11/03/2010

Amizades que incomodam...

Fomos criados em um mundo de ideias liberais, que, em vez de nos tornarem livres, nos aprisionam cada vez mais em suas concepções e realidades. Numa sociedade permeada por uma erotização desmedida em todas as realidades, principalmente quando se fala em relacionamentos. Não se acredita mais no matrimônio, em um namoro santo, em uma amizade sadia, no amor gratuito e sem interesses sexuais. Pensar em amizades verdadeiras, em um mundo assim, é bater de frente com toda uma concepção maliciosa e deturpada do amor e apresentar a realidade, na qual é possível viver uma amizade sadia.

Alguns dos grandes testemunhos deixados a nós por Davi e Jônatas – príncipe de Israel e pastor de ovelhas respectivamente – são o companheirismo, a fidelidade, a lealdade e o amor puro e manifestado de diversas formas, que pode haver em uma amizade entre dois homens. Uma amizade que incomoda um mundo que praticamente exterminou a ideia de um relacionamento desinteressado e sadio entre homens e mulheres e que agora volta suas armas para as amizades masculinas. São termos, ideologias e opiniões que a todo o momento colocam em dúvida esse tipo de relacionamento ou o transformam em uma caricatura muito distante da verdade que habita no amor verdadeiro entre dois amigos.

O amor entre Davi e Jônatas era puro e concreto. Diz a Palavra de Deus que, ao se despedirem, – para nunca mais se verem – eles se beijaram e choraram (cf. I Sm 20,41b). Mas alguns olhares estragados pelos ideais, que andam por aí, conseguem ler essa passagem e ver sinais de uma relação erótica entre os dois. Minha mãe diz que, muitas vezes, nós vemos só o que queremos ver. O que a Sagrada Escritura testemunha é a liberdade que habita no coração de dois homens, que encontraram em Deus uma amizade verdadeira, os quais, justamente por terem o Senhor como fundamento desse relacionamento, são livres o suficiente para demonstrar o quanto se amam.

As atitudes afetuosas desses personagens bíblicos não são as únicas que encontramos na Palavra de Deus. O Evangelho é permeado de relatos de um Jesus que amava os amigos homens de maneira livre e concreta, cheia de demonstrações públicas de afeto. Quando descreve a alegria do reencontro do pai com o filho, que havia se perdido e consumido todos os bens herdados, o Senhor afirma que o pai corre ao encontro do herdeiro, abraça-o e o cobre de beijos (cf. Lc 15,20). O Filho de Deus não teve vergonha de chorar diante de uma multidão de pessoas no túmulo de se amigo Lázaro, fato que demonstrou a todos de maneira concreta o quanto Ele o amava (cf. Jo 11,35-36). O mesmo Jesus, na Última Ceia, após lavar os pés dos amigos, se coloca em tal liberdade com os apóstolos, que João – o discípulo amado – repousa a cabeça sobre Seu peito (cf. Jo 13,25). São manifestações concretas de quem ama de verdade e por isso não tem medo de demonstrar esse sentimento.

Parece que o mundo fica incomodado com aqueles que vivem as coisas como elas devem ser, de forma pura e sadia, arrumando logo um jeito de distorcer a situação ou levantar dúvidas. É mais fácil para alguns escreverem livros dizendo que era Maria Madalena que estava a lado de Jesus na Última Ceia do que admitir que, na sua castidade plena e livre, Ele tinha reclinado em seu peito o discípulo que mais amava. É mais fácil levantar suspeitas sobre a amizade de Davi e Jônatas do que admitir que um homem verdadeiramente amou um amigo e ao saber de sua morte é capaz de declarar que aquela amizade lhe era mais cara do que o amor das mulheres (cf. II Sm 1,26). É mais fácil criar mentiras do que se decidir viver pela Verdade.

Decidi passar a minha vida lutando pela Verdade, na Verdade e com a Verdade. Viver testemunhando ao mundo que é possível estabelecer relacionamentos sadios com homens e mulheres, sem medo de demonstrar o afeto e o amor, próprios entre os que decidiram viver uma vida nova em Cristo. Uma vida pautada na busca de equilíbrio, mas sem medo de ser um sinal de contradição em meio a uma sociedade que desacreditou o amor verdadeiro.

Deus me deu a graça de ter amigos de verdade. Homens que, com o seu testemunho, me edificam e me levam mais para Ele. Amigos casados, solteiros, padres, seminaristas que decidiram seguir o exemplo de Jesus de não ter medo de amar e demonstrar o quanto amam de forma concreta. Homens que, por se cumprimentarem com um abraço, com um gesto de afeto, não deixam de ser homens; pelo contrário, dão ao mundo o testemunho coerente do amor evangélico, o amor capaz de dar a vida (cf. Jo 15,13).

Não podemos ser ingênuos e pensar que é fácil testemunhar com a vida uma amizade verdadeira. Quem quer viver uma vida de santidade precisa estar disposto a sofrer, a não ser compreendido e a experimentar que a decisão pelo Senhor e por amar de forma pura e casta nos amadurece e nos faz homens muito melhores.

Viver assim é um desafio! Você aceita?

10/03/2010

A força da moral católica


A moral católica não muda ao sabor da vontade dos homens.


A moral católica é a base do comportamento do cristão, segundo a fé que ele professa recebida de Cristo e dos Apóstolos. No Sermão da Montanha Jesus estabeleceu a “Constituição” do Reino de Deus, e em todo o Evangelho nos ensina a viver conforme a vontade de Deus.

Para quem vive pela fé, a moral cristã não é uma cadeia; é antes um caminho de vida plena e de felicidade. Deus não nos teria deixado um Código de Moral se isso não fosse imprescindível para sermos felizes. As leis morais podem ser comparadas às setas de trânsito que guiam os motoristas, especialmente em estradas perigosas, de muitas curvas, neblinas e lombadas. Se o motorista as desrespeitar, poderá pagar com a própria vida e com as dos outros.

Mas para crer nisso e viver, com alegria, a Moral é preciso ter fé; acreditar em Deus e no Seu amor por nós; e acreditar na Igreja Católica como porta-voz de Jesus Cristo. É preciso ser guiado pelo Espírito Santo.

