28/07/2017

Existem "haters" católicos?

“Hater” é um termo usado para classificar pessoas que postam comentários de ódio na internet

Eu me lembro que, quando tinha 17 anos, havia uma série americana que, no Brasil, era intitulada “Barrados no Baile”. Além do nome horrível, a série apresentava a vida de adolescentes americanos, e um deles se chamava Brenda Walsh. Um dia, li no jornal que havia um movimento chamado “I Hate Brenda!” (Eu odeio Brenda!). Lembro-me de ter ficado pensando por algum tempo: “Cara, quem é que diz abertamente que odeia alguém, mesmo sendo um personagem de TV? Quem é que está tão confortável com isso que até faz disso um movimento?”.

O ódio na internet

Bem, “a internet deu voz a milhões de imbecis”, segundo Umberto Eco. Parece que deu mais, deu voz ao ódio de milhões!
Segundo a Wikipedia: “Hater” é um termo usado na internet para classificar pessoas que postam comentários de ódio ou crítica sem muito critério.
Diariamente, a minha timeline despeja diante dos meus olhos muitas iniciativas de esperança, fé e caridade, mas também uma excessiva agressividade crítica. Não são as minhas ideias que são esmurradas verbalmente ou por meio de imagens (os memes), mas as pessoas.
Eis que abro a Apple Store e lá está a propaganda de um aplicativo chamado: Hater – conheça gente que odeia as mesmas coisas que você!

O ódio no ambiente digital cristão

Muitos de nós conhece a frase de Santo Agostinho: “Odiar o erro, amar os que erram”. Teria esse propósito caducado em nossos dias? Eis que, ao realizar uma busca no Google, encontrei logo no topo um texto que começava assim: “A frase ‘Deus ama os pecadores, mas odeia o pecado’ não está na Bíblia. É fruto de uma reflexão derivada de uma psicologia secular, humanista e completamente diabólica”.
Parece que a internet permite e protege a disseminação de certos ódios e conflitos que, se vividos presencialmente, seriam suavizados por regras de boa convivência e respeito.
Há também uma certa permissividade em invadir a privacidade do outro. Trabalhando por anos com adolescentes, tenho visto a frequência com que acontece a exposição por fotos e vídeos dos “piores” momentos dos outros. O que antes era apenas uma crítica verbal (ainda que cheia de vociferação), agora ganha cores, imagens e sons descontextualizados, impiedosamente julgados como se do outro lado não houvesse um outro ser humano. Aliás, expor o outro ou mesmo multiplicar a exposição que o ele fez de si mesmo parece dar certa satisfação. Como se houvesse um “nós” e o “eles”, onde os limites entre mocinhos e bandidos, santos e pecadores, justos e injustos tranquilizasse nossa consciência.

A intolerância com as divergências e incoerências se misturam com os intolerantes, divergentes e incoerentes

Doutorando em Ciências da Cultura e da Comunicação na UFABC e professor de Jornalismo Digital na Faculdade Cásper Líbero, Renato Rovai explica que “os haters são pessoas com ideologias fortes e que não aceitam opiniões divergentes. Para atacar os internautas com ideias diferentes, eles se unem e enviam mensagens de ódio”.
A intolerância às divergências assusta. A incapacidade de dialogar respeitando as diferenças se torna onipresente, em especial a intolerância com a incoerência, ou o que se considera incoerência do outro. Um post, uma foto, um comentário já são suficientes para rotularmos o outro e sua conduta. Já são suficientes para sermos chamados a orientarmos sua conduta e boa doutrina. No ambiente digital, diferente do presencial, somos todos fiscais da vida alheia.

Os muitos tons neste panorama

Meu amigo, um bom amigo com quem tenho diferenças e semelhanças, alerta-me de que existem haters, mas precisamos saber diferenciá-los daqueles que defendem a doutrina, daqueles que o fazem (defender a doutrina) de maneira exagerada (por falha de formação) e dos conservadores. Meu amigo me lembra que são muitos tons e não só preto no branco. Existem muitos, mais de 50 (!?), tons neste panorama!

Um caminho ou saída?

Bem, eu não sou um filósofo, sociólogo, pensador ou coisa semelhante. Sou um evangelizador, catequista, cristão católico. Sou pecador. Todos os dias, penso em como construir o Reino de Deus aqui e agora. Pouco a pouco. Em um “já” e um “ainda não”. Não tenho respostas prontas.
Tenho preocupações e sofrimentos por todos, pelos que odeiam e são odiados, os que não toleram e não são tolerados. Os que corrigem sem se preocupar com os corrigidos. Não quero a permissividade e a relativização absoluta, mas também não posso deixar de partir sempre do mesmo ponto, que é paradoxalmente o mesmo ponto de chegada também: o outro. “Amando o próximo, limpas os olhos para veres a Deus”, lembra-nos Agostinho. Não cabe aqui eu julgar o amor e a caridade de quem publica, comenta ou compartilha. Talvez, caiba mais a preocupação com a trave no nosso olho do que com a trave no olho do outro.
No fim, nem todos dizem: “Senhor, não foi em teu nome que fizemos isto ou aquilo?” No fim, teremos que ter mais para oferecer em obras de misericórdia. Corrigir faz parte da dinâmica de comunidade, mas também precisamos cuidar dar forma, do tom e do timbre, do lugar propício, ainda que este lugar seja uma rede social. Publiquem-se textos e exponham-se argumentos. Deem-se testemunhos de santidade e coerência. Não silenciemos no que podemos contribuir para o crescimento da Igreja. Mas não humilhemos os outros ao expor suas limitações. Não apedrejemos quando o outro parece estar em pecado. Nem a humilhação nem as pedras constroem o vínculo de caridade que alicerça o Reino de Deus.

