05/08/2016

O Batismo infantil na Bíblia



Na Bíblia a palavra CASA representa não apenas a edificação, o lugar físico onde se habita, ou seja a morada de uma pessoa, mas também pretende aludir aos membros de uma família, desde os esposos, seus familiares próximos, servos – se houverem – bem como as CRIANÇAS. Esta forma de se referir ao lar é corrente até hoje em muitas línguas modernas, assim como nos tempos bíblicos e, portanto, no idioma original da Sagrada Escritura.

Portanto, o argumento construído aqui é o seguinte: A própria Bíblia nos diz que os primeiros Cristãos batizavam suas crianças e bebês!

Vejamos a passagem do sobre o profeta Elias no Livro de Reis:


Naqueles dias, 10 Elias pôs-se a caminho e foi para Sarepta. Ao chegar à porta da cidade, viu uma viúva apanhando lenha. Ele chamou-a e disse: “Por favor, traze-me um pouco de água numa vasilha para eu beber”.

11 Quando ela ia buscar água, Elias gritou-lhe: “Por favor, traze-me também um pedaço de pão em tua mão”.

12 Ela respondeu: “Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Eu estava apanhando dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim eMEU FILHO, para comermos e depois esperar a morte”.

13 Elias replicou-lhe: “Não te preocupes! Vai e faze como disseste. Mas, primeiro, prepara-me com isso um pãozinho e traze-o. Depois farás o mesmo para ti e teu filho. 14 Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até ao dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra.”

15 A mulher foi e fez como Elias lhe tinha dito. E comeram, ele e ela e SUA CASA, durante muito tempo. 16 A farinha da vasilha não acabou nem diminuiu o óleo da jarra, conforme o que o Senhor tinha dito por intermédio de Elias.


Note-se que o texto explicitamente informa que a viúva tinha apenas UM FILHO. No versículos 15, contudo, o texto diz que Elias, a Viúva e SUA CASA comeram durante todo tempo. Ou seja, a palavra CASA foi usada para identificar o único membro da família da viuva, a saber, seu filho. Assim, provamos que a palavra CASA representa não apenas o edifício físico da moradia, mas a família.

Entretanto, pode-se argumentar restar ainda um problema: ainda não provamos se a palavra CASA inclui também os membros jovens da família, as crianças, uma vez que o FILHO mencionado no texto pudesse, de fato, ser crescido. Contudo, se continuarmos a ler a história de Elias e o relato de seu encontro com a viúva, veremos mais adiante, na mesma passagem (1 Reis 17:19-23), que o filho da viúva era sim um menino, portanto, uma criança.


E ele disse: Dá-me o teu filho. E ele o tomou do seu regaço, e o levou para cima, ao quarto, onde ele mesmo habitava, e o deitou em sua cama,

E clamou ao Senhor, e disse: Ó Senhor meu Deus, também até a esta viúva, com quem me hospedo, afligiste, matando-lhe o filho?

Então se estendeu sobre o menino três vezes, e clamou ao Senhor, e disse: Ó Senhor meu Deus, rogo-te que a alma deste menino torne a entrar nele.

E o Senhor ouviu a voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu.

E Elias tomou o menino, e o trouxe do quarto à casa, e o deu à sua mãe; e disse Elias: Vês aí, teu filho vive.

Com essa premissa, todos os católicos podemos confortavelmente inferir que no Novo Testamento, quando lemos que um personagem, juntamente com SUA CASA foram batizados, isso positivamente significa que TODOS os membros da família foram batizados, inclusive as CRIANÇAS e bebês.

Assim o centurião romano Cornélio (At 10), a negociante Lídia de Filipos (At 16,14), o carcereiro de Filipos (At 16,31), Crispo de Coríntios (At 18,18), a família de Estéfanas (1 Cor 1,16) todos foram batizados juntamente com seus filhos, pequenos ou não. Tenhamos em mente que naquela época, crianças não faltavam em família alguma.

Diferentemente dos dias de hoje, o matrimónio necessariamente pressupunha a construção de uma família, onde os filhos eram vistos como uma benção de Deus e a ausência deles, um motivo de tristeza e lamentação. Mais adiante, não seria leviano presumir que os batismos narrados nas passagens acima não tenham sidos os únicos nos quais toda a CASA do convertido fora também batizada.

Obviamente, além da Bíblia há o testemunho histórico dos livros, dos escritos patrísticos, bem como da Sagrada Tradição. Esses argumentos podem – e devem – ser usados quando o interlocutor respeita a história, seus historiadores, o livros, as bibliotecas. Nesse caso torna-se ainda mais fácil demonstrar que a história registra em várias obras aquilo que, à primeira vista, parece estar omitido na bíblia.

Desde o início da Igreja, os apóstolos batizavam os recém-nascidos. Assim se expressa m, entre tantos outros, Orígenes (185 – 255 dC): “A Igreja recebeu dos Apóstolos a tradição de dar batismo também aos recém-nascidos.” (Epist. ad Rom. Livro 5, 9). E São Cipriano, em 258 dC, escreveu: “Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças.” (Carta a Fido). Santo Irineu, que viveu entre 140 a 204 dC, afirma: “Jesus veio salvar a todos os que através dele nasceram de novo de Deus: os recém-nascidos, os meninos, os jovens e os velhos“. (Adv. Haer. livro 2)

Portanto, se assim criam os primeiros Cristãos, assim ensina a Santa, Una, Apostólica, Igreja Católica. Assim devem crer os Católicos.



Fonte: Igreja Militante

04/08/2016

Pudor: o que a Igreja ensina?


O pudor é essencial para o ser humano

É comum ver interpretações equivocadas sobre as questões relacionadas ao que é e como deve se viver o pudor. Muitos pensam que pudor é “apenas” um sentimento de timidez, vergonha ou mal-estar, porém ele vai muito além, já que produz inúmeros proveitos físicos e espirituais, para os que o compreendem em si e o respeitam em seu próprio corpo e na forma de ser e agir.

O que é pudor? A Igreja ensina que “o pudor preserva a intimidade da pessoa. Consiste na recusa de mostrar aquilo que deve ficar escondido. Está ordenado à castidade, exprimindo sua delicadeza. Orienta os olhares e os gestos em conformidade com a dignidade das pessoas e de sua união” (Catecismo da Igreja Católica 2521).


Pudor o que a Igreja ensina 
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com


Assim, segundo Santo Tomás de Aquino, “o pudor ordena a castidade”, o que conduz a pessoa para uma plena realização no amor. Favorece para o entendimento que o corpo não é um objeto a ser usado e depois descartado, mas um lugar sagrado, pois “acaso ignorais que vosso corpo é templo do Espírito Santo que mora em vós e que recebestes de Deus?” (1 Cor 6,19). Com isso, espera-se que o corpo seja considerado e tratado como tal: templo de Deus.

 

Sua importância


O Catecismo diz: “O pudor protege o mistério das pessoas e de seu amor. Convida à paciência e à moderação na relação amorosa; pede que sejam cumpridas as condições da doação e do compromisso definitivo do homem e da mulher entre si. O pudor é modéstia, inspira o modo vestir, mantém o silêncio ou certa reserva quando se entrevê o risco de uma curiosidade malsã. Torna-se discrição” (CIC 2522).


Dessa forma, vê-se que o pudor e a modéstia estão intimamente relacionados à pureza. Já que “a pureza do coração exige o pudor, que é paciência, modéstia e discrição” (CIC 2533).


Observando os tempos atuais em relação a esses conceitos de pudor, pureza e modéstia, pode até parecer irrelevante discutir tais assuntos em decorrência da forma de pensar a realidade moderna hoje. Mas, na verdade, é importante e imprescindível saber o que significa e como se porta o pudor, que gera liberdade e é intrínseco em todo ser humano. Pois, ele abrange o íntimo da pessoa, causando reflexões significativas a respeito da pessoa integral.