Cristo nos fala pelo Evangelho e pela Igreja. Ele a instituiu sobre Pedro e os Apóstolos para ser a nossa Mãe, guia e mestra. Jesus disse aos Apóstolos: “Quem vos ouve, a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou” (Lc 10,16).

Cristo concedeu à Igreja parte de Sua infalibilidade em matéria de doutrina: fé e moral, porque isso é necessário para a nossa salvação e instituiu a Igreja para nos levar à salvação. Por isso, o Senhor não pode deixar que a Igreja erre em coisas essenciais à nossa salvação. O Concílio Vaticano II disse que “a Igreja é o sacramento universal da salvação” (LG,4).

É por ela que Jesus continua a salvar os homens de todos os tempos e lugares através dos Sacramentos e da Verdade que ensina. São Paulo disse a São Timóteo que “a Igreja é a coluna e o fundamento (alicerce) da verdade” (cf. 1Tm 3,15) e que Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade” (cf. 1Tm2, 4). Essa “verdade que salva” Deus confiou à Igreja para guardar cuidadosamente, e ela faz isso há vinte séculos. Enfrentou muitas heresias e cismas, muitas críticas dos homens e mulheres sem fé, especialmente em nossos dias, mas a Igreja não trai a Jesus Cristo.

Cristo está permanentemente na Igreja – “Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20) – e ela sabe que embora os seus filhos sejam pecadores, ela não pode errar o caminho da salvação e da verdade.

Na Última Ceia o Senhor prometeu à Igreja (Cristo e os Apóstolos) no Cenáculo que ela conheceria a verdade plena. “Ainda tenho muitas coisas para lhes dizer, mas vocês não estão preparados para ouvir agora; mas quando vier o Espírito Santo, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16,12-13).

Ao longo dos vinte séculos o Espírito Santo foi ensinando à Igreja esta verdade, através dos santos, dos Papas, dos Santos Padres...

Se Cristo não concedesse à Igreja a infalibilidade em termos de doutrina (fé e moral) de nada valeria ter-lhe confiado o Evangelho, pois os homens o interpretam de muitas maneiras diferentes e criaram muitas outras “igrejas”, sem o Seu consentimento, para aplicarem a verdade conforme o “seu” entendimento e não conforme o entendimento da Igreja deixada por Ele. A multiplicação das milhares de igrejas cristãs e de seitas é a consequência do esfacelamento da única Verdade que Jesus confiou ao Sagrado Magistério da Igreja (Papa e Bispos em comunhão com ele) para guardar e ensinar a todos os povos.

Além de confiar à Igreja a Verdade eterna, Cristo lhe garantiu a Vitória contra todos os seus inimigos. Disse a Pedro: “As portas do inferno jamais a vencerão” (Mt 16,17).

Já se passaram vinte séculos, inúmeras perseguições (império romano, nazismo, comunismo, fascismo, ateísmo,... ) e a Igreja continua mais firme e forte do que nunca. Quanto mais é perseguida, tanto mais corajosa se torna; quanto mais apanha, tanto mais se fortalece; quanto mais é caluniada, tanto mais sábia se torna.

Tertuliano de Cartago (†220), um dos apologetas da Igreja, escreveu ao imperador romano da época, Antonino Pio, o qual perseguia os cristãos, dizendo-lhe que não adiantava persegui-los e matá-los, porque “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”. O império romano desabou, o comunismo sucumbiu, o nazismo acabou... mas a Igreja continua mais firme do que nunca. Nenhum chefe de Estado tem tantos embaixadores (Núncios Apostólicos) em outros países como o Vaticano; são cerca de 180.

O mundo chama hoje a Igreja Católica de obscurantista, retrógrada, etc., por ela ser fiel a Jesus; mas ela não se curva diante do pecado do mundo moderno, da mesma forma que não se curvou diante dos carrascos dos seus mártires.

A Igreja não busca a glória dos homens, mas somente a glória de Deus, por isso não se intimida e não desanima diante das ameaças dos infiéis. Ainda que ela fique sozinha, não negará a verdade do seu Senhor.

A moral católica não muda ao sabor da vontade dos homens, nem com o passar do tempo, porque a Verdade não muda, seja ela qual for. O teorema de Pitágoras e o princípio do empuxo, de Arquimedes, são os mesmos que esses gregos descobriram vários séculos antes de Cristo. A verdade que foi revogada, nunca foi verdade; pois a verdade, de fato, não pode mudar. Cristo não nos deixou uma moral transitória, passageira, provisória; não, Ele nos deixou uma Verdade eterna. Ele mesmo é a Verdade.

As questões morais não dependem da “opinião da maioria”, nem se alteram com os “avanços” científicos. A moral é que deve dizer quais descobertas da Ciência são válidas para o progresso do homem, e não o contrário. Uma lei moral não se torna lícita só porque é aprovada pelo Governo ou pelo Parlamento.

Muitas vezes, a confusão moral e os erros são cometidos por causa de uma incompreensão insuficiente dessas questões. A Igreja, de sua parte, examina com profundidade as questões morais, olhando não apenas o conforto do homem, mas, principalmente a sua dignidade humana.

Diante das leis que não estão de acordo com a Moral católica, os fiéis precisam se manifestar com viva voz; porque se ficarmos calados e submissos, em breve, poderemos ter em nosso país muitas leis imorais. Já aprovaram o divórcio, a manipulação e a morte de embriões (vidas humanas!), e em breve poderão aprovar o aborto, a eutanásia, o casamento de pessoas do mesmo sexo... O Papa Leão XIII disse que “a audácia dos maus se alimenta da covardia e omissão dos bons.” Não podemos mais viver um catolicismo de sacristia; a maioria do povo brasileiro é católica (cerca de 73%) e tem direito de viver em um país com leis católicas; mas isso só acontecerá se fizermos isso acontecer.

Jesus já tinha avisado que “os filhos das trevas são mais espertos que os filhos da luz”.

