21/05/2014

Amar é querer



A paz meus queridos irmãos, que o amor de Deus nosso Pai esteja com cada um de vocês! Hoje quero partilhar com vocês alguns dos meus pontos de vista sobre relacionamentos, sobre o amor, sobre escolhas...
Hoje é o dia em que se comemora o dia dos namorados. Eu simplesmente ignoraria certas datas e essa é uma delas, pois cada vez mais a sociedade cria coisas voltadas ao lucro e com certeza vai impondo novos valores que ferem a nossa identidade como ser humano, como filhos de Deus.

Muitos poderão pensar que eu sou um frustrado, devem pensar que por estar solteiro devo não gostar desse dia, mas não tem nada a ver com isso. Primeiro porque sou um homem muito bem resolvido na minha vida afetiva, sentimental e sexual. Segundo que sou feliz por ainda estar solteiro e quero continuar saboreando cada dia de solteiro, para um dia que estiver num relacionamento também saber saborear cada minuto do relacionamento, precisamos aprender a vivenciar cada minuto de nossas vidas.

Hoje é apenas mais um dia comercial onde muitas pessoas perdem a essência da vida e troca pelas coisas que o comércio, que o capitalismo impõe em nossas mentes. Vamos começar pelo essencial? A Bíblia nos diz: "Deus é amor". Então o amor só pode iniciar a partir de Deus, fora dele não existe amor.

Hoje muitas pessoas trocam juras de amor, compra presente, mente, dissimula, engana, trai e uma série de outras coisas. Outras pessoas também sabem aproveitar esse dia para expressar todo seu amor pelos que amam, sabem cuidar do outro, sabem curar, sabem perdoar e outra série de coisas também. Então para mim não existe dia disso ou daquilo, quando amamos não existe dia, todo dia é dia.

Relacionamentos são reflexos do nosso interior, são reflexos do que nós somos. O povo adora dizer que os opostos se atraem, já vi estudiosos falarem que nós atraimos o tipo de pessoa de acordo com a nossa disposição interior e eu concordo com isso.

Também se diz muito que amor a primeira vista existe, que existe destino, que do nada aconteceram coisas e tudo deu certo, eu particularmente tenho uma visão totalmente contrária a isso. Primeiro porque Deus nos dotou de diversas capacidades e dons. Segundo, Ele não ía criar sua obra prima e deixar nas mãos do destino, pelo contrário lá em Eclesiástico 15 olha o que a Palavra dele nos diz:

"14. Desde o princípio Deus criou o ser humano e o entregou às mãos do seu arbítrio, e o deixou em poder da sua concupiscência. 15. Acrescentou-lhe seus mandamentos e preceitos e a inteligência, para fazer o que lhe é agradável. 16. Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão; se confias em Deus, tu também viverás. 17.Diante de ti, ele colocou o fogo e a água; para o que quiseres, tu podes estender a mão. 18.Diante do ser humano estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir". Eclesiástico 15, 14-18 [Os grifos são meus]Que texto fantástico, Deus é incrível. Cada dia mais tenho visto na minha vida que amor é decisão, é escolha, é querer diário. Cada dia mais percebo como o sentimento é apenas um complemento, pois relacionamento é construção diária, é querer diário.

Quando se fala em relacionamentos amorosos o povo vai logo em castidade. Meus irmãos, castidade é apenas um item de um relacionamento, fora ele existem tantos outros como diálogo, confiança, respeito, carinho, renúncia, PERDÃO, caridade, rezar juntos, vida comunitária, ser sinal de Deus como casal...

Se todos os outros estiverem sendo trabalhados diariamente, a castidade acaba se tornando uma das coisas mais fáceis a se fazer. E no relacionamento existem coisas que eu considero muito pior, até porque castidade não se refere só a sexualidade do casal.

Há tantos males como: ressentimento, rejeição, indiferença, carências, traumas [os mais diversos nessa área], e tantos outros. Hoje eu tenho a infelicidade de conhecer alguns casais que precisam da ação de Deus urgente, precisam do amor misericordioso do Pai, precisam de muitas curas, de muito perdão.