A Bíblia se refere a questões relacionadas ao pudor; destaco São Paulo que exorta: “a vontade de Deus é que sejais santos e que vos afasteis da imoralidade sexual. Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade” (1 Ts 4,3.7). E ainda na Carta aos Efésios ele diz que “a imoralidade sexual e qualquer espécie de impureza ou cobiça nem sequer sejam mencionadas entre vós, como convém a santos” (1 Ef 5,3).


Portanto, viver as exigências da santidade propostas por São Paulo requer a vivência do pudor, que não aprisiona os afetos e a sexualidade; pelo contrário, ele, dentro da verdadeira liberdade humana, torna coerente e preserva a forma de ser e de agir com discrição quando necessário.


Leia mais:
 
.: Como o corpo pode levar o homem à santidade?
.: O que é a Teologia do Corpo?
.: Como compreender a castidade na sexualidade
.: A ditadura da ‘cultura do corpo’

 

O pudor é saudável

O pudor bem compreendido e experienciado naturalmente, no dia a dia, é fontículo de maturidade humana e espiritual, porque é algo saudável para todo ser humano.


A Igreja afirma que “existe um pudor dos sentimentos, como existe o do corpo. O pudor, por exemplo, protesta contra a exploração do corpo humano em função de uma curiosidade doentia (como em certo tipo de publicidade), ou contra a solicitação de certos meios de comunicação a ir longe demais na revelação de confidências íntimas. O pudor inspira um modo de viver que permite resistir às solicitações da moda e à pressão das ideologias dominantes” (CIC 2523).


Mesmo em diferentes lugares, o pudor é inerente a todos, pois “as formas revestidas pelo pudor variam de uma cultura a outra. Em toda parte, porém, ele permanece como o pressentimento de uma dignidade espiritual própria do homem. O pudor nasce pelo despertar da consciência do sujeito. Ensinar o pudor às crianças e adolescentes é despertá-los para o respeito à pessoa humana” (CIC2524). Desde a infância até a fase adulta, o pudor é um valor que labora nas diversas etapas de desenvolvimento do ser humano.


Nesta perspectiva humana e espiritual, Santo Agostinho já indagava e depois afirmava que, “quanto ao pudor, quem duvida que ele reside na própria alma, visto ser uma virtude? De onde se segue que não poderá ser arrebatado pela profanação involuntária do corpo”, ou seja, o pudor envolve a pessoa integralmente e não pode ser extinto por nenhum constrangimento, mas sempre participa e colabora qualitativamente na formação do homem.


As ofensas incorridas contra o pudor leva o homem a desnortear-se no emaranhado sombrio, que é a imoralidade. Isso pode gerar escândalos e obscenidade, que são consequências de desregramentos, mas essas desordens podem ser trabalhadas e superadas interior e exteriormente pela virtude essencial do pudor.


Assim, os benefícios do pudor preserva a intimidade pessoal, reordena os olhares e gestos, para que sejam puros; equilibra os relacionamentos, colabora no silêncio e discrição, ajuda para a maturidade afetiva e sexual. Por fim, o pudor é uma virtude que contribui para uma vida espiritual sadia e, consequentemente, para uma vida mais santa.





Autor: Márcio Leandro Fernandes
Fonte: Canção Nova

Dia de São João Maria Vianney, padroeiro dos sacerdotes

São João Maria Vianney 


Exemplo de santidade, de dedicação e perseverança na construção do caminho da salvação e progresso do Reino de Deus

Com admiração, alegramo-nos com a santidade de vida do patrono de todos os vigários, conhecido por Cura D’Ars. São João Maria Vianney nasceu em Dardilly, no ano de 1786, e enfrentou o difícil período em que a França foi abalada pela Revolução Napoleônica.

Camponês de mente rude, proveniente de uma família simples e bem religiosa, percebia desde de cedo sua vocação ao sacerdócio, mas antes de sua consagração, chegou a ser um desertor do exército, pois não conseguia “acertar” o passo com o seu batalhão.

Ele era um cristão íntimo de Jesus Cristo, servo de Maria e de grande vida penitencial, tanto assim que, somente graças à vida de piedade é que conseguiu chegar ao sacerdócio, porque não acompanhava intelectualmente as exigências do estudo do Latim, Filosofia e Teologia da época (curiosamente começou a ler e escrever somente com 18 anos de idade).

João Maria Vianney, ajudado por um antigo e amigo vigário, conseguiu tornar-se sacerdote e aceitou ser pároco na pequena aldeia “pagã”, chamada Ars, onde o povo era dado aos cabarés, vícios, bebedeiras, bailes, trabalhos aos domingos e blasfêmias; tanto assim que suspirou o Santo: “Neste meio, tenho medo até de me perder”. Dentro da lógica da natureza vem o medo; mas da Graça, a coragem.

Com o Rosário nas mãos, joelhos dobrados diante do Santíssimo, testemunho de vida, sede pela salvação de todos e enorme disponibilidade para catequizar, o santo não só atende ao povo local como também ao de fora no Sacramento da Reconciliação.

Dessa forma, consumiu-se durante 40 anos por causa dos demais (chegando a permanecer 18 horas dentro de um Confessionário alimentando-se de batata e pão). Portanto, São João Maria Vianney, que viveu até aos 73 anos, tornou-se para o povo não somente exemplo de progresso e construção de uma ferrovia – que servia para a visita dos peregrinos – mas principalmente, e antes de tudo, exemplo de santidade, de dedicação e perseverança na construção do caminho da salvação e progresso do Reino de Deus para uma multidão, pois, como padre teve tudo de homem e ao mesmo tempo tudo de Deus.


São João Maria Vianney, rogai por nós!



Fonte: Canção Nova

Sim, a Igreja é Santa: Explicação aos Evangélicos.




São Paulo nos diz em Hebreus 12,14 “Procurai a paz com todos e a santidade,sem a qual ninguém verá o Senhor“. São Pedro 1, 15, repete tal conselho “sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo (Lv 11,44). Os apóstolos ecoam aquilo que o próprio Jesus, mestre e modelo divino de toda a perfeição pregou, a santidade de vida, de que Ele é autor e consumador, a todos e a cada um dos seus discípulos, de qualquer condição: «sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito» (Mt. 5,48). Assim, a nossa fé católica crê que a Igreja é indefectivelmente santa.

Enquanto que Cristo, santo e inocente, sem mancha, não conheceu o pecado, mas veio somente expiar os pecados do povo, a Igreja, que no seu próprio seio encerra pecadores, é simultaneamente santa e chamada a purificar-se, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e renovação». Todos os membros da Igreja […] devem reconhecer-se pecadores. Em todos eles, o joio do pecado encontra-se ainda misturado com a boa semente do Evangelho até ao fim dos tempos. (Catecismo da Igreja Católica, 827)


Com efeito, Cristo, Filho de Deus, que é com o Pai e o Espírito ao único Santo» , amou a Igreja como esposa, entregou-Se por ela, para a santificar (cfr. Ef. 5, 25-26) e uniu-a a Si como Seu corpo, cumulando-a com o dom do Espírito Santo,para glória de. Deus. Por isso, todos na Igreja, quer pertençam à Hierarquia quer por ela sejam pastoreados, são chamados à santidade, segundo a palavra do Apóstolo: «esta é a vontade de Deus, a vossa santificação» (1 Tess. 4,3; cfr. Ef. 1,4).

Esta santidade da Igreja incessantemente se manifesta, e deve manifestar-se, nos frutos da graça que o Espírito Santo produz nos fiéis; exprime-se de muitas maneiras em cada um daqueles que, no seu estado de vida, tendem à perfeição da caridade, com edificação do próximo; aparece dum modo especial na prática dos conselhos chamados evangélicos. A prática destes conselhos, abraçada sob a moção do Espírito Santo por muitos cristãos, quer privadamente quer nas condições ou estados aprovados pela Igreja, leva e deve levar ao mundo um admirável testemunho e exemplo desta santidade. (Lumen Gentium, Cap V)

O Apóstolo adverte-nos a que vivamos acorro convém a santos» (Ef. 5,3), como eleitos e amados de Deus, e nos revistamos de entranhas de misericórdia, benignidade, humildade, mansidão e paciência» (Col. 3,12) e alcancemos os frutos do Espírito para a santificação (cfr. Gál. 5,22; Rom. 6,22). E porque todos cometemos faltas em muitas ocasiões (Tg. 3,2), precisamos constantemente. da misericórdia de Deus e todos os dias devemos orar: «perdoai-nos as nossas ofensas» (Mt. 6,12) (1).