Autor: Augusto Cézar

Por que o jovem tem medo de fazer compromissos definitivos?

Entenda por que o jovem tem medo de fazer compromissos definitivos

Para comprometer-se com as pessoas, é preciso ter algum grau de maturidade humana. Hoje, percebemos um fenômeno no meio de nossos jovens, que é o retardamento da adolescência. Ou seja, a maturidade, que deveria existir aos 18 anos, demora mais para chegar. A prova é a indecisão da maioria ao ter de escolher o curso superior na hora do vestibular. Não são poucos os que mudam de curso depois de dois anos. Outros concluem o curso (quase forçados pelos pais), mas nunca exercem a profissão. Por quê? Estão indecisos e têm medo de fazer compromissos definitivos.
Por que o jovem tem medo de fazer compromissos definitivos

Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com
Pior é a situação no casamento. Para alguns de nossos jovens, esse assunto é uma verdadeira tortura. Aquela jovem chega aos 30 anos de idade e ainda não está muito segura se quer ou não casar. Outros preferem a fórmula popular do “ficar”. A paquera seria até normal, dentro de alguns limites, aos 14 anos, mas convenhamos que um “jovem” de 35 anos, que passa os fins de semana nas baladas “ficando”, alguma coisa não está certa. No fundo, é o medo do compromisso. Alguns são até sinceros e dizem logo no início do namoro: “Já vou avisando: não estou preparado para um namoro sério”.

Imaturidade afetiva

O mesmo se dá na vida dos seminaristas. Estamos assustados com o número de padres que deixam o ministério logo nos primeiros anos. É o receio de ficar preso e comprometer-se. Outros pulam de galho em galho. Ou seja, tornam-se padres, depois fazem um curso de psicologia e abrem consultório; mais tarde, mudam para a vida política, tornam-se advogados; e o povo perdeu mais um sacerdote. No fundo desse problema, também está o medo de comprometer-se, cuja raiz é a imaturidade afetiva.
Os políticos do país deveriam ser mestres do compromisso com o povo. Mas é isso que acontece? Os recentes escândalos no país mostram que o povo não é a maior preocupação de alguns deles. Um desses políticos, com fama de popular e operário, teve coragem de gastar R$ 15.000,00 (quinze mil reais) em uma garrafa de vinho num jantar de negócios. Nossa cozinheira do convento fez as contas rapidinho e concluiu que levaria mais de ano para comprar uma dessas garrafas com seu salário (que não é baixo!). Conclusão: falta compromisso.
Vemos padres, cantores, artistas, advogados e todo tipo de profissionais desmarcando compromissos de sua agenda. Muitos se sentem sufocados em ter de ser fiéis a alguns horários. Expediente? Nem pensar! Da mesma forma, isso é medo dos compromissos.
Leia mais:
Precisamos mudar essa situação. Nosso Deus é um Deus que faz aliança com Seu povo, ou seja, é comprometido conosco. Precisamos, no entanto, embarcar nessa aliança e nos comprometer também com Deus e os irmãos. É bonito ver uma pessoa que se compromete. Quem encontrou um amigo assim encontrou um tesouro.

Autor: Padre Joãozinho, scj

Quebrar uma corrente de oração pode me dar azar?


Você já recebeu alguma corrente de oração?


Quem nunca recebeu, em seu celular, pela internet ou mesmo nos bancos das igrejas, a conhecida corrente de oração? Quem nunca recebeu aquela mensagem: “Passe essa oração para no mínimo…?”. Falo aqui daquelas correntes em que as pessoas pedem que se propague a devoção a um santo ou um modelo de oração, sob a pena de maldição e desgraças. As pessoas recebem esses tipos de oração e ficam temerosas por não continuarem a corrente.




Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com


Sou obrigado ou não a passar esse tipo de oração a diante?

Uma coisa é a corrente de oração por uma pessoa ou uma intenção sadia, ou seja, por alguém que esteja precisando de uma graça da cura de uma doença, um emprego, uma necessidade particular, por exemplo. Não estou falando desse tipo de oração. Jesus ao dizer, “Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus” (Mt 18,19), declara-nos a importância de nos unirmos em oração para pedir a graça do Pai. Podemos nos unir em oração por uma intenção concreta e real, mesmo quando não conhecemos as pessoas participantes da oração ou não conhecemos a pessoa por quem estamos rezando.


Outra coisa bem diferente são essas correntes ameaçadoras, ou seja, “ameaçam” com certos castigos aqueles que não as seguirem à risca. São orações que prometem desgraças a quem não as fizer ou a quem as interromper temporária ou definitivamente, ou a quem não as repassar. Além disso, procuram sustentar tais ameaças citando falsos exemplos ou testemunhos de pessoas que supostamente as romperam e sofreram punições; esse tipo de ameaça realiza verdadeira “chantagem psicológica”.