Todos nós já fomos rejeitados, passamos por decepções, não fomos correspondidos e tantas outras coisas, e isso acaba gerando em nossos corações muitos traumas, complexos, medos, inseguranças, carências e o triste da vida é quando tudo isso influencia em nossas escolhas, e acabamos por justificar algumas delas como coisas do destino ou coisas da vida.

Já vi relacionamentos que ao invés de serem homem-mulher, mulher-homem, parecia mais pai-criança, criança-pai. E o que mais vejo em casais que passam por dificuldades, são projeções de carências internas no outro. Vejo tanta gente projetando no outro suas mágoas passadas, suas dores, seus traumas, suas inseguranças. Parem pelo amor de Deus, se você está passando por algo semelhante, pare agora, olhe para o seu coração e vá cuidar dele, vá curar ele, antes que você machuque um coração que não tem culpa de suas dores.

Vejo também muitas pessoas iniciarem relacionamentos com muitas travas em seus corações, sem confiança no outro, sem ter o mínimo de conhecimento do outro. Quando o mundo desaba se perguntam porque Deus permitiu elas passarem por certas situações. Eu respondo: A escolha foi sua, pois Deus a ama e que ama, ama na liberdade.

Padre Léo nos diz: "Amar é comprometer-se com a felicidade do outro". "Quem ama ensina a caminhar". "Amar não é facilitar a vida do outro". "Amar é preparar o coração para se decepcionar". Quanta sabedoria em poucas palavras.

Infelizmente achamos que amar é facilitar a vida do outro, é não deixar o outro sofrer. Outro dia vi o Pe Léo falar que não há nada de errado no sofrimento, que ele faz parte da vida, que precisamos aprender a saborear o sofrimento para podermos crescer, amadurecer.

Meus irmãos, Jesus amou até as últimas consequências e o que ele ganhou com isso? Rejeição, traição, indiferença, descredibilidade, não preciso nem chegar no calvário senão a lista se torna imensa. Se Ele passou por isso, nós também passamos e passaremos enquanto vivermos. Para você que não acredita mais no amor, saiba que ele é possível, ele existe, mas só conseguimos amar se deixarmos Deus amar em nós e por nós.

Não existe amor ao próximo sem amor próprio, só podemos amar alguém se nos amarmos. Mas não podemos confundir amor próprio com egoísmo, com egocentrismo, onde muitas vezes queremos que o outro seja conforme nós desejamos, ou queremos que o outro corresponda aos nossos caprichos, mais uma vez eu repito: Quem ama, ama na liberdade. Para podermos amar concretamente, precisamos de algo infinitamente urgente [O pe Léo usava muito essa palavra infinitamente, eu acabei me viciando nela]: A cura interior!

Busquem a cura dos seus corações, entreguem seus corações a Deus sem reservas e deixe Ele conduzir. Você verá que verdadeiramente passará a ter uma vida de amor, e não só a uma pessoa, mas sim a todas as que estiverem ao seu redor e terá experienciado as várias formas de amar.

Esse é o meu desejo a você! Minhas orações pelos solteiros para que encontrem alguém segundo o coração de Jesus, e aos casais que sejam um só em Cristo, que sejam sinais do amor de Deus...

Para finalizar uma frase do Márcio Mendes: O coração do cristão tem que estar em Deus, mas os pés tem que estar no chão!
Escrito por Jonathan Melo
Fonte: Blog do Padre Léo Eterno

19/05/2014

O que é oração?


O nosso modo de rezar é o Senhor quem o concebe

Antes de começarmos a falar sobre oração, precisamos adentrar no seu significado, se é que podemos defini-la. Mas vamos buscar clareza sobre o tema e o modo como a oração pode fazer parte da vida do cristão.

A definição de oração pode ser expressa por palavras, mas o jeito de rezar e o relacionamento com Deus é diferente para cada pessoa. Porém, não podemos inventar o jeito próprio de rezar, mas seguir aquilo que a Igreja já determinou com seus séculos de experiência; contudo, a aplicabilidade é diferente.


