09/09/2014

Por que batizar uma criança?

“Crê no Senhor Jesus e serás salvo, como também todos os de tua casa”
O batismo é um sinal visível da realidade oculta da salvação, de acordo com o Catecismo da Igreja Católica, número 774. A Igreja ensina isso a respeito de todos os sacramentos; nesse caso, o sacramento se mostra visível pelo sinal da água, que é derramada sobre a criatura. Por meio dessa graça, a pessoa se torna filho ou filha de Deus.
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No início da Igreja, os apóstolos obedeceram ao mandato do Senhor: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19). No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos que os apóstolos foram testemunhas do principal evento da humanidade: a Morte de Jesus por amor à humanidade e Sua Ressurreição.
Os apóstolos anunciavam o Cristo, e aqueles que aderiam a Ele eram batizados. “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16,16). Quando Pedro anunciou Jesus para a família de Cornélio, este e toda sua família foram batizados. Ora, será que só havia adultos na família? Quando o carcereiro fez uma experiência de Deus, o que Paulo disse a ele?“Crê no Senhor Jesus e serás salvo, como também todos os de tua casa”; depois, completou o autor dos Atos dos Apóstolos: “E, imediatamente, foi batizado, junto com todos os seus familiares (cf. Atos 16,31-33). Será que as crianças não faziam parte da família?
Jesus sempre quis bem às crianças. “Trouxeram-lhe também criancinhas, para que ele as tocasse. Vendo isso, os discípulos as repreendiam. Jesus, porém, chamou-as e disse: ‘Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas. Em verdade vos declaro: quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, nele não entrará’” (Lc 18, 15-17).
Podemos constatar que há batismo de crianças no tempo da Igreja primitiva, pois Jesus quer bem a elas. Se ganho algo bom, quero partilhar com os meus. Os adultos fizeram uma experiência com Jesus Salvador e foram batizados e conquistaram esse sacramento também para os seus filhos.
Em nossa Igreja, os sacramentos da iniciação são: batismo, Eucaristia e crisma, sendo o primeiro a porta de entrada para os demais. Após o batismo, os pais e padrinhos se tornam os principais evangelizadores e catequistas dos neobatizados, vão ensiná-los sobre a fé e proporcionar-lhes experiências de oração. O padrinho deve ser presente e dar testemunho de fé em Jesus Cristo, esse é o maior presente que pode e deve dar ao seu afilhado.
O batismo, além da graça da filiação divina, concede o perdão dos pecados. A criança possui pecado? Sim, ela possui o pecado original, que significa o mal cometido por Adão e Eva. Eles foram chamados à santidade original – todos os homens foram e são chamados à santidade em Adão e Eva. Uma vez que os primeiros pais pecaram pela desobediência, a santidade original foi ferida. O apóstolo São Paulo confirmou isso quando disse: “Assim como, pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação…” Mas como uma criancinha pode ter pecado?
O pecado não foi cometido e sim transmitido. O Catecismo da Igreja Católica ainda ensina “é um pecado «contraído» e não «cometido» um estado, não um ato.” (n. 404), e a consequência dele é a morte da alma. Por essa razão, a Igreja confere o batismo às crianças. Que desgraça foi o pecado original! No entanto, o mesmo São Paulo continuou: “Assim também, pela obra de justiça de um só [Cristo], virá para todos a justificação que dá a vida” (Rm 5,18). Jesus Cristo concede a graça da santidade original graças à Sua Páscoa e todo aquele que O acolhe e é batizado e salvo (cf. Mc 16,16).
Enfim, o batismo é um sacramento, uma graça sobrenatural. Já ouvi testemunhos em que os pais disseram que a criança havia melhorado após o batismo ou que nasceu com problemas e tiveram de batizá-la ali mesmo no hospital, às pressas, e ela saiu de lá sadia. Não é superstição. O batismo é um sinal visível de uma graça invisível, pode e é recomendado pela Igreja, insere a pessoa na linda família cristã, perdoa o pecado original e devolve a santidade original, a qual, a partir daí, deve ser ajudada com os pais, padrinhos e pela comunidade de fé.

08/09/2014

Natividade de Nossa Senhora, celebramos o nascimento da Mãe de Jesus

Natividade de Nossa SenhoraHoje é comemorado o dia em que Deus começa a pôr em prática o Seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Esta “casa”, que é Maria, foi construída com sete colunas, que são os dons do Espírito Santo.
Deus dá um passo à frente na atuação do Seu eterno desígnio de amor, por isso, a festa de hoje, foi celebrada com louvores magníficos por muitos Santos Padres. Segundo uma antiga tradição os pais de Maria, Joaquim e Ana, não podiam ter filhos, até que em meio às lágrimas, penitências e orações, alcançaram esta graça de Deus.
De fato, Maria nasce, é amamentada e cresce para ser a Mãe do Rei dos séculos, para ser a Mãe de Deus. E por isso comemoramos o dia de sua vinda para este mundo, e não somente o nascimento para o Céu, como é feito com os outros santos.
Sem dúvida, para nós como para todos os patriarcas do Antigo Testamento, o nascimento da Mãe, é razão de júbilo, pois Ela apareceu no mundo: a Aurora que precedeu o Sol da Justiça e Redentor da Humanidade.
Nossa Senhora, rogai por nós!

07/09/2014

Por que dedicar um mês à Bíblia?

No Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos estabeleceu setembro como o “mês da Bíblia” por várias razões importantes.
Este mês foi escolhido, porque o grande São Jerônimo, que traduziu a Bíblia do hebraico e grego para o latim, tem sua memória litúrgica celebrada no dia 30 de setembro. Ele foi secretário do grande Papa São Dâmaso (366-384), que o incumbiu dessa grande obra chamada “Vulgata”, por ser usada em toda a parte.
São Jerônimo levou cerca de trinta e cinco anos fazendo essa tradução nas grutas de Belém, vivendo a oração e a penitência ao lado da gruta onde Jesus nasceu. O santo disse que “desconhecer as Escrituras é desconhecer o próprio Cristo”. Ele nos deixou um legado de grande amor às Sagradas Escrituras. E possuía grande cultura literária e bíblica, sabia grego, latim e hebraico.
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A Sagrada Escritura é alimento para a nossa alma e fonte de vida. Jesus conhecia profundamente a Bíblia. Mais do que isso: Ele a amava e se guiava por suas palavras. Isso é o suficiente para que todos nós façamos o mesmo. Na tentação do deserto, quando o demônio investiu contra o Senhor, Ele o rebateu com as palavras da Escritura. Quando o tentador pediu que Ele transformasse as pedras em pães para provar Sua filiação divina, Jesus lhe disse: “O homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor” (Dt 8,3c).
Quando o tentador exigiu que Ele se jogasse do alto do templo, Jesus lhe respondeu: “Não provocareis o Senhor vosso Deus” (Dt 6,16a). E quando satanás tentou fazer com que Cristo o adorasse, ouviu mais uma vez a Palavra de Deus: “Temerás o Senhor, teu Deus, prestar-lhe-ás o teu culto e só jurarás pelo seu nome” (Dt 6,13). O demônio foi vencido e se afastou, porque não tem poder diante da Palavra de Deus.
Não é sem razão que São Pedro disse: “Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2 Pd 1,20-21).
A importância do mês da Bíblia é que o povo brasileiro a conheça melhor e seja motivado a estudá-la com mais profundidade, uma vez que não é fácil compreendê-la, especialmente o Antigo Testamento. A Bíblia não é um livro de ciência, mas sim de fé. Utilizando os mais diversos gêneros literários, ela narra acontecimentos da vida de um povo guiado por Deus, quatro mil anos atrás, atravessando os mais variados contextos sociais, políticos, culturais, econômicos, entre outros. Por isso, a Palavra de Deus não pode sempre ser tomada ao “pé da letra”, literalmente, embora muitas vezes o deva ser. “Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Cor 3,6c), disse São Paulo.
Portanto, para ler a Bíblia de maneira adequada, exige-se, antes de tudo, o pré-requisito da fé e da inspiração do Espírito Santo na mente, sem o que a interpretação da Escritura pode ser comprometida. Mas é preciso também estudá-la, fazer um curso bíblico, entre outros.
A Carta aos Hebreus diz que “a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma A carta aos hebreus diz que “a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e atinge até à divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12).
“Vossos preceitos são minhas delícias.
Meus conselheiros são as vossas leis.” (v. 24)
“O único consolo em minha aflição
É que vossa palavra me dá vida.” (v. 50)
“Quão saborosas são para mim vossas palavras,
mais doces que o mel à minha boca.” (v. 103)
“Vossa palavra é um facho que ilumina meus passos. E uma luz em meu caminho.” (v. 105)
“Encontro minha alegria na vossa palavra,
Como a de quem encontra um imenso tesouro.” (v.162)espada de dois gumes, e atinge até à divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12).
Para que a Palavra de Deus seja eficaz em nossa vida, precisamos, pela fé, acreditar nela e colocá-la em prática objetivamente. Em outras palavras, precisamos obedecê-la, pois, ao fazer isso, estaremos obedecendo ao próprio Senhor.
Mas nem sempre a Bíblia é fácil de ser interpretada pelas razões já expostas. É por isso que Jesus confiou a interpretação dela à Igreja Católica, que o faz por meio do Sagrado Magistério, dirigido pela cátedra de Pedro (o Papa) e da Sagrada Tradição Apostólica, que constitui o acervo sagrado de todo o passado da Igreja e de tudo quanto o Espírito Santo lhe revelou e continua a fazê-lo no presente. (cf. Jo 14, 15.25; 16, 12-13).
A alma da Igreja é o Espírito Santo dado em Pentecostes; por isso a Igreja não erra na interpretação da Bíblia, e isso é dogma de fé. Jesus mesmo lhe garantiu isso: “Quando vier o Paráclito, o Espírito da verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16,13a).
Embora seja feita de homens, santos e também pecadores, a Igreja Católica tem a garantia de não errar na interpretação dos assuntos da fé. Entretanto, ela não despreza a ciência; muito pelo contrário, a valoriza tremendamente para iluminar a fé e entender a revelação.
O Vaticano possui a “Pontifícia Academia de Ciências”; em Jerusalém está a Escola Bíblica que se dedica a estudar exegese, hermenêutica, línguas antigas, geologia, história antiga, paleontologia, arqueologia e tantas outras ciências, a fim de que cada palavra, cada versículo e cada texto da Bíblia sejam interpretados corretamente. É a fé caminhando junto com a ciência. Tudo isso para que possamos dizer como o salmista, no Salmo 118:
“Vossos preceitos são minhas delícias.
Meus conselheiros são as vossas leis.” (v. 24)
“O único consolo em minha aflição
É que vossa palavra me dá vida.” (v. 50)
“Quão saborosas são para mim vossas palavras,
mais doces que o mel à minha boca.” (v. 103)
“Vossa palavra é um facho que ilumina meus passos. E uma luz em meu caminho.” (v. 105)
“Encontro minha alegria na vossa palavra,
Como a de quem encontra um imenso tesouro.” (v.162)

06/09/2014

Como Maria foi sempre Virgem?

