08/01/2010

O Vaticano não é rico


O orçamento anual do Vaticano é de US$ 300 milhões; 50% deste orçamento vem de doações; a avaliação das propriedades do Vaticano deveria se aproximar dos US$ 500 milhões; nos Estados Unidos, a Universidade de Notre Dame – tem um orçamento operativo de mais de US$ 1 bilhão - isto é, pode financiar o Vaticano três vezes.

Entrevista com John L. Allen Jr.

A reportagem é de Andrew Chernin, publicado na revista “Qué pasa” e no sítio “Religión Digital”, 31-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Como a Igreja e a Santa Sé se financiam?

O orçamento anual do Vaticano é de US$ 300 milhões. Basicamente, eles têm três fontes de renda: a primeira são as doações de igrejas locais e conferências de bispos em todo o mundo. As paróquias são obrigadas a entregar dinheiro às dioceses, e as dioceses são obrigadas a entregar dinheiro para o Vaticano.

Qual é a segunda?

Os investimentos. Em 1929, a nova República italiana pagou ao Vaticano uma enorme quantia por todas as propriedades que ela lhe havia confiscado. Essa quantidade, que hoje seriam de várias centenas de milhões de dólares, foi investida em uma carta de investimentos de bônus e ações que ainda existe e que, a cada ano, entrega renda ao Vaticano.

Resta a última.

O Vaticano é dono de cerca de 700 propriedades, principalmente em Roma, mas também em toda a Itália. Muitas delas são arrendadas a companhias e a pessoas, como lojas ou departamentos. Então, a cada ano, há dinheiro que chega por esse caminho.

Isso é suficiente?

Todo ano, em geral, eles andam muito apertados com esse orçamento, e não se sabe se ganharão o suficiente para pagar os gastos do Vaticano.

Falo das doações. São muito fundamentais?

Cobrem 50% do orçamento anual. As outras duas contribuem com 25% cada.

Em quanto estão avaliadas as propriedades?

O Vaticano diz que seu patrimônio, que inclui bens raízes, chega a US$ 770 milhões. O grosso dessa cifra são as propriedades. Então, no total, a avaliação deveria se aproximar dos US$ 500 milhões.

Eles estão com números vermelhos ou azuis?

Desde o final da década de 70 até o começo dos 90, eles estavam com números vermelhos quase todos os anos. Depois, chegou um cardeal norte-americano de Detroit encarregado da operação financeira, que era conhecido por ser alguém habilidoso com o dinheiro. Ele corrigiu o déficit, e eles obtiveram números azuis por vários anos. A partir daí, veio uma crise financeira, e voltaram a ter números vermelhos, mesmo que o déficit não tenha sido muito grande. Em geral, a Igreja não obtém excedentes significativos.

Então não se poderia dizer que a Igreja é rica.

Eu colocaria desta forma: o orçamento operativo da Igreja é de US$ 300 milhões. Nos Estados Unidos, a Universidade de Notre Dame – que é a maior universidade católica do país – tem um orçamento operativo de mais de US$ 1 bilhão. Isto é, pode financiar o Vaticano três vezes. O patrimônio do Vaticano – quase US$ 800 milhões – é semelhante ao que é entregue às organizações sem fins lucrativos dos Estados Unidos como doação. Meu ponto é que, se medirmos pelos padrões das organizações sem fins lucrativos, o Vaticano não é particularmente rico. O que acontece é que, diferentemente das organizações sem fins lucrativos – em que o item que absorve mais capital é o pagamento de salários –, no Vaticano, a maioria dos “empregados” são sacerdotes ou freiras que ou não recebem salário ou paga-se-lhes o mínimo. Essa é a forma pela qual o Vaticano pode manter as coisas andando com um orçamento que, no mundo das organizações sem fins lucrativos, seria considerado bastante modesto.

Qual é o departamento encarregado das finanças da Santa Sede?

A Prefeitura dos Assuntos Econômicos.

Como ela funciona?

Um cardeal – Sergio Sebastiani – é o presidente emérito. Ele tem uma junta de consultores. Além disso, existe um conselho de cardeais que assessora a Prefeitura na administração financeira. Esse conselho, por sua vez, tem uma junta de consultores que são profissionais financeiros, especialistas em investimentos etc.

Que perfil tem a pessoa que chega a esse cargo?

O Papa o nomeia. Quase sempre é um bispo italiano veterano que tem reputação de saber lidar com o dinheiro. Informalmente, se subentende que deve ser italiano porque há muita interação com o sistema bancário desse país.

Como você descreveria a atual gestão?

São imensamente conservadores. Fazem investimentos de muito baixo risco. Sei que, muitas vezes, foi frustrante para os cardeais que proveem especialmente dos Estados Unidos e da Europa, porque a Santa Sé demora em adotar algumas das práticas básicas para a administração e investimentos que são usadas em outras partes do mundo. Eles publicam um balanço financeiro anual. Mas não é divulgado. Não há uma auditoria independente das finanças. Ao longo dos anos, muitos cardeais queixaram-se privadamente comigo de que obteriam melhores retornos de investimento se pudessem atrair pessoas externas que tomassem decisões responsáveis, mas ligeiramente mais audazes.

O problema passa pela modernização, então.