09/03/2010

Um vício chamado pornografia


Atualmente, uma das maiores fontes de recursos financeiros é a indústria pornográfica, que cresce, a cada ano, não somente nos Estados Unidos como também no Brasil, entre outros. O acesso a este tipo de produto modernizou-se e, para ficar menos ofensivo, trocou de nome. Aquilo que era sinônimo de vulgaridade, para se tornar mais popular, passou a ser conhecido como “produto destinado ao público adulto”.

Foi-se o tempo em que a pornografia era veiculada apenas nas revistas, quase sempre mal-impressas e vendidas de maneira escondida nas bancas de jornais. Essa “indústria” se capacitou em diversos segmentos e tem crescido com a aceitação, cada vez maior, por parte da sociedade. Algumas empresas não se intimidam em oferecer abertamente a seus clientes, entre as linhas de seus serviços, produtos também destinados ao “público adulto”. Tal exemplo se vê em vídeolocadoras, canais de TV a cabo, jogos eletrônicos, entre outras infinidades de ofertas.

Com a facilidade de acesso e com a aceitação cada vez maior no meio social - como algo normal - muitas pessoas têm se tornado ávidas consumidoras desses produtos. Por meio de vários tipos de mídia, elas se prendem, pouco a pouco, ao consumo de materiais com conteúdos obscenos, que podem levá-las à dependência.

Como em qualquer outro tipo de vício, essa prática vai exigir da pessoa, a cada dia, a necessidade de assistir a imagens com teores gradativamente mais fortes. As cenas, cada vez mais bizarras, pouco a pouco, vão deixando de ser tão ofensivas para os olhos do adicto, mesmo quando trazem como protagonistas crianças ou jovens, que mal conseguem entender aquilo ao qual estão sendo submetidos.

A pornografia corrompe a mais profunda expressão do amor através da intimidade entre um homem e uma mulher. Ela faz com que a pessoa, acostumada ao seu consumo, altere suas preferências, experimentando uma libido desvirtuada, que vai totalmente contra a sua própria natureza; ofuscando a singeleza da intimidade sexual.

Aquelas pessoas que se sentem anestesiadas pelas mais esdrúxulas imagens, é sinal de que aquilo que anteriormente era apenas uma curiosidade para elas está caminhando para uma dependência, que, certamente, afetará seus relacionamentos. É comum que essas pessoas - acostumadas com o pornográfico - manifestem atitudes lascivas nas conversas, nos olhares, nos pensamentos, como também em seus gestos de carinhos, infelizmente, nem sempre puros.

Por mais embaraçoso que possa ser para alguém admitir um vício, é necessário buscar ajuda. A pessoa que se vê presa ao consumo desses produtos precisará romper com essa dependência. E como em todo tratamento, será necessário eliminar, do seu dia a dia, o acesso a conteúdos eróticos; livrando-se de revistas, filmes, bloqueando os canais de TV de conteúdos eróticos, e/ou dificultando o acesso à internet, por meio de senhas ou outros dispositivos de proteção.

Reverter os males causados pelas fantasias pornográficas trará novamente a alegria do convívio equilibrado e saudável entre homem e mulher; sem esvaziar a grandeza da intimidade reservada ao casal.

04/03/2010

Amizade filial:valorize muito os verdadeiros amigos


Em momentos de sofrimento e de dor em nossas vidas o que mais queremos é alguém com quem contar. Em uma cultura individualista, como a nossa, é difícil encontrar uma pessoa com quem possamos partilhar as nossas angústias, alguém que nos escute, que nos ajude a levantar em nossas quedas, que vá ao fundo do buraco nos resgatar. Por isso, nessas horas, determinadas pessoas se destacam, aproximando-se de nossas feridas, desrespeitando as nossas placas de “proibido seguir adiante” e enxergando nelas o nosso silencioso pedido de socorro.

Assim são os amigos: aqueles que permanecem ao nosso lado quando todos se foram.

“Se queres adquirir um amigo, adquire-o na provação” (Eclo 6,7)
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Davi pôde experimentar, de forma concreta, essa Palavra. Apesar de ter conhecido Jônatas logo depois da vitória sobre Golias, a amizade entre eles amadureceu em meio à dor da inveja e da perseguição de Saul. Foi na provação, no sofrimento que Davi pôde experimentar a Providência Divina na amizade de Jônatas. Ele não estava sozinho, mas tinha um amigo ao seu lado.

Talvez este também seja o grande desejo do seu coração: em meio à dor que tem vivido ter alguém com quem contar. Convido você para olhar em volta e tentar enxergar essa pessoa a partir das atitudes concretas que Jônatas teve para com o seu amigo Davi.

Diante da inveja e da perseguição de seu pai, Saul, Jônatas intercedeu pela vida de Davi (cf. I Sm 19,4). Em nossos momentos de sofrimento, um amigo é capaz de interceder por nós pedindo aos homens e a Deus pela nossa situação. Ele não vê limites para o seu clamor e mesmo sem poder fazer nada, “bombardeia” o céu com suas orações, confiante em que o Senhor é capaz de mudar aquela realidade. Santa Teresinha dizia que “Pensar em um amigo é rezar por ele”. Amigo intercede, clama e não se conforma com aquilo que os olhos alcançam: ele sempre vê mais longe. Vê em nossos limites oportunidades para a graça de Deus se manifestar.

Dessa forma, Davi retoma seu lugar na corte de Saul por intermédio das mãos de seu amigo (cf. I Sm 19,7). Quando estamos sofrendo, perdidos em meio aos nossos sentimentos, a nossa primeira atitude é abandonar o nosso “território”, nossos sonhos, nossa coragem, a alegria de viver, o entusiasmo, a nossa esperança. Somente uma verdadeira amizade é capaz de “nos desinstalar”, de nos levar além, de nos devolver a nós mesmos. Um amigo tem a capacidade de nos devolver o que perdemos, de nos fazer retomar os territórios da nossa vida que, durante o caminho, fomos entregando sem lutar, sem resistir. Ele nos coloca onde devemos estar, fazendo-nos retomar o nosso lugar – como antes – diante da nossa vida, dos outros e diante de Deus.