A virgindade perpétua de Maria e a sua maternidade espiritual sobre toda a Igreja.
Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus Cristo, foi sempre Virgem? Santo Agostinho ensina que a perfeita e perpétua virgindade de Maria é um privilégio em honra à Mãe e à dignidade do Filho. Em seus escritos, não se cansava de dizer que “Maria concebeu Cristo, virgem; deu-O à luz virgem; e virgem permaneceu”1. Mas responder essa questão se torna um grande desafio se temos a consciência de que a virgindade dela não é simplesmente um estado ou privilégio, mas um mistério de Cristo, não significa apenas o estado virginal da Mãe do Senhor, mas também, e principalmente, a concepção de Jesus em seu seio. Por isso a pureza de Maria pertence ao mistério de Cristo. A este respeito, Santo Inácio de Antioquia nos ensina que “a virgindade é a forma por meio da qual Maria pertence a Cristo”2.
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No pensamento de Santo Agostinho, a pureza de Maria foi tão santa e agradável a Deus, não porque a concepção de Cristo a preservou, impedindo que fosse violada, mas porque, antes mesmo de conceber, “ela já a tinha consagrado a Deus e merecido, assim, ser escolhida para trazer Cristo ao mundo”3. Por isso, Maria perguntou ao Anjo da Anunciação: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem?”4. Certamente, ela não teria dito isso se anteriormente não houvesse consagrado sua castidade a Deus. Nossa Senhora fez essa consagração antes de saber que seria a Mãe do Filho do Altíssimo5. Desse modo, ela já nos ensinava a “imitação da vida no Céu, em um corpo terrestre e mortal, em virtude de um voto e não de um preceito; e realizando-o por opção toda de amor, não por necessidade de obedecer”6.
A Igreja, à semelhança de Maria, é uma virgem desposada a um único Esposo, que é Jesus Cristo. Dessa forma, a Igreja toma como modelo a Mãe de seu Esposo e Senhor. “Pois, a Igreja, também ela, é mãe e virgem”7. Nossa Senhora deu à luz corporalmente a Cabeça do Corpo místico de Cristo, e a Igreja dá à luz espiritualmente os membros desse Corpo. Dessa forma, tanto em Maria quanto na Igreja, a virgindade não impede a fecundidade. Na Virgem Maria e na virgem Igreja, a fecundidade não destrói a castidade, pois a pureza da Igreja, semelhante à de Maria, está na integridade da fé, da esperança e da caridade. Estava no desígnio divino fazer germinar a virgindade no coração da Igreja, por isso, Cristo antecipou-a no corpo de Maria. A castidade de Maria e da Igreja estão intimamente ligadas ao Senhor Jesus. Consequentemente, “a Igreja não poderia ser virgem, se não tivesse por Esposo o Filho da Virgem, a quem se entrega”8.
A fé de nossos irmãos protestantes na divindade de “Jesus Cristo, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria”, é a mesma “fé da Igreja antiga, expressa em todas as suas liturgias que dão a Maria o título de ‘sempre virgem’, reconhecida com unanimidade pelas igrejas locais antes da ruptura do século XVI, reconhecida igualmente pelos primeiros reformadores”9. Contudo, com o passar do tempo, a mariologia dos protestantes distanciou-se bastante daquela dos primeiros reformadores. Isto se reflete nas atuais controvérsias bíblicas, por parte de alguns protestantes, sobre os irmãos de Jesus10, que põe em dúvida a virgindade perpétua da Mãe do Senhor. Ao contrário do que alguns pregam hoje, “os reformadores haviam compreendido o termo irmãos (adelphoi) no sentido de primos e pregaram com nuança sobre a virgindade perpétua de Maria”11.
Portanto, mais do que estado e privilégio, a virgindade perpétua de Nossa Senhora se insere no mistério de Cristo. A virgindade de Maria aponta para a sua entrega total ao desígnio de Deus e para a sua maternidade espiritual sobre toda a Igreja. Nesse sentido, a Virgem Mãe da Igreja é modelo para todos que consagram suas vidas a Jesus Cristo e ao anúncio do Evangelho. Pois, como a Mãe de Jesus, temos a vocação de virgem e mãe, pois a Igreja também é virgem e mãe. Em Maria, temos o modelo, por excelência, da virgindade e da maternidade que todos os cristãos, especialmente aqueles que livremente se consagram pelo voto de celibato, são chamados a exercer. Com Maria, aprendemos que a virgindade pura significa a integridade da fé, da esperança e da caridade, à qual todos nós somos chamados. Com ela, também aprendemos aquela maternidade espiritual que gera os verdadeiros irmãos de Cristo: aqueles que fazem a vontade do Seu Pai, que está nos céus12.
Nossa Senhora, Mãe da Igreja, rogai por nós!
1. SANTO AGOSTINHO. A Virgem Maria: cem textos marianos com comentários. São Paulo: Paulus, 1996, p. 11.
2. GARCIA PAREDES, Jose Cristo Rey. Mariologia. 3ª ed. Madrid: BAC, 2009, Cf. Inácio de Antioquia, Ephs, 19,1: PG 5,660A; SC 10,88.
3. SANTO AGOSTINHO. Op. cit., p. 52.
4. Lc 1, 34.
5.Cf. Lc 1, 31-32.
6. SANTO AGOSTINHO. Op. cit., p. 52.
7. Idem, p. 49.8. Idem, p. 93.9. Idem, p. 161.10. Cf. Mt 12, 46-50; cf. Mc 3, 31-35; cf. Lc 8, 19-21.11. Idem, p. 127. Na língua hebraica do original bíblico a palavra irmãos, traduzida em grego por adelphoi, significa todos os primos e parentes.12. Cf. Mt 12, 50.