É preciso entender que isso é o Vaticano. O problema de fundo, acredito, é que se trata de uma instituição cuja aproximação ao dinheiro é pré-moderna.

Em que sentido pré-moderna?

Anterior às práticas modernas de contabilidade. Que não se sente cômoda com estratégias de investimento do século XXI. Estamos falando de uma aproximação ao dinheiro que se formou na Alta Idade Média. No entanto, estão lidando com católicos de todo o mundo, que têm sim altas expectativas enquanto a transparência, gestão e responsabilidade


Arquivado em: Entrevistas — Prof. Felipe Aquino
http://blog.cancaonova.com/felipeaquino

A riqueza do Vaticano não pode ser analisada em termos absolutos, mas comparada com os outros Estados; nesse sentido é o menor orçamento entre as nações.

Entrevista com John L. Allen Jr, vaticanista, é o correspondente da NCR.

Alguns dados retirados da entrevista

07/01/2010

Todos somos doentes em relação ao pecado



“Que o pecado não mais reine em vosso corpo mortal para fazer obedecer às suas concupiscências” (Rm 6,12).

Quando você monta num cavalo, toma as rédeas e o leva para onde quiser. A Palavra de Deus diz: “não permita mais”, o pecado quer “montar” em você e fazê-lo obedecer às rédeas dele.

Não faça mais isso! Não permita mais! “Que o pecado não mais reine em vosso corpo mortal”, que você não obedeça mais a seus impulsos nem ofereça seus membros como instrumentos do mal. Você já não está mais sob a lei do pecado. Não ofereça de novo seus membros a ele. Não se ponha de novo sob o jugo da escravidão.

Seus membros querem pecar. Eles ficaram marcados, habituados, até viciados pelo pecado. Logo, há em você uma inclinação, um impulso para o pecado. Como as pessoas que sofrem de alcoolismo sentem inclinação para o álcool, não podem tomar o primeiro gole, assim você não pode ceder à sua inclinação para o pecado.

Em relação ao pecado, todos somos doentes. Nossos membros já estão feridos e marcados por ele. Então, não podemos dar o primeiro passo. Não podemos lhe oferecer nossos membros: eles são de Deus, criados por Ele, alvos e resgatados por Jesus Cristo.

Infelizmente, já os oferecemos ao pecado, que já nos usou demais como instrumento para o mal. Agora, chega. A Palavra diz: se ofereça a Deus como vivo, salvo da morte, para que seus membros sejam instrumentos do bem a serviço d’Ele.

O pecado já não o dominará, porque agora você não está mais sob a lei, e sim sob a graça.

No Reino de Deus, porque somos cristãos, batizados, o Senhor tão bom, tão Pai, tão misericordioso, nos perdoa. Jesus veio para os pecadores. Veio para os doentes. Portanto, você não pode levar uma vida “mais ou menos”.

Porque o Senhor é bom, misericordioso, porque Ele nos salvou, agora queremos viver para Deus. Vivos para Deus, não permitamos mais que o pecado reine sobre nós e nos use para o mal.



Decida-se. Tome uma resolução. Se, infelizmente, acontecer de você pecar, porque sua carne é fraca e seus membros resvalam no pecado, imediatamente volte para o Senhor e O busque no sacramento da reconciliação, na confissão. Receba o perdão de Deus, acolha novamente Sua graça. Levante, recomece tudo de novo.


O versículo 19 da Carta aos Romanos nos esclarece:

"Eu me sirvo de palavras totalmente humanas, adaptadas à vossa fraqueza. Do mesmo modo que pudestes vossos membros como escravos a serviço da impureza e da desordem, que conduzem à revolta contra Deus, ponde-os agora como escravos a serviço da justiça, que conduz à santificação" (Rm 6,19).

Com uma faca você pode fazer coisas lindas e terríveis: pode cortar alimentos e abrir caminhos, mas pode também matar. Com seu corpo é assim também: você pode servir ao bem ou ao mal, fazer coisas lindas ou matar.

“Do mesmo modo que pusestes vossos membros como escravos a serviço da impureza e da desordem, que conduzem à revolta contra Deus, ponde-os agora como escravos a serviço da justiça, que conduz à santificação. Quando éreis escravos do pecado, éreis livres com relação à justiça. Que frutos produzíreis então? Hoje tendes vergonha deles, pois o seu fim é a morte. Mas agora, libertados do pecado e feitos escravos de Deus, produzis os frutos que conduzem à santificação e cujo fim é a vida eterna. Pois o conduzem à santificação e cujo fim é a vida eterna. Pois o salário do pecado é a morte; mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 6,19b-23).

06/01/2010

O encontro com a existência de Deus


A matéria não pode vir à existência do nada por si mesma. Nem mesmo o que chamamos de energia pode, por si mesma, gerar uma matéria ou uma realidade concreta, sem que esta antes não fosse produzida. A origem de qualquer coisa deve necessariamente partir de uma decisão inteligente de fazê-la vir à existência. Somente um Ser Sumo Inteligente e Todo-poderoso é capaz de criar do nada qualquer elemento.

A razão humana é limitada e não possui capacidade de especulação capaz de ultrapassar esta realidade; ela consegue no máximo chegar à conclusão de que uma Transcendência deu origem e ordenou todas as coisas, ao mesmo tempo é o princípio que mantém a mesma existência de todas as coisas. Esta Transcendência é chamada de Deus.