Jônatas não mediu esforços para ajudar Davi. Ele estava disposto a fazer tudo para ver a vida de seu amigo em segurança (cf. I Sm 20,4). Para aqueles que nos amam, não há limites, porque sempre há a esperança da vitória. Estão sempre dispostos a fazer tudo o que está ao alcance deles para nos ver restaurados. É só observar os verdadeiros amigos de alguém que está preso, nas drogas, na prostituição ou doente. Eles não desistem e fazem tudo o que está ao seu alcance para ver o amigo de pé novamente. Quando todos já desistiram, quando todas as esperanças acabaram, eles continuam lá, confiantes em que o milagre pode acontecer.

Não há nada mais forte e capaz de restaurar uma vida de maneira completa do que o amor. Uma amizade pura e sem interesses é uma fonte de bênçãos inesgotável. Jônatas não estava preocupado com seus interesses, mas queria salvar a vida de seu amigo de todo o perigo. Por isso ele abençoou a vida de Davi não só com palavras, mas com a sua presença (cf. I Sm 10, 13). O amor puro de um amigo é a Providência de Deus na vida de muitas pessoas, pois é capaz de curar, de equilibrar, encorajar, levantar, restaurar, abençoar de maneira concreta e eficaz. O amor sincero de um amigo, mesmo que de forma limitada, é a imagem do amor ilimitado do Senhor por nós. A presença de um amigo é o disfarce que Jesus mais usa para entrar em nossa vida.

Então, conseguiu enxergar os amigos que o Senhor colocou ao seu redor? Ainda não? Olhe com calma. Sugiro que você – a partir do que leu – pense em pessoas próximas, como seus pais, seus irmãos… Mas se mesmo assim você não conseguir enxergar ninguém, eu tenho uma novidade para você: o Amor não quer usar disfarces! Jesus quer se manifestar pessoalmente na sua vida e lhe mostrar que Ele é o seu verdadeiro Amigo. Lembre-se de que amizades são sempre “disfarces” do Senhor. Mas por saber que a sua dor é grande demais, Cristo quer que você veja de forma clara – sem disfarces – que Ele é o seu verdadeiro Amigo.

Essa é grande alegria em ter amigos: eles são a forma adequada para o Senhor se manifestar em nossas vidas em cada momento, pois sempre nos remetem ao Amigo verdadeiro, que é o próprio Jesus. Se isso não acontece, se sua amizade não o tem levado para Deus, é hora de olhar em volta mais uma vez e trocar essa falsificação de amigo por um amigo de verdade, alguém que, atrás do disfarce, revele o Senhor.


03/03/2010

O que fazer quando temos aridez espiritual?


A única saída é fechar os olhos e dar as mãos a Jesus para ser guiado por Ele

Muitas vezes, podemos passar por algum período de aridez espiritual, isto é, não temos vontade de rezar, torna-se difícil assistir a Santa Missa, a reza do Terço fica pesada, etc. Até mesmo a sagrada Comunhão se torna um sacrifício diante das dúvidas que podem atingir a nossa alma. Parece que o céu sumiu.

Como vencer esse estado de espírito no qual parece que Deus está longe e que nos falta a fé?

Primeiro é preciso verificar se esta situação não é tibieza, isto é, causada por nossa culpa em não perseverar no cuidado da vida espiritual, e, sobretudo, verificar se não há pecados graves em nossa alma, que possam estar afugentando dela a graça de Deus.

Se não houver pecados na alma, então, é preciso antes de tudo, calma, paciência e perseverança nos exercícios espirituais:oração,vida sacramental, caridade, penitência,etc. Mesmo sem vontade ou sem gosto, continuar, sem jamais parar, os exercícios espirituais.

Deus, às vezes, permite essas provações para que aprendamos a “buscar mais o Deus das consolações do que as consolações de Deus”, como disse um santo. São João da Cruz, místico que tanto experimentou o que chamou de “noite escura da fé”, afirmou que “o progresso da pessoa é maior quando ela caminha às escuras e sem saber.”

Muitas vezes, nos deleitamos nas orações gostosas, cheias de fervor sensível, como crianças quando comem doces. Mas quando vem a luta, deixamos a oração.

Vejamos o que diz o Apóstolo:

“Filho meu, não desprezes a correção do Senhor. Não desanimes, quando repreendido por ele; pois o Senhor corrige a quem ama e castiga todo aquele que reconhece por seu filho (Pr 3,11s). Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos. Ora, qual é o filho a quem seu pai não corrige?... Mas se permanecêsseis sem a correção que é comum a todos, seríeis bastardos e não filhos legítimos... Aliás, temos na terra nossos pais que nos corrigem e, no entanto, os olhamos com respeito. Com quanto mais razão nos havemos de submeter ao Pai de nossas almas, o qual nos dará a vida? Os primeiros nos educaram para pouco tempo, segundo a sua própria conveniência, ao passo que este o faz para nosso bem, para nos comunicar sua santidade” (Hb 12,5-10).

Deus nos quer santos, e é também algumas vezes pela provação e pela aridez espiritual que Ele arranca as ervas daninhas do jardim de nossas almas. Coragem, alma querida de Deus! Jesus disse que Ele é a videira verdadeira, e Seu Pai o bom agricultor, que podará todo ramo bom que der fruto, para que produza mais fruto (cf. Jo 15,1-2).

Não podemos querer apenas o açúcar do pão e renegar o pão do sacrifício. Às vezes a meditação é difícil, a oração é penosa, distraída, surgem as noites e as trevas... Nessas horas é preciso silêncio, abandono, paciência. O Esposo há de voltar logo... Em breve vai raiar a aurora e os fantasmas vão sumir.

Quanto mais a noite fica escura, mais perto nos aproximamos da aurora. Deus sabe o que estamos passando, louvado seja o Seu santo Nome! É hora de abandono em Suas mãos paternas.

Em meio às trevas alguns sentem o coração como se fosse de gelo, não sentem mais amor a Jesus, perdem a piedade, se sentem condenados. Que desoladora confusão espiritual!

Nestas horas a única saída é fechar os olhos e dar as mãos a Jesus para ser guiado por Ele na fé; confiança e abandono, irmão! Só o Senhor sabe o caminho para sairmos deste matagal fechado e escuro.