05/09/2014

Cura dos ressentimentos: Perdoar na família



Mara e diácono Paulo prega na Canção Nova. Fotos: Wesley Almeida/CançãoNova

Diácono Paulo: Eu e a Mara somos casados há 30 anos, sou diácono permanente e temos duas filhas. Queremos falar hoje para vocês da importância do perdão na Família. O perdão é como uma palavra de ordem.

“Disse também: Um homem tinha dois filhos. O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres. Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente. Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria. Foi pôr-se ao serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos. Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância… e eu, aqui, estou a morrer de fome! Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados. Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. O filho lhe disse, então: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai falou aos servos: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés. Trazei também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa. Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado. E começaram a festa”, (Lucas 15,11-24).

Mara: Nesta Palavra, Jesus nos dá um exemplo de uma família. Havia um pai que tinha um filho mais novo e um mais velho. E, naquele tempo, a divisão do patrimônio não era diferente de hoje, pois nesta família pode-se notar que havia uma discussão entre os irmãos para repartir a herança. O pai concordou e o filho mais novo pegou suas coisas e saiu para o mundo.

Nós somos diferentes. Pensamos diferentes. Na família, mesmo tendo o mesmo pai e a mesma mãe, os filhos são diferentes. Na nossa casa há diferenças. Mas, quando acontecem as brigas, é porque temos raízes profundas no nosso coração de intimidade.




“O perdão precisa ser um gesto gratuito”, disse diácono Paulo. Fotos: Wesley Almeida/ CançãoNova

Porém, há famílias que não se reconciliam, ficam anos sem conversar entre si. Fiquei pensando: com as pessoas que não são tão próximas, não ficamos muito chateados; mas se elas são caras a nós, ficamos muito magoados. Então, cheguei a conclusão que as pessoas mais próximas são as que nós mais amamos. Precisamos, portanto, conviver com as diferenças. Mesmo se o outro não gosta do que eu gosto, nós podemos amar. Que caia por terra todo sentimento de que o outro precisa fazer o que eu quero para me amar.

Se nós temos o desejo de amar, precisamos dar o perdão. Se você deseja ser muito amado, perdoe muito! A pessoa a quem você perdoar vai demonstrar muito amor. Quantas vezes eu preciso ser perdoada pelas minhas falhas. A lógica desse mundo não é a lógica do Evangelho. Quantas mulheres pagam o mal com mal. A lógica do Evangelho é ‘pagar o mal com o bem’.

Diácono Paulo: Em um ambiente de família, as diferenças são muito naturais. É quase impossível que dentro de casa a gente não se fira uma hora ou outra, pois nós estamos muito ligados. É aí que entra o perdão. Nós precisamos ir para a prática. O Evangelho é para ser vivido dentro de casa, no nosso cotidiano.

O Pai da passagem do filho pródigo é um pai misericordioso. O pai não ficou jogando na cara do filho que ele pecou e gastou o seu dinheiro. Assim é o Pai do céu: Ele nunca aponta os nossos pecados. Perdoar não é jogar na cara da pessoa os seus pecados, mas é acolher. Deus nos perdoa sempre. Esta é a razão para perdoarmos sempre. Para cultivar o amor dentro de casa precisa haver o perdão. Se há dificuldades dentro de casa entre esposo e esposa, irmão e irmã, é porque falta o perdão.

Eu ensinei minhas filhas desde pequenas sobre a misericórdia, o perdão. Quando olhamos para a cruz, vemos que Jesus derramou todo o seu sangue para nos perdoar. Eu e você não podemos negligenciar o amor que Deus nos deu. Se você recebeu o amor, o perdão, perdoe também.

Como perdoar? Como exercitar o perdão? O perdão precisa ser um gesto gratuito. Quem perdoa de verdade antecipa tudo isso. Tem pessoas que dizem: “Eu perdoô, mais ela tem que vir aqui na minha frente e se humilhar!”. Isso não é dar o perdão. Perdoar é acolher o outro. Não podemos ter um coração duro, que acuse o coração do outro. Precisamos aliviar o outro com o perdão.

Não dá para falar que eu amo, se eu não perdoô. Quem ama, ama o pecador. Então, se eu estou disposto a perdoar, eu preciso perdoar sempre e em tudo. Não podemos dizer que perdoamos se não há sinceridade.




“Se nós temos o desejo de amar, precisamos dar o perdão”, disse Mara. Fotos: Wesley Almeida/CançãoNova

A falta de perdão liga a pessoa ao inferno e a desliga do céu. Como vai dizer a Palavra: “Tudo o que ligares no céu, será ligado na terra. Tudo o que desligares do céu, será desligado da terra”.Precisamos ser sinceros e preservar a pessoa quando vamos pedir o perdão. O mundo hoje é muito rápido e não tem tempo de preservar o outro. Nós precisamos de respeito um do outro. Ágape é perdão. Mas é um perdão de quem é sincero.

Quando confessamos, a sentença é a misericórdia. Precisamos colocar a misericórdia dentro de casa. Eu preciso estar disposto a acolher minhas filhas quando elas pecam. Como o Papa Francisco vai dizer: “A Igreja é uma mãe que está sempre de portas abertas quando os filhos erram”. Por que temos que ser tão duros com os nossos filhos, se o mundo já está de braços fechados para eles? Nós não somos aqueles que castigam quando os nossos filhos erram. Nós somos cristãos.