Em nome de Deus

A oração é instrumentalizada e transformada em superstição, ou seja, em oração pagã. Esse tipo de oração ou superstição tem a intenção de instrumentalizar Deus, como que O obrigasse a cumprir nossos desejos. Fomentam um tipo de oração, a fim de conseguir resultados de modo mágico, fáceis, rápidos e interesseiros, sem considerarem a verdadeira vontade de Deus. Apresentam receitas ou fórmulas mágicas para conseguir resultados em detrimento da própria fé. Promove uma atitude de medo de Deus ao apresentá-Lo como castigador. Difundem uma imagem cada vez mais equivocada do Senhor, obrigam as pessoas a fazer mau uso da oração, desvirtuando-a ou banalizando-a.


Leia mais:

::O bullying pode estar mais perto de você do que imagina
::Educar-nos para a honestidade, ensina o Papa Francisco
::Investir em civilidade é uma urgência real e urgente para a sociedade
::Todos os conteúdos atribuídos ao Papa Francisco são verdadeiros?


Posso ou não quebrar a corrente?


A Igreja não admite que a oração seja instrumentalizada e reduzida a essa espécie de “chantagem psicológica”. Mesmo que se admita a boa intenção, a de fazer crescer a devoção a determinado santo, na realidade, é superstição, atribui-se à simples materialidade dessas supostas orações uma eficácia que nelas não existem. Não podemos manipular Deus. Ele não se pauta pela vontade humana nem é um dispensador de milagres conforme nossos interesses.


O cristão não pode promover esses tipos de correntes de oração em nome de Deus, porque se tornam falsos profetas, e ninguém pode ameaçar ninguém em nome de Deus. As ameaças e fórmulas mágicas para conseguir resultados são contrárias à verdadeira fé, por isso, não só comete falta quem cria, envia e difunde essas correntes de oração, mas também quem acredita nelas.


Vincular desgraça ou recompensa a uma determinada corrente de oração é contrário aos ensinamentos da Igreja. Nem prêmio nem condenação decorrem de se participar ou deixar de participar de uma “corrente”. O Catecismo nos lembra que “atribuir só à materialidade das orações ou aos sinais sacramentais a respectiva eficácia, independentemente das disposições interiores que exigem, é cair na superstição” (CIC, 2111).
Quebrar a corrente


Ninguém precisa se sentir mal por ignorá-las, quebrá-las. Aconselho que até quebrem esses tipos de correntes de oração, porque elas nos enganam, apresentam uma falsa imagem de Deus, algo que Ele não é, um Deus castigador e ameaçador. A pessoa acaba colocando a confiança na corrente, na materialidade da oração e não em Deus. É por isso que essas “correntes de oração” não merecem nossa credibilidade, e podem ser quebradas.


Quando se encontra no banco de uma igreja, na porta da casa, papéis divulgando essas correntes de oração, lançando maldições; ou mesmo quando recebe via internet essas correntes, não se deve temê-las nem ficar preocupado, mesmo que prometam desgraças para quem não as divulgar. Esses tipos de ameaças, com certeza, não têm lugar na verdadeira religião cristã.






Autor: Padre Mário Marcelo 

Fonte: Canção Nova

27/07/2017

Maturidade: quem foge do relacionamento não cresce

A maturidade acontece quando a pessoa não foge dos relacionamentos

Quando fugimos da vida e dos relacionamentos, escondendo-nos em máscaras, vícios e inverdades, criamos ilusões que nos impedem de nos construirmos e enfrentarmos a vida como ela é. Retiramos do existir a autenticidade, instaurando assim, no coração, a frustração. A maturidade vem quando a pessoa não foge do relacionamento.
Maturidade: quem foge do relacionamento não cresce
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com
Nossa sociedade é marcada pela criação de múltiplas maneiras de camuflar a vida, destituindo-a de seu significado. Em nosso cotidiano, é comum a muitos gastarem inúmeras horas diante de um computador, um tempo que, se não for bem utilizado, pode lhes roubar do dever-desafio de se afirmarem como pessoas e os fazer substituir os relacionamentos com pessoas no mundo real, pois a virtualidade lhes imprime uma falsa segurança, a qual lhes permite ocultar suas fraquezas, revelando de si apenas uma imagem irreal. A virtualidade lhes imprime uma falsa segurança, que lhes permite ocultar suas fraquezas, revelando de si apenas uma imagem irreal.