Deus nos prepara para a contemplação pelas provas passivas, ensinam os santos. Ele as produz e a alma apenas tem que aceitar. É o duro caminho dos que querem a perfeição. Ele está purificando a alma; o Cirurgião Celeste está nos operando a alma.

São João da Cruz fala da famosa “noite dos sentidos” cheia de aridez e de provação, um verdadeiro martírio para a alma. Segundo o santo doutor, é Jesus que chama a alma a caminhar com Ele no deserto, mesmo queimando os pés e sendo queimado pelo sol, para se santificar.

Calma, alma querida de Deus, Ele faz isso porque o ama muito! O fogo bom não é aquele "fogo de palha", alto e bonito, mas rápido, que logo se apaga; mas é o fogo baixo que pega na lenha grossa e permanece por muito tempo. O fogo de palha é só para começar...

É isso que está acontecendo; não se assuste; não se preocupe porque o gosto de rezar sumiu e se tornou um agora um sacrifício penoso... Fé não é sentimento e muito menos sentimentalismo; fé é adesão, com a mente, a Deus, às Suas verdades e às Suas determinações. Não se preocupe de estar ou não “sentindo" fé ou devoção; apenas viva-a; vá à Missa, ao grupo de oração, ao Terço, com ou sem vontade, com ou sem gosto, com ou sem sentimento. Assim, temos mais méritos ainda diante de Deus.

Nesta situação talvez você precise de um diretor espiritual, especialmente na Confissão, para uma boa orientação.

02/03/2010

Violência familiar e doméstica


As marcas não são apenas sociais; são um problema de saúde pública

Mais comum do que as estatísticas apresentam, a violência doméstica e familiar é um fato explícito ou, muitas vezes, velado, encoberto, praticado dentro de casa, entre parentes (homem e mulher, entre filhos, dos filhos para com os pais e vice-versa, dentre outros), incluindo a violência e o abuso sexual contra criança, os maus-tratos contra idosos e contra a mulher, e violência contra o parceiro. Este problema se torna cada vez mais evidente, porque as marcas não são apenas sociais, mas geram um problema de saúde pública e cuidados que cada vez mais são percebidos e necessários às vítimas desses tipos de violência.

As pesquisas divulgadas mostram que os meninos são vítimas mais frequentes de violência física, porém, no que se refere à violência sexual, as vítimas mais frequentes são as meninas (3 a 4 meninas para um menino). Em muitos casos, a violência sexual e a violência física costumam aparecer juntas e nos três casos são um risco para o processo de desenvolvimento saudável da pessoa. É importante destacar a violência psicológica que também é sofrida.

A abertura para esse assunto não é muito fácil, pois, muitas vezes, a violência é silenciosa, envolve segredos familiares e aproxima-se dos agressores que, muitas vezes, estão mais próximos do que a família gostaria de encarar.

É interessante entender o que é cada um dos tipos de violência e saber como lidar com ela.

a) Violência física – ação única ou repetida, intencional, cometida por um adulto ou pessoa mais velha que a criança ou adolescente, que provoque dano físico, de grau variado de lesão que leve até à morte;

b) Violência psicológica – envolve um padrão de comportamento destrutivo do adulto, que interfere negativamente na competência social da criança, por meio de práticas de rejeição, isolamento, ameaça, descaso, corrupção, expectativas e exigências irreais, violências que não deixam marcas físicas, mas afetam diretamente o comportamento e o lado emocional dos violentados;

c) Violência sexual – ato ou jogo sexual, com a intenção de estimular sexualmente ou de usar a criança ou adolescente para obter satisfação sexual por parte de adulto ou de pessoa em estágio mais avançado de desenvolvimento. Existe também a chamada negligência que pode ser caracterizada como o abandono parcial ou total dos responsáveis e/ou a omissão quanto a oferecer as necessidades básicas e da supervisão essencial à segurança e ao desenvolvimento da criança, quando não associadas a privações socioeconômicas.

A violência contra a criança mostra-se, na maioria das vezes, como fator de risco para que apresentem problemas de comportamento, ajustamento escolar e de uma percepção social negativa, ou seja, com uma visão distorcida, amedrontada e até mesmo isolada dos relacionamentos sociais. Para enfrentar este problema, são utilizadas as chamadas redes sociais de apoio, ou seja, todos os recursos pessoais da criança e da família que são usados para enfrentar o problema da violência, como a própria família, a escola, os meios sociais frequentados pelas vítimas, além do suporte público e político no combate de tais situações.

Outra forma de agressão cometida por pais e parentes que pode prejudicar o desenvolvimento emocional, muito comum por aparentemente não causar danos às vítimas, são as violências psicológicas. Comparar a criança com o seu irmão, apontar os defeitos físicos e intelectuais ou castigá-la trancando-a no quarto escuro, são exemplos desse tipo de violência, dificilmente detectada, pois o agressor acredita que seu ato é apenas uma brincadeira ou forma de educar, mas pode gerar medos e conflitos na criança ou jovem.

Os principais sinais apresentados pelo jovem ou criança que sofre violência são: ansiedade, choros constantes sem aparente motivo, medo, pesadelos, tentativas de suicídio, marcas de violência no corpo, ataques de pânico, baixo rendimento escolar, sentimento de inferioridade.

Se a sociedade pudesse viver o verdadeiro uso da palavra "amar", que não aquele afirmado também pela mídia, ligado apenas ao namoro e ao sexo, e sim pensar no amor por sua definição mais simples – relacionar-se com igualdade de consideração, sem superioridade ou inferioridade, sendo tolerantes às falhas e diferenças humanas – muitos casos não seriam mais presenciados. Amar é não fazer ao outro coisas que nós não gostamos que sejam feitas conosco. O que nós não gostamos de receber, certamente o outro também não deve gostar. A partir desta vivência, nos tornaremos cooperadores um do outro em vez de destruidores. Que possamos ser agentes na extinção desta violência, com o máximo de respeito e ação frente a tais situações.

01/03/2010

Padre Fábio de Melo: " Há dificuldades no caminho porém garantia de vitória."