Como está a sua relação com seus irmãos? Nós somos gente, erramos, por isso a todo momento precisamos pedir perdão.

Mara: Quando eu e o diácono Paulo casamos, fomos vendo que éramos muito diferentes.Fomos percebendo que precisávamos começar a dar vitória Àquele que era vitorioso, não àquele que é perdedor. Precisamos dar vitória a Cristo. Cada vez que temos um desentendimento, nós já sabemos que temos que dar vitória a Cristo. Não sou eu e nem o Paulo quem vai vencer nas nossas brigas, mas é Cristo. Nós precisamos deixar de dar vitória ao inimigo e dá-la a Cristo.

Diácono Paulo: Em Cristo, a misericórdia é o amor que supera a justiça. Ninguém é só erros e misérias. Nós precisamos aderir a Cristo. O Perdão é um estilo de vida. Dentro de você há muito perdão para dar. Tantas pessoas que só ficam presas neste mundo e se esquecem que Jesus está voltando. Por isso, precisamos dar o perdão e estar vigilantes.

Quando Cristo voltar, como Ele vai te encontrar?

Transcrição e adaptação: Jakeline Megda D’Onofrio

Fonte: Canção Nova

04/09/2014

Nada nos desarma tanto quanto o amor

Padre Adriano Zandoná prega na Canção Nova. Fotos: Wesley Almeida/ CançãoNova.
Padre Adriano Zandoná. Fotos: Wesley Almeida/ CançãoNova
Nada nos desarma tanto quanto o amor. Às vezes, quando você chega num local temeroso, ansioso, com medo de não ser bem recebido, nada te desarma tanto quanto o amor. Você pode ter ido a um lugar que você não se sentiu à vontade, pode haver caminhos dos quais você se arrepende te ter escolhido, mas saiba que hoje Deus está lhe oferecendo um olhar de amor. Ele não se importa por onde você tenha andado, mas hoje Ele te acolhe com amor, com perdão, e te diz: “Eu te amo meu filho, minha filha”.
A vida nos exige, nos cobra. E isso vai fazendo com que não sejamos acostumados a receber um olhar de compaixão, de misericórdia. O mundo, o trabalho, até os membros da sua família podem cobrar de você e podem ver o seu pior. Mas Deus está te olhando do jeito que você está e te ama com suas limitações e imperfeições. Deu não te ama pelo que você faz, mas pelo que você é. Não há lama no mundo que impeça uma mãe de beijar o seu filho, ainda que ela fique suja de lama também. É assim que Deus acolhe a mim e a você.
Precisamos fazer uma experiência com o amor de Deus, esse amor Ágape, livre. Se você quiser estabelecer relacionamentos que não exijam cobranças, deixe-se primeiro ser tocado pelo amor de Deus. O que nos impede de amar são nossas feridas. A partir do momento que você se permite ser amado por Deus, esse amor te cura para que você saiba amar da maneira correta. Mas não espere estar melhor para amar, ame do jeito que você está. Nada impede seu coração de amar com generosidade. O seu coração ganha asas quando você se decide por amar.
E o que é, de fato, amar? Amar é como o nadar, por exemplo. Você aprende a nadar, nadando! O medo não pode te impedir, senão você não nada. Amar é assim: você aprende amar, amando. É na prática. É claro que, quando você aprende a nadar, você engole água. Assim também é o amor. O melhor jeito de amar é o seu, portanto, ame até doer. Ame com gestos, com o olhar, com sorriso. Se o corpo fica preso pela dor, o amor pode dar asas e libertá-lo. Foi assim que Jesus nos amou na cruz.. Ele estava lá, humilhado, rejeitado, abandonado, nú. Mas, mesmo assim, Ele olhou para o céu e pediu “Pai, perdoai-lhes”.
Com certeza, você já deve ter ouvido esta parábola dos talentos. O servo que não multiplicou o talento foi movido pelo ressentimento e pela inveja (pois ele recebeu apenas 1 talento, enquanto os outros 2 servos receberam mais). E o ressentimento e a inveja acarretaram na acomodação. A acomodação é um pecado grave, pois não importa qual seja a situação, o problema, o obstáculo, o que importa é o que fazemos diante disso. Há sofrimentos que já aconteceram, mas que nós deixamos que essa dor ainda hoje nos escravize, nos paralise. Por isso, Deus está nos falando: não seja um preguiçoso! Não seja acomodado! Não se torne vítima da sua história! As feridas de ontem não podem limitar um coração que decide voar através do perdão e do amor.




“Deus não te ama pelo que você faz, mas pelo que você é”, afirma padre Adriano Zandoná. Fotos: Wesley Almeida/CançãoNova

