22/09/2010

Ajoelhar-se na Missa ajuda a vencer a idolatria



VATICANO, 16 Set. 10 (ACI) - O perito em liturgia e arte sacra, Monsenhor Marco Agostini, assegurou que ajoelhar-se na Missa é uma boa maneira de vencer a idolatria pois é uma resposta do homem à “Epifania de Cristo”.

Mons. Agostini, oficial da segunda seção da secretaria de Estado e um dos mestres de cerimônia pontifícios, escreveu no jornal L’Osservatore Romano, que os formosos pavimentos de muitas igrejas antigas foram “feitos para os joelhos dos fiéis” como um “tapete perene de pedras” para a oração e a humildade.

“Hoje os genuflexórios desapareceram em muitas igrejas e se tende a remover os balaustres diante dos quais alguém podia se aproximar da comunhão de joelhos”, sustenta o perito segundo uma tradução do texto divulgada pelo vaticanista Sandro Magister.

“Entretanto no Novo Testamento o gesto de ajoelhar-se apresenta cada vez que se apresenta a divindade de Cristo a alguém: pense-se por exemplo nos Magos, o cego de nascimento, a unção de Betânia, a Madalena no jardim na manhã de Páscoa”, acrescenta Mons. Agostini.

O perito recorda que “Jesus mesmo disse a Satanás, que queria impor-lhe uma genuflexão equivocada, pois só a Deus se deve dobrar o joelho. Satanás pede ainda hoje que se escolha entre Deus ou o poder, Deus ou a riqueza, e trata ainda mais profundamente. Mas assim não se dará glória a Deus de maneira nenhuma; os joelhos se dobrarão para aqueles que o poder lhes favoreceu, para aqueles aos quais se tem o coração unido através de um ato”.

“Voltar a ajoelhar-se na Missa é um bom exercício de treinamento para vencer a idolatria na vida, além de ser um dos modos da ‘actuosa participatio’ dos que fala o último Concílio. A prática é útil também para perceber a beleza dos pavimentos (ao menos dos antigos) de nossas igrejas. Frente a alguns dá vontade de tirar os sapatos como fez Moisés diante de Deus que lhe falava da sarça ardente”, assinala.

Para Magister, “ajoelhar-se hoje –especialmente sobre o piso– caiu em desuso. Tanto é assim que suscita surpresa o desejo de Bento XVI de dar a comunhão aos fiéis na boca e de joelhos”.

“Mas mais que de uma novidade, se trata de um retorno à tradição. As outras são o crucifixo ao centro do altar, ‘para que todos na missa olhem para Cristo e não para uns aos outros’, e o uso frequente do latim ‘para sublinhar a universalidade da fé e a continuidade da Igreja’”, explica Magister.

O vaticanista sustenta que “perdeu-se de vista também o sentido da pavimentação das igrejas. Tradicionalmente muitas delas foram ornamentadas precisamente para servir de fundamento e guia à grandeza e profundidade dos mistérios celebrados”.

“Hoje poucos são os que advertem que pavimentos tão formosos e preciosos são feitos também para os joelhos dos fiéis: um tapete de pedra sobre o qual prostrar-se diante do esplendor da epifania divina”, acrescenta.

21/09/2010

O universo pode ter sido criado sem Deus?



Não existe o acaso capaz de criar algo maravilhoso como o universo

"Pela fé conhecemos que os mundos foram dispostos pela Palavra de Deus de modo que do invisível teve origem o visível" (Hb 11,3).

O físico mais famoso da Inglaterra, Stephen Hawking, defende que Deus “não tem lugar nas teorias do universo” e que este é fruto de um “feliz acaso” e de uma “criação espontânea”. Ele disse, no seu último livro: “The Grand Design”, que “é provável (não certo) que o universo tenha nascido do nada”. Mas algo não pode surgir do nada.

Quem é Hawking? Stephen Hawking, um dos maiores físicos teóricos de nossos tempos, perdeu grande parte das suas funções motoras, mas possui talento intelectual lúcido. A sua trajetória biográfica e científica foi mostrada no filme "Breve História do Tempo. É lamentável que ele contradiga a si mesmo, pois em 1988, quando escreveu o seu “best seller”: “Uma Breve História do Tempo”, parecia aceitar o papel de Deus na criação do universo. Nessa obra, ele declara:

"Se descobrirmos uma teoria completa a respeito da origem do universo, ela deverá ser compreensível a todas as pessoas e não apenas a um punhado de cientistas. Então todos nós, filósofos, cientistas e até gente da rua, seremos capazes de tomar parte na discussão sobre por que existe o universo e por que existimos nós. Se encontrarmos a resposta a estas perguntas, haverá o triunfo supremo da razão humana. Naquele momento conheceremos o pensamento de Deus".

Ele afirmou que a existência de um criador “não era incompatível com a ciência”, mas agora se contradiz. A sua nova posição deixa dúvida sobre a real posição do físico. Mais de trinta cientistas de renome - na recente série de documentários chamada “A Origem do Homem” - contestaram a sua postura. Essa série de nove documentários, realizada por “Goya Produções”, investiga o desenvolvimento do universo desde o “Big Bang” até os primatas, hominídeos e o triunfo do “Homo Sapiens”. A série expõe “a inconsistência de posições ateias como as de Hawking e Dawkins em um extremo, e a dos fundamentalistas no outro”. Conclui que "não é científico negar o sobrenatural. A ciência natural não capta o que cai fora da esfera material” (www.zenit.org/article-25969?l=portuguese).

Entre os pesquisadores que discordam de Hawking, destacam-se os prêmios Nobel Christian De Duve e Werner Arber. Alguns são crentes – judeus, católicos ou protestantes. O prêmio Nobel Christian de Duve afirma que a teoria de que o mundo é eterno, inventada por Fred Hoyl, mostrou-se falsa. Quem tinha razão era seu professor, o padre George Lemaitre, ao descobrir a teoria do “Big Bang”, a explosão que deu origem ao universo. Para o professor italiano Evandro Agazzi, o acaso não explica a existência do mundo. Aqueles que acreditam em tudo a partir de alguma ciência positiva caem numa “atitude reducionista anticientífica”. Não existe o senhor “Acaso”, livre, inteligente, e capaz de fazer um plano maravilhoso como o universo e criá-lo com tanta beleza e ordem.