A sua identidade por detrás do mundo virtual

Para além do virtual também é possível esconder-se na fabricação de uma falsa imagem, a qual, por sua vez, nos impedirá de sermos amados e conhecidos naquilo que somos. O relacionar-se é uma realidade que nos caracteriza como humanos; e à medida que nos relacionamos com mais qualidade, mais gente nos tornamos. Quem se relaciona, envolve-se: Ama e é amado, decepciona-se e faz decepcionar, perde e ganha. Enfim, está sujeito às contrariedades que compõem o envolver-se, mas nem por isso tem o direito de fugir por medo de sofrer. É fácil e conveniente evitar o relacionamento com os outros, principalmente se nos causam problemas. Contudo, se fizermos isso, estaremos nos esquivando das respostas exigidas pela vida; dessa forma, trilharemos um caminho que desembocará na angústia e na solidão.
É no relacionar-se que somos moldados e nos tornamos melhores; por isso, fugir da convivência com outros é eliminar da vida a possibilidade de crescer. Para que adquiramos a devida maturidade, nosso amor não pode ser superficial, fazendo-nos desistir daqueles que não compreendemos e que não nos agradam. Quem ama não desiste do outro, mas acredita nele, mesmo sem o compreender em plenitude. Amar é doar-se, é assumir o outro com suas consequências e circunstâncias, independentemente das dificuldades contidas nessa opção.
Leia mais:
Não existe vida sem envolvimento e, consequentemente, sem os conflitos próprios da relação. A vida é movimento, e para entender alguém é preciso ter a delicadeza para compreender as transformações que acompanham essa pessoa. Cada pessoa é dinâmica, é movimento. Ninguém conversa com a mesma pessoa duas vezes, pois, a cada minuto novas experiências operam no ser uma constante transformação, fazendo com que a pessoa de hoje não seja a mesma amanhã. Para construir sólidos relacionamentos, é necessário estar disposto a descobrir novamente o outro a cada dia.
Quem ama tem a ternura necessária para não exigir que o outro seja o mesmo todos os dias, pois deposita em suas mãos a liberdade de se construir a cada segundo, buscando compreender suas cotidianas transformações e ampliando, assim, a maneira de enxergá-lo e assimilá-lo. Amar é redescobrir a quem se ama todos os dias, permitindo que o ser se renove como as águas de um riacho, pois ninguém mergulha no mesmo riacho duas vezes em virtude do constante movimento das águas.
Alguém é sempre mais do que possamos definir ou conceituar, e assim precisa estar livre para se revelar no que é, sem ser encarcerado em exigências infantis.
Nossos relacionamentos, em todos os níveis e graus, serão libertadores e gerarão vida à medida que tivermos a delicadeza para enfrentar cada um em sua realidade, acolhendo a sua verdade e amando verdadeiramente o que encontrarmos. Assim, descobriremos, no concreto da vida, a linguagem que nos fará ser presença e acompanhar o outro com mais qualidade e inteireza, deixando-nos a possibilidade de assim também sermos encontrados e acompanhados.

Autor: Padre Adriano Zandoná

Burnout: a síndrome do esgotamento profissional

É possível identificar e tratar os sintomas da síndrome do esgotamento profissional

De repente, alguns sintomas começam a aparecer: um cansaço que não passa depois de uma noite de sono, alterações no humor que variam entre uma tristeza profunda, irritação, agitação e atitudes que usualmente não fazem parte da pessoa. Há uma falta de sentido na vida e ainda outros sintomas.
A Síndrome de Burnout, ou Síndrome do Esgotamento Profissional, tem sido estudada, desde 1960, e confunde-se com uma diversidade de quadros emocionais. Burn quer dizer queima e out exterior. Podemos fazer a correlação com um pavio que se queima até esgotar completamente. O estresse no ambiente profissional é uma realidade que quase todas as profissões e mercados sofrem e, ao passarmos por um acúmulo de tarefas, excesso de cobranças e de atividades, uma boa dose de perfeccionismo e a falta de outras atividades que gerem prazer.
Burnout a síndrome do esgotamento profissional
Direito autoral:Yuri_Arcurs
Duas situações são observadas nas pessoas que passam por esta situação: o absenteísmo, ou seja, a ausência no trabalho para a busca de tratamento médico, exames, psicoterapia entre outros; e o presenteísmo, ou seja, a pessoa que está presente no trabalho, mas que se percebe com uma redução drástica em sua produtividade e numa situação de “mente distante” da realidade onde se encontra.
Estudos realizados pela Universidade de São Paulo, no Instituto de Psiquiatria, revelaram que a necessidade de controle das situações, a falta de paciência e dificuldade para tolerar frustrações ou delegar tarefas, e o trabalho em grupo, contribuem para o quadro de esgotamento. Quando há sentimento de injustiça, falta de participação nas decisões e de apoio, conflitos com colegas podem agravar o quadro. Rever as situações profissionais e como elas são encaradas, é um passo bastante importante.

Como diagnosticar e tratar?