É, pois, claro a todos, que os cristãos de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade (2). Na própria sociedade terrena, esta santidade promove um modo de vida mais humano. Para alcançar esta perfeição, empreguem os fiéis as forças recebidas segundo a medida em que as dá Cristo, a fim de que, seguindo as Suas pisadas e conformados à Sua imagem, obedecendo em tudo à vontade de Deus, se consagrem com toda a alma à glória do Senhor e ao serviço do próximo. Assim crescerá em frutos abundantes a santidade do Povo de Deus, como patentemente se manifesta na história da Igreja, com a vida de tantos santos.

Nos vários gêneros e ocupações da vida, é sempre a mesma a santidade que é cultivada por aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus e, obedientes à voz do Pai, adorando em espírito e verdade a Deus Pai, seguem a Cristo pobre, humilde, e levando a cruz, a fim de merecerem ser participantes da Sua glória. Cada um, segundo os próprios dons e funções, deve progredir sem desfalecimentos pelo caminho da fé viva, que estimula a esperança e que actua pela caridade. Todos os fiéis se santificarão cada dia mais nas condições, tarefas e circunstâncias da própria vida e através de todas elas, se receberem tudo com fé da mão do Pai celeste e cooperarem com a divina vontade, manifestando a todos, na própria actividade temporal, a caridade com que Deus amou o mundo.

O catecismo da Igreja (CIC 825 ao 826) ensina, portanto, que «Na terra, a Igreja está revestida duma verdadeira, ainda que imperfeita, santidade» Sendo assim, mesmo a santidade perfeita de seus membros seja ainda algo a adquirir: «Munidos de tantos e tão grandes meios de salvação, todos os fiéis, seja qual for a sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai, cada um pelo seu caminho» .

A caridade é a alma da santidade à qual todos são chamados: «É ela que dirige todos os meios de santificação, lhes dá alma e os conduz ao seu fim»(302):


Compreendi que, se a Igreja tinha um corpo composto de diferentes membros, o mais necessário, o mais nobre de todos não lhe faltava: compreendi que a igreja tinha um coração, e que esse coração estava ardendo de amor.Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja; que se oAmor se apagasse, os apóstolos já não anunciariam o Evangelho, os mártires recusar-se-iam a derramar o seu sangue… Compreendi que o Amor encerra todas as vocações, que o Amor é tudo, que abarca todos os tempos e lugares … numa palavra, que ele é Eterno» (Santa Teresa do Menino Jesus, Manuscrito B).

Conclusão:
A igreja é santa porque Cristo é Santo. Cristo a amou e morreu para santificá-la. Enquanto Corpo Místico do Senhor, ela está unida a Ele e é una com Ele; se a vinha é santa, seus galhos também o serão. Essa mesma realidade também explica porque podemos interceder uns pelos outros; pois em estando ligados a Cristo como membros do Corpo, somos mediadores com Ele; único mediador.


Referências:

1.Cfr. S. Agostinho, Retract. II, 18: PL 32, 637 s. Pio XII, Encícl. Mystici Corporis, 29 jun. 1943: AAS 35 (1943) p. 225.

2. Cfr. Pio XI, Encícl. Rerum omnium, 26 jan. 1923: AAS 15 (1923) p. 50 e pp. 59-60. Encicl. Casti Connubii, 31 dez. 1930: AAS 22 (1930)



Fonte: Igreja Militante










03/08/2016

Palavra do Dia: Porta da Esperança

Oséias Capítulo 2 Versículo 15.
Por: Michelle Coutinho / BLOG PALAVRA DO DIA


 













"Portanto, agora vou atraí-la; vou levá-la para o deserto e vou falar-lhe com carinho. Ali devolverei a ela as suas vinhas, e farei do vale de Açor uma porta de esperança. Ali ela me responderá como nos dias de sua infância, como no dia em que saiu do Egito.

Vale de Açor significa: Lugar de Preocupações.

Quando Oséias diz na bíblia a respeito da porta de esperança, ele se refere a uma restituição da vergonha. Quando profetiza, tem em vista sua própria vida, pois vinha de um casamento destruído, mas que foi restaurado. Então, ele libera a palavra que no lugar onde uma família fora engolida viva, o Senhor iria transformar em um portal de esperança.

Deus vai fazer da sua casa, da sua vida como casa de esperança, isso significa que o Senhor te dará uma visão, um alinhamento onde você e todos aqueles que estão ao seu redor viverão os propósitos dele.

Hoje Deus te diz que vai transformar o seu vale de Preocupações em Porta de Esperança!

Creia que Deus vai abrir um portal de esperança no vale da desonra e sua vida será uma casa de esperança.

Declare: "Estou deixando o lugar de preocupações e com Deus estou entrando na porta da esperança!"
 



Fonte: Blog Palavra do Dia

Ex-evangélico explica porque retornou ao Catolicismo

Testemunho de A. Silva
Originalmente publicado por Voz da Igreja
Eu, que por muitos anos frequentei igrejas evangélicas de diversas denominações, e por muito tempo fui enganado e explorado pelos seus pastores, dedico este testemunho a todos aqueles que se declaram “ex-católicos”, sem nunca terem sido católicos de fato, mas sobem aos púlpitos protestantes “evangélicos”, que eles, por pura ignorância, chamam de “altar” – se não há sacrifício não é e nem pode ser altar: só existe Altar na Igreja Católica –  para induzirem ao erro seus irmãos mais ingênuos.
Não creio que um dia tenham sido católicos os que depõem seus falsos testemunhos dizendo que encontraram a salvação em alguma “igreja evangélica”, porque os verdadeiros católicos já encontraram Jesus e a Salvação na Igreja que Ele mesmo nos deu, e não podem abandonar a Comunhão com Deus, seu Criador e Salvador, a não ser que nunca tenham comungado, de fato, com o Senhor Jesus Cristo.

Enumero abaixo algumas das razões porque deixei o protestantismo e retornei à primeira e única Igreja de Jesus Cristo.

1) O princípio “só a Bíblia” (Sola Scriptura)

Nada mais falso do que esse princípio. Os cristãos do primeiro século não dispunham de Bíblia. E nem os cristãos dos séculos seguintes. Na verdade, os cristãos só puderam contar com a Bíblia para consulta, como hoje, muitos anos depois da invenção da imprensa, que só aconteceu no ano de 1455. Então, será que o Senhor Jesus esperaria quase um milênio e meio para revelar sua verdadeira doutrina para o mundo?

Se assim fosse, Ele teria mentido, pois disse antes de partir para o martírio que estaria com a sua Igreja até o fim do mundo (conf. Mateus 28, 19-20).
Além disso, para que a Bíblia fosse a única fonte de revelação, seria no mínimo necessário que ela mesmo se proclamasse assim; e não é o caso, pelo contrário.

A Bíblia diz que a Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade (1 Tim 3, 15), e não as Escrituras. Nela, Jesus Cristo diz ainda: “Vocês examinam as Escrituras, buscando nelas a vida eterna. Pois elas testemunham de Mim, e vocês não querem vir a Mim, para que tenham a Vida!”(João 5, 39-40).

Sim, a Bíblia diz que as Escrituras são ÚTEIS para instruir, mas nunca diz, em versículo algum, que somenteas Escrituras instruem, ou que só o que as Escrituras dizem é que vale como base para a fé. Isso é uma invenção humana sem nenhum fundamento. E a Bíblia também diz que devemos guardar a Tradição (conf. 2 Tessalonicenses 2, 15 e 2 Tessalonicenses 3, 6, entre outros).