Dr. Francis Colings, diretor do Projeto Genoma Humano, o maior em biotecnologia realizado até hoje, declara que: “a opção mais irracional é a do ateísmo” (Veja, n. 1992, de 24/01/2007).

O professor de Boston Thomas Glick acredita que os fundamentalistas do materialismo fabricam uma espécie de religião ou metafísica, “mas ninguém confunde isso com ciência”.

O prêmio Nobel suíço Werner Arber diz que: “Eu posso ler em Gênesis, no começo do Antigo Testamento, que o mundo foi criado em vários períodos, e para mim, esses vários períodos são precisamente evolução”.

Tudo o que existe “fora do nada” teve um início, teve um criador; é a realização de um projeto. Assim, o universo; ele não é eterno; teve princípio e terá fim; não pode ter surgido de si mesmo ou por acaso. O mundo não é eterno; teve um começo no tempo. A física da radiatividade mostra, pelo processo de desintegração dos elementos radiativos, que se pode calcular a idade do universo. O ato criador de Deus foi há cerca de 14,3 bilhões de anos.

A doutrina falsa da eternidade do mundo foi condenada pela Igreja. Em discurso de 22/11/1951, Pio XII confirmou isso falando sobre a existência de Deus à luz das modernas ciências naturais. Diz o nosso Catecismo da Igreja Católica (CIC) que:

“Nenhuma criatura tem o poder infinito que é necessário para "criar" no sentido próprio da palavra, isto é, produzir e dar o ser àquilo que não o tinha de modo algum (chamar à existência "ex nihilo" "do nada") (CIC §318).

São Teófilo de Antioquia (†181) já perguntava no século II:

“Que haveria de extraordinário se Deus tivesse tirado o mundo de uma matéria preexistente? Um artífice humano, quando se lhe dá um material, faz dele tudo o que quiser. Ao passo que o poder de Deus se mostra precisamente quando parte do nada para fazer tudo o que quer”

(Ad Autolicum, 4; CIC § 296).

Prof: Felipe Aquino - Comunidade Canção Nova

20/09/2010

O caminho de volta para Deus




A devoção a Divina Misericórdia é um caminho de volta para Deus.

II Pedro 3,1-10

“O Senhor não retarda o cumprimento de sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Não quer que alguém pereça; ao contrário, quer que todos se arrependam”
(II Carta de Pedro 3,9).

O autor da Carta vai nos dizer que Deus não veio da segunda vez porque está usando de paciência comigo e com você. Ele está nos dando esse tempo da misericórdia, tempo para que eu você possamos ir percebendo onde temos que mudar de vida.

Muitos usam a desculpa de que, Deus é bom, para continuarem da mesma maneira como têm vivido, e por tanto se justificam dizendo: “deixe-me viver assim, Deus vai me perdoar mesmo”. A Palavra de Deus quer dizer a você que não é assim que se deve entender a misericórdia de Deus, um meio para continuar no erro, ela deve ser entendida como o Papa João Paulo II ensinou: quem encontrou a misericórdia deve continuar um constante caminho de volta para Deus, uma luta constante contra as forças de sua natureza.

Deus está usando de misericórdia para com você, Ele está muito atento aquilo que se passa dentro de você.

O Diário de Santa Faustina número 1728 fala: “Diz aos pecadores que ninguém escapará ao Meu braço. Se fogem do Meu misericordioso Coração, hão-de cair nas mãos da Minha justiça. Diz aos pecadores que sempre espero por eles, presto atenção ao pulsar dos corações deles, para ver quando batem por Mim. Escreve que falo a eles pelos remorsos da consciência, pelos malogros e sofrimentos, pelas tempestades e raios; falo pela voz da Igreja e, se menosprezarem todas as Minhas graças, começarei a Me zangar com eles, deixando-os a si mesmos, e dou-lhes o que desejam”.

Ninguém vai escapar do encontro com Deus, mas se fugirem, hão de cair justiça divina.

Deus está falando a você que está protelando sua conversão, que vive em cima do muro e não se decide pelo caminho de Deus, não se decide a mudar de vida. Essa atitude de deixar tudo para amanhã já é uma “velha conhecida”, hoje é o dia que o Senhor fez para nós; não podemos deixar para amanhã porque não sabemos se terei o amanhã.

A mudança de vida é para o dia de hoje, se eu ficar preocupado com o amanhã eu não aproveitarei da misericórdia de hoje.

Só Deus pode fazer mudanças repentinas, mas somos pessoas humanas e Deus respeita a nossa mudança que acontece de forma progressiva.

"Ninguém vai escapar do encontro com Deus, mas se fugirem, hão de cair justiça divina"
Foto: Elcka Torres/CN
A misericórdia de Deus é essa paciência que espera darmos um passo de cada vez, e você vai chegar aonde o Pai quer que você chegue. As vezes você quer que as mudanças aconteçam no ritmo veloz, maiores que os passos que você consegue dar, mas Deus tem paciência com você e você precisa passar por esse processo de mudança de erros e acertos, isso faz parte do processo da divina misericórdia.

Para mudar, eu preciso saber onde essa mudança precisa acontecer. Você precisa tocar na sua fraqueza na sua miséria, e quando a gente não consegue tocar, Deus coloca alguém na nossa vida que diz: "você é assim..." Muitas vezes não queremos aceitar, e pior cego é aquele que não quer enxergar. Você precisa pedir a Deus que Ele venha com a sua misericórdia e lhe mostre onde você precisa mudar. Isso é processo que nos desconcerta, mas você não dever ter medo. Jesus, eu confio em Vós! Isso precisa lhe ajudar a se aproximar ainda mais de Deus.

Quando eu vivia esse processo, eu corria para Jesus no sacrário. É doloroso, mas é libertador, vamos amadurecendo. Nosso processo é contínuo na direção de Deus. Nós precisamos viver esse processo senão não seremos transformados naquilo que devemos ser.

"O caminho de volta para Deus é um caminho individual"
Foto: Elcka Torres/CN

Muitas vezes colocamos os olhos nos outros e nos decepcionamos, isso é bom para que você deixe de se voltar para as pessoas e se volte para Deus.