O homem é capaz de chegar ao conhecimento de Deus. Contemplando o que existe na natureza: a terra e tudo o que nela existe, o céu e tudo o que o compõe, o homem e toda a sua complexa estrutura bio-psico-espiritual. Enfim, por meio do esforço racional, o homem é capaz de chegar à constatação da existência de Deus. Não se trata de uma constatação sensível, como, por exemplo, uma descoberta feita em laboratório ou pelos órgãos do sentido. Trata-se de chegar à conclusão de que qualquer coisa possui uma origem. Como disse acima, a origem de todas as coisas acontece porque um Ser criou tudo do nada. Conhecer como este Ser é e como Ele se relaciona com o ser criado só pode acontecer caso Ele se revele ao homem.

Ao reconhecer a existência deste Ser chamado Deus, naturalmente se reconhece que se trata de uma verdade sólida e imutável. Reconhecer, portanto, que Deus existe é um ato de experiência pessoal. Essa experiência de adesão a essa verdade é um ato humano, o qual expressa a busca incessante do homem em vista de um desejo de encontro com uma realidade que constantemente o provoca interiormente, o deixa inquieto até que o encontro se realize.

A realidade de Deus, uma vez encontrada, na verdade, expressa um deixar-se encontrar da parte do homem. Deus sempre procurou o homem, a busca do homem pelo Senhor e a adesão a Ele manifestam o acolhimento da pessoa ao eterno convite. Deus criou o ser humano para se relacionar com ele como amigo.

A fé é a resposta do homem e da mulher a Deus, que a ele Se revela e Se oferece, resposta que, ao mesmo tempo, traz uma luz superabundante ao homem que busca o sentido último da sua vida

(cf. CIC 26).

05/01/2010

Pegar a 'condução' da carne significa 'tirar férias de Jesus'


Férias combinam bem com viagem. Quando alguém nos diz que entra de férias, perguntamos: “Vai viajar para onde?” Férias sem uma saída de onde se passou o tempo todo, nem parecem férias. Infelizmente, nem todos conseguem fazer, nem que seja uma pequena viagem.

Quem decide viajar, precisa escolher uma condução. Algo que o conduza ao destino. Naquele final da viagem espera encontrar familiares, amigos e um lugar de descanso. Quem deseja viajar, precisa pensar antes na condução. Quanto melhor e mais rápida for a condução, tanto mais fácil e seguro se chegará ao destino.

Aqui podemos nos deixar iluminar pela Palavra de Deus. Ela fala de duas conduções:

“A carne aspira ao que CONDUZ à morte; mas o Espírito aspira ao que dá vida e paz” (Rm 8, 6-7). Conforme a condução escolhida será o destino ao qual se chegará.

Não é possível servir a dois senhores. Não é possível andar em dois caminhos diferentes ao mesmo tempo. Assim também, não é possível pegar duas conduções diferentes ao mesmo tempo. Se há duas, é preciso escolher uma.

A Palavra de Deus diz: ou somos conduzimos pelo Espírito ou pela carne. Os que são conduzidos pelo Espírito acabam chegando na vida e na paz. Já os que são conduzidos pela carne, têm como destino final a morte.

Se você escolher o caminho ser conduzido pelo Espírito, no final das férias, estará descansado, revigorado e na vida e na paz. Mas, se pegar a condução da carne, vai terminar na morte. Pegar a “condução” da carne significa “tirar férias de Jesus”, ou seja, esquecer Deus e Seus Mandamentos durante o período de férias. Deixar de participar da Santa Missa, não rezar, não ler a Palavra, cair nas bebedeiras, farras e seguir os prazeres da carne. Isso é se deixar conduzir pela carne.


Imagino que você vá preferir o melhor. Caso queira terminar sua vida “na vida e na paz”, então vão aí algumas dicas:

a) Procure ir à Santa Missa ao menos no final de semana.

b) Leia um pequeno trecho da Palavra de Deus, todos os dias.

c) Reze seu terço todos os dias.

d) Leia ao menos um livro espiritual (E não Espírita).

e) Fique a sós e medite alguns minutos no dia.

f) Louve a Deus por tudo que você vê de diferente onde estiver.

Jesus um dia falou que Maria escolheu “a melhor parte”. Seja esperto, também. Escolha passar as férias “no Espírito” e não “na carne”. Faça essa escolha e estas férias poderão se tornar as melhores de sua vida. Boa escolha e boas férias!

04/01/2010

2010 está nas mãos do Senhor

Mais de 30 mil fiéis proclamaram na Canção Nova, neste fim de semana e início do novo ano, que "A alegria do Senhor é a nossa força", durante o Acampamento de Ano Novo na sede da Comunidade Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP).



O primeiro pregador do evento, o missionário Márcio Mendes, animou os fiéis dizendo que Deus desejava preparar o coração de cada um para começar bem o ano e continuar bem até o fim. "Aquilo que nós começamos mal, termina pior ainda. Feliz de você que decidiu começar o seu ano consagrando-se a Deus, pois vai colher os frutos do que está semeando".