O diagnóstico deve ser feito com a visita de um médico, com a avaliação do estilo de vida da pessoa, de sua profissão e da forma como ela lida com suas emoções.
Os sintomas característicos desse problema estão relacionados ao cansaço, aos distúrbios do sono, dores na musculatura e também dores de cabeça, baixa qualidade no sono (dormir mais horas ou menos horas do que o necessário), alteração do apetite, dificuldade para iniciar uma atividade, percebe-se alterações no humor, com irritação, tristeza, alterações constantes. A produtividade de uma pessoa que passa por essa situação cai de forma perceptível. Há ainda a tendência ao isolamento social; com isso, a pessoa pode ficar ainda mais triste.
É comum associar esse quadro à depressão, por isso o diagnóstico é essencial, para reconhecer o que, de fato, possa acontecer com aquela pessoa. Nem sempre, por exemplo, as férias poderão aliviar tal quadro, mas a melhora virá de mudanças em todo contexto profissional, na avaliação da qualidade de vida.
As alterações hormonais provocadas pela irritação, podem produzir efeitos em todo nosso organismo, desde a pressão arterial, diabetes, doenças do coração, dentre outras. Ou seja, trata-se de um quadro que requer observação, pois pode comprometer o bem-estar das pessoas.
Será muito importante que a pessoa possa mudar seu estilo de vida, reduzir o ritmo de vida, passar por psicoterapia, associando um retorno gradual às atividades, associando, sempre que possível, atividade de física e atividades de lazer bem como uma revisão dos hábitos alimentares e de outras atividades que não apenas o trabalho.

Como evitar?

– Tenha outras fontes de satisfação além do trabalho: descubra gostos, hábitos, animais de estimação, um encontro com amigos, sair (para um lugar que não seja um shopping, por exemplo, onde os estímulos são excessivos e a pressão por compras é grande).
– Avalie como tem conduzido seu dia de trabalho: O que lhe atrai no emprego atual? Vê possibilidade de mudança ou ainda pode mudar sua forma de relacionar-se com as pessoas deste trabalho e suas percepções sobre as dificuldades. Se pensa em mudança de empresa, organize esta transição, preparando seu currículo e avaliando as possibilidades.
– Como é sua visão sobre as situações? Por vezes, valorizamos apenas os aspectos negativos de uma situação. Treine também a visão sobre o que você tem vivido de bom.
– Tem mantido uma rede de relacionamentos? É muito importante manter contatos profissionais e estar atento às possibilidades de trabalho e de capacitação.
– Tenha regularidade nos horários: alimentação, sono, trabalho, lazer. Todas essas questões devem ser organizadas em sua vida. A falta de rotina para necessidades básicas faz com que nosso corpo entre em crise. Reveja sua rotina diária.
– Observe-se: é muito importante observar os sinais que seu corpo está dando, e, sempre que possível, receber orientação médica para sintomas que podem estar associados a problemas cardiológicos, endocrinológicos entre outros.
– Atividade física, por mais simples que seja, auxilia muito nos estados de cansaço, auxiliam no metabolismo e na circulação.
– Conte com amigos, com a família, com a prática de espiritualidade, pois todos esses apoios são essenciais.
Nossa saúde emocional e física é essencial para que nossa atividade profissional e demais áreas da vida possam ser realizadas com sucesso. Portanto, rever nossos hábitos, nossa forma de conduzir a vida e nossos relacionamentos é essencial para uma vida saudável.

Autora: Elaine Ribeiro dos Santos

Esgotamento mental realmente existe e não é frescura


Saiba o que é esgotamento mental

Já aconteceu com você ou está acontecendo, de começar a perder o gosto pelas coisas da vida que antes eram prazerosas? Por exemplo, gostava muito de malhar na academia, mas agora já não tem ânimo para isso; gostava de sair com os amigos para relaxar, mas agora ficou cansativo; o trabalho era algo que trazia satisfação, mas virou um peso.

De repente, você se sente incapaz, não vê bons resultados em suas atividades. Não consegue prestar atenção em coisas simples, esquece-se de “tudo”. Ao fim do dia, sente seu corpo e sua mente exaustos, e, depois de uma boa de noite de sono, acorda com o mesmo cansaço que estava na noite anterior.



Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Se você se identificou com este quadro, é possível que esteja com esgotamento mental. Não sofra por isso, achando que é frescura, que é coisa de gente fraca, porque se trata de um quadro físico e psíquico muito comum nos dias de hoje. Na verdade, é como se o corpo reagisse, como forma de comunicar que algo está errado. O corpo revela o que a mente não disse: Estou cansado! E isso é sério, pois o cansaço mental leva a um cansaço físico, mas o físico, normalmente, não gera um cansaço mental. Então, trata-se de dois em um!
A mente se cansa? Sim! Cansa, e muito!

A vida acelerada que temos na atualidade é o grande fator que favorece esse quadro. Tudo avança com muita rapidez, a vida acontece em uma fração de segundos e as exigências acompanham esse aceleramento, sejam elas externas ou internas. O desejo de ser melhor, mais eficaz e “dar conta” de tudo com perfeição, exige dedicação do corpo e da mente, atenção, perspicácia, dinamismo e tantas outras coisas. O medo de não conseguir corresponder a esse mundo frenético nos faz exigir de nós mesmos e nos mantêm em um estado de vigilância constante. Tudo isso exige muito dos nossos neurônios, que, juntamente aos hormônios, provocam um desequilíbrio interno, como se fosse um curto circuito. E uma das formas de perceber isso é a alteração do hormônio cortisol, que, quando aumentado, reflete no corpo esse desgaste que originalmente é emocional.
O que podemos fazer para rever esse quadro?