Santo Agostinho tem uma frase belíssima: “Se você não quer sofrer, então não ame. Mas se você não quer amar, então para quê queres viver?”. É o amor que dá sentido para a nossa vida. Eu e você temos essa capacidade, mas muitas vezes os talentos estão enterrados embaixo da nossa acomodação, dos nossos medos, dos nossos receios. Deus te deu uma família, um emprego, uma profissão e tantos outros talentos. O que eu e você temos produzido com os talentos que Deus nos deu na vida? Nós temos transformado os dons que Deus nos deu em dons de amor, em oferta aos outros? O que temos feito? Tudo o que temos, vai passar…
Na homilia que o Papa Francisco fez no dia 09 de janeiro de 2014, ele fala sobre o amor cristão que se manifesta na concretude e na generosidade. Portanto, é um amor que está mais no dar do que no receber, está mais nas obras do que na fala. O amor cristão tem sempre uma qualidade: a concretude. O amor é concreto. Primeiro critério para exercer o amor ágape: amar com as obras e não com as palavras.
Eu preciso usar o que Deus me deu para fazer o bem concretamente. Muitas vezes, nós esperamos ocasiões extraordinárias para amar e fazer o bem, mas Deus quer que concretizemos nossos dons nas coisas simples do dia a dia. Também com gestos e obras de caridade com desconhecidos, mas sobretudo com aqueles que estão mais próximos de você, na sua casa. É comum nos prendermos nos defeitos do outro ou naquele pecado que a pessoa cometeu há anos… mas o amor quer contar com o santo esquecimento. A nossa vida não melhora porque muitas vezes não queremos esquecer, perdoar de verdade. Precisamos decidir virar a página! Sei que há coisas que doem dentro da gente e que continuam doendo… mas peça a Deus a graça de você fazer uma experiência com o amor Ágape de Deus, para que você seja curado e páre de ser escravo do ressentimento.
O egoísta nunca entende o que é o amor Ágape e nunca vai ser curado por esse amor, porque quem não sabe dar, nunca vai saber receber. Portanto, não saberá receber o amor de Deus aquele que só quer receber. Uma pesquisa no Brasil revelou que, nos casamentos, quase 75% das mulheres não tinham vivido o prazer sexual ao longo dos anos. Isso porque os homens foram tão egoístas, que apenas pensaram neles mesmos e no seu próprio prazer. O sentido do casamento não é eu usar o outro, mas eu me dar inteiramente ao outro a ponto de fazê-lo feliz em vários aspectos, até que eu mesmo fique feliz. Quem afirmou isso foi essa pesquisa, que nem tem origem cristã. O amor é a única coisas que pode humanizar a sexualidade. Sexo sem amor é animalesco. O que é o amor senão essa capacidade de pensar no outro, de ser generoso? As pessoas acham que são livres, mas estão cada vez mais escravizadas pelos seus instintos.




“Nós temos que transformar o que somos em dom para o outro”, disse padre Adriano Zandoná. Fotos: Wesley Almeida/CançãoNova

Outra pesquisa detectou que as pessoas que mais se realizam são aquelas que, com seu trabalho, fazem o bem ao outro; e não aquelas que mais ganham dinheiro. Em tudo o que você fizer, você pode fazer do seu talento um dom de amor. Seja um profissional honesto, que não dá jeitinho brasileiro, assim você já estará multiplicando seus talentos.
As palavras convencem, mas somente os exemplos têm o poder de arrastar multidões. Trate as pessoas com humanidade. Não são coisas extraordinárias, respeite as pessoas que trabalham com você, trate você mesmo com respeito, com generosidade. Não se torne escravo do trabalho. Permita-se fazer algo diferente, cuide de você, perdoe a você mesmo, tenha momentos em que você não faz nada. E principalmente: não se culpe pelos erros de ontem, Deus te olha com misericórdia.
Nós temos que transformar o que somos em dom para o outro. Nada pode impedir você de amar, nem suas limitações ou imperfeições. Ilumine as trevas que existem no seu trabalho, na sua casa, nas situações da vida com o seu amor. Transforme seus talentos em amor.
Transcrição e adaptação: Aline Carbonari Krachevski

03/09/2014

Perdoar a si mesmo

Otacílio Martins / crédito da foto: Wesley Almeida
Otacílio Martins / crédito da foto: Wesley Almeida
A Palavra de Deus que vai nos nortear nesta pregação está em Efésios 4, 29: “Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem”.
O tema que iremos partilhar neste momento, está na sequência de tudo o que já foi falado neste encontro: “perdoar a si mesmo”. Meus irmãos, quantas vezes temos a dificuldade de perdoar a nós mesmos e nem queremos mexer em lembranças que ficaram para trás.
Meus irmãos, só conseguiremos seguir adiante se nos libertamos das coisas a que estamos presos do nosso passado. Quantas coisas buscamos em nossas lembranças que não nos fazem bem? É necessário que nós façamos um caminho de autoconhecimento.
É importante que cremos Naquele que nos trouxe aqui. Não estamos aqui por acaso, ninguém o convenceu a estar aqui, somos frutos do querer de Deus.
Estamos num processo lindo de cura, seja do ressentimento ou familiar. Meus irmãos, vamos acordar! O Senhor que fazer muito em nós e precisamos estar abertos, pois Ele quer falar conosco. Deus vai usar de todos os meios para curar o nosso coração.




“Permita que o Senhor cure a sua história”, disse Otacílio / crédito da foto: Wesley Almeida

A Palavra de Deus nos diz que “devemos fazer bem aos ouvintes”. Quem são os nossos ouvintes? Será que tudo que sai da nossa boca tem edificado nossos irmãos? Se o nosso interior necessita de cura nós não vamos construir a vida das pessoas que estão a nossa volta. Se há situações que ainda não conseguimos superar ou vencer, são situações que nos causam traumas. O Senhor quer voltar ao passado com você, Ele não nos trouxe aqui simplesmente para curar e pronto. Não! Ele quer caminhar conosco.
Não podemos viver do passado e nem do jugo do que já passou. Necessitamos da cura do nosso coração e para isso devemos nos exercitar no perdão a nós mesmos.
Neste momento, pare e pense naquelas situações que você não gosta de lembrar. Situações que você viveu e não foram boas para você. Busque conhecer o seu íntimo e sob o olhar de Jesus vá àquelas situações em que você está acorrentado, sejam elas atitudes ou palavras que você ouviu. Tudo isso tem prejudicado a nossa vida e impede-nos de ser, até mesmo, uma pessoa feliz.
Pense nas situações que você vivenciou em sua família e hoje fazem com que você não consiga nem mesmo tratá-los bem. Temos a graça de contar com o Senhor. Ele nos guia. Não estamos fazendo este processo sozinho.
Não deixe que a razão seja um obstáculo para você, ou mesmo por maus sentimentos que lhe impedem de seguir em frente. Segure as mãos de Deus, pois a iniciativa partiu Dele. Mais do que nós, Ele quer isto! Por isso, acorda! Deixa que Ele coloque o dedo em sua história.
Na Sagrada Escritura, por diversas vezes, Jesus escolhia a casa dos pecadores para fazer suas refeições ou descansar. Em nenhum destes momentos Ele questionou sobre o que tais pessoas viveram em seu passado, pelo contrário, as acolhia. Ao entrar na casa de cada um, Jesus trazia-os para perto e os santificava. É exatamente isto que Ele deseja fazer conosco, o Senhor quer dignificar a nossa vida através do acolhimento.