Essa libertação acontecesse quando você se encontra com a sua miséria e a miséria do outro, e você diz para Deus: é aqui que eu preciso da misericórdia. Deus pela sua misericórdia já iniciou em você esse processo de conversão, que em uns será mais rápido, em outros vai ser mais devagar, porque Deus respeita o tempo de cada um.

A misericórdia é a última tábua de salvação, o tempo da paciência de Deus para mim e para você está no fim, nós não temos mais tanto tempo. A misericórdia você encontra no caminho para a Igreja, a misericórdia de Deus veio dizer para nós que o caminho do céu passa pela conversão, pela volta para Deus. Somente então, estaremos de fato no caminho do céu, senão vamos continuar vivendo por viver. Você precisa se voltar para Deus.

O caminho de volta para Deus é um caminho individual, Deus vai retribuir a cada um segundo as suas obras, não fique esperando pela mudança do esposo (a), da filha (o)... Uma mulher santa santifica a família, por isso você precisa dar passos, não espere pelo seu esposo.

Jesus irá voltar e quer encontrar você aonde você deve estar, com o relacionamento com Ele resolvido, se assim não for, você ficará para trás. Deus está nos dando esse tempo para mudarmos de vida, é o tempo da nossa salvação, precisamos dar passos na direção de Deus.


17/09/2010

Por que existe o sofrimento?



Como entender isso?

O sofrimento faz parte da vida do homem, contudo, este se debate diante disso. E o que mais o faz sofrer é sofrer inutilmente, sem sentido.

Saber sofrer é saber viver. Os que sofrem fazem os outros sofrer também. Por outro lado, os que aprendem a sofrer podem ver um sentido tão grande no sofrimento que podem até amá-lo.

No entanto, só Jesus Cristo pode nos fazer compreender o significado do sofrimento. Ninguém sofreu como Ele e ninguém como Ele soube enfrentá-lo [sofrimento] e dar-lhe um sentido transcendente. Ninguém o enfrentou com tanta audácia e coragem como Ele.

Há uma distância infinita entre o Calvário de Jesus Cristo e o nosso; ninguém sofreu tanto e tão injustamente como Ele. Por isso, Ele é o “Senhor do Sofrimento”, como disse Isaías, “o Homem das Dores”.

Só a fé cristã pode ajudar o homem a entender o padecimento e a se livrar do desespero diante dele.

Muitos filósofos sem fé fizeram muitos sofrer. Marcuse levou muitos jovens ao suicídio. Da mesma forma, Schopenhauer, recalcado e vítima trágica das decepções, levou o pessimismo e a tristeza a muitos. Zenão, pai dos estóicos, ensinava diante do sofrimento apenas uma atitude de resignação mórbida, que, na verdade, é muito mais um complexo de inferioridade.

O mesmo fez Epícuro, que estimulava uma fantasia prejudicial e vazia, sem senso prático. Da mesma forma, o fazia Sêneca. E Jean Paul Sartre olhava a vida como uma agonia incoerente vivida de modo estúpido entre dois nadas: começo e fim; tragicomédia sem sentido à espera do nada definitivo.

Os materialistas e ateus não entendem o sofrimento e não sabem sofrer; pois, para eles o sofrer é uma tragédia sem sentido. Os seus livros levaram o desespero e o desânimo a muitos. O “Werther”, de Goethe, induziu dezenas de jovens ao suicídio. “A Comédia Humana”, de Balzac, levou muitos a trágicas condenações. Depois de ler “A Nova Heloísa”, de Rosseau, uma jovem estourou os miolos numa praça de Genebra. Vários jovens também se suicidaram, em Moscou, depois de ler “Os sete que se enforcaram”, de Leonid Andreiv.

Um dia Karl Wuysman, escritor francês, entre o revólver e o crucifixo, escolheu o crucifixo. Para muitos esta é a alternativa que resta.

Esses filósofos, sem fé, levaram muitos à intoxicação psicológica, ao desespero e à depressão, por não conseguirem entender o sofrimento à luz da fé.

Quem nos ensinará sobre o sofrimento? Somente Nosso Senhor Jesus Cristo e aqueles que viveram a Sua doutrina. Nenhum deles disse um dia: “O Senhor me enganou!” Não. Ao contrário, nos lábios e na vida de Cristo encontraram força, ânimo e alegria para enfrentar o sofrimento, a dor e a morte.

Alguns perguntam: se Deus existe, então, como Ele pode permitir tanta desgraça, especialmente com pessoas inocentes?

Será que o Todo-poderoso não pode ou não quer intervir em nossa vida ou será que não ama os Seus filhos? Cada religião dá uma interpretação diferente para essa questão. A Igreja, com base na Revelação escrita e transmitida pela Sagrada Escritura, nos ensina com segurança. A resposta católica para o problema do sofrimento foi dada de maneira clara por Santo Agostinho († 430) e por São Tomás de Aquino († 1274): "A existência do mal não se deve à falta de poder ou de bondade em Deus; ao contrário, Ele só permite o mal porque é suficientemente poderoso e bom para tirar do próprio mal o bem" (Enchiridion, c. 11; ver Suma Teológica l qu, 22, art. 2, ad 2).

Como entender isso?

Deus, sendo por definição o Ser Perfeitíssimo, não pode ser causa do mal, logo, esta é a própria criatura que pode falhar, já que não é perfeita como o seu Criador. Deus não poderia ter feito uma criatura ser perfeita, infalível, senão seria outro deus.

Na verdade, o mal não existe, ensina a filosofia; ele é a carência do bem. Por exemplo, a doença é a carência do estado de saúde; a ignorância é a carência do saber, e assim por diante.

Por outro lado, o mal pode ser também o uso errado, mau, de coisas boas. Uma faca é boa na mão da cozinheira, mas na mão do assassino... Até mesmo a droga é boa, na mão do anestesista.

O Altíssimo permite que as criaturas vivam conforme a natureza de cada uma; permite, pois, as falhas respectivas. Toda criatura, então, pelo fato de ser criatura, é limitada, finita e, por isso, sujeita a erros e a falhas, os quais acabam gerando sofrimentos. Assim, o sofrimento é, de certa forma, inerente à criatura. O Papa João Paulo II, em 11/02/84, na Carta Apostólica sobre esse tema disse que:

“O sentido do sofrimento é tão profundo quanto o homem mesmo, precisamente porque manifesta, a seu modo, a profundidade própria do homem e ultrapassa esta. O sofrimento parece pertencer à transcendência do homem” (Dor Salvífica, nº 2). “De uma forma ou de outra, o sofrimento parece ser, e de fato é, quase inseparável da existência terrestre do homem”

(DS, nº 3).