A liturgia de ontem (28/02/2010) nos convida a uma reflexão muito rica. Na primeira leitura nós temos a promessa que Deus faz com Abraão, e já nos mostra o escritor sagrado que a aliança que Deus faz de dar a Abraão uma numerosa descendência passará pelo sacrifício. 'Abraão tu serás grande mas terá que sofrer. Não pode ser grande sem sofrer. A gente sabe que é onde a gente derrama o sangue que fica a verdadeira marca. Se você quer que ele dê valor, faça ser difícil, porque tudo o que vem muito fácil, muito fácil vai embora.

Na história da salvação vemos que Deus a todo o tempo está educando o povo nesta pedagogia, Ele não quer infantilizar ninguém. Deus é muito claro. A ação de sua graça será de proteção, mas faça o seu esforço, e Abraão sabe muito bem que a promessa dessa descendência vai custar sacrifício, e isto vai sendo revelado aos poucos.


Se você entrar no caminho do Senhor, como dizia São Paulo a Timóteo, prepara te para o sofrimento. Não o sofrimento pelo sofrimento, mas o processo pelo qual se torna uma pessoa grande, sacrifício. Se você quer realmente alcançar um bom resultado, você tem que se esmerar na preparação desse resultado.

Quando Deus está falando para Abraão: “Abraão prepare-se Eu vou fazer com você uma aliança mas você vai ter que ser fiel ao que estou propondo”. A garantia da realização desta promessa é que você seja fiel dia por dia. Não fique querendo fazer fazer tudo de uma vez porque isto não é possível. O cuidado do todo depende do cuidado com a parte, é a observância do dia a dia para que você possa viver e alcançar o resultado que Deus preparou para você. Nós temos o sinal do arco-iris que vai de um ponto ao outro da terra para nos lembrar que a promessa de Deus é grandiosa, ela vai nos fazer sair de um lugar para chegar ao outro. É para nos recordar que teremos que teremos de viver o processo da caminhada.

Deus é processual, e estamos falando de promessa, no contexto do povo de Israel. O povo quer outra coisa se não o chão para descer as suas malas. O promessa que Deus faz ao seu povo é de vida plena, de abundância, de uma terra que vai jorrar leite e mel. Ninguém ganhou a terra prometida de mão beijada.
O problema é que os nossos olhos muitas vezes estão fixos no resultado.
Foto: Wesley Almeida

Deus é sábio Ele sabia que precisava fazer o povo caminhar, porque é no processo desta caminhada que se daria o aprendizado. O problema é que os nossos olhos muitas vezes estão fixos no resultado e muitas vezes Deus não está nos levando ao resultado mas ao processo. Não podemos ter os olhos fixos no final ou não descobrimos a graça que que Deus tem para nós hoje.

A identidade de vocês é divina e no Evangelho onde Jesus reúne os seus três amigos. E como é que eles reconhecem a sua glória? Primeiro eles dormem enquanto Jesus começa a ouvir sobre a sua paixão, mas quando eles abrem os olhos ele vêem a glória do Senhor.

Como alguem pode ser glorioso sendo crucificado, isso é contraditório. O nosso Deus é Rei mas é coroado de espinho. Porque Ele quer ensinar a nós que não é possível chegar a concretização da promessa sem passar pelo sofrimento.

Se a gente não coloca o pé na água o mar não vai se abrir. Quando Deus viu aquele povo entrando na água e mesmo com a água pelo pescoço, Deus se comove com a fé deles e então abre o mar.

A gente também precisa descobrir o arco-iris na nossa vida. Nós não estamos só e todo nós precisamos aprender a lidar com as nossas fraquezas. Ninguém está pronto, mas a diferença é que precisamos aprender a olhar para o arco-iris, pois se olharmos para baixo só vamos avistar os deuses do estomago, que não estão nada comprometidos com as nossa família.

'A garantia da realização desta promessa é que você seja fiel dia por dia'
Foto: Wesley Almeida
São muitos os recursos dos deuses do estomago, e os esforços deles é fazer-nos esquecer que somos território santo. Olhe para o arco-iris, olhe para o céu, não permita que ninguém use o seu corpo, você não é um objeto. Olhe para o céu, não é fácil, mas quem disse que seria. O primeiro a estabelecer vínculos com as promessas divinas é você mesmo.

Tem muita coisa que ainda é possível a ser concertada. Comece a se educar a olhar para as coisas do alto. Nutra dentro de você aquilo que é bom, que edifica. Não tenha medo de viver o sacrifício.

A água do sacramento lava tudo aquilo que os deuses do estomago deixaram em nós. Nós podemos ser libertos pelo sangue de Jesus.

26/02/2010

Pela cruz, Jesus quer curá-lo







Hoje eu quero falar para você que, pela cruz, Jesus quer curá-lo e libertá-lo. Abra a sua Bíblia no livro do
Êxodo 15, 22-26:

"Moisés fez Israel partir do mar Vermelho. Tomaram a direção do deserto de Sur. Caminharam três dias pelo deserto sem achar água. Chegando a Mara, não puderam beber a água de Mara, por ser amarga; por isso deram ao lugar o nome de Mara, Amargura. O povo murmurou contra Moisés, dizendo: 'Que vamos beber?'

Moisés clamou ao Senhor, e o Senhor lhe indicou um tipo de planta que ele jogou na água, e esta tornou-se doce. Foi ali que ele deu ao povo lei e decreto e os pôs à prova, dizendo: 'Se de fato escutares a voz do Senhor teu Deus, se fizeres o que é reto a seus olhos, se prestares atenção a seus mandamentos e observares todas as suas leis, não te causarei nenhuma das enfermidades que causei aos egípcios, pois eu sou o Senhor que te cura'”.


Veja como termina a passagem: “Eu sou o Senhor que te cura”. Aquelas pessoas já estavam no limite, visto que o ser humano fica sem água até três dias. Moisés ora ao Pai e Ele lhe indica um caminho: Ele transforma a água amarga em doce.