Peregrinos participam da pregação no Encontro Ágape / crédito da foto: Wesley Almeida

A quantas pessoas o Senhor foi capaz de entregar uma folha em branco para que elas pudessem, a partir daquele momento, escrever uma nova história? Ele fez isto comigo, mas muitas pessoas não aceitam esta proposta que Ele faz para nós. Ficam presas e não assumem a oportunidade que Jesus nos deu. Há pessoas que além de ficarem presas em seu passado, fazem questão de entrar na história de outra pessoa e ainda as acusam ou fazem fofoca sobre a vida dos outros. Estas pessoas não tem a coragem de assumir sua própria história.
Existem alguns sintomas que nos ajudam a identificar que estamos doentes espiritualmente: medo de chegar até outras pessoas, preocupados no que elas pensarão sobre você; Há pessoas que fizeram alguma coisa errado no passado e até hoje fogem das pessoas envolvidas; Outras pessoas escutaram palavras duras de seus pais e carregam o peso destas palavras.
O Senhor quer curar você! Por isso, não tenha medo. Abra-se ao processo de cura que se inicia dentro de você!
Transcrição e adaptação: Luana Oliveira

02/09/2014

Não coloque exigências no seguimento

Padre Reginaldo Manzotti. Fotos: Wesley Almeida/ CançãoNova
Padre Reginaldo Manzotti. Fotos: Wesley Almeida/ CançãoNova
Às vezes, precisamos dizer a Deus que não está fácil carregar a cruz. Quer saber a medida certa para você estar no discipulado? Quando está difícil de carregar a cruz.
Na Liturgia de hoje, vimos que o profeta Jeremias estava em uma lamúria, ele que havia sido seduzido por Deus. Por mais que o profeta esteja murmurando ou reclamando, dentro dele há o amor de Deus que o seduziu. Para Jeremias não estava nada fácil. O contexto do livro de Jeremias é terrível, pois ele passava por grandes conflitos, mas mesmo assim ele diz: “Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder. Tornei-me alvo de irrisão o dia inteiro, todos zombam de mim” (Jeremias 20,7).
O silêncio de Deus dói. Se tem algo que nos faz sofrer na vida e que nos faz questionar, é o silêncio de Deus. Rezar não é arrancar algo de Deus, mas se colocar na predisposição daquilo que Deus tem para nós.
Quantas vezes passamos pela mesma dificuldade que Jeremias passou, de não ser compreendido pelas pessoas. Mas Deus nos compreende. Ninguém constroí um edifício espiritual de uma hora para a outra.
O silêncio de Deus é não ter as respostas que eu quero naquela hora. Deus dá as respostas. O silêncio não significa ausência. O edifício espiritual é construído aos poucos. Nós já fomos seduzisdos por Deus, mas onde precisamos perseverar? Todos nós somos vocacionados.
Eu fui seminarista, e todo dia é uma luta tremenda. Devemos rezar: “Senhor que eu não perca a sedução por ti”. Em nossas fragilidades, Deus não nos despreza. Só Deus foi o Cordeiro sem mancha.  Quem não se deixa seduzir por Deus, torna-se uma pessoa sem fé!
Jeremias era vocacionado. Servir a Deus é colocar-se a disposição do Senhor sem exigência. Às vezes, nos aproximamos de Jesus e começamos com as nossas exigências. Quem quer servir a Deus tem que colocar-se na cruz. Não colocar exigências. Não é Deus que veio fazer a minha vontade, mas sou eu que me coloco na vontade de Deus.
Se no deserto o diabo apareceu para Jesus, ele também se disfarça daquilo que é mais mundano para nos afastar do projeto de Deus.
Os amigos de Deus sofrem mais porque o inimigo não quer nos perder. O mal se empenha para atrapalhar a comunhão de intimidade  que temos com Deus. Conheço muitas pessoas que quando voltam para a Igreja e se deparam com as dificuldades, dizem: “Senhor, parece que minha vida piorou”. Mas não é Deus é o inimigo. É hora de dizer: “Seduza-me Senhor!”.