Texto escrito pelo Professor Felipe Aquino - Comunidade Canção Nova

16/09/2010

Você se aceita como é?



A pior qualidade de um filho é a ingratidão

Cada um de nós é riquíssimo no seu ser. Fomos feitos à imagem de Deus; o que mais poderíamos desejar? O Todo-poderoso entrou dentro de Si mesmo para, lá, ir buscar o nosso molde.

Como, então, você pode ficar reclamando das qualidades que você não tem? Não seria isso ser ingrato com o Senhor?

Antes de lamentar e lamuriar o que você não tem, agradeça o que você já tem e tudo o que recebeu gratuitamente de Deus Pai. Olhe primeiro para as suas mãos perfeitas… e diga: "Muito obrigado, Senhor!" Pense nos seus olhos que enxergam longe; seus ouvidos que ouvem o cantar dos pássaros, e diga mais uma vez: "Obrigado, Senhor!" Da mesma forma, olhe para a beleza e o vigor da sua juventude e agradeça ao bom Pai, de quem procede toda dádiva boa.

A pior qualidade de um filho é a ingratidão diante do pai. Jesus ficou muito aborrecido quando curou dez leprosos (uma doença incurável na época!), mas só um (samaritano) voltou para agradecer. E este não era judeu, isto é, o único que não era considerado pertencente ao povo de Deus.

Você recebeu uma grande herança de Deus, que está dentro de você: sua inteligência, sua liberdade, vontade, capacidade de amar, sua memória, consciência, etc., enfim, seus talentos, que o Senhor espera que você os faça crescer para o seu bem e o dos outros. A primeira coisa a fazer, para que você possa multiplicar esses talentos, é aceitar-se como você é, física e espiritualmente.

Não fique apenas olhando para os seus problemas, numa espécie de introspecção mórbida, porque senão você acabará não vendo as suas qualidades; e isso o tornará escravo do seu complexo de inferioridade.

São Paulo disse que somos como que "vasos de barro", mas que trazemos um tesouro de Deus escondido aí dentro (cf. I Cor 4, 7).

Eu não estou dizendo que você deva se esconder dos seus problemas nem fazer de conta que eles não existem; não é isso. Reconheça-os e aceite-os; e, com fé em Deus, e confiança em você, lute para superá-los, sem ficar derrotado e lamuriando a própria sorte.

Saiba que é exatamente quando vencemos os nossos problemas e quando superamos os nossos limites, que crescemos como pessoas humanas.

Não tenha medo dos seus problemas, eles existem para serem resolvidos. Um amigo me dizia que todo problema tem solução; e que, quando um deles não a tem [solução], então, deixa de ser problema. “O que não tem remédio, remediado está”, diz o povo. Não adianta ficar chorando o leite derramado.

É na crise e na luta que o homem cresce. É só no fogo que o aço ganha têmpera. É sob as marteladas do ferreiro que a lâmina vira um espada. Por isso, é importante eliminar as suas atitudes negativas.

Deus tem um desígnio para você e para cada um de nós; uma bela missão a ser cumprida, e você pode estar certo de que Ele lhe deu os talentos necessários para cumpri-la.

Deus Pai quer que você seja um aliado d'Ele, um cooperador d'Ele, na obra da construção do mundo. O Senhor não nos entregou o mundo acabado, exatamente para poder nos dar a honra e a alegria de sermos Seus colaboradores nesta bela obra. Ele precisa de nossas mãos e de nossa inteligência, pois quer usar os nossos talentos. Por essa razão, o homem mais infeliz é aquele que se fecha em si mesmo e não usa os seus talentos para o bem dos outros. Este se torna deprimido.

Na "Parábola dos Talentos", Jesus mostrou que só foi pedido um talento a mais àquele que tinha ganhado um; mas que foi pedido dez novos talentos ao que tinha dado dez. Deus é coerente.

Você sabe que é “único” aos olhos d'Ele, irrepetível; logo, você recebeu talentos que só você tem; então, o Senhor espera que você desenvolva esta bela herança, sendo aquilo que você é.

É um ato de maturidade ter a humildade de reconhecer os seus limites e aceitá-los; isso não é ser menor ou menos importante; é ser real.

Aceite suas limitações, seus problemas, seu físico, sua família, sua cor, sua casa, também seus pais e seus irmãos, por mais difíceis que sejam… e comece a trabalhar com fé e paciência, para melhorar o que for possível.

Se você não começar por aceitar o seu físico, aquilo que você vê, também não aceitará os defeitos que você não vê. Você corre o risco de não gostar de você se não aceitar o seu corpo. Muitos se revoltam contra si mesmos e contra Deus por causa disso. Você só poderá gostar de você - amar a si mesmo - se aceitar-se como é física e espiritualmente. Caso contrário não será feliz.

É claro que é bom aprender as coisas boas com os outros, mas não podemos querer imitá-los em tudo. Você não pode ficar se comparando com outra pessoa, e quem sabe, ficar até deprimido porque não tem o mesmo sucesso dela. Cada um é um diante de Deus Pai. Também não se deixe levar pelo julgamento que as pessoas fazem de você. Saiba de uma coisa: você não será melhor porque as pessoas o elogiam, mas também não será pior porque elas o criticam. Como dizia São Francisco, “sou, o que sou diante de Deus.”

Certa vez, iam por uma estrada um velho, um menino e um burro.

O velho puxava o burro e o menino estava sobre o animal.

Ao passarem por uma cidade, ouviram alguém dizer:

“Que menino sem coração, deixa o velho ir a pé. Devia ir puxando o burro e colocar o velho sobre este!”

Imediatamente o menino desceu do burro e colocou o velho lá em cima, e continuaram a viagem.

Ao passar por outro lugar, escutaram alguém dizer:

“Que velho folgado, deixa o menino ir a pé, e vai sobre o burro!”

Então, eles pararam e começaram a pensar no que fazer:

O velho disse ao menino:

"Só nos resta uma alternativa: irmos a pé carregando o burro nos nossos braços!…"

Moral da história: é impossível agradar a todos!


