo glorioso].

Você comunga na Santa Missa, mas Jesus permanece com você durante todo o seu dia. Verdadeiro Corpo e Sangue quer dizer verdadeiro Corpo e Sangue! A lógica está aí. A Eucaristia acabará unindo os cristãos. A Igreja verdadeira de Jesus é a Igreja da qual Pedro é a pedra. Estou falando isso como irmão, não desprezo os evangélicos de maneira nenhuma. Mas digo aos que já foram católicos e têm saudade imensa da Eucaristia que voltem porque sua Igreja está à sua espera.

O que nos une é muito maior do que aquilo que nos separa.

Monsenhor Jonas Abib
Comunidade Canção Nova

22/06/2011

Seguir Jesus passa pela moralidade cristã

Padre Donizete Heleno
Foto: Maria Andréa/CN
Se não fizermos uma experiência profunda com o amor de Jesus, fica difícil viver a Sua lei, guardar Seus mandamentos. Por que estamos assistindo certa repugnância ao amor de Deus? Porque as pessoas não experimentaram o Seu amor. Experimentar um Jesus milagreiro é muito fácil, mas a Palavra de hoje nos convida a experimentar Cristo na Sua totalidade.

Jesus pôde cumprir plenamente a vontade do Pai, porque permaneceu no amor d'Ele. Isso vale também para nós, para as pessoas que estão ao nosso lado, dentro da nossa casa e que precisam de um encontro pessoal com o Senhor. Agora é a hora de mostrar a eles o amor do Senhor. Precisamos mostrar às pessoas que o amor de Deus é para todos nós.

Deus Pai precisa derramar sobre nós o Seu Espírito, para que percamos a nossa mesquinhez. Não imponha um fardo nas costas do seu irmão se você não carrega nem o seu! Aprenda a acolher o seu irmão mesmo com as fraquezas dele.

A Igreja Católica leva à frente a Pessoa de Cristo e O anuncia na Sua inteireza. Ela acolhe a todos, não deixa ninguém de fora, a começar por mim e por você que somos pecadores. No Coração de Deus cabem os marginalizados, os perdidos. Aqueles que nós colocamos para fora, Jesus coloca para dentro.

Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem. Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo, da mesma forma que a nós. 9.Nem fez distinção alguma entre nós e eles, purificando pela fé os seus corações” (At 15,7-9).

"Aprenda a acolher o seu irmão mesmo com as fraquezas dele"
Foto: Maria Andréa/CN

Nós achamos que só nos temos palavras de sabedoria, só nós sabemos ouvir a Palavra de Deus e que apenas nós somos iluminados. Não. Todos podem ouvir o Senhor. A salvação é uma graça, é um dom divino. Sei que você reza, participa da Eucaristia, mas a salvação não é um mérito seu, não é um prêmio por aquilo que fazemos a Deus. A salvação é um dom do Senhor, do Coração d'Ele. É a graça de Deus.

Essa mesma salvação foi destinada a cada um dos membros da sua família. Nosso mérito e nosso esforço, nós os fazemos porque precisamos. O que você faz ou deixa de fazer não acrescenta nem tira nada de Deus, mas o fazemos porque nos aproxima dEle. O Espírito Santo é para todos, não para alguns privilegiados. O perdão é para todos, a reconciliação em Jesus Cristo também é para todas as pessoas.

Você foi marcado para a eternidade e pertence a Deus. Você é um consagrado.

Por isso, julgo que não se devem inquietar os que dentre os gentios se convertem a Deus. 20.Mas que se lhes escreva somente que se abstenham das carnes oferecidas aos ídolos, da impureza, das carnes sufocadas e do sangue” (At 15,19-20).

Thiago apresenta quatro prescrições: não comer carne sacrificada aos ídolos, não comer carne de animais sufocados, não aproveitar o sangue dos animais e as uniões ilegítimas. Por isso é importante experimentar o amor de Jesus Cristo, pois se o vivermos, não iremos cair nessas realidades.