Vamos tentar definir oração:


Diziam os Padres do Deserto que a oração é o espelho da alma. Em hebraico, oração é tefillah, que significa “juízo”: [...] a oração é a possibilidade de julgar com Deus, de realizar um discernimento sobre a própria vida, sobre a relação com os outros, sobre o próprio relacionamento com as criaturas. É assim que se ordena e se aprofunda a própria interioridade, que se mede o próprio caminho humano, o próprio amadurecimento como crescimento interior adequado à própria idade e situação.  (Livro: Onde está Deus? – Padre Reinaldo)

Perceba que a oração não é nossa, mas de Deus. O próprio Senhor nos concede o dom de orar. Por isso, na oração, precisa entrar o julgamento de d’Ele. Nós precisamos nos submeter a Ele na oração. O nosso modo de rezar é o Senhor quem o concebe.

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Sobre a oração pessoal, padre Francis Cardeal Arinze nos ensina:

“A oração pessoal é insubstituível, porque chega um tempo em que cada um é chamado a encontrar Deus frente a frente, no encontro espiritual. Isso pode acontecer na intimidade do próprio quarto, diante do sacrário, debaixo de uma árvore, no alto de um monte ou à beira-mar. Pode acontecer mesmo ao volante do carro ou em algum momento da Missa, como enquanto a preparamos, antes da coleta, após a leitura ou na homilia, sem dúvida após a santa comunhão e na ação de graças, após a Celebração Eucarística.

A nossa oração privada há de ser realmente pessoal: há de brotar do coração. Podemos exprimi-la com ou sem palavras; não podemos nos limitar a repetir preces escritas por mestres espirituais e por santos, ainda que tais fórmulas nos ajudem a entrar na oração pessoal.

A oração deve ser incessante e continua. Por isso, requer dois pontos:

Qualidade da oração: buscar rezar com o coração para, assim, gerar uma contínua e ininterrupta perseverança. Orai sem cessar (1 Ts 5, 17).

Oração pura e sincera: ser feita com fervor – evitar as inquietações e preocupações. Deixar Deus entrar no santuário do meu coração.”

Para concluir o sentido e o significado do que é oração, fixemos nosso olhar na graça de Deus. E a Igreja a define assim:

“A oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado para o céu, é um grito de gratidão e de amor, tanto no meio da tribulação como no meio da alegria”. (CIC 2558).

16/05/2014

Saiba como se afastar do pecado da inveja!