Contrariando a Bíblia, os “evangélicos” rejeitam a Tradição

2) O princípio “Só a fé salva”

A mesma Bíblia ensina que a fé sem obras é morta, na Epístola de Tiago (2, 14-26). A mesma Bíblia ensina que o cristão deve perseverar até o fim para ser salvo (Mt 24, 13).

E ainda acrescenta que seremos julgados,todos, por nossas ações boas ou más. Existem várias passagens que dão conta de um julgamento futuro e, sendo assim, é falso que alguém aqui na terra já esteja salvo só porque “aceitou Jesus”.

Não basta ir à frente de uma assembleia e dizer “Aceito Jesus como meu Senhor e Salvador” para ganhar o Céu. Não, não. É preciso muito mais do que isso. Conversão não é da boca para fora: é preciso que cada um tome a sua cruz e siga o Senhor, que, aliás, nunca prometeu prosperidade para quem o seguisse.

Portanto, é totalmente mentirosa a afirmação de que basta ter fé para ser salvo. Ora, os demônios também creem (Tiago 2, 19)…

3) Lutero

Foi Martinho Lutero quem começou com as “igrejas” protestantes, que deram origem às “igrejas evangélicas” de hoje. Mas o que ele pensava é seguido apenas em parte pelos “evangélicos” de hoje. Eles seguem somente os princípios “Só a Bíblia” e “Só a Fé”. Embora Lutero seja o fundador de todas as igrejas evangélicas que existem hoje, por que não são todos luteranos? Na verdade, isso seria bem menos pior…

Por outro lado, se reconhecem que Lutero é um homem falível, como é possível a um “evangélico” ter tanta certeza de que os princípios que ele inventou sejam dignos de confiança absoluta? 

Mais do que o que ensina a única Igreja que tem 2.000 anos e foi instituída diretamente por Jesus Cristo?

Mais: o próprio Lutero contestou o Papa e decretou que não se deve confiar num sacerdote. Mas ele mesmo era um ex-sacerdote católico. Então, se ele mesmo se descarta como pessoa confiável, quem é tolo o suficiente para dar crédito ao que ele disse ou escreveu?

4) Subjetivismo religioso I

Uma denominação evangélica não é igual a outra em matéria de fé.
Isso é fato pois:

Umas batizam crianças, outras não;
Umas admitem o divórcio, outras o repudiam;
Umas aceitam mulheres como “pastoras”, outras não;
Umas praticam a “santa ceia”, outras não;
Umas ensinam que devemos guardar o sábado, outras não;

Algumas ensinam a teologia da prosperidade, outras a repudiam;
Por aí vai…  

Tem “bispo evangélico” por aí defendendo até o aborto, só porque a Igreja Católica é (claro) contra! É comum ouvirmos frases como estas:

“Nesta ‘igreja’ está o verdadeiro caminho”, ou “Deus levantou este ministério” ou ainda “a tua vitória está aqui”. Mais comum ainda é os “pastores” dizerem que as igrejas deles são “ungidas”…

Ora, se todas essas igrejas ditas “evangélicas” são tão diferentes entre si, e a Verdade é uma só, como é possível um “evangélico” ter certeza que está na caminho certo, ou que o seu “pastor” está pregando a “Verdade”, se existem tantos outros “pastores” (que também dizem seguir a Bíblia e afirmam que são “ungidos”) que discordam dele?

5) Subjetivismo religioso II

Cada “crente” pode interpretar a Bíblia do jeito que quiser, segundo a tese protestante de Lutero. Mas todos nós sabemos que um “crente” não concorda com outro em todas as coisas. Muitas vezes divergem entre si mais do que convergem. Se cada qual interpreta a Bíblia do seu jeito, e nem poderia ser diferente, então, como é possível um “evangélico” ter a certeza de que está certo na sua interpretação?  

E por quê, meu Deus, por quê apenas a interpretação da Igreja Católica é que está totalmente errada, em tudo? 

Essa é a mais cruel de todas as incoerências das “igrejas” ditas “evangélicas”: praticamente todas elas se reservam o direito de criticar umas às outras, mas todas são unânimes em criticar a Igreja Católica!

O mais incrível é não percebem que, agindo assim, estão cumprindo as profecias bíblicas do próprio Senhor Jesus Cristo: “Sereis odiados de todos por causa do meu Nome” (Lucas 21, 17); “Bem aventurados sereis quando, mentindo, disserem toda espécie de mal contra vós, por amor ao meu Nome” (Mateus 5, 11-12)…

Os pastores se ajoelham e se prostram diante de réplicas da Arca da Antiga Aliança, mas eles não chamam esses pastores de “idólatras”. Só os católicos são chamados assim. Eles idolatram até lencinhos embebidos no suor de alguns pastores mas não acham que isso é idolatria… Em algumas denominações, acontece a distribuição de lembrancinhas, sabonetinhos para espantar “olho gordo”, vidrinhos de óleo “ungido”, “rosas consagradas”, etc, etc… Mas nada disso, para eles, é idolatria.

Somente os católicos é que são idólatras. Todos pensam assim, porque todos sofreram a mesma lavagem cerebral, que é muito difícil de reverter.

6) Subjetivismo religioso III

A interpretação pessoal da Bíblia por cada “crente” e “pastor” afronta claramente a Bíblia. De acordo com a santa Palavra de Deus, interpretação alguma é de caráter individual. Examinar a Bíblia não é o mesmo que interpretá-la. Posso examinar uma pessoa e lhe informar que encontrei uma mancha na sua pele. Mas o diagnóstico deve ser feito pelo médico, e não por mim, que sou leigo.

7) “Igreja não importa” e “igreja não salva”…

Todo “crente” diz em alto e bom som: “Igreja não salva ninguém”.Ora, se igreja não salva ninguém e cada um pode interpretar a Bíblia pessoalmente, para quê frequentar alguma denominação? Quando ocorre algum escândalo envolvendo algum “pastor”, o crente também diz: “Olha para Jesus e não para o pregador”. Mas se o pregador ensina tolices e princípios contrários ao verdadeiro cristianismo, por que eu deveria ouvir o que ele diz? Não é possível “olhar para Jesus” assim. Pelo contrário, isso só vai colocar em risco a minha alma!

Se cada crente pode interpretar pessoalmente a Bíblia, se “igreja” não salva ninguém e o pastor não é confiável (ele é só um homem falível), então por que os “evangélicos” continuam dando tanto crédito aos pregadores?

8- Evangelização ou PROSELITISMO ?

E se cada um de fato pode interpretar a Bíblia a partir da sua leitura pessoal, que conta com a assistência do Espírito Santo, por que ao invés de pregar não se imprimem Bíblias e se distribui à população?

Ora, se basta ter fé para ser salvo e se cada um pode ser o próprio intérprete da Bíblia, para que servem as denominações, os cultos, os “pastores”, as pregações, livros, CDs e DVDs? Ao invés dos milhões em dízimos e ofertas, que sustentam toda uma estrutura que é desnecessária (afinal todos os que crerem já estão salvos…), por que não reunir esses recursos e construir gráficas e mais gráficas para a impressão de Bíblias e distribuí-las para todos aqueles que não conhecem Jesus?

Eu digo porquê: porque os “pastores” se encarregam de passar a sua interpretação pessoal da Bíblia aos ingênuos que os seguem. E essa interpretação é deturpada e não tem nada a ver com a Mensagem original nos Evangelhos. Os “evangélicos” pensam que entendem a Bíblia, mas na verdade tudo o que eles conhecem é a interpretação pessoal deste ou daquele “pastor”.

Se nem o pregador é digno de confiança, razão pela qual o crente deve confrontar o seu entendimento pessoal da Palavra com a pregação do palestrante, por que razão alguém deveria dar crédito a um desconhecido que lhe vem falar como porta-voz de Jesus?

9) Interpretação bíblica

Agora, se cada um pode interpretar a Bíblia e se todas as interpretações estão corretas, mesmo que sejam todas diferentes entre si, por quê só a interpretação católica está errada? A Bíblia só pode ser interpretada se a pessoa está sob o rótulo de “evangélico”?