Jesus transforma aquilo que é maldito em bênção. É pela cruz que recebemos a salvação! Veja em I Coríntios 1, 18: “A pregação da cruz é loucura para os que se perdem, mas para os que são salvos, para nós, ela é força de Deus”.

Somente com a cruz você consegue sofrer sem se afastar do verdadeiro amor, que é o de Deus. Você não tem sofrimento algum, não tem problema, porque o seu sofrimento foi levado para a cruz. Não é fácil abraçar a cruz quando tudo dá errado; eu sei... Drogas, traição, bebedeira... Não fique amargo, não murmure, apenas confie porque Jesus transforma o amargo em doce!

"A oração é uma das formas de você ficar firme na cruz; invista na conversa com o Senhor"
Foto: Wesley Almeida

A oração é uma das formas de você ficar firme na cruz; invista na conversa com o Senhor. Jesus tinha todos os motivos do mundo para não nos perdoar, afinal, não acreditamos n'Ele e O matamos. Você não tem o direito de não perdoar, viver na tristeza e na amargura. É amargo quem não abraça a cruz, quem não perdoa e quem não é devoto de Maria.

Veja no Evangelho de São João 19, 25-27:

“Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: 'Mulher, eis o teu filho!' Depois disse ao discípulo: 'Eis a tua mãe!' A partir daquela hora, o discípulo a acolheu no que era seu”.

"Jesus transforma aquilo que é maldito em bênção"
Foto: Wesley Almeida

Maria é doçura. Repare que Jesus não diz “Eis aí a minha mãe”, mas sim, “Eis aí a tua mãe”. Nosso Senhor nos deu uma intercessora junto a Ele, não podemos deixá-la de lado.

25/02/2010

Submissão é o segredo

O segredo é a obediência! É interessante a palavra "submisso".

Não é um conceito humano que nós temos da palavra "submisso" como se fôssemos escravos. Meus irmãos, é do veneno de cobra que se tira o antídoto, justamente, para curar quem foi mordido por uma, que é o soro antiofídico.


A rebeldia e a insubmissão foram as primeiras coisas que o inimigo de Deus inoculou em nosso coração. Veja, há crianças, que mesmo quando pequenas, já começam a ser rebeldes, e quando crescem, tornam-se pessoas adultas e rebeldes, e é isso que traz desgraças para nossas famílias. Na verdade, ninguém quer ser submisso ao outro. Quanto sofrimento de pais por causa da insubmissão dos filhos! Percebe-se que as novelas contribuem para essa insubmissão, elas estão inoculando nas mulheres – desde as mais novas até as que já se tornaram mães – a insubmissão. Quantas famílias acabam por causa da insubmissão da esposa, que também é mãe. E quantos pais e quantas mães carregam nas costas, literalmente, os seus filhos, principalmente quando eles se desencaminham pelos caminhos mais errados.

O cérebro comanda o coração. A mulher é o coração. Os nossos lares precisam da presença materna, precisam de esposa. O homem é cabeça e Deus o contituiu a cabeça do lar. Na verdade, quem suporta e carrega a família toda é o homem. É ele quem carrega toda a família, e deve ser o submisso e o suporte de toda a família. Tanto assim que na Carta aos Efésios está escrito: (essa leitura é lida em muitos casamentos)

Efésios 5,21: 'Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo'.

Como eu dizia: como os filhos precisam ser submissos aos pais, e as mulheres submissas aos maridos; e os maridos, portanto, acabam sendo submissos a todos, como suporte. Ele é o suporte e deve ser esse suporte em tudo. Por vezes, há uma falta total de entendimento sobre essa palavra. Com essa explicação, você está entendendo.

A mulher é o coração e o homem é a cabeça. Eu preciso falar especialmente a nós homens, em especial a você que é casado e que é, portanto, pai. Jesus chamava Deus de "Pai", O tratava de Pai e O amava como Pai, e Lhe obedecia como Pai, Lhe era submisso como Pai. Jesus era e é a cabeça da Igreja, mas a cabeça de Jesus é o Pai, é o Pai quem comanda, mas repito: e é Jesus, o Filho de Deus Pai, a cabeça da Igreja.

Veja, você que é esposo e pai, a dignidade que Deus lhe deu, você é a cabeça da família. O Pai verdadeiro (Deus) deu a você também o nome de pai, porque Ele conta com você.

Assista ao vídeo: Obediência x Rebeldia



24/02/2010

Vamos falar de dinheiro?


É preciso colocar a vida em primeiro lugar

A Quaresma, como sabemos, é um tempo propício para a nossa conversão, um período de renovação espiritual. Um tempo para "rever a vida", abandonar o que nos faz mal e viver o que Jesus recomendou: "Vigiai e orai, porque o espírito é forte, mas a carne é fraca".

Para nos ajudar ainda mais nesse período de conversão, revisão e renovação, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) incorporou, na Quaresma, a Campanha da Fraternidade (CF). Para aproveitarmos esse tempo forte de espiritualidade de forma melhor, a CF nos apresenta um tema específico para que, dessa forma, colhamos frutos bem práticos desse período de penitência e de conversão.

Neste ano a Campanha da Fraternidade nos propõe o tema: "Economia e Vida". E o lema: "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro". Um assunto fundamental e que precisa ser colocado em pauta, não somente por causa das crises econômicas no mundo, mas por causa das propostas de mercado existentes e também para refletirmos como nós cristãos lidamos com nosso dinheiro no dia a dia.

Para muitas pessoas é um drama relacionar a vida de fé com a vida financeira. E para nos ajudar, a CNBB, juntamente com as demais Igrejas do CONIC, nos apresenta estratégias para trabalharmos esse assunto de modo mais eficiente, especialmente nesse período quaresmal. Vamos a elas.

Denunciar: mostrar abertamente os modelos econômicos que visam acima de tudo o lucro e não levam em consideração a vida das pessoas. É preciso denunciar as situações nas quais o interesse econômico se sobrepõe à defesa da vida.

Educar: é preciso colocar a vida em primeiro lugar. A economia deve ser colocada à disposição das pessoas e não as pessoas a serviço da economia. E uma educação também no âmbito pessoal. Para lidarmos com dinheiro é preciso responsabilidade e para isso é necessária a educação financeira.