Márcio exortou ainda os participantes a se afastarem da tristeza e a buscar em Deus a força para cultivar a alegria mesmo na provação. "A tristeza é um veneno mortal que mata a alma do cristão. Enquanto você não faz uma experiência com Deus, você não pode ser feliz", concluiu.

Dunga convidou os participantes a caminharem decididamente, afirmando que não importava o grau que cada um havia chegado, mas sim a maneira diferente de caminhar a partir das experiências vividas no evento. "Você está num fim de semana que é o início de um novo ano e que pode ser o início de uma vida nova. Você não pode voltar para sua casa do mesmo jeito que chegou aqui. Você só tem dois jeitos de voltar para casa: ou bem melhor ou bem pior. Do mesmo jeito você não volta para sua casa".

Na Missa da vigília, padre José Augusto proclamou que Deus dava aos fiéis a sua graça e sua bênção para este ano. "O ano de 2010 será o ano da bênção. E a bênção para a humanidade, a bênção para a sua família se chama Jesus".

No dia da Festa da Santa Mãe de Deus, 1º, o diácono Nelsinho Corrêa proclamou em sua pregação: "Tudo por Jesus e nada sem Maria" e, afirmou, que Nossa Senhora é a Mãe de Deus, e que por vontade do próprio Deus ela é também Mãe de todos os homens. "Tem que ser muito humilde de coração para entender que um Deus tão grande quis ter uma Mãe e, é a Mãe de Deus que cuida de nós, que nos ampara".

Padre José Augusto, através da Palavra de Deus, acalmou os corações que estavam agitados com as preocupações cotidianas. "Acalma-te, para que tanta agitação? Acredite em Jesus. Ponha a confiança Nele. Tudo está na mão de Deus, que nós confiamos. O ano de 2010 está nas mãos de Deus".



No sábado, 2, Ricardo Sá deu sete dicas para o cristão permanecer na graça de Deus: 1º Vida espiritual, 2º Amizades verdadeiras, 3º Ter metas, 4º Ter uma pessoa que o conheça de verdade, 5º Viver em atitude de vigilância, 6º Colocar-se a serviço do próximo e 7º Ter paciência consigo mesmo e com os outros.

Em seguida, padre Edimilson convidou os católicos a não perderem a esperança, mas esperarem com confiança os milagres de Deus. "O desespero opõe-se à bondade de Deus e à sua justiça, porque o Senhor é fiel em suas promessas".

"Deus nos convida a viver a esperança como sinal de Sua presença para o mundo. Deus quer fazer frutificar, pelo Espírito Santo, a esperança no seu coração", assegurou Júlio Brebal. Afirmação que devolve a esperança aos corações desesperados.

O segredo de uma vida fecunda está em permanecer em Jesus, testemunhou padre Edmilson na Santa Missa, revelando as várias maneiras para permanecer em Jesus, através da comunhão diária com a Palavra de Deus; comungar na Santa Missa; adorar o Santíssimo Sacramento e rezar pelo menos um terço diário. "No final de 2010 você vai verificar os belíssimos frutos conquistados", assegurou.

Na manhã deste domingo, 3, padre Marcos Pacheco assinalou que a felicidade em Deus não quer dizer ausência de dificuldades, de dor ou de sofrimento. E que muitos buscam a felicidade aonde não está a vontade de Deus. Este é o motivo de tanta dor e sofrimento. "O sofrimento, a dor e a angústia não vem de Deus, nenhum mal pode vir de Deus, mas Deus permite porque Ele quer fazer disso um excelente instrumento pedagógico para que nós venhamos a crescer na fé".

Cristão chora, sofre, porém dá uma reposta diferente, foi o que testemunhou o casal da Comunidade Canção Nova, Cleto e Carla Astuti na manhã do último dia do evento.

A música também foi instrumento de evangelização nesses dias de evento, num ritmo irreverente a cantora Jake levou a galera a dançar com muita alegria. Já o Ministério "Adoração e Vida", com muita unção, levou a platéia a uma profunda experiência com Deus e, a banda Anjos de Resgate proporcionou uma reflexão quanto à vida familiar e o relacionamento entre amigos.



Para finalizar o evento, padre Roger Luís, na homilia da Missa levou os fiéis a proclamarem: "nossa força e vitória tem um nome e é Jesus".

O sacerdote exortou os participantes a voltarem para suas casas celebrando a glória de Deus. E que assim como os reis magos acolheram a boa nova da salvação, todos precisamos acolher também. "O Ano Novo está apenas começando, deixe as coisas velhas para trás", exortou.

Um questionamento ficou para a assembleia: O que você precisa deixar hoje para continuar seguindo Jesus? O que você ainda possui e precisa abandonar para ser uma pessoa feliz, para ficar com Jesus? Esse questionamento também é para você que deseja uma vida nova em Cristo. O que você precisa deixar?

Que no decorrer de todo o ano de 2010, você proclame também em todas as situações:

"A alegria do Senhor é a nossa força".

30/12/2009

"Sacramentos são o grande tesouro da Igreja", afirma o Papa

"Os sacramentos são o grande tesouro da Igreja e cada um de nós tem a tarefa de celebrá-lo com frutos espirituais. Neles, um evento sempre surpreendente toca nossa vida: Cristo, através dos sinais visíveis, que vêm ao nosso encontro, nos purifica, nos transforma e nos torna participantes de sua amizade divina", exortou Bento XVI durante a última Audiência Geral do ano, nesta quarta-feira, 30.