Nesse caso, o que salva não é a fé, é o rótulo. E se for assim, ao contrário do que eles afirmam, a placa da igreja ou o rótulo de “evangélico” é que salva.

Pela visão protestante, milhares e milhares de denominações estão corretas nas suas interpretações bíblicas, mesmo que sejam diferentes entre si. Todas elas estão certas e apenas uma está errada, que seria a Igreja Católica. Justamente a primeira igreja que existiu é que não conta com a assistência do Espírito Santo.

Nesse caso, Jesus mentiu quando disse que os portais do inferno não prevaleceriam contra a Igreja (Mat 16, 18) pois o inferno teria triunfado contra a Igreja Católica, e também quando disse que estaria com a sua Igreja até o fim do mundo: ele só se faz presente para quem carrega o rótulo de “evangélico”…

10) O Pai Nosso

A oração é bíblica. Foi ensinada pelo Senhor Jesus. O “evangélico” a repudia. Por quê? Para não parecer católico!

O “crente” jura defender a Bíblia, mas é o primeiro a não obedecê-la…
Ele decidiu que não irá recitar o Pai Nosso e fim de papo. E pior. Quem o faz está errado, ainda que esteja obedecendo à Bíblia. O crente se acha melhor do que Jesus. Jesus fez a oração do Pai Nosso, mas o “evangélico” não tem que fazê-la…

11) Maria

Isabel, que ficou cheia do Espírito Santo com a visita de Maria, chamou-a de “mãe do meu Senhor”. O crente a chama de “mulher como outra qualquer”…

Isabel, recebeu o Espírito Santo com a chegada de Maria, grávida de Jesus Cristo, Deus Todo-Poderoso. O “evangélico” fica cheio de ira quando se menciona o nome de Maria…

João Batista estremece no ventre de Isabel ao ouvir a voz de Maria.
O crente se enfurece quando ouve o nome Maria…

A Bíblia diz que Maria será chamada de bem aventurada por toda as gerações. O crente a chama de mulher pecadora como qualquer outra.
O protestante rasga os Textos Sagrados. E jura defender a Bíblia. 
Seguem o que querem e desprezam o que não lhes interessa!

12) Confissão

A Bíblia é clara: aos Apóstolos foi dado o poder de reter e perdoar pecados (Lucas 20, 21-23). Como é possível reter ou perdoar se alguém não lhes confessa? Desnecessário falar mais a respeito.

13) Fundação de “igrejas”

A Bíblia não faz qualquer referência à milhares de “igrejas” diferentes e separadas, mundo afora. Mas para fundarem suas denominações, os “evangélicos” não fazem questão da tal da base bíblica de que tanto falam. A Bíblia diz que devemos ser um só corpo.

Eles fazem o contrário. Dividem-se, subdividem-se, de novo e de novo. Se uma igreja não está agradando, procuram outra mais ao seu gosto, e os mais espertos fundam as suas próprias igrejas, do jeito que acham mais certo (ou do jeito que dá mais lucro, em muitos casos), segundo sua própria interpretação da Bíblia. 

E todos dizem que estão sendo guiados por Deus. Existe um Deus ou muitos deuses? Se é um só Deus, como tantas igrejas podem ensinar coisas diferentes, e todas estão certas, menos a católica?

Eles fragmentam o Corpo e pulverizam a mensagem do Evangelho.
Fazem o contrário do que o Senhor ordenou! Basta um crente discordar do outro, – e isso é a coisa mais fácil de acontecer, – que já surge uma nova denominação.

Seus líderes podem ter “visões” para fundarem novas denominações. Mas somente as revelações católicas aprovadas pela Santa Igreja é que são refutadas…

O crente acredita no que deseja. E rejeita tudo que é católico. Sempre dois pesos e duas medidas.

O pastor falou que teve uma visão e todo mundo engole. Nessa hora o “biblicamente” ou “a Palavra de Deus” não tem qualquer importância.

02/08/2016

Introdução à Escatologia

ESCATOLOGIA, (do grego εσχατος, "último", mais o sufixo -logia, e do latim eschatón), é a coisa última. Ela se difere de telos (do grego τέλος, finalidade) que significa “as causas finais”; portanto, não é um curso de teleologia, embora ele vá perpassar alguns aspectos teleológicos.


Para se referir ao ser existem três palavras, todas sinônimas, mas com usos específicos para cada situação: substância, essência e natureza. A primeira é utilizada em relação ao ser, a segunda ao conhecer e a terceira ao agir.

Portanto, a palavra natureza é a mais dinâmica, relacionando-se à moral, à ética e, justamente por isso, é usada para referir-se à finalidade do homem. Assim, quando se diz que algo é analisado a partir da teleologia, lê-se que está se referindo à sua natureza, ao o ser relacionado ao agir.

Ao se olhar para a natureza do ser humano, através de um esforço racional, é possível se chegar a um telos, a uma finalidade. Segundo Aristóteles, a finalidade do homem é a felicidade. Já o esforço teológico, por sua vez, diz que todos os seres humanos aspiram a felicidade, que pode ser definida como a realização do próprio ser, estando, portanto, inscrita nele. Por exemplo, a felicidade da lâmpada é iluminar, do microfone é captar o som e assim por diante. Isso acontece porque foram criados para isso. A finalidade deles é essa.
E o homem, para que foi feito?

Para responder essa questão fundamental é necessário um esforço teológico e filosófico. Existe, porém, um problema: o homem recebeu um acréscimo de Deus que é a Graça. O ser humano, conforme revelado através de Jesus Cristo, possui um destino, uma finalidade que supera a sua natureza. Todo aquele que possui natureza humana é chamado - por dom de Deus - para participar da natureza divina, que é o ser de Deus, a vida Dele.

Ora, mesmo que se faça a maior diligência não é possível concluir que um dia o homem, por si só, consiga participar da natureza divina. É impossível. Desse modo, estudar escatologia não é estudar a natureza humana e o seu destino humano (teleologia), mas sim, a natureza humana e o seu destino divino (escatológico), dado por Deus gratuita, superabundante e graciosamente, por pura liberdade.

Isso acaba por impossibilitar a dedução escatológica, pois o que aguarda o homem na vida eterna é muito maior do que se pode sonhar, imaginar ou conceber racionalmente. Supera o entendimento humano, portanto, não pode ser deduzido.

O esforço filosófico chega tão somente à conclusão de que o ser humano não encontra em si mesmo a satisfação de suas necessidades. Sendo assim, a filosofia pode postular que a alma é eterna, mas não consegue responder totalmente à questão.

O estudo da escatologia implica compreender que o homem é um ser que não encontra nele mesmo a sua resposta e, filosoficamente, é preciso obsecrar que Deus venha e resolva o problema, portanto, não como postulado, mas como REVELAÇÃO.

A abordagem adotada, avisamos desde o início, não será a de Karl Rahner e o seu tomismo transcedental, embora por uma questão de justiça, algumas opções dele deverão ser analisadas. A linha assumida será a chamada da “volta às fontes” ou “la nouvelle théologie” honrada e defendida por grandes teólogos como Henri de Lubac, Hans Urs von Balthasar e Joseph Ratzinger. E desejará tão somente responder à questão fundamental que todo homem em algum momento de sua vida já se fez: “o que será de mim depois da morte?”




Autor: Padre Paulo Ricardo

Escatologia: O fim dos tempos...

A Escatologia pode ser definida como um termo moderno que indica a parte da teologia que considera as fases 'finais' ou 'extremas' da vida humana ou do mundo: morte, juízo universal, pena ou castigo extraterrenos e fim do mundo. Os filósofos usam às vezes esse termo para indicar a consideração dos estágios finais do mundo ou do gênero humano (ABBAGNANO, Nicola, Dicionário de Filosofia, 1999)

Ela está inserida na Antropologia Teológica que trata do Homem à partir da visão do Deus. Diante disso, é óbvio que ocupa uma segunda posição em relação à Teologia, que deve ser primeiramente Teocêntrica e Cristocêntrica.