Conclamar: que quer dizer agir. Espalhar essa notícia e convidar a outros tantos para participarem conosco dessa iniciativa. Promover também, por meio de ações políticas, sociais e pessoais situações que favoreçam a solidariedade nas propostas econômicas e o equilíbrio no uso pessoal do dinheiro.

Depois de perceber e demonstrar o que há de errado (denunciar); aprender a como lidarmos corretamente com o dinheiro (educar); resta-nos convidar a outros e agir da melhor maneira em relação à questão financeira (conclamar). Não é difícil. A Campanha da Fraternidade já nos dá as dicas de que passos seguir para entendermos de forma mais profunda e vivermos a nossa relação com o dinheiro segundo a perspectiva da fé cristã.

Que o Espírito Santo nos conceda o dom da coragem para vivermos a penitência quaresmal e ressuscitarmos com Cristo na Páscoa para uma vida nova, inclusive no âmbito financeiro.

22/02/2010

Como se libertar das forças do mal


" Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor, pelo seu soberano poder. Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares. Tomai, por tanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever. Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça, e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz. Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus. Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos.”

Acredito que este seja um dos trechos mais difíceis de se entender na bíblia, mas hoje tentaremos esclarece-lo. Paulo nos dá o caminho para a santidade neste trecho. Por exemplo, o que são os principados e potestades? A mentalidade do homem é que há uma luta entre o bem e o mal, mas nem todos crêem que exista espíritos maus. Tudo o que Deus criou era bom, mas então o que são essas forças más que estão espalhadas nos ares?

Hoje nós vemos o que está acontecendo no mundo, as catástrofes, e tantas outras coisas e parte disso pode ser atribuído a esses espíritos que estão pelos ares. Os espíritos malignos são seres espirituais que não tem a capacidade de sentir ou fazer coisas ou pecados como cometemos nós seres humanos, pois eles não são matéria, estão nos ares.

Estes espíritos são malignos, mas não foram sempre malignos, pois o que Deus criou era bom. Deus os colocou à prova, eles foram colocados na situação de poder dizer sim ou não e escolheram dizer não a Deus. Mas nesse período da prova destes anjos alguns começaram a ter dúvidas se realmente queriam viver inteiramente na presença de Deus, se Deus realmente queria o bem deles.

São Tomás de Aquino diz que para os anjos também tem um tempo, porém eles não vivem como nós seres humanos submetidos a um tempo material, físico, eles vivem em um tempo espiritual, imaterial, chamado Evo.

Mas estes espíritos começaram a pensar se Deus realmente os queria bem e começaram a pecar, porque se permitiram a duvidar de Deus. Desta forma a vontade dos anjos começou a se enfraquecer, a vontade deles começou a dizer “vai e te afasta de Deus” e a razão começou a fortalecer a vontade, começou a dar motivações para que o pecado deles se concretizasse e eles se afastassem de Deus.

Começou então uma luta terrível de quem estava a favor de Deus e quem estava contra o que Deus lhes falava. Para os que eram contra Deus, tudo se tornou pesado e eles já não tinham forças para obedecer a Deus. Deus tentava lhes mostrar que eram amados, mas infelizmente tudo já havia se tornado pesado a eles e tudo que Deus lhes fazia, eles pensavam que era para serem dominados.

Em apocalipse 12, 7, vai dizer que houve uma batalha no céu, mas esta batalha não foi com canhões, armas, pois como eu disse os anjos são seres espirituais, mas foi uma batalha intelectual. Miguel tentava mostrar-lhes que o que eles estavam fazendo podia afastar-lhes definitivamente de Deus e eles queriam mostrar que tudo o que Deus fazia era para dominá-los. Essa batalha aconteceu em um Evo, tempo em que vivem os seres espirituais.
"Se você alimentar a dúvida, o demônio pode tomar conta de você!" diz pe. Antonello
Foto: Sávio/CN

Nesta fase alguns anjos que já haviam se decidido se afastar de Deus voltaram para o lado de São Miguel e outros se convenceram a lutar contra São Miguel e se afastar de Deus. Depois de um certo tempo Deus legitimou que não podia fazer mais nada por estes anjos, pois eles se decidiram definitivamente contra Deus. E então Deus os expulsou de sua presença. Nós, humanos, dizemos que estes espíritos, os demônios, foram para o inferno, mas na verdade o inferno está neles mesmos, pois eles sofrem por terem se afastado da presença de Deus.

Havia uma organização, era tudo harmonioso entre estes anjos, mas eles se tornaram rebeldes. Chamamos estes de principados e potestades, porque é assim que chamamos a classe dos anjos e embora eles tenham se afastado de Deus não deixaram sua natureza, então usamos estes termos tanto para os anjos como para os demônios. Cada um destes demônios foram se tornando maus e aumentando suas maldades.

Nós não podemos nos relacionar com estes espíritos maus, como diz São Paulo, precisamos nos proteger deles. Há demônios de classe inferiores que se tornaram mais maus do que aqueles que eram de classes superiores. Dou um exemplo, Hitler comandou um exército e fez muitas maldades, mas possivelmente haviam soldados subordinados a ele que nos campos de batalha se tornaram muito piores do que Hitler e tiveram a capacidade de fazer maldades piores que o seu próprio comandante.

Já os anjos que optaram por Deus se aproximaram mais e mais de Deus e por isso foram adquirindo mais virtudes. Então não devemos nos deixar dominar pelos males desses demônios, eles continuamente vivem contra Deus. E nós precisamos nos defender destes males. Quantas famílias e casais se destroem pelos mesmos princípios destes anjos que duvidaram de Deus? A mulher começa a duvidar do marido e começa a se afastar do marido e de Deus, pois acha que Deus não houve suas preces e começa dar ouvido a amigas e em tudo isso estes espíritos malignos vão percebendo e vão agindo, tornando as coisas cada vez piores ao ponto de destruir as famílias.

Fiquemos atentos contra os espíritos maus e lutemos contra qualquer dúvida, contra os males que eles nos fazem. Se você alimentar a dúvida, o demônio pode tomar conta de você!