Do livro – "Jovem, levanta-te!" – Editora Cléofas

15/09/2010

Dia de Nossa Senhora das Dores


"Quero ficar junto à cruz, velar contigo a Jesus e o teu pranto enxugar!"

Assim, a Igreja reza a Maria neste dia, pois celebramos sua compaixão, piedade; suas sete dores cujo ponto mais alto se deu no momento da crucifixão de Jesus. Esta devoção deve-se muito à missão dos Servitas – religiosos da Companhia de Maria Dolorosa – e sua entrada na Liturgia aconteceu pelo Papa Bento XIII.


A devoção a Nossa Senhora das Dores possui fundamentos bíblicos, pois é na Palavra de Deus que encontramos as sete dores de Maria: o velho Simeão, que profetiza a lança que transpassaria (de dor) o seu Coração Imaculado; a fuga para o Egito; a perda do Menino Jesus; a Paixão do Senhor; crucifixão, morte e sepultura de Jesus Cristo.


Nós, como Igreja, não recordamos as dores de Nossa Senhora somente pelo sofrimento em si, mas sim, porque também, pelas dores oferecidas, a Santíssima Virgem participou ativamente da Redenção de Cristo. Desta forma, Maria, imagem da Igreja, está nos apontando para uma Nova Vida, que não significa ausência de sofrimentos, mas sim, oblação de si para uma civilização do Amor.


Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!

14/09/2010

Quando olhamos para Jesus somos amados


O inimigo de Deus nos viciou em ficarmos de olho em nossos pecados, de tal maneira que receamos parar de olhar para eles. Deus nos diz:

"Vocês têm medo de olhar para mim e de tirar os olhos dos seus pecados. Conheço todos eles, mas conheço muito mais vocês. Vocês são os meus filhos queridos. Olhem para Mim, voltem os seus corações para mim. Não estou pronto para condená-los, mas para salvá-los. Encho-me de compaixão para com meu povo. Como desejo que olhem para mim! Vejo que lutam, vejo que, mesmo nos momentos em que se põem a orar, ainda assim, seus olhos estão voltados para vocês mesmos".

“Voltados para vocês mesmos” significa voltados para as nossas fraquezas, incapacidades. E Jesus diz: “Olhem para Mim, voltem os seus corações para Mim”. O Senhor quer que entendamos que Ele nos ama e que é misericordioso. Ele deseja que creiamos em Seu amor e em Sua misericórdia.

Um reflexo do não acolhimento do amor de Deus por nós é o fato de sermos incapazes de amar o outro, nem ter misericórdia e bondade para com o próximo. Só conseguimos amar o próximo como a nós mesmos quando acreditamos no amor de Deus por nós. No entanto, muitas vezes, não amamos verdadeiramente o outro. Não sentimos misericórdia nem vontade de lhes conceder perdão, pois não temos um coração de pastor. Não temos o coração de Jesus para com os nossos irmãos, porque verdadeiramente não acreditamos no amor de Deus.

Para romper com essas barreiras e começarmos a amar o próximo, a ter misericórdia dele e a perdoá-lo – tornando-nos irmãos que se compreendem e se perdoam, se ajudam e se levantam, que são alegres e não se condenam um ao outro –, devemos olhar para Jesus, que nos toma pela mão, tira-nos da lama e colocá-nos em Seu colo.

O pecado original nos mergulhou num lamaçal e o Senhor está nos arrancando dele. Nós, porém, temos acreditado nas insinuações do maligno e não no amor de Deus, por isso nos sentimos escravizados e condenados, incapacitados de amar os nossos irmãos e de nos tornar veículos da graça, da cura e da libertação dos outros.



Cada um de nós precisa, acima de tudo, acreditar no amor de Deus, na Sua misericórdia e no Seu perdão, pois o amor do Todo-poderoso não é um amor genérico, mas sim, pessoal. Ele nos ama individualmente, perdoa e tem misericórdia de nós. Não nos condena, tampouco nos acusa; Ele é nosso Pai e Seu amor nos cura!

Trecho do livro "Curados para amar"
Monsenhor Jonas Abib
- Comunidade Canção Nova

13/09/2010

Qual o propósito da Bíblia?


Nenhuma biografia tem transformado tantas vidas como a vida de Jesus

O fator mais importante – que classifica a Bíblia como o livro mais singular – é a influência que ela tem sobre a vida dos homens. Embora a Sagrada Escritura seja um grande tesouro com respeito à sua contribuição para humanidade em literatura, filosofia e história, o maior valor deste livro se encontra na grande influência que exerce sobre as pessoas. Através de suas páginas o homem se vê exposto à sua verdadeira condição diante de Deus; a Palavra de Deus é como uma espada que penetra até os pensamentos e propósitos do homem e o convence de seus pecados diante do Todo-poderoso (cf. Hb 4:12). "Porque a Palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração").

Santo Agostinho era um homem indisciplinado e libertino em sua juventude, porém, sua mãe orava por ele enquanto ele crescia. Depois de levar uma vida dissoluta por muitos anos, certo dia, com trinta e um anos de idade, ao ler a Bíblia debaixo de uma figueira, chegou ao trecho que diz "Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e nada disponhais para a carne, no tocante às suas concupiscências" (Rm 13:13-14). Essas palavras o convenceram dos seus pecados e ele se arrependeu diante do Senhor e se tornou um servo de Cristo.

No curso da história, muitas pessoas famosas foram movidas a crer em Cristo e a ler a Sagrada Escritura. O imperador francês Napoleão, após ter sido derrotado e exilado na ilha de Santa Helena, confessou que embora ele e outros grandes líderes tivessem fundado seus impérios com uso da força, Jesus Cristo edificou Seu Reino com amor. E também confessou que embora pudesse reunir seus homens em torno dele em prol de sua própria causa, ele teria de fazê-lo falando-lhes face a face, enquanto, por dezoito séculos [na época], incontáveis homens e mulheres se dispuseram a sacrificar, com alegria, a própria vida por amor a Jesus Cristo, sem tê-Lo visto sequer uma vez.