Todavia, a escatologia se reveste de importância quando pretende responder ao questionamento básico de todos os seres humanos: "o que há depois da morte?" Porém, toda e qualquer reflexão filosófica é insuficiente para explicar ou mesmo entender tudo o que Deus tem para o homem.

Mas, como está escrito, o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam. (I Cor 2,9)

Qual é, então, o desejo de Deus para o homem? Segundo o Catecismo da Igreja Católica, em seu número 01: Deus, infinitamente Perfeito e Bem-aventurado em si mesmo, em um desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para fazê-lo participar de sua vida bem-aventurada.

Ou seja, o ser humano tem uma finalidade que supera a sua natureza, assim, todos os homens são chamados por Deus para participar de Sua natureza divina.

Desta forma, a Escatologia estuda a natureza humana e o seu destino divino, dado por Deus gratuitamente. É por isso que somente por meio da Revelação divina é que se pode estudar a escatologia vez que o assunto supera o entendimento e a capacidade humana de compreensão. A esperança humana do novo céu e da nova terra será a realização definitiva do projeto de Deus de reunir, sob um só chefe, Cristo, todas as coisas, as que estão no céu e as que estão na terra. 

Neste universo novo, a Jerusalém celeste, Deus terá uma morada entre os homens. (...) Para o homem, esta consumação será a realização última da unidade do gênero humano, querida por Deus desde a criação e da qual a Igreja peregrinantes era como o sacramento. (...) A visão beatífica, na qual Deus se revelará de maneira inesgotável aos eleitos, será fonte inexaurível de felicidade, de paz e de comunhão mútua. (CIC 1043, 1044, 1045)

Portanto, o objetivo desse curso será estudar a escatologia propriamente dita, que trata das realidades últimas e também a escatologia intermediária, que trata das realidades transitórias, anteriores ao fim dos tempos, fornecendo juntamente com os ensinamentos da Igreja um caminho seguro para que todos possam chegar um dia à Jerusalém celeste.




Autor: Padre Paulo Ricardo

01/08/2016

A ignorância, intolerância e hipocrisia da igreja evangélica e de muitos evangélicos.





O título deste texto pode ser agressivo, com intolerância religiosa ou incentivo ao ódio ou uma "guerra santa",mas o denodo colocado mostra que a agressividade desenfreada somada a ignorância de um (a) evangélico (a) é muito pior. Não colocarei exemplos de outros, mas sim, os que aconteceram e são corriqueiros comigo quando deparo com os chamados “irmãos”.

E NÃO SOU NENHUM POUCO A FAVOR DO ECUMENISMO.

    Impressionante o olhar de condenação de um evangélico ao ter ver comprando uma cerveja em um mercado e dizer que “gosta de uma cervejinha”, para eles, você é um alcoólatra, perdido e “utilizado pelo inimigo” e que precisa urgentemente ir para o “culto da igreja deles escutar a palavra”. 
   
    Você gentilmente explica que não é um hábito mas que em um momento de puro lazer, assistindo um futebol na TV e comendo um salgadinho ou um amendoim acompanhado ás vezes de algum amigo se divertindo, o típico momento que você não pensa em trabalho, estudo, problemas e apenas quer rir e se distrair um pouco após um dia desgastante de trabalho – algum crime nisto?
   
    Detalhe, sou a pessoa que toma duas ou três garrafinhas de cerveja por mês e talvez mais tempo, mas mesmo assim no “olhar evangélico” eu sou um alcoólatra perdido, e por que não, propenso ao uso de drogas? É assim que você parte para outras coisas.  Quanta hipocrisia!

    Então, na liberdade eu poderia dizer a um evangélico que ele não pode ir a festas de aniversários de amigos, casamentos entre outras festividades porque estão propensos a bebidas, orgias, intrigas, badalação, ou seja, um ambiente típico propenso a Sodoma e Gomorra ou Babilônia? Não é deste pequeno início que inicia-se o caminho da perdição?
    Então, querido (a) evangélico (a), o que você poderia me dizer a respeito disso?

    E quando o assunto é Igreja Católica então? Meu Deus!
    Percebemos o quanto começa a falta de conhecimento, estudos, discernimentos da própria Palavra de Deus e o lado tendencioso para provar que a “religião deles” é a de Deus.

    Quando eles contam testemunhos de grandes obras de Deus na “religião deles”, falam com palavras belas, “ungidas” e certas querendo provar que foi Deus que falou com eles. Em alguns momentos pode até falar, mas os “enfeites” e exageros que colocam acabam destruindo qualquer tipo de credibilidade.
   
    No Largo do Novo Osasco, um bairro que já morei, na mesma rua tem sete igrejas evangélicas de tipos diferentes de denominações. Oras, se são verdadeiramente a tal “Igreja de Deus”, por que não fizeram UMA e que todos frequentassem juntos? Deus em Sua Palavra não diz que não é causa de motivo de divisão de ninguém?

    A divisão é do diabo, ele é o ‘diábolos’, o divisor, a diversidade é do Espírito!

O Padre Roger Luis, da Canção Nova, contou que um dia, escutando o testemunho de um Pastor de uma Igreja Evangélica da Argentina, um grande homem de Deus, um amigo seu que contava que no início do seu ministério, trazia um fogo ardente de evangelismo no coração, não perdia tempo. Foi ao supermercado comprar um material de limpeza e ao estar na fila do caixa, resolveu evangelizar, falar de Jesus para o homem que estava à sua frente na fila. Ao anunciar o Cristo, o homem disse a esse pastor meu amigo: “Eu sou judeu”. O Pastor dizia que deu uma gargalhada e falou ao judeu: “Engraçado, Deus mandou Jesus, o Messias para Israel, para o povo judeu, e eles não o acolheram, nós sim, acolhemos o Messias e experimentamos a salvação”. O judeu virou para o Pastor e disse: “Sinceramente eu tenho buscado na Bíblia discernir se realmente Jesus é o Messias esperado para Israel, li todo o Antigo Testamento e também o Novo Testamento, e trago um grande questionamento no coração. A palavra diz que Ele viria para unir, e vocês Cristãos se dividem cada dia mais, será que realmente Jesus é o Messias esperado?”. Esse meu amigo pastor silenciou, não disse mais nada. Pagou o que tinha que pagar no caixa e foi para seu carro...

    1 Coríntios 1.10 – “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, seja inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer”.

    Ainda nesta parte dos testemunhos, se um católico fala das grandes obras realizadas por Deus na Santa Missa, grupos de oração, Santo Terço, retiros espirituais e outras missões o evangélico não acredita, diz que “o inimigo também pode realizar obras” e que tais feitos podem ter sido ele e não Deus, “bem diferente” do que acontece na “igreja deles”.
   
   
    Oras, uma “religião” que recrimina, julga, se divide e quer falar de formas caluniosas de uma Igreja com mais de 2000 anos fundada com Cristo em Pedro pode ser de Deus? CLARO QUE NÃO! 
    Em um aspecto concordo com eles: o inimigo também realiza obras.
    E vem realizando muito isso na igreja evangélica, com muitas divisões, a cada esquina tem uma “igreja” evangélica com uma denominação diferente, pastores “pregando” cada um no seu galpão, disputando literalmente aos gritos quem prega mais forte ou tem mais unção. Comparo tais “igrejas” de 10 esquinas como pizzarias fazendo algum tipo de promoção para atrair “clientes”.

    Não contentes com isto, começam a dizer que a Igreja Católica “colocou” mais livros na Bíblia e que Deus recrimina isso e que a “bíblia” deles é a correta. E de novo vamos para a falta de conhecimentos deles…

     Apócrifos são os livros que foram escritos pelo povo de Deus, mas não foram considerados pelo Magistério da Igreja como revelados pelo Espírito Santo; portanto, não são canônicos, isto é, não fazem parte do cânon (índice) da Bíblia. As razões que levaram a Igreja a não considerá-los como Palavra de Deus é que muitos são fantasiosos sobre a Pessoa de Jesus e sobre outros personagens bíblicos. Além disso, muitos destes possuem até heresias como o gnosticismo. No entanto, neles há algumas verdades históricas, e isso faz a Igreja considerá-los importantes nos estudos.