O Papa centrou suas reflexões no teólogo Pedro Lombardo, que viveu no século XII e ganhou fama graças aos quatro livros de Sentenças, obra adotada como um manual de Teologia durante muitos séculos.

"A apresentação orgânica da fé é uma exigência irrenunciável. De fato, as verdades singulares da fé iluminam os outros e, em sua visão total e unitária, amparam a harmonia do plano de salvação de Deus e a centralidade do mistério de Cristo", disse Bento XVI, com base no exemplo de Lombardo.

O Pontífice fez um apelo a quem é responsável por ensinar os fiéis católicos. "Convido todos os teólogos e padres a manter sempre presente a visão integral do conjunto da doutrina cristã contra os riscos modernos de fragmentação e desvalorização daquelas verdades singulares".

Na luta contra esses riscos, Bento XVI destaca que o Catecismo da Igreja Católica e o Compêndio do mesmo Catecismo são aliados positivos.

"Se apresentam como um panorama muito completo da Revelação cristã, e devem ser acolhidos com fé e gratidão. Gostaria, portanto, de encorajar também os fiéis e comunidades cristãs a fazer uso dessas ferramenta para conhecer e aprofundar o conteúdo de nossa fé. Isso se tornará semelhante a uma maravilhosa sinfonia, em que se fala de Deus e de seu amor e se convida a nossa firma adesão e ativa resposta", disse.

Atual ainda hoje

Para explicar o interesse que ainda hoje pode suscitar a obra de Pedro Lombardo, Bento XVI salientou dois exemplos de seu trabalho.

O primeiro é sobre o comentário de Lombardo acerca do porquê de a mulher ter sido criada da costela de Adão, e não de sua cabeça ou pés. "Não foi formada como uma dominadora ou uma escrava do homem, mas sua companheira" (Sentenças 3, 18, 3), explica o teólogo da Idade Média. É nessa reflexão que se enraiza o ensinamento que faz analogia da relação esponsal entre Cristo e a Igreja.

Já o segundo exemplo destacado pelo Papa é com relação às virtudes de Cristo e uma pergunta lançada por Pedro Lombardo. "Por qual razão, então, [Cristo] quis sofrer e morrer, se suas virtudes já eram suficientes para obter todo o mérito?".

O Papa explica: "Sua resposta é incisiva e eficaz: 'Por ti, não para si mesmo!'. Ele continua com outra pergunta e outra resposta, que parecem reproduzir as discussões que tiveram lugar durante as aulas dos mestres de teologia da Idade Média: 'E, nesse sentido, ele sofreu e morreu por mim? Sua paixão e sua morte foram para ti exemplo e causa. Exemplo de virtude e humildade, causa de glória e libertação; exemplo dado por Deus obediente até à morte, por causa de tua liberdade e felicidade' (Sentenças 3, 18, 5)".



Sacramentos


A contribuição mais importante de Lombardo à Teologia, segundo o Papa, é sua definição sobre o que são os sacramentos. O Papa destaca e explica esse ensinamento:

"'O sacramento, em sentido estrito, é um sinal da graça de Deus e forma visível da graça invisível, de tal modo que leva à imagem e essência da causa' (4, 1, 4). Com esta definição, Pedro Lombardo capta a essência dos sacramentos: são a causa da graça e tem a capacidade de comunicar realmente a vida divina".

Por ocasião da celebração do Ano Ano Sacerdotal, Bento XVI exortou os sacerdotes a terem uma intensa vida sacramental. "A celebração dos sacramentos seja marcada pela dignidade e decoro, favoreça o recolhimento pessoal e a participação da comunidade, no sentido da presença de Deus e o ardor missionário".


.: Leia o texto completo da Audiência

29/12/2009

Desencontro de gerações


Quando percebemos mãe e filha adolescente em relacionamento é interessante notar que temos duas mulheres frente a frente vivendo momentos de vida totalmente diferentes. A mãe já passou por tudo aquilo que sua filha passará e isso fará a diferença na relação! Conviver com o adolescer é algo bastante marcante e mexe consideravelmente com a vida das famílias; a mãe, em especial, é aquela que acompanha bem de pertinho tais mudanças, não apenas as corporais, mas as emocionais também.

A filha está abandonando o corpo de menina para o corpo de mulher, despertando assim sua sexualidade. A jovem procura independência, liberdade, menos controles dos pais, mesmo não tendo qualquer experiência a este respeito. O medo (sim, o medo!) existe, mas a jovem dificilmente confessará seus temores aos pais. Misturam-se a impulsividade, a agressividade, a instabilidade e a contradição. Tantos sentimentos diferentes e todos eles misturados.

Quais são os comportamentos esperados nesse período?