A razão pela qual muitos se dispuseram a deixar tudo para seguir a Cristo e ser martirizados por causa d'Ele é que eles O viram revelado na Bíblia. Esse livro sagrado tem sido a fonte de inspiração para que muitos creiam em Nosso Senhor Jesus Cristo. E embora muitos reis, imperadores e governantes tenham tentado, nos últimos dois mil anos, erradicar a Bíblia, a começar pelos imperadores romanos do primeiro século até os governos ateus deste século, nenhum poder sobre a terra tem conseguido abalar a atração do homem por esse livro sagrado e pela Pessoa maravilhosa que ele revela. O Cristo revelado na Bíblia continua hoje tão vivo como há dois mil anos. Nenhuma biografia de homem sobre a terra tem transformado tantas vidas como a vida de Jesus Cristo o faz.

A Bíblia existe para que possamos compreender, temer, respeitar e amar a Deus sobre todas as coisas, assim ela se denomina a si mesma como a Sagrada Escritura: "E desde a infância conheces as Sagradas Escrituras e sabes que elas têm o condão de te proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, pela fé em Jesus Cristo. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" (cf. II Tm 3,15-17).

A revelação principal da Bíblia é a vida; o diabo veio para matar, roubar e destruir, mas Jesus Cristo veio para que aqueles que n'Ele cressem, e por Ele vivessem, tenham vida e vida em abundância. "O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (João 10,10). Por isso, quando lemos a Bíblia, devemos entrar em contato com o Senhor Jesus, orando para que Ele nos dê revelação da palavra lida.

"Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos" (Ef 6,17-18). E orando também para que sejamos capacitados pelo Espírito Santo para viver a Palavra de Deus, e não só apenas conhecê-la em nossa mente, pois o simples fato de conhecermos a Bíblia não nos faz cristãos; os judeus cometeram esse erro, pois eles examinavam as Escrituras, mas não conheciam a Pessoa de Cristo. "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida" (Jo 5,39-40). Isso pode ser mais bem compreendido ao analisarmos o versículo de II Coríntios, 3,6: "O qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica".

Não devemos tomar a Bíblia como um livro comum, apenas para nos trazer algum conhecimento a nossa mente, mas devemos tomá-la como um livro de vida, contatando o Senhor Jesus, através da oração, para que Ele nos conceda algo vivo em Sua Palavra, ou seja, algo que traga uma lição prática para o nosso viver no dia a dia, pois a intenção de Deus, revelada na Sagrada Escritura, não é apenas a salvação do nosso espírito, como também a salvação de todo o nosso ser, para que consigamos viver coletivamente na Igreja, que é comparada ao Corpo e à Esposa de Cristo:

"O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade" (I Tm 2,4). "O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" (I Ts 5,23). "Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo" (I Cor 12,27). "Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou" (Ap 19,7).

Padre Anderson Marçal
http://blog.cancaonova.com/padreanderson

10/09/2010

Ame, e não espere nada em troca


No Evangelho de São Lucas nos traz uma Palavra bem exigente. “A vós que me escutais, eu digo: Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam”. Nessa passagem bíblica Jesus diz do seu Pai do céu, pois quando éramos inimigos de Deus, Deus nos amava e nos deu o Seu Filho.

Como aplicar isso em nossa vida? Vamos primeiro saber o que é um amigo. O amor é querer o bem da outra pessoa e exemplo disso é que muitos querem bem ao Papa. Mas podemos dizer que somos amigos do Santo Padre? Não, nós não somos amigos dele, pois amizade exige reciprocidade; amigos é quando os dois querem o bem um do outro. Quando vivemos no pecado, nos afastamos de Deus, porque não haverá uma reciprocidade do amor. Deus nos ama, mas e nós?
Deus Pai não é nosso inimigo, a vontade d'Ele não é uma agressão para nossas vidas. A vontade do Senhor é a melhor coisa que poderia nos acontecer.


Muitas vezes, pensamos que Deus é um agressor e que medo temos de falar para Ele: “Faça de mim o que quiser e quando quiser, Senhor”, temos medo de dar a nossa vida ao Senhor. Jesus viveu esse drama no Horto das Oliveiras: também teve medo de fazer a vontade do Pai; por isso, só Cristo pode nos dar a graça de dizer: “Pai, faça segundo a Sua vontade”.
Deus não exige que O amemos para nos amar também; Ele nos ama mesmo quando não O amamos.

Somos inimigos de Deus quando pecamos, porque não amamos a quem nos ama, “viramos a cara” para Ele a fim de fazermos as nossas vontades. É como a história do filho pródigo, que saiu de casa, se tornou inimigo do pai, mas o pai permanece na amizade com ele, e ao voltar [filho pródigo] é recebido com alegria, o pai fica feliz e o acolhe e o enche de beijos.



Deus Pai quer ser nosso Amigo custe o que custar, Ele sente saudade de nós e nos procura muito mais do que a Ele.


O Senhor faz muita festa, mais que um pai carinhoso; Ele nos ama infinitamente, não importa o preço, Ele deu o Sangue de Seu Filho para nos salvar. “Como eu não amar de volta quem me amou assim!”, disse Santo Agostinho ao olhar a cruz.
Nós cristãos sabemos o que o mundo não sabe: somos bilionários do amor de Deus! Somos amados de forma infinita e precisamos corresponder a esse amor para ter amizade com o Senhor. No entanto, trazemos uma profunda carência porque nos esquecemos do amor infinito de Deus Pai por nós.

No semestre passado, o Padre Paulo da Canção Nova contou esta história: " tive um momento de bobeira e comecei a lembrar que desde minha saída do seminário ninguém veio me visitar; eu que vivi para eles. E comecei aquele vitimismo, até que o meu anjo da guarda me acordou e disse assim: “Que estupidez é essa, Padre Paulo! Você já é amado!”. Por isso, digo a você: Seja filho de Deus! Seja amigo de Deus e O ame! "

Hoje Deus nos diz para amarmos nossos inimigos também. Amar e não esperar resposta, porque se você esperar respostas, você não terá amigos.




Você não é vítima! A Vítima morreu na cruz: Nosso Senhor Jesus Cristo!

Você tem uma conta transbordante de amor, então comece a gastar esse amor e ame. Faça com as pessoas ao redo, o que Deus fez com você: o amou antes. Eis o segredo: Ame sem esperar a resposta, porque você já foi amado.
Você não é melhor que ninguém, você já foi e é amado e ao amar o seu inimigo não faz mais do que sua obrigação.

09/09/2010

Por que cometo sempre os mesmos pecados?