É muito importante o diagnóstico correto, pois os sintomas do esgotamento mental pode ser confundido com depressão devido à ausência de prazer e ânimo em coisas que anteriormente havia. Mas sabendo que se trata de um esgotamento, o primeiro passo é rever a rotina. Como está sua rotina? É possível mudá-la? Aqui, abro um parêntese e digo: sempre é possível! É preciso fazer uma escolha. Diante dessa rotina, o que posso reduzir ou tirar? Na dimensão de trabalho, pouco se pode mexer, mas pode planejar férias! Na dimensão família, é possível rever a rotina, organizar-se para que não haja tanto desgaste. Se você é coordenador de alguma coisa, que seja na Igreja, na área social ou outro setor, quem sabe não chegou a hora de passar essa coordenação para outro? O importante é perceber que seu corpo e sua mente estão dando sinais que não estão mais suportando a rotina e a pressão que se vive no hoje, e que isso, não mudando neste momento, chegará a hora que o corpo vai parar de vez!

Leia mais:
.: Burnout: a síndrome do esgotamento profissional
.: O que pode abrir as portas para uma depressão?
.: Causas e consequência do esgotamento espiritual
.: A fé deve ser uma aliada no tratamento de depressão

Busque realizar atividades diferentes da que normalmente você já faz e que geram prazer. Experimente um passeio, um curso de atividades manuais, dançar, correr, pedalar, criar ambientes de leveza. No entanto, a psicoterapia é uma grande ajuda nesta caminha de reorganização mental, pois pode ser que seu maior inimigo seja a dificuldade de dizer não às coisas, por isso sobrecarrega seu corpo e sua mente.

Neste mundo de hoje, muitas vezes não se descansa nem quando se dorme. Para viver bem, ter uma vida plena e rica em sentidos, tenha coragem de olhar para você e dizer ‘sim’ quando for preciso, e ‘não’ quando necessário!




Autora: Aline Rodrigues
Fonte: Canção Nova

O segredo é evangelizarmos com atitudes concretas


A eficácia da evangelização é evangelizarmos com atitudes concretas

Preparar os caminhos do Senhor não é somente amar e adorar; Ele quer que amemos e adoremos pelos que não amam nem adoram.

Quantos, em sua casa, não amam, não esperam, não creem ou vivem como os que não creem? O Senhor pede, da nossa parte, a porção dupla. Deus pede mais daqueles que podem dar mais. Quem pode dar mais, que dê mais! Dê por si e pelos outros, sentindo-se mais responsável.

Deus pede e precisa de reparadores. Além dessa reparação, fazer pelos outros o que não fizeram, reparar o que estragaram. Deus está apelando por aqueles que tem mais amor; é assim que Ele nos ensina a preparar Seus caminhos.

Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

João Batista foi escolhido por Deus, que, humanamente, não poderia vir a este mundo por meio de um ancião e uma mulher estéril. O Senhor, no entanto, queria preparar a primeira vinda de Jesus. Então, escolheu uma pessoa especial para obedecer a voz de Deus, viver uma vida austera, pregando a conversão em toda Judeia. Sua pregação era convicta e as pessoas realmente se convertiam. Esperavam o Messias que viria.
A missão de João Batista

João Batista dizia com palavras proféticas: “Eu vos batizo com água, mas Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3,11). Tudo isso para preparar a primeira vinda do Senhor.

O povo não aceitou Jesus, matou-O, mas Ele ressuscitou e subiu aos céus. Os homens simples e ignorantes foram batizados com o Espírito Santo, e anunciaram todo o Evangelho a toda parte!

No fim do século passado, por volta de 1969, Deus fez a mesma coisa como em Pentecostes, repetindo-se, de maneira forte, no mundo inteiro. Esse é o sinal de que a promessa de Deus se realiza: “O Reino de Deus está próximo”. Somos obrigados a pregar a penitência, o arrependimento; e hoje é obrigação da Canção Nova. Isso acontece no mundo inteiro!

É preciso que sejamos como João, pregando a conversão, preparando as pessoas para a vinda de Jesus!

Leia mais:

:: Existe uma previsão de quando exatamente Jesus voltará?
:: As duas vindas de Jesus Cristo
::Como entender a segunda vinda de Jesus

“Ele vai limpar a sua eira, o trigo guardará em seus celeiros e a palha queimará no fogo eterno.” Jesus separará o joio do trigo. Precisamos tirar todo o joio de nossa vida! Está na hora de mudar a realidade, está na hora de sermos por aqueles que não são! É hora da generosidade!

Nossa Senhora precisou mostrar o inferno aos pastorinhos, para que eles fizessem penitência. Deus não quer a perdição de ninguém, pois é misericordioso! Por isso é preciso tirar de nossa vida tudo aquilo que é joio. Precisamos ser homens e mulheres novos!

Deus está retardando o tempo (como um juiz de futebol), para que nos convertamos, porque Ele é misericordioso! Isso acontece para que possamos tirar todo joio e até mesmo a palha de nossa vida.

Parece-nos que aqueles que servem a Deus são tolos, pois os espertos sabem viver a vida no prazer, no dinheiro. Mas quando o Senhor vier, o justo e a justiça florirão e o matagal será queimado no fogo eterno; então, não podemos ser mato.

A coisa mais linda é a santidade. Deus quer homens, mulheres e jovens, todos santos, e a santidade é possível!