A inveja não traz felicidade para o nosso coração
Não é sem razão que a Igreja classifica a inveja como pecado capital. Muitos e muitos males provém dela. Diz o livro da Sabedoria que é por causa da inveja que o demônio levou ao pecado nossos primeiros pais no início da história da humanidade.
“Ora, Deus criou o homem para a imortalidade e o fez à imagem de sua própria natureza. É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão” (Sb 2,23-24).
Santo Agostinho dizia que “a inveja é o pecado diabólico por excelência”. E se referia a ela como “o caruncho da alma que tudo rói e reduz a pó”.
A inveja é companheira daquele que não suporta o sucesso dos outros e não se conforma em ver alguém melhor do que ele mesmo. Está sempre com aquelas pessoas soberbas, que querem sempre ser melhores do que as outras em tudo. Muitas vezes, ela também é companheira das pessoas inseguras, fracassadas ou revoltadas, que, não conseguindo o sucesso das outras, ficam corroídas de inveja e desejando-lhes o mal. Fica torcendo pelo mal do outro, e quando este fracassa, diz em seu interior: “bem feito!”.
O primeiro pecado dos filhos de Adão e Eva foi cometido por inveja. Caim matou o irmão Abel. Abel era pastor e Caim lavrador (cf. Gen 4). Pior do que um homicídio (assassinato de um homem), o crime de Caim, movido pela inveja, foi um fratricídio (assassinato de um irmão).
Também por causa da inveja os filhos do patriarca Jacó venderam o seu filho caçula, José, para os mercadores que o levaram para o Egito.
O caso mais triste que as Escrituras nos relatam, por causa da inveja, é o da morte de Jesus. O evangelista São Mateus deixa claro a razão que os levou a matar o Filho de Deus: “Pilatos dirigiu-se ao povo reunido: ‘Qual quereis que eu vos solte: Barrabás ou Jesus, que se chama Cristo?’ Ele sabia que tinham entregue Jesus por inveja” (Mt 27,18).
Vemos, assim, a que ponto chega a inveja. Diante disto, temos que nos acautelar; uma vez movidos por ela, somos levados a praticar muitas injustiças. Quantas fofocas, maledicências, intrigas, brigas, rivalidades, calúnias e ódios acontecem por causa de uma inveja!
O pior de tudo para nós cristãos é constatar que ela se entranha até mesmo nas obras e nos filhos de Deus. Podemos dizer seguramente que muitas rivalidades e disputas que surgem também no coração da Igreja, tristemente são causadas pela inveja, pelo ciúme e despeito.
Ao invés de se alegrar com o sucesso do irmão no seu trabalho para o Reino de Deus, a pessoa fica remoendo a inveja, porque não consegue o mesmo sucesso. O que importa afinal, é o meu sucesso. O invejoso é infeliz com a própria desgraça e com a felicidade do outro.
Precisamos aprender a fazer com que a felicidade do próximo seja um motivo a mais para sermos felizes; não o contrário. A inveja é uma perversão.
Quando o menor sentimento de inveja brotar em nosso coração, precisamos cortá-lo de imediato, com a sábia atitude do “agire contra”; isto é, substituir o sentimento de desprezo por um sentimento de amor, num profundo desejo de que essa pessoa progrida ainda com o sucesso que não conseguimos alcançar. É preciso saber pedir perdão a Deus pelo mau sentimento em nós gerado.
Quem sabe, agindo assim, daremos um tapa na cara do tentador que deseja, a todo custo, semear o veneno da inveja em nossa alma, fomentando a intriga, a maledicência, a rivalidade entre os irmãos. Não o permitamos. São Paulo nos ensina a não dar oportunidade ao demônio para agir em nossa vida. “Não deis lugar ao demônio” (Ef 4,27).
Santo Agostinho nos ajuda a entender a gravidade da inveja: “Terrível mal da alma, vírus da mente e fulminante corrosivo do coração, é invejar os dons de Deus que o irmão possui, sentir-se desafortunado por causa da fortuna dos outros, atormentar-se com o êxito dos demais, cometer um crime no segredo do coração, entregando o espírito e os sentidos  à tortura da ansiedade; destroçar-se com a própria fúria!”
Dizia São Leão Magno que “quando todos estivermos cheios de sentimentos de benevolência, o veneno da inveja há de desaparecer inteiramente”.
O mesmo santo doutor e Papa ensinava que ardem de inveja da perfeição dos outros; e, como os vícios desagradam as virtudes, armam-se de ódios contra aqueles cujos exemplos não seguem.
São João Crisóstomo (†404), o grande patriarca e doutor da Igreja, chamado de “boca de ouro”, mostra bem o perigo da inveja para a vida cristã:
“Nós nos combatemos mutuamente e é a inveja que nos arma uns contra os outros. Pois bem, alegrai-vos com o progresso do vosso irmão e imediatamente Deus será glorificado por vós”.

15/05/2014

Deus nos faz fortes em meio às tribulações

A Palavra meditada, hoje, está em Salmo 30,5-13.


Iniciemos esta manhã consagrando nossa vida às mãos de Nossa Senhora, porque, quando nós nos consagramos a ela, é a Deus que nos consagramos pelas mãos de Maria. E ela continua a nos dizer: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. É sobre essa confiança – o derramar do óleo da alegria –, que o Senhor nos fala hoje. Ele está enxugando nossas lágrimas, pois um novo dia começa para nós.

“Se de tarde sobrevêm o pranto, de manhã vem a alegria.” Quantas vezes nós dormimos chorando, sem palavras para rezar, com nosso coração partido, e a dor se torna tão grande que a palavra nem vem à boca. Mas como uma noite que passa, a dor também vai embora; e Aquele que faz nascer um novo dia, faz renascer em nós a alegria. Deus nos dá um dia de cada vez para relembrarmos que existe esperança, que a dor não é a última palavra, e sempre há uma palavra de alegria e recomeço.

Se, em nosso coração, formos surpreendidos por uma grande mágoa e por decepções, como uma uma espada que transpassa nossa alma, saberemos que tudo está nas mãos de Deus.