A jovem rivaliza com a mãe, desafia as convenções, estabelece seus padrões de conduta. A jovem fala sobre coisas que não ficam claras e também não dá clareza sobre nada. É aí que entra a figura da mãe como aquela que, muitas vezes, terá de traduzir o que a filha diz; as mensagens nem sempre são claras: pede perdão ou pede ajuda “entre palavras, nas entrelinhas….” A filha exige que seja tratada como “gente grande”, mas ainda não se esqueceu dos seus comportamentos infantis. É como se a jovem vivesse o luto pelo corpo perdido, pela transição para uma fase tão desejada, mas ao mesmo tempo, tão assustadora; e, muitas vezes, não sabe para onde ir, e os pais, a mãe em especial, muitas vezes, sentem-se incapazes de dar o suporte necessário.

Vamos lembrar de um ponto importante: como tratar as emergências adultas e o tratamento que muitas vezes ela assim exige, com momentos, necessidades e atitudes ainda tão infantis?

É o desencontro entre a própria geração! A jovem que vê desabrochar o corpo de adulta, as pressões de um mundo adulto, mas que muitas vezes, ainda não é madura o suficiente para perceber-se assim ou para se reposicionar em sua idade.

Parece uma “missão impossível”? Muitas vezes, sim. Os pais, a mãe em especial, precisam mostrar interesse, mas não invadir. Porém, nessa tentativa, muitas vezes se afastam da jovem, que, numa fase de tanta influência por terceiros, pode se deixar levar por referenciais nada positivos. Fique de olho!

É importante pensar que adolescentes, homens e mulheres, fazem seus pais “reviverem” a sua própria história como jovens. Mães, muitas vezes, revivem a adolescência, quando confrontadas com a jovialidade dos filhos. Contudo, para a mãe, o que se percebe é uma outra fase de vida: o amadurecimento e, por vezes, estão vulneráveis, sensíveis pela valorização da linda filha juvenil, pois podem estar perdendo a beleza, aquela juventude que para elas deixa de existir, mas, na verdade, se renova, é a beleza de cada fase de nossa vida!

Por fim, os papéis que se misturam, as idades com seus fatores emocionais específicos, todos entrelaçados numa única teia, vão se confundindo, mas ao mesmo tempo se solidificando. Reações muitas vezes inconscientes são assim vividas, mas especialmente, a relação mãe-filha/filho-pais deve ser coberta de muita compreensão, amor e receptividade nessa fase tão importante da vida!

28/12/2009

Qual a diferença entre graça e milagre?



A graça é uma ajuda divina que se obtém para o bom êxito das atividades do homem. Essa ajuda, todavia, não se exprime como perturbação das leis naturais, mas como um suplemento no seio da própria natureza, uma assistência particular que Deus concede intensificando as potencialidades naturais.

O milagre, por sua vez, manifesta-se precisamente como um acontecimento que se distingue do habitual desenvolvimento da realidade. Possui características particulares. Nas causas dos santos, geralmente, são as curas, os milagres que o Discatério examina; e isso porque elas são acessíveis ao controle dos sentidos. Devem-se à intervenção de Deus por meio da intercessão de um servo d’Ele.

Na prática da Congregação, antes de o Papa declarar que um fato é milagroso, todo o processo é estudado de forma científica. Nesta fase, os médicos, singularmente e de forma colegial, são chamados a esclarecer se uma determinada cura é realmente inexplicável à luz da ciência médica atual. Para que uma cura possa ser considerada miraculosa tem de se constatar cientificamente que esta foi instantânea, completa e duradoura.

Aqui entramos no mistério de Deus. Nós não conhecemos os planos d’Ele na escolha de quem será atendido. Conceder uma graça ou uma cura é um ato livre do Senhor. Ele pede-nos total confiança. Na documentação para o estudo de um milagre nota-se, com frequência, que Deus, por intermédio de um venerável ou de um beato, concede a sua própria intervenção a favor de pessoas dispostas a receber o dom da cura e sobretudo intencionadas a cumprir a Sua vontade: Pedi e recebereis, batei à porta e ser-vos-á aberta, diz o Evangelho. A fé não só faz aderir à vontade do Todo-poderoso, mas é uma tensão viva do homem para entrar no mistério divino.

23/12/2009

A internet contribuindo para a evangelização

Hoje surgem novos campos, novos areópagos


Por si só, a invenção do telefone provocou uma grande revolução no mundo das comunicações. O advento do computador, associado às telecomunicações, gerou uma nova tecnologia: a teleinformática. Essa tecnologia é simplesmente responsável pela Internet, um novo conceito em comunicação, responsável pela explosão de uma nova era: a da informação. Vivemos um momento em que a informação viaja na velocidade da luz.

A tecnologia disponível na atualidade imprime uma maior velocidade nas mudanças do nosso cotidiano e a Igreja Católica está sensível a essas mudanças. A Internet deverá ser vista pela Igreja não só como uma ágil ferramenta de comunicação, mas, sobretudo, como um instrumento útil de evangelização de um povo cada vez mais carente de Deus.

Estamos vivendo uma época ímpar, em que a Igreja faz todo esforço possível para adaptar-se, – conforme as exigências do momento, sem, contudo, se distanciar do que é essencial –, às novas tecnologias, com um desejo de construir e fazer acontecer o Reino de Deus, abrindo, assim, uma nova página, início de um novo capítulo na história da evangelização. Para a Igreja, evangelizar é levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, é fazer nova todas as coisas (cf. Apoc 21, 5).