Acima de tudo devemos ter paciência conosco

O encontro pessoal com Cristo ressuscitado provoca uma transformação em nosso interior. O amor de Deus é responsável pelo nascimento de homens e mulheres novos (as), gerados na água e no Espírito (cf. Jo 3, 3-5).

Nossas aspirações passam a ser de enveredar pelo caminho da santidade, procurar o arrependimento e o abandono das práticas de pecado, para não ofender ao Senhor, que revelou o quanto nos ama.

A esperança renasce, uma força contagia e principalmente um novo conceito de si, a partir da dignidade de filho de Deus, abrange nossos corações. Porém, decorrido algum tempo, pode acontecer de voltarmos a cometer alguns pecados. Mesmo com luta e vigilância, acabamos por cair, vez ou outra, nos mesmos erros. São os chamados "pecados de estimação".

O que acontece conosco? Temos a consciência e a inspiração de não pecar, então por que nos percebemos fracos diante de certos impulsos? A primeira coisa a entender é que o Senhor criou o homem todo no bem, para o bem e pelo bem. "E viu (Deus) que tudo era muito bom" (Gn 1,31). São Tomás de Aquino diz que "o homem ao seguir qualquer desejo natural, tende à semelhança divina, pois todo bem naturalmente desejado é uma certa semelhança com a bondade divina". Ainda citando São Tomás de Aquino, ele diz: "O pecado é desviar-se da reta apropriação de um bem".

O que leva o ser humano a pecar sempre será o desejo de alcançar o bem que nele foi constituído. Pecamos quando usamos esses bens – dons e talentos - depositados em nós por Deus, de forma incorreta.

Esse anseio pelo bem nunca será extirpado e ainda que a forma de buscar alcançá-lo seja errada "o pecado tende a reproduzir-se e a reforçar-se, mas não consegue destruir o senso moral até a raiz" (Catecismo da Igreja Católica, n. 1865). O dom nunca morrerá, mesmo que o estejamos usando para o pecado. "Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis" (Rm 11,29).

Se todas as nossas faculdades humanas foram criadas para o bem, mas, por nossa livre iniciativa ou porque aprendemos as coisas de forma pecaminosa, nós ainda não conseguimos nos livrar de uma prática ruim, significa que estamos lidando com um traço da nossa personalidade – criada para o bem – porém, que, durante a história pessoal, foi habituado na forma de pecado e não de virtude.

Aí entra satanás, o autor do pecado, com suas artimanhas. A tentação será maior em uma área do que em outra, pois o demônio conhece nossas fraquezas, ou melhor, conhece nossos traços e quer acabar com o que temos de melhor. Jesus, no deserto, foi tentado justamente em Sua mais sagrada particularidade, naquilo que só Ele é: "Se és Filho de Deus!" (Mt 4, 3.6). De Jó, o demônio pediu contas de seu maior mérito: a fé (cf. Jó 1, 21; 2, 9-10).

Também nossa maior luta será nas maiores características do nosso ser no que diz respeito ao núcleo íntimo de cada um. É por isso que voltamos à prática do pecado, pois foi afetado um traço da sacra individualidade do ser, está selado em nós e não há como lançar fora o que somos. Exemplo disso: uma grande habilidade de comunicar-se, em vez de ser usufruída para levar a Boa Nova pode estar sendo desenvolvida para a maledicência.

Se uma fraqueza persiste, há ali um forte traço da nossa humanidade. É um valioso dom, mas não o percebemos como riqueza, pois estamos lutando para sufocá-lo, já que está manifesto na forma de pecado.

O homem que enterrou seu único talento, no fim perdeu-o, exatamente por não ter investido corretamente (cf. Mt 25, 14-30). O livro "Pecados e Virtudes Capitais", do professor Felipe Aquino, salienta que os erros e os bens capitais têm todos uma mesma raiz, apenas que um é inverso do outro.

O que se deve fazer agora é direcionar essas forças para o bem, descobrindo em que ponto nos apropriamos, aprendemos ou canalizamos essa característica individual de forma errada e potencializá-la de maneira que venha à tona toda riqueza que o Altíssimo deu a cada um de nós.

Também é essencial não lutarmos sozinhos! Tanto para detectar em que ponto da nossa vida o dom foi se inclinando para o pecado como para bem canalizá-lo será importante a ajuda de uma outra pessoa. Busque auxílio: biológico (se for patologia ou vício), psicológico e espiritual (alguém ministeriado).

Nessa descoberta, que é permeada pela luta, acima de tudo devemos ter paciência conosco. Sendo humanos, somos limitados e sempre conviveremos com nossas misérias, porém, não podemos nos render a elas.

A busca da santidade não é atingir a perfeição, mas lutar contra nossas fraquezas. Nisso o ser humano avança, torna-se humanamente cada vez melhor e mais próximo de Deus. São Francisco de Sales ensinava: "Considerai os vossos defeitos com mais dó do que indignação, com mais humildade do que severidade, e conservai o coração cheio de um amor brando, sossegado e terno".

Caiu? Levante-se! Não se conforme com o pecado nem desanime. Você vai vencer! O Catecismo da Igreja Católica afirma, no número 943, que: "os leigos têm o poder de vencer o império do pecado em si mesmos e no mundo".

Além de o Senhor dotar-nos com essa força interior, que é mais potente que nossas faltas, ainda podemos recorrer à Sua Graça. "Mas Ele [Jesus] me disse: Basta-te a minha graça".

Eis porque sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. "Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte" (II Cor 12, 9a-10).

A graça de Deus também se manifesta em nossa pobreza! Quando nos percebemos impotentes diante de um fato, só podemos recorrer à Misericórdia Divina, que, neste mundo, se manifesta por excelência no sacramento da confissão.

Confessar-se será sempre a melhor via de libertação.

Deus o abençõe!

08/09/2010

Festa da Natividade de Nossa Senhora




1.Digamos: A gloriosa Virgem Maria foi como a estrela da manhã entre as nuvens.

Escreve o Eclesiástico:
A beleza do céu é a glória das estrelas, que ilumina o mundo (Eclo 43, 10).