    Há livros apócrifos referentes ao Novo e ao Antigo Testamento. Mostra que a Igreja foi muito criteriosa na seleção dos livros que formariam a Bíblia, isto é, revelados, Palavra de Deus. Por intermédio de sua Tradição, interpretada pelo Magistério, a Igreja nos deu a Bíblia como a temos hoje. Portanto, sem a autoridade dela [Igreja], a Sagrada Escritura não pode ser interpretada, pois não existiria a Bíblia, como a temos hoje, sem a Igreja.

   

Após um banho de aula neles, vem a parte mais engraçada do ataque deles – o disco riscado chamando católico de idólatras, que acredita e cultua santo, que adora Maria, que não existe Nossa Senhorana Bíblia e mais uma porção de bobagens ditas.
    Curioso desta história é o que o “pastor” deles falam, é decreto e dizem amém. Não seria isso uma idolatria?

    Sem a mediação única de Cristo nenhuma outra tem poder

    Em primeiro lugar, é preciso entender que Deus não nos proíbe de fazer imagens, mas sim imagens “de ídolos”, ou seja, de deuses falsos.

    Já no Antigo Testamento, o próprio Deus prescreveu a confecção de imagens como querubins, serpentes de bronze, leões do palácio de Salomão etc. A Bíblia defende o uso de imagens como é possível verificar em muitas passagens:

    Ex: 25,17-22; 37,7-9; 41,18; Nm 21,8-9; 1Rs 6,23-29.32; 7,26-29.36; 8,7; 1Cr 28,18-19; 2Cr 3,7.10-14; 5,8; 1Sm 4,4; 2Sm 6,2; Sb 16,5-8; Ez 41,17-21; Hb 9,5 e outras mais.

    Os profetas condenavam a confecção de imagens “de ídolos”:“Os que modelam ídolos nada são, as suas obras preciosas não lhes trazem nenhum proveito. Quem fabrica um deus e funde um ídolo que de nada lhe pode valer?” (Isaías 44,9-17).


   

 O que é um ídolo?

    1 – substitui o único e verdadeiro Deus;
    2 – são-lhes atribuídos poderes exclusivamente divinos, e
    3 – são-lhe oferecidos sacrifícios devidos ao verdadeiro Deus. É o que os judeus antigos, no deserto, fizeram com o bezerro de ouro (cf. Ex 32).
   
    PORTANTO, não é o que os católicos fazem!

    A Igreja Católica nunca afirmou que devemos “adorar” as imagens dos santos; mas as venerar, o que é muito diferente.

    A imagem é um objeto que apenas lembra a pessoa ali representada; o ídolo, por outro lado, “é o ser em si mesmo”. A quebra de uma imagem não destrói o ser que representa; já a destruição de um ídolo implica a destruição da falsa divindade.

    Para Deus, e somente para Ele, a Igreja presta um culto de adoração (“latria”), no qual reconhecemos Deus como Todo-Poderoso e Senhor do universo. Aos santos e anjos, a Igreja presta um culto de veneração (“dulia”), homenagem.

    A Nossa Senhora, por ser a Mãe de Deus, a Igreja presta um culto de “hiper-dulia”, que não é adoração, mas hiper-veneração. A São José “proto-dulia”, primeira veneração.

    A palavra “dulia” vem do grego “doulos”, que significa “servidor”. Dulia, em português, quer dizer reverência, veneração. “Latria” é adoração, vem do grego “latreia”, que significa serviço ou culto prestado a um soberano senhor. Em outras palavras, significa adoração. Então, não há como confundir o culto prestado a Deus com o culto prestado aos santos.

    Rogando aos santos, não os olhamos nem os consideramos senão nossos intercessores para com Jesus Cristo, que é o único Medianeiro (cf. 1Tm 2,4), que nos remiu com Seu Sangue e por quem podemos alcançar a salvação. A mediação e intercessão dos santos não substituem a única e essencial mediação de Cristo, o único Sacerdote, mas é uma mediação “por meio de” Cristo, não paralela nem substitutiva. Sem a mediação única de Cristo nenhuma outra tem poder.

    A imagem de um santo tem um significado profundo. Quando se olha para ela, a imagem nos lembra que a pessoa, ali representada, é santa, viveu conforme a vontade de Deus. Então, é um “modelo de vida” para todos.

    A imagem lembra também que aquela pessoa está no céu, isto é, na comunhão plena com o Senhor; ela goza da chamada “visão beatífica de Deus” e intercede por nós sem cessar, como reza uma das orações eucarísticas da Missa.

    A intercessão dos santos é algo maravilhoso. Quando nós precisamos de um favor de uma pessoa importante, mas não conseguimos chegar até ela, então, procuramos um mediador, um intercessor, que seja amigo dessa pessoa, para fazer a ela o nosso pedido. E a pessoa importante a atende por ter intimidade com nosso intercessor.




 
 Ora, fazemos o mesmo com Deus. Não temos intimidade com Ele como os santos que já estão na Sua glória; nossos pecados limitam nossa intimidade com o Pai; então, os santos nos ajudam. Mas, como eles podem ouvir todos os pedidos ao mesmo tempo sem que tenham a onisciência e a onipresença de Deus? É simples. Na vida eterna, já não há mais as realidades terrenas do tempo e espaço.

    A comunhão perfeita com Deus dá aos santos o conhecimento de nossas orações e pedidos e, na plenitude de Deus, e por meio d’Ele, não há a dificuldade de atender a todos ao mesmo tempo, pois já não existe mais esse fator limitador. No Céu, a realidade é outra.

    Alguns perguntam: mas os mortos não estão todos dormindo, aguardando a ressurreição?     Não. Jesus contou o caso do pobre Lázaro, o qual já estava no seio de Abraão, vivo e salvo, e o rico que sofria as penas eternas. A alma não dorme.

    No livro de Macabeus (2Mac 15, 11-15), temos a narrativa de Judas Macabeus, que teve a visão do sacerdote Onias, já falecido, orando pelo povo judeu.

    Por tudo isso, as imagens precisam ser bem feitas, mais parecidas possíveis com o santo.     Não devemos fazer imagens mal feitas ou mal pintadas. Quando não há uma foto ou uma pintura de santos antigos, então é licito que artistas sugiram uma imagem que a Igreja abençoe.

    Quando uma imagem que foi benzida se quebra, e não é possível restaurá-la, então deve ser enterrada, destruída ou colocada em um lugar onde não haja profanação dela. Se for de material combustível, pode ser queimada.

    Então, queridos irmãos evangélicos, então é errado pedirmos para os “irmãos de culto” orar por nós em momentos de dificuldades como forma de ajuda? Olha só, mais uma hipocrisia e contradição de vocês. 

    Lembrando que o tal “igreja” dos crentes não possuem a Sagrada Eucaristia, pois para eles é apenas “mais um rito comum” na Palavra de Deus.

    João 6, 51 - “ Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.”

    Finalizando, vamos recapitular: uma “igreja” que condena, julga, se diz senhores da razão, um lugar que tudo acontece por intermédio de Deus, que praticamente quem for evangélico vai para o Ceú, prega um radicalismo sem vivê-lo (ex: falam mal de televisão mas assistem, vão aos shoppings, baladas, fazem festinhas, falam mal dos outros, entre outros), questionam quando as pessoas estudam a fundo religião entre outras coisas, tem como seus maiores “símbolos” pastores como Edir Macedo, Silas Malafaia, Valdemiro, Sônia e outros envolvidos em lavagem de dinheiro, capital ilícito adquirido pela ignorância religiosa dos mais desprovidos de cérebros e até metidos na política.




  
 Como dar credibilidade a uma “igreja” que coloca demônio em tudo, inclusive em desenhos infantis, recriminam festas religiosas com falsos contextos sem um mínimo de fundamentalismo ou veracidade dos fatos? Que mistura Igreja Católica com Espiritismo, Umbanda e Candomblé?