Por isso, precisamos viver a santidade até por aqueles que não a querem viver; e quando fizermos isso, o céu se fará aqui! Talvez, seja necessário carregar, em dose dupla, esposa pelo esposo, filhos pelos pais; com nossa penitência, os nossos se converterão. É preciso comungar, penitenciar-se, ser santo por eles.



Autor: Felipe Aquino

26/07/2017

Dia de Santa Ana e São Joaquim

Santa Ana e São Joaquim, os pais de Maria Santíssima

Hoje, 26 de julho, é dia de Santa Ana e São Joaquim; dia em que se comemora o Dia dos Avós, por eles serem os avós de Jesus.
Santa Ana e São Joaquim

Reze a oração à Santa Ana, suplicando graças necessárias à sua vida

Senhora Santa Ana, fostes chamada por Deus a colaborar na salvação do mundo.
Seguindo os caminhos da Providência Divina, recebeste São Joaquim por esposo. Deste vosso matrimônio, vivido em santidade, nasceu Maria Santíssima, que seria a Mãe de Jesus Cristo. Formando, vós, família tão santa, confiantes nós vos pedimos por nossa família. Amém!
Alcançai-nos a todos as graças de Deus: aos pais deste lar, que vivam na santidade do matrimônio e formem seus filhos segundo o Evangelho; aos filhos desta casa, que cresçam em sabedoria, graça e santidade, e encontrem a vocação a que Deus os chamou.
E a todos nós, pais e filhos, alcançai-nos a alegria de viver fielmente na Igreja de Cristo, guiados sempre pelo Espírito Santo, para que um dia, após as alegrias e sofrimentos desta vida, mereçamos também nós chegar à casa do Pai, onde vos possamos encontrar, para junto sermos eternamente felizes,
no Cristo, pelo Espírito Santo.
Amém!
Santa ”Ana e São Joaquim, rogai por nós!

24/07/2017

Como sofrer sem deixar a felicidade ser comprometida?

Sofrer com alegria e esperança

O sofrimento é inevitável na vida do ser humano. Isso implica em dizer que não existe fórmula mágica para deixar de sofrer nesta vida. Crentes e não crentes, ricos e pobres, poderosos e humildes, ninguém escapa do sofrimento.
Uns sofrem por não possuir, às vezes nem o necessário para sobrevivência, os pobres. Por sua vez, outros sofrem com medo de perder o que tem em abundância, os ricos. Os casados sofrem as dificuldades próprias do casamento, outros sofrem por não conseguirem casar. Sofrem ainda, os problemas provenientes dos filhos, outros, o problema é exatamente não poder ter filhos. Por isso mesmo, todos sem exceção, de algum modo sofrem.
-Como-sofrer-sem-deixar-a-felicidade-ser-comprometida-
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com
Sendo o sofrimento inevitável à vida de todos nós seres humanos, cabe-nos dar sentido para ele. Dar sentido ao sofrimento significa vivê-lo com alegria e esperança. Isso é possível quando unimos o nosso sofrimento ao sofrimento de Cristo na Cruz. Estas duas palavras, “alegria e esperança”, precisam fazer parte do nosso vocabulário de modo que diante do sofrimento não nos desesperemos, pelo contrário, saibamos sofrer com alegria e esperança.
As duas palavras anteriormente mencionadas estão intimamente ligadas uma à outra. Todos que sofrem em Deus conseguem conjugar com estas realidades, aparentemente contraditórias: alegria e sofrimento, sofrimento e esperança. Diz São Paulo “Estou absolutamente convencido de que os nossos sofrimentos do presente não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada”. (Rom 8,18). Quem tem Deus, sabe que o sofrimento presente passará, mesmo que seja duradouro. Sua esperança não está aqui neste mundo, mas no céu que a espera.
O Papa São João Paulo II, na Carta apostólica Salvifici Doloris, n 9, ao se referir sobre o sentido cristão do sofrimento humano, diz que, “no fundo de cada sofrimento experimentado pelo homem, […] aparece inevitavelmente à pergunta: por quê? É uma pergunta acerca da causa, da razão e também acerca da finalidade (para que).
De modo geral, toda pergunta sobre o sofrimento é sempre acerca do sentido. Esta pergunta não só acompanha o sofrimento humano, como também determina seu conteúdo. Continua o papa: “A dor, como é óbvio, em especial a dor física, encontra-se amplamente difundida no mundo dos animais. Mas só o homem, ao sofrer, sabe que sofre e se pergunta o porquê; e sofre de um modo humanamente ainda mais profundo se não encontra uma resposta satisfatória”.
O cristão encontra na paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo um sentido para o sofrimento. A pergunta “por que?” e “para que?” são respondidas, embora não seja simples e muitas vezes satisfatória.
O sofrimento de Cristo foi redentor. Quando o sofrimento humano, unido ao d’Ele na cruz, também assume um sentido de redenção. Completo na minha carne, diz o Apóstolo São Paulo, ao explicar o valor salvífico do sofrimento, o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja. (Col, 1,24). Neste contexto, por amor de Deus, até mesmo o sofrimento tem um sentido, podendo tornar-se acontecimento de salvação. Ainda diz São Paulo “as nossas aflições leves e passageiras estão produzindo para nós uma glória incomparável, de valor eterno”. (2Cor 4,17).
Na mensagem de Nossa Senhora de Fátima, no dia 13 de maio de 1917, ela faz uma pergunta para os Pastorinhos: “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores?”. E, no dia 15 de agosto do mesmo ano faz um pedido:“Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”. Com isto entende-se que a redenção através do sofrimento humano é tanto para a pessoa que sofre como também para aqueles nos quais ela queira oferecer.
Portanto meu irmão, não desperdice o teu sofrimento, ofereça em prol da tua salvação e também dos pecadores!
Como vimos, a dor pode ser um grande instrumento de salvação para nós e para os outros. Para a doutrina cristã, a dor, sobretudo a dos últimos momentos da vida assume um significado particular no plano salvífico de Deus, pois, é uma participação na Paixão de Cristo e uma união com o sacrifício redentor que Ele ofereceu em obediência à vontade do Pai. Ao saber disso, agora cabe a nós não desperdiçar nosso sofrimento, em vez disso, unir a Cruz de Cristo, em prol da nossa salvação e do mundo inteiro.