Felizmente temos a internet como uma graça que fascina a todos, como um espaço que nos ajuda no descobrimento de novos caminhos, meio imprescindível para fazer ecoar a mensagem do Evangelho, tornando a pessoa humana, nos dias de hoje, mais alegre e feliz, totalmente realizada em Cristo.

Hoje surgem novos campos, novos areópagos. É só olhar o mundo da internet para encontrar os nomes que já são conhecidos: web, sites, meios virtuais, programas interativos de TV, entre outros. À medida que se experimenta a ciência e a tecnologia, é claro e evidente que aparece o avanço na evangelização. As distâncias encurtadas e os acontecimentos e notícias em tempo real são graças e bênçãos. Que beleza e que maravilha!

Por isso, uma corajosa e lúcida imaginação se faz necessária, com uma boa linguagem e bem apropriada, de tal modo que o Evangelho chegue aos homens e mulheres do nosso tempo, envolvendo-os na nossa cultura hodierna, urbana e moderna. Cristo quer o coração ardoroso das pessoas de boa vontade, nas circunstâncias atuais, com novos métodos, novas expressões e novas maneiras.

Agora é preciso que tenhamos, nos dias de hoje, pessoas capacitadas, que vivam a intimidade das novas tecnologias, colocando-as a serviço da Boa Nova da Salvação. Eis o nosso maior desafio, que é o de toda a Igreja. Precisamos de animadores atualizados, que saibam levar a Palavra de Deus ao coração da nossa boa gente, com eficácia e criatividade, num mundo, em grande parte, indiferente, longe e distante da proposta e do convite do nosso Bom Deus, que é para todos.

O documento “A Igreja e a Internet” contribui para maior integração desses modernos recursos na atividade pastoral. A missão que Jesus deixou à Igreja foi a de transmitir aos confins da terra, até ao final dos tempos, Sua mensagem salvadora. Ela deve ser cuidadosamente distinguida do crescimento do Reino de Cristo. Contudo, seu progresso é de grande interesse para o Reino de Deus, na medida em que pode contribuir para organizar a sociedade humana. Ora, os atuais meios de transmissão de ideias representam fatores importantes na História, pois poderão cooperar, de forma eficaz, para os valores da dignidade humana, da comunidade fraterna e da liberdade, além de facilitar a transmissão do Evangelho.

Padre Anderson Marçal
Com. Canção Nova

22/12/2009

Monsenhor Jonas, a sua vida tem sido um canto novo de evangelização


Durante o Advento, a liturgia, pouco a pouco, foi construindo diante de nós um presépio vivo. Já bem perto do Natal aparece a figura de José, um homem justo, e Maria, a mulher que foi escolhida para ser Mãe do Filho de Deus. Na quarta semana do Advento, este presépio vivo está quase completo, só falta Alguém, cujo nascimento iremos celebrar no Natal.

Sofonias foi contemporâneo de Jeremias; no tempo de Sofonias a cidade de Jerusalém estava ocupada por uma potência estrangeira e o povo estava no pecado. Então esse profeta quer trazer de novo o povo para Deus. E anuncia a este a vinda do Senhor. A alegria anunciada pelo profeta vem sempre acompanhada pela esperança. Não é uma alegria só pela visita de Deus a Jerusalém, é uma alegria profunda que brota do coração e transborda. É a alegria daquele que tem a certeza de que é amado por Deus. Essa alegria profunda é possível até mesmo em meio ao sofrimento e às provações. O povo, como disse, havia perdido a confiança no Senhor e havia multiplicado seus pecados e o profeta [Sofonias] quer colocar ordem e levar a todos para o caminho do Senhor (cf. Sofonias 1.2.3).

O Papa Bento XVI fez reflexão sobre o Espírito Santo dizendo que “Deus é o fundamento não só do universo, mas também da nossa vida”. E quando esse fundamento está desordenado as coisas do nosso coração também ficam desordenadas. Quando o coração se fecha para o Todo-poderoso, tudo perde o sentido. A teologia define pecado como um voltar as costas para Deus, um voltar-se de modo desordenado para as coisas. Precisamos, antes de tudo, colocar em ordem nossa relação com o Senhor para que nossa vida fique ordenada. É essa mensagem que o profeta Sofonias procura passar ao povo de Israel.

"Quando o coração se fecha para o Todo-poderoso, tudo perde o sentido."
Foto: Clarissa Oliveira

“Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (São Lucas 1,39-42).

Quando Cristo chega existe sempre a alegria, porque Cristo corresponde àquele anseio profundo que existe no ser humano. Como trouxe alegria à casa de Isabel, a traz também por onde Ele passa. Esse encontro de duas mulheres tem ainda um outro sentido importante: Isabel representa o Antigo Testamento e Nossa Senhora, o Novo Testamento. Porque o Novo está escondido no Antigo e é só a partir de Jesus Cristo que podemos entender o sentido do Antigo Testamento. Essa viagem de Maria à casa de Isabel nós mostra que a Santíssima Virgem é a estrela e a pedagoga da evangelização. Maria mostra que evangelizar não é só anunciar Cristo, é estar com Cristo.

Eu creio que a Palavra de Deus, que acabamos de ouvir, nos ajuda a entender o mistério do Natal que estamos prestes a viver.