Nestas três palavras observam-se os três fatos que resplandeceram admiravelmente na Natividade de Maria Santíssima. Primeiramente, a exultação dos Anjos, quando se diz: A beleza do céu. Conta-se que um homem santo, mergulhado em devota oração, ouviu a doce melodia dum canto angélico no céu. Passado um ano, no mesmo dia, voltou a ouvi-lo e perguntou ao Senhor que lhe revelasse o que vinha a ser aquilo. Foi-lhe respondido que nesse dia nascera Maria Santíssima. Por esse motivo, os Anjos no céu cantavam louvores ao Senhor. Esta a razão de se celebrar nesse dia a Natividade da gloriosa Virgem. Na segunda palavra observa-se o segundo fato, a pureza da sua Natividade, quando se afirma:

A glória das estrelas. Assim como uma estrela difere de outra estrela em claridade (1Coríntios 15,41), assim a Natividade da Virgem Maria difere da natividade de todos os santos. Na terceira palavra observa-se o terceiro fato, a iluminação de todo o mundo, quando se diz: Que ilumina o mundo.


A natividade da gloriosa Virgem iluminou o mundo, coberto de trevas e da sombra da morte. E por isso diz bem o Eclesiástico:
Como estrela da manhã no meio da névoa etc. Maria Santíssima, mensageira do Salvador e perfeita em tudo.



2. A estrela da manhã é chamada de Lúcifer, por luzir mais claramente entre todos os astros.
Por isso é chamada a estrela por excelência. Lúcifer, precedendo o sol e anunciando a manhã, com a luz do seu fulgor afasta as trevas da noite. A estrela da manhã ou Lúcifer é Maria Santíssima, que, nascida no meio da névoa, afugentou a névoa tenebrosa, e na manhã da graça anunciou o sol da justiça aos que habitavam nas trevas. Dela diz o Senhor a Jó És tu porventura que fazes aparecer a seu tempo a estrela da manhã (Jó 38,32).

Quando chegou o tempo da misericórdia (Salmo 101,14), o tempo de edificar a casa do Senhor, o tempo aceitável e o dia da salvação, o Senhor fez aparecer a estrela da manhã, Maria Santíssima, para luz dos povos. Os povos devem dizer o que disseram a Judite, como se lê no seu livro:
O Senhor abençoou-te com a sua fortaleza, porque ele por ti aniquilou os nossos inimigos… Ó filha, tu és bendita do Senhor Deus altíssimo, sobre todas as mulheres que há sobre a terra. Bendito seja o Senhor, que criou o céu e a terra, que te dirigiu para cortares a cabeça ao príncipe dos nossos inimigos. Porque hoje engrandeceu o teu nome tanto, que nunca o teu louvor se apartará da boca dos homens (Judite 13, 22-25). Fo

i, portanto, Maria Santíssima, na sua Natividade, como a estrela da manhã. Dela diz ainda Isaías: Sairá uma vara do tronco de Jessé, e uma flor brotará da sua raiz (Isaías 11, 1). Repare-se que Maria Santíssima se chama vara, por causa das cinco propriedades que esta possui: é longa, reta, sólida, grácil e flexível.
Maria Santíssima foi longa na contemplação, reta na perfeição da justiça, sólida na estabilidade do entendimento, grácil na pobreza, flexível na humildade.

Esta vara saiu da raiz de Jessé, pai de Davi, de quem proveio Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo (Mateus 1, 16). Por isso se lê no Evangelho de hoje: Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi (Mateus 1,1).




3.Sairá uma vara da raiz de Jessé e uma flor sairá das suas raízes.
Vejamos o que significam, no sentido moral, as três palavras: raiz, vara, flor. A raiz significa a humildade de coração; a vara, a retidão da confissão e a disciplina da satisfação; a flor, a esperança da felicidade eterna. Jessé interpreta-se ilha ou sacrifício, e significa o penitente, cujo espírito deve ser uma espécie de ilha. Chama-se ilha, por estar situado no sal, isto é, no mar. O espírito do penitente situa-se no mar, ou seja, na amargura. O penitente é batido pelas ondas das tentações e, todavia, fica firme. E oferece ao Senhor um sacrifício em odor de suavidade. A raiz de Jessé é a humildade da contrição, de que sai a vara da confissão reta e a disciplina da discreta mortificação. E observe-se que a flor não brota do cimo da vara, mas da raiz.

Uma flor brotará da sua raiz, porque a flor, ou a esperança da felicidade eterna, brota, não da mortificação do corpo, mas da humildade do espírito. Com tudo isto concorda o que se lê no Evangelho de hoje, em que São Mateus, descrevendo a geração de Cristo, primeiro põe Abraão, em segundo lugar Davi, em terceiro a transmigração da Babilônia.
Abraão que disse: Falarei ao meu Senhor, embora eu seja pó e cinza (Gênesis 18, 27), designa a humildade do coração; Davi, cujo coração reto esteve com o Senhor: Encontrei Davi, um homem segundo o meu coração (Atos 13, 22), a retidão da confissão; a transmigração de Babilônia, a disciplina da mortificação e a tolerância da tribulação.

Se existirem em ti estas três gerações, conseguirás a quarta geração, a de Jesus Cristo, que nasceu da Virgem Maria, de cuja Natividade se diz hoje: Como a estrela da manhã no meio da névoa.




4. E enfim:
E como a lua cheia brilha durante a sua vida. Maria Santíssima chama-se lua cheia, porque perfeita sob todos os aspectos. A lua é imperfeita no quarto crescente ou minguante, porque tem mancha e pontas. Mas a gloriosa Virgem nem na sua Natividade teve mancha, porque foi santificada no ventre materno e guardada pelos Anjos, nem durante a vida possuiu as pontas da soberba, e, por isso, brilha plena e perfeita. Chama-se luz, por diluir as trevas.

Rogamos-te, portanto, Senhora nossa, que tu, Estrela da manhã, afastes com o teu esplendor a névoa da sugestão diabólica, que encobre a terra do nosso espírito; tu que és a lua cheia, enchas o nosso vazio, diluas as trevas dos nossos pecados, a fim de que mereçamos chegar à plenitude da vida eterna, à luz da glória sem falha.

Auxilie-nos o Senhor, que te criou para seres a nossa luz. Para nascer de ti, fez-te nascer hoje. A Ele seja prestada honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém.


Santo Antônio de Lisboa, Obras Completas, Lello & Irmão - Editores, 1987, Volume I, pp. 901-905.