Vocês estão ouvindo, a todo momento, a pressão que a mídia está fazendo para aprovar leis contrárias à dignidade humana. Mas eu quero que você coloque a mão na sua consciência e cobre do senador em quem você votou uma postura cristã. Seguir Jesus passa pela moralidade cristã. A Igreja é chamada de conservadora, e ela o é, pois conserva puramente a doutrina deixada por Jesus Cristo. Conservar é não tirar nada.

Comece, dentro da sua casa, a dar uma educação sexual para seus filhos, ensinado a eles o valor da sexualidade que eles têm. Não deixe para a escola fazer isso. Acolha-os com muito amor e não deixe de lhes anunciar a verdade.

É em Jesus que devemos colocar a nossa vida e a nossa confiança!

Transcrição e adaptação: Michelle Mimoso

21/06/2011

Integrar a própria incompletude

Quando conhecemos o que somos podemos estabelecer metas

O ser humano traz em si certa medida de incompletude e ausência, e a isso atesta a imensa “procura” que ele realiza ao longo de toda a sua vida.Todos estão sempre à procura de algo. Todos buscam incansavelmente na vida – consciente ou inconscientemente – uma realidade que os possa completar. Muitos a procuram nos vícios, alguns em amores destemperados, outros ainda no dinheiro e nas posses… Mas o fato é que, se buscarmos em fontes erradas, nossa incompletude se tornará ainda maior e nos sentiremos cada vez menos saciados.

Tal incompletude pode ser percebida nos mais variados momentos de nossa história, principalmente, naqueles nos quais parece que, irremediavelmente, nos falta algo para nos sentirmos realmente completos na vida. Essa incompletude é humana, é puramente existencial. Diante de tal constatação, o que se faz necessário para o coração que quer crescer é a madura atitude de buscar integrar as próprias ausências. Mas como realizar isso?

Para tal pergunta nem sempre respostas prontas e encomendadas serão eficazes – apesar de muitos as perseguirem e até as exigirem… Contudo, diante desse questionamento torna-se perceptível que, para que este êxito de integração aconteça, é necessário recorrer a fontes que, de fato, nos possibilitem um encontro com nossa própria identidade, e isso sem negar nossa real essência e verdade. Nesse encontro é preciso também renunciar a toda deformidade que possa ter sido agregada a essa identidade, mas que, na verdade, não é parte integrante do que essencialmente se é.

Quando conhecemos o que somos e como funcionamos, e também o que não somos – e que a vida e as circunstâncias acabaram nos acrescentando –, podemos verdadeiramente estabelecer metas que nos possibilitem compreender aonde queremos chegar, integrando, dessa forma, nossas ausências em um projeto maior.

Assim não empreenderemos energias à toa, apenas “procurando” uma forma concreta para eliminar a própria incompletude. Mas, de maneira consciente, nos reconciliaremos com esta (incompletude), dando passos concretos na busca de ideais que nos integrem e nos tornem mais completos (lembrando que isso não é uma resposta pronta e absoluta, mas somente uma provocação para construí-la…).

Conhecer-se é o primeiro requisito para integrar-se. Quem se conhece e se compreende, retirando de si inverdades assumidas, conseguirá procurar um sentido para a vida de maneira certa. Quem se assume no que é – desde que não seja em uma deformidade falsamente agregada – eliminará a parte de incompletude que brota do fato de não saber em qual direção empreender os dias.

Integrar a própria incompletude é tarefa que só se acontece a caminho. A cada passo dado, assumindo-se e assumindo um Sentido que agregue sentido à vida, as ausências se dissiparão e os vazios poderão ser portadores de infinitas presenças. Desse modo, o coração poderá se tornar mais completo e menos perdido na vida e, assim, poderá empregar seus belíssimos esforços na aquisição de uma integrada e, possível, felicidade.