“Exultai no Senhor, ó justos, pois aos retos convém o louvor. Celebrai o Senhor com a cítara, entoai-lhe hinos na harpa de dez cordas. Cantai-lhe um cântico novo, acompanhado de instrumentos de música, porque a palavra do Senhor é reta, em todas as suas obras resplandece a fidelidade: ele ama a justiça e o direito, da bondade do Senhor está cheia a terra. Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e pelo sopro de sua boca todo o seu exército” (Salmo 32, 1-6).

Deus criou o céu e a terra e guia os povos com a sabedoria da Sua Palavra. Santo Agostinho, comentando esse salmo, fala que o canto novo é canto nascido a partir do batismo. Essa grande homem de Deus também afirma que nós devemos entoá-lo [este canto novo] com os lábios, com o coração e com a vida.

Querido monsenhor, a sua vida tem sido um canto novo de evangelização! Estamos reunidos para agradecer a Deus o dom da vida, que Ele lhe concedeu. Hoje você, olhando para trás, pode louvar a Deus com os seus lábios e seu coração um canto novo. Neste dia você pode levar a Deus uma “canção nova”!


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Dom Benedito Beni
Bispo da diocese de Lorena (SP)

21/12/2009

Senhor, quero padecer e ser desprezado por amor de Vós

São João da Cruz foi um dos santos mais desconcertantes e ao mesmo tempo mais transparentes da mística moderna. Grande mestre da vida espiritual, transformou todas as cruzes em meios de santificação para si e para os irmãos.

Três coisas pediu e acabou recebendo de Deus: primeiro, dar-lhe força para trabalhar e sofrer muito; segundo: não o fazer sair deste mundo como superior de uma comunidade; e terceiro: deixá-lo morrer desprezado e escarnecido pelos homens. Pregador, místico, escritor e poeta, João da Cruz faleceu após uma penosíssima enfermidade, em 1591 com 49 anos de idade e o Papa Pio XI o declarou Doutor da Igreja.

Confira um pouco de sua riqueza espiritual expressa em suas frases:

"Não se contentar com o que diz o confessor é orgulho e falta de fé."

"A mosca que pousa no mel não pode voar; a alma que fica presa ao sabor do prazer, sente-se impedida em sua liberdade e contemplação."

"O mais leve movimento de uma alma animada de puro amor é mais proveitoso à Igreja do que todas as demais obras reunidas."

"Por causa de prazeres passageiros, sofrem-se grandes tormentos eternos."

"Meus são os Céus e minha é a Terra, meus são os homens, e os justos são meus; e meus os pecadores. Os Anjos são meus, e a Mãe de Deus, todas as coisas são minhas. O próprio Deus é meu e para mim, pois Cristo é meu e tudo para mim." (Sobre a Eucaristia)

"Não faça coisa alguma, nem diga palavra alguma que Cristo não faria ou não diria se encontrasse as mesmas circunstâncias."

"Renuncie aos desejos e encontrará e encontrará o que seu coração deseja."

"Que felicidade o homem poder libertar-se de sua sensualidade! Isto não pode ser bem compreendido, a meu ver, senão por quem o experimentou. Só então se verá claramente como era miserável a escravidão em que se estava."

"Quem se queixa ou murmura não é cristão perfeito, nem mesmo um bom cristão."

"Senhor, quero padecer e ser desprezado por amor de Vós."

"A pessoa que está presa por algum afeto a alguma coisa, mesmo pequena, não alcançará a união com Deus, mesmo que tenha muitas virtudes. Pouco importa se o passarinho esta com um fio grosso ou fino... ficará sempre preso e não poderá voar."

"Para possuir Deus plenamente é preciso nada ter; porque se o coração pertence a Ele, não pode voltar-se para outro."

"O demônio teme a alma unida a Deus como ao próprio Deus."

"O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do amor tornar aquele que ama semelhante ao amado."

"Dar tudo pelo tudo."

"A pessoa que caminha para Deus e não afasta de si as preocupações, nem domina suas paixões, caminha como quem empurra um carro encosta a cima."

"A constância de ânimo, com paz e tranqüilidade, não só enriquece a pessoa, como a ajuda muito a julgar melhor as adversidades, dando-lhes a solução conveniente."

"O amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em despojar-se e sofrer pelo amado."

"O progresso da pessoa é maior quando ela caminha às escuras e sem saber."

"Deus quer mais de ti um mínimo de obediência e docilidade, do que todas as ações que realizas por ele."

"Mesmo carregado de grandes e molestas tentações, o homem pode ir a Deus, desde que sua razão e vontade não consintam nelas."

"Queira torna-te, no padecer, algo semelhante a este nosso grande Deus, humilhado e crucificado, pois que esta vida só tem razão de ser se for para imitá-lo."

"Quando a alma se acha livre e purificada de tudo, em união com Deus, nenhuma coisa poderá aborrecê-la. Daqui se origina para ela, neste estado, o gozo de uma contínua vida e tranqüilidade, que ela nunca perde nem jamais lhe falta."

"Tal é a alma que está enamorada de Deus. Não pretende vantagem ou prêmio algum a não ser perder tudo e a si mesma, voluntariamente, por Deus, e nisto encontra todo seu lucro."

"Não fujas dos sofrimentos, porque neles está a tua saúde."