Peregrinos participam da Santa Missa. Fotos: Wesley Almeida/ Cançãonova

No Evangelho de hoje Jesus diz: “Vá embora satanás!”. Nós também precisamos ter a coragem de dizer: “Vá embora de mim inveja! Aparta-te de mim omissão! Aparta-te de mim satanás!”
São Pedro foi usado pelo mal porque deixou se levar pela lógica do mundo e não pela lógica de Deus. Onde está a nossa lógica? Será que não estamos nos deixando seduzir pelo mundo? Está na hora de rezar com a nossa verdade: “Senhor não está fácil ser vocacionado!”
Jesus diz: “Se alguém quer me seguir, tome a sua cruz!” Se alguém está sem cruz, como vai seguir Jesus? As pessoas dizem que querem seguir Jesus, mas não querem sofrer, não querem renunciar e muito menos confessar ou mudar de vida.
Se você está caminhando atrás de Jesus sem cruz, não é Jesus que você está seguindo. Tome a sua cruz! Alguns jovens vão para o seminário para adquirir poder, e existem até catequistas vão para a Igreja para sair de casa. Não podemos usar da Igreja para satisfazer o nosso ego.
Você está disposto a renunciar o projeto que você criou pensando que era de Deus?
Tenha a coragem de renunciar o egoísmo, renunciar os cargos da Igreja para se promover. Padre, seminarista, leigo, que não se oferece a Deus em sacrifício, não é vocacionado. Se você quer crescer na vida espiritual, ofereça a sua vida em sacrifício. Talvez você pense: “Não tenho mais nada para oferecer”. Mas nós sempre temos dois peixes e cinco pães para oferecer. Não podemos nos mundanizar e para isso lhe dou uma direção espiritual: confesse pelo menos uma vez no mês, para saber se está fazendo a vontade de Deus, busque os sacramentos.
Transcrição e adaptação: Jakeline Megda D’Onofrio

01/09/2014

Não culpe Deus por suas infidelidades!

Padre Reginaldo Manzotti / crédito da foto: Wesley Almeida
Padre Reginaldo Manzotti / crédito da foto: Wesley Almeida
O tema que partilharemos é “curar os ressentimentos”. Vamos pedir que o Senhor coloque a Sua mão poderosa sobre nós, pois precisamos ser curados. Vem, Senhor, estende Sua mão e toca os nossos corações.
Amados, devemos primeiro pedir perdão ao Espírito Santo e a Deus, pois são a porta da nossa cura. O que vamos partilhar aqui é coisa muito séria, por isso que devemos nos abrir à ação do Espírito, Ele nos dará a cura de que necessitamos.
Um dos maiores teólogos do nosso tempo é o Papa Emérito Bento XVI, que nos ensinou por muito tempo a termos um alicerce espiritual. Certa vez, ao ser perguntado por que crianças nascem cegas ou sem um dos seus membros, ele se abaixou e com humildade disse: “eu não sei”. Veja, Bento XVI é um dos grandes teólogos, mas com humildade reconheceu o mistério de Deus que nos envolve.
Existem muitas pessoas que estão revoltadas com Deus e muitas delas nem admitem que precisam passar por este processo de perdão.  Você pode me questionar: “Como assim perdoar a Deus?” Estamos num momento, meus amados, que precisamos nos perdoar pela imagem falsa que temos de Deus. A imagem que criamos e que não é a verdade. Deus é sumamente misericordioso. Ele é providente, e a sua providência é acima de tudo bondosa, sábia e imutável.
Em Mt 11, 25-30 lemos: “Por aquele tempo, Jesus pronunciou estas palavras: Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos. Sim, Pai, eu te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Todas as coisas me foram dadas por meu Pai; ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo. Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve.”
Nós devemos louvar a este Deus que é Pai, Ele é o nosso paizinho. Neste texto, por três vezes Jesus chama a Deus de Pai e somos convidados a também nos relacionar assim com Ele.
Deixe um pouco sua razão de lado e reconheça que somos chamados a ir diante de Deus com humildade. O plano Dele para nós é a chave fundamental para que entendamos as nossas limitações que carregaremos a vida inteira. Somos chamados a olhar para Ele na sua providência bondosa, sábia e imutável. Quem é Deus para você? Ele é Pai.


Enfatizo isto, pois daqui decorre o projeto de Deus. Quando falo em perdoar a Deus, me refiro às pessoas que são indiferentes a Ele. Agem como se Deus fosse alheio a nossa realidade. É como se Ele tivesse nos criado e ficasse assistindo a nossa vida “de camarote”. Isto não é real. Deus se compadece de nós.



O problema é que esta imagem falsa torna as pessoas indiferentes a Ele. Muitas vezes,   culpamos Deus por tudo o  que acontece conosco. Sempre O colocamos como culpado! Se estamos desempregados ou se estamos travando a luta como uma doença grave, falamos que foi Deus quem quis. Amados, se o próprio Bento XVI não teve resposta para tal pergunta, faz com que não tenhamos também a resposta para este mistério.
Você pode até dizer: “Não quero um Deus assim”. Não, meus irmãos, somos filhos Dele e O temos como Pai. Nós como cristãos católicos somos irmãos, pois estamos na Igreja criada por Ele. Temos uns aos outros, e por isso, mesmo nas dificuldades, creia que Deus nos olha como filhos.
Não transfira a frustração que você teve com as pessoas para Deus. Isto não tira nossos processos de cura em relação às pessoas, mas faz clarear nossas atitudes para com Deus.
Se você teve uma experiência com seu pai que não foi satisfatória, cheia de muitas dores, ao  rezar o “Pai Nosso” talvez você tenha dificuldade e não consiga ter um relacionamento de cura com Deus. Precisamos ser curados.
Você acha que Deus quer a guerra no mundo ou atualmente no Iraque? Ou ainda você acha que Deus quer que vivamos no pecado ou que mendiguemos afeto? Não culpe Deus por suas infidelidades.
Temos a figura de Jó no Antigo Testamento, que sofreu muitas situações, mas em nenhum momento culpou a Deus por tudo o que lhe acontecera.
Transcrição e adaptação: Luana Oliveira