    Fique um aviso: jamais me chame para um culto porque se rezo e oro todos os dias a Deus para me livrar do mal, por que então eu iria em uma seita mascarada como “igreja evangélica” para trocar uma idéia como o próprio ou querer uma obra dele?

    Para querer chegar ao Céu, é preciso primeiramente deixar rastros de Deus ao seu próximo ao invés de gerar repulsas com comportamentos inconvenientes.

    Pois bem, e agora, evangélicos (as)?

Todo texto colocado poderia ser resumido em apenas uma frase, mas para evangélico temos que dar aulas, mas escreverei mesmo assim: o fariseu de ontem é o evangélico de hoje, farinha do mesmo saco podre.

Nossa Senhora foi assunta aos céus?


Grandioso é o mistério da Virgem Maria! Como compreender sua assunção aos céus?

A Santa Igreja ensina que a Virgem Maria, “preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi assunta de corpo e alma à glória celeste. E para que mais plenamente estivesse conforme seu Filho, Senhor dos senhores1 e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo”2

O dogma da Assunção significa que a Santíssima Virgem foi assumida por Deus no Reino dos Céus, que ela foi glorificada de corpo e alma na Jerusalém celeste. Depois de sua vida terrena, a Mãe do Senhor encontra-se antecipadamente no estado escatológico dos justos na ressurreição final. 

Nesse sentido, a crença no dogma da Assunção enche de esperança o nosso coração, pois une a dimensão antropológica, o sentido da nossa existência terrena, o destino escatológico com o fim último da nossa humanidade redimida pela cruz de Cristo.


Nossa Senhora foi assunta aos céus


A respeito dos fundamentos bíblicos do dogma da Assunção de Maria não há uma unanimidade. Alguns autores colocam como fundamento bíblico final da doutrina da Assunção a descrição do livro do Apocalipse: “Então, apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida com o sol, tendo a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas”3. Outro recorrem ao livro do Gênesis como fundamento: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”4.


Tendo em vista as dificuldades de interpretação que estes fundamentos bíblicos trazem em si, o Papa Pio XII procedeu com um método misto, não meramente bíblico. O Pontífice considerou, de modo especial, a Doutrina dos Santos Padres, que, desde o século II, afirmam uma especial união de Maria, a Nova Eva, com Cristo, o Novo Adão, na luta contra o diabo5. Esta luta contra o demônio há de terminar com a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte6, na qual há uma participação da Virgem Maria, por sua associação na obra de seu Filho. Esta “especial participação de Maria na vitória de Cristo não poderia considerar-se completa sem a glorificação corporal de Maria”7.


Como seu Filho Jesus Cristo, a Virgem Maria partiu deste mundo voltando “para a casa do Pai”8. Tudo isso não está distante de nós, embora possa parecer, porque todos nós somos filhos de Deus, todos nós somos irmãos e irmãs de Jesus e todos nós somos também filhos e filhas de Maria, nossa Mãe. Todos nós desejamos a felicidade, e a felicidade para a qual todos nós tendemos é Deus. Todos nós estamos a caminho da felicidade, que chamamos céu, o qual, na realidade, é a vida com Deus. 


Que Nossa Senhora nos ajude, nos dê coragem para fazer com que cada momento da nossa existência seja um passo neste êxodo, nessa saída em busca da felicidade, nesse caminho rumo a Deus. A Virgem Maria nos ajude também a tornar presente a realidade do céu, a grandeza do Senhor na vida do nosso mundo.

No fundo, essa realidade faz parte do nosso dinamismo pascal, de cada um de nós que deseja tornar-se celeste, totalmente feliz, em virtude da Ressurreição de Cristo. Este é o início e a antecipação de um movimento que diz respeito a cada ser humano e ao mundo inteiro. Nossa Senhora, “aquela de quem Deus tinha tomado a carne e cujo coração fora trespassado por uma espada no Calvário, encontrava-se associada, por primeiro e de modo singular, ao mistério dessa transformação para a qual todos nós tendemos, muitas vezes, também nós trespassados pela espada do sofrimento neste mundo”9.


A Virgem Maria, a nova Eva, seguiu Jesus Cristo, o novo Adão, no sofrimento, na Paixão, e, desse modo, também na alegria definitiva. Cristo é a primícia da obra da salvação, mas a sua carne ressuscitada é inseparável da carne da sua Mãe terrena, a Virgem de Nazaré. Em Nossa Senhora, toda a humanidade está envolvida na Assunção a Deus, e com ela toda a criação, cujos gemidos e sofrimentos são, como diz São Paulo, as dores do parto da nova humanidade10

Dessa forma, nascem os novos céus e a nova terra, onde já não haverá mais pranto nem lamentações, porque não haverá mais morte11.
Como é grandioso o mistério de amor que se repropõe à nossa contemplação na Assunção da Virgem Maria! Seu Filho Jesus Cristo venceu a morte com a onipotência do seu amor, pois só este é onipotente. Este amor levou o Senhor a morrer por nós e, dessa forma, vencer a morte. Somente “o amor faz entrar no reino da vida! E Maria entrou após o Filho, associada à sua glória, depois que foi associada à sua paixão”. Nossa Senhora entrou no céu com um desejo incontrolável e deixou o caminho aberto para todos nós. Por isso, no dia da Assunção, a invocamos como “Porta do céu”, “Rainha dos anjos” e “Refúgio dos pecadores”. 

Diante desse grande mistério do amor de Deus, “não são os raciocínios que nos fazem compreender essas realidades tão sublimes, mas sim a fé simples, pura, e o silêncio da oração que nos põe em contacto com o Mistério que nos ultrapassa infinitamente”12.


Peçamos a Santíssima Virgem Maria que nos conceda hoje o dom da sua fé, que nos faz viver já nesta dimensão entre o finito e o infinito. Roguemos a Nossa Senhora a fé que transforma também o sentimento do tempo e do transcorrer da nossa existência. Supliquemos a ela aquela fé na qual sentimos intimamente que a nossa vida não se encontra encerrada no passado, mas está orientada para o futuro, para Deus, onde Jesus Cristo e, depois d’Ele, a Virgem Maria nos precederam. 

“Contemplando Nossa Senhora da Assunção no Céu, compreendemos melhor que a nossa vida de todos os dias não obstante seja marcada por provações e dificuldades, corre como um rio rumo ao oceano divino para a plenitude da alegria e da paz. Entendemos que o nosso morrer não é o fim, mas o ingresso na vida que não conhece a morte. O nosso crepúsculo no horizonte deste mundo é um ressurgir na aurora do mundo novo, do dia eterno”13

Conscientes dessas realidades, rezemos com confiança a Virgem Maria, Mãe da Igreja, pedindo que, enquanto ela nos acompanha nas dificuldades do nosso viver e morrer diários, ela nos conserve constantemente orientados para a verdadeira pátria da bem-aventurança, como ela fez durante toda a sua existência terrena. Nossa Senhora da Assunção, rogai por nós!




1 Cf. Ap 19, 16

2 A SANTA SÉ. PAPA JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Redemptoris Mater, 41, cf. DH 2803, o Papa Pio IX definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria Santíssima, através da Bula Ineffabilis Deus, no dia 8 de dezembro de 1854; cf. DH 3903, o Papa Pio XII declarou e definiu solenemente o dogma da Assunção em corpo e alma da Virgem Maria à glória celestial, através da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, no dia 1 de novembro de 1950.

3 Ap 12, 1.

4 Gn 3, 15.

5 Cf. Gn 3, 15.

6 Cf. Rm 5.6; 1 Cor 15, 21-26; 54-57.

7 POZO, Candido. María em la obra de salvación, Madrid, 1990, p. 316, cf. 1 Cor 15, 54.

8 Cf. Jo 14, 2.

10 Cf. Rm 8, 22.

11 Cf. Ap 21, 1-4

12 A SANTA SÉ. Homilia do Papa Bento XVI na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, em 15 de Agosto de 2008.

13 Idem, ibidem.




Autor: Natalino Ueda