Autor: Elenildo Pereira

23/07/2017

Entenda o pecado contra o Espírito Santo e suas consequências

Entenda o pecado contra o Espírito Santo

São Mateus: «Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada. E àquele que falar contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, a quem falar contra o Espírito Santo não lhe será perdoado, nem neste mundo nem no futuro». Blasfemar é um pecado contra o Espírito Santo.
O-pecado-contra-o-Espírito-Santo
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com
Por que a blasfêmia contra o Espírito Santo é imperdoável? Em que sentido entendê-la? Santo Tomás de Aquino responde que se trata de um pecado «imperdoável por sua própria natureza, porque exclui aqueles elementos graças aos quais é concedida a remissão dos pecados».
A blasfêmia não consiste propriamente em ofender o Espírito Santo com palavras, mas, antes, na recusa de aceitar a salvação que Deus oferece ao homem, mediante o mesmo Espírito, agindo em virtude do sacrifício da cruz. Se o homem rejeita o deixar-se «convencer quanto ao pecado», que provém do Espírito Santo e tem carácter salvífico, ele rejeita contemporaneamente a «vinda» do Consolador: aquela «vinda» que se efetuou no mistério da Páscoa, em união com o poder redentor do Sangue de Cristo: o Sangue que «purifica a consciência das obras mortas».
Leia mais:
Sabemos que o fruto dessa purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito e o Sangue permanece nas «obras mortas», no pecado. E a «blasfêmia contra o Espírito Santo» consiste exatamente na recusa radical de aceitar essa remissão, de que Ele é o dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por Ele operada na consciência.
Se Jesus diz que o pecado contra o Espírito Santo não pode ser perdoado nem nesta vida nem na futura, é porque esta «não-remissão» está ligada, como à sua causa, à «não-penitência», isto é, à recusa radical a converter-se. Isso equivale a uma recusa radical de ir até as fontes da redenção; estas, porém, permanecem «sempre» abertas na economia da salvação, na qual se realiza a missão do Espírito Santo. Este tem o poder infinito de haurir dessas fontes: «receberá do que é meu», disse Jesus.

Entenda a blasfêmia

Deste modo, Ele [Espírito Santo] completa nas almas humanas a obra da Redenção, operada por Cristo, distribuindo os seus frutos. Ora a blasfêmia contra o mesmo Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica o seu pretenso «direito» de perseverar no mal, em qualquer pecado e recusa, por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, consequentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida.
É uma situação de ruína espiritual, porque a blasfêmia contra o Espírito Santo não permite ao homem sair da prisão em que ele próprio se fechou e abrir-se às fontes divinas da purificação das consciências e da remissão dos pecados. A ação do Espírito da verdade, que tende ao salvífico «convencer quanto ao pecado», encontra no homem que esteja em tal situação uma resistência interior, uma espécie de impermeabilidade da consciência. Um estado de alma que se diria endurecido em razão de uma escolha livre: é aquilo que a Sagrada Escritura repetidamente designa como «dureza de coração».
Na nossa época, a esta atitude da mente e do coração corresponde talvez à perda do sentido do pecado, sobre a qual são dedicadas muitas páginas da “Exortação Apostólica Reconciliatio et Paenitentia”. Já o Papa Pio XII tinha afirmado que «o pecado do século é a perda do sentido do pecado». E essa perda vai de par com a «perda do sentido de Deus». É por isso que a Igreja não cessa de implorar de Deus a graça de que não venha a faltar nunca a retidão nas consciências humanas, que não se embote a sua sensibilidade sã diante do bem e do mal. Essa retidão e sensibilidade estão profundamente ligadas à ação íntima do Espírito da verdade. A Igreja implora que o perigoso pecado contra o Espírito Santo ceda o lugar a uma santa disponibilidade para aceitar a missão do Consolador, quando Ele vier para «convencer o mundo quanto ao pecado, quanto à justiça e quanto ao juízo».
<!–Artigo extraído do documento “Dominum et vivificantem”, de João Paulo II sobre o Espírito Santo na Vida da Igreja e do Mundo de 18/mai/1986–>