A alegria que se vive, independente de sofrimento, é frágil, pois essa não é provada na dor. Deus preparou um caminho de consolação para nós, e uma alegria suportada ao lado d'Ele não é estéril, fadada a desaparecer, mas perdura, pois se torna uma alegria amadurecida. Assim como a noite passa, o sofrimento também vai passar, pois é Deus quem nos consola. Podemos ver os cuidados do Senhor, quando, após uma notícia ruim, Ele nos manda pessoas para consolar nosso coração.

Deus vem enxugar nossas mágoas com amor. Quando, em nossa vida, experimentarmos a injustiça, não tomemos partido do mal, porque temos o Espírito Santo em nosso coração. O Senhor sempre no abre novas oportunidades, uma nova porta, e nos dá a oportunidade de corrigir nossos erros e recomeçar. É o Espírito Santo quem nos visita, fazendo brotar, em nosso coração, o desejo de começar de novo.

O que deve nos guiar é a certeza de que, se temos Deus ao nosso lado, não há por que nos desesperarmos ou termos medo de sofrer, pois é hora de confiar nas promessas do Senhor para nós. Muitas vezes, olhamos para a vida dos nossos familiares, para os erros passados, e temos medo de que o mesmo aconteça conosco, mas o amor de Deus, no nosso coração, nos garante que sempre há uma chance de recomeçar. Temos a ideia de que um erro pode condicionar toda nossa vida, e corremos de erros em erros até o coração desmaiar de tristeza. Jesus morreu na cruz para que tivéssemos o direito de recomeçar nossa vida, de acertar depois de tantos erros.

O salmista nos fala no versículo 7: “Quando eu era feliz, eu disse: nada vai me vacilar!”, mas aí vieram as tribulações. Como nos perturbamos na hora da dor, do sofrimento! Ficamos cegos, entramos em desespero e temos tendência a desanimar. Mas quem é a pessoa forte? Quem é a pessoa segura? Aquela que foi provada na hora na tribulação.

Nossa vida assemelha-se ao mar. Este passa por calmarias e tempestades. Sua vida já passou por tribulações? Você está passando por tribulações? Saiba que o marinheiro mais seguro não é aquele que se poupou da tempestade, aquele que só navega em tempo bom. Só aguenta firme quem passou por tempestades, pois tem a coragem de seguir em frente.

A primeira vez que somos atingidos pelo sofrimento, desmoronamos. Na hora mais crítica do nosso sofrimento, devemos nos agarrar em Jesus e clamar o Espírito Santo, pois “na Tua bondade, Senhor, me fizeste mais firme que um monte”. Nessa hora, devemos gritar para que o Senhor nos firme durante o momento de tempestade.

Todos querem ser blindados do sofrimento. Deus nos blinda mas não como um carro-forte, mas como grandes árvores, que precisaram passar por várias tempestades. Quanto mais tempestades, mais fortes elas ficaram, mais suas raízes ficaram firmadas. Quando mais sopra o vento do sofrimento, mais as nossas raízes precisam ser enraizadas em Deus.

Dá-nos, nesta manhã, esta graça, Senhor. Se, à tarde, vier o pranto, nesta manhã, queremos abrir o nosso coração para a alegria. Quanto estava acomodado, eu dizia: “Nada vai me fazer vacilar”, mas veio o vento do sofrimento e eu clamei ao Senhor, e Ele me fez mais firme que um monte. A última ordem dessa palavra é cantar louvores a Ele. Vamos juntos orar ao Pai e pedir que Ele venha em nosso socorro. Vamos bendizê-Lo pela graça que já foi alcançada, porque as graças do Senhor já estão sendo derramadas em nós.

Márcio Mendes
Membro da Comunidade Canção Nova.

14/05/2014

Por que deixar para depois?

O hábito de deixar tudo para depois tem perseguido a vida de muitas pessoas.
Domingão à tarde, depois de um almoço bem “diet”, com direito a feijoada, uma torta de nozes com bastante recheio de chocolate meio amargo e um cafezinho doce para fechar o momento “domingueira” cai bem. Melhor ainda, é dizer a mesma ladainha: “só hoje, pois amanhã mesmo vou à academia queimar tudo isso na esteira”. No entanto, essa promessa rola há um bom tempo e muitos domingos já foram palco desse discurso. E a tão sonhada academia nunca recebeu a sua visita.
Segunda-feira chega e com ela a promessa de entregar três textos para a produção do portal, onde você, agora, lê um deles; uma promessa feita pelo autor que fala com você neste momento. Hoje, já é quarta-feira, mas nada de texto! Dos três textos pedidos, somente um foi enviado para a caixa de e-mail da solicitante. Quem sabe seja este o segundo texto?
Marcar de jantar na casa daqueles amigos do tempo de faculdade… Tão sonhado encontro, sempre fica para depois. E o jantar já mudou de cardápio várias vezes; afinal, passaram-se tantas estações desde a primeira promessa!
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Sim, o hábito de deixar tudo para depois tem perseguido a vida de muitas pessoas. Este hábito tem um nome: procrastinação. Nome estranho, não? Sim, bem estranho. Mas é algo que a maioria das pessoas vivem: deixar para depois. Mas há algum mal nisso? Sim e não.
Vamos começar pelo mais fácil. Não há nada de mal deixar, às vezes, para depois uma DR (discutir relação) se esta está para acontecer em meio a uma “briga de ânimos”, quando, com certeza, não se chegará a uma resolução acertada. Então, nada mau deixar para conversar sobre aquele assunto “meio acído” depois, quando ambas as pessoas estiverem dispostas a falar e a ouvir num bom diálogo. Às vezes, precisamos deixar para depois uma tomada de decisão que precisa ser maturada, bem refletida, bem estudada. Catar penas não é tarefa fácil; então, nessa situação, procrastinar seria muito bom! Mas esse hábito de “deixar para depois” também pode ser, sim, um grande mal.
Um exemplo: há dias, você tem sentido falta de ar, taquicardia e desmaios, mas, simplesmente, procrastina sua ida ao médico. Isso pode lhe acarretar sérios problemas! Então, nada de deixar para mais tarde. Fui extremista no exemplo, mas podemos perceber quando a procrastinação é um mau hábito para nós, ou seja, quando constatamos um certo prejuízo em nossa vida social. Quantos relacionamentos terminam, porque a pessoa amada sempre é colocada para depois do futebol, depois do filme, depois da festa etc. Alguns sintomas como estresse, ansiedade, angústia, depressão e graves sentimentos de vergonha e culpa, frente ao não “cumprimento de responsabilidades e compromissos”, podem indicar que algo não vai nada bem!
A maioria das pessoas tendem a procrastinar aquilo que não lhes causa muito prazer, como a declaração do imposto de renda, a conversa com a sogra, a dívida do cartão, a dieta, a arrumação do armário. Mas é bem difícil se procrastinar na hora de tomar um sorvete em um dia ensolarado, dar um passeio no parque sábado à tarde, jogar um futebol no fim de semana, assistir a um bom filme recém-lançado no cinema.
Fica, aqui, a dica para você lutar contra a procrastinação: encontre sentido naquilo que, aparentemente, não lhe causa prazer, mas que, uma vez realizado, o livrará de bons desprazeres!
Ao se determinar a fazer a declaração de imposto de renda no prazo, por exemplo, você evitará vários desconfortos. Mas caso chegue a ponto de não a declarar, você, com certeza, será chamado pela Receita Federal, a fim de dar explicações. Além disso, terá de pagar multa e fazer a declaração assim mesmo, mas, dessa vez, sem procrastinação! Caso esse hábito lhe cause muito sofrimento, é interessante procurar ajuda, pois pode ser o sintoma de algo mais sério.
Um famoso psicólogo americano Joseph Ferrari faz um comentário bem humorado sobre a tendência natural à procrastinação, citando que “a maioria de nós começa o dia procrastinando quando aperta aquele botão do despertador, que permite ficarmos na cama por mais cinco minutinhos”. Ou seja, o equilíbrio sempre será um sinal de saúde!

13/05/2014

13 de Maio - Dia de Nossa Senhora de Fátima


Nossa Senhora de Fátima, graça e a misericórdia!


Segundo as memórias da Irmã Lúcia, podemos dividir a mensagem de Fátima em três ciclos: Angélico, Mariano e Cordimariano.
O Ciclo Angélico se deu em três momentos: quando o anjo se apresentou como o Anjo da Paz, depois como o Anjo de Portugal e, por fim, o Anjo da Eucaristia.

Depois das aparições do anjo, no dia 13 de maio de 1917, começa o ciclo Mariano, quando a Santíssima Virgem Maria se apresentou mais brilhante do que o sol a três crianças: Lúcia, 10 anos, modelo de obediência e seus primos Francisco, 9, modelo de adoração e Jacinta, 7, modelo de acolhimento.

Na Cova da Iria aconteceram seis aparições de Nossa Senhora do Rosário. A sexta, sendo somente para a Irmã Lúcia, assim como aquelas que ocorreram na Espanha, compondo o Ciclo Cordimariano.

Em agosto, devido às perseguições que os Pastorinhos estavam sofrendo por causa da mensagem de Fátima, a Virgem do Rosário não pôde mais aparecer para eles na Cova da Iria. No dia 19 de agosto ela aparece a eles então no Valinhos.

Algumas características em todos os ciclos: o mistério da Santíssima Trindade, a reparação, a oração, a oração do Santo Rosário, a conversão, a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Enfim, por intermédio dos Pastorinhos, a Virgem de Fátima nos convoca à vivência do Evangelho, centralizado no mistério da Eucaristia. A mensagem de Fátima está a serviço da Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Virgem Maria nos convida para vivermos a graça e a misericórdia. A mensagem de Fátima é dirigida ao mundo, por isso, lá é o Altar do Mundo.

Expressão do Coração Imaculado de Maria que, no fim, irá triunfar é a jaculatória ensinada por Lúcia: “Ó Meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o Céu; socorrei principalmente as que mais precisarem!”

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe!


Quando nos consagramos a Nossa Senhora estamos realizando um ato jurídico, estamos dando a ela aquilo que a ela pertence. Nós somos dela. Todo filho pertence à Mãe! É preciso que o filho seja devolvido à Mãe.

Quantas vezes vemos questões jurídicas intrincadas, em que o juiz acaba devolvendo à mãe o filho que lhe pertence. É um direito mais do que natural. Ela o gerou no seu ventre.

É preciso que nós, que somos filhos, sejamos devolvidos a Maria, que é nossa Mãe.É uma questão de direito. Justiça é dar a cada um o que lhe pertence. O filho deve ser devolvido à mãe porque ele pertence a ela. É uma questão de justiça. Nós e todos os seus filhos precisamos ser devolvidos a Virgem Maria, porque é uma questão de justiça: pertencemos a ela. Somos os seus filhos. Ela é nossa Mãe. É urgente, é dever de justiça dar a ela o que é dela: todos os seus filhos.

A Palavra de Deus, em Colossenses 1,15, nos diz que Jesus foi escolhido pelo Pai para ser o Primogênito de todas as criaturas. E o que é um primogênito? Primogênito é o seu primeiro filho no meio dos outros filhos. Na minha casa, por exemplo, eu sou o primogênito, tenho mais cinco irmãos. Porque nós seis somos filhos do mesmo pai e da mesma mãe e eu nasci primeiro, por isso, sou entre eles o primogênito.

No Seu maravilhoso plano, o Pai quis ter uma multidão de filhos, entre os quais quis que Jesus fosse o Primogênito. Quando o Senhor projetou esse plano precisava que Jesus e os Seus demais filhos tivessem uma Mãe. Para que Jesus fosse o Primogênito de todas as criaturas era preciso que a Mãe d'Ele fosse também a Mãe de todos os outros irmãos.


"Somos os seus filhos. Ela é nossa Mãe." Disse monsenhor Jonas Abib

No pensamento de Deus, a primeira criatura projetada foi aquela que Ele escolheu para ser a Mãe do seu Filho, feito homem, e de todos os outros filhos. A primeira de todas as criaturas é Maria. Foi no alto do Calvário que Cristo acabou assinando, não com a tinta, mas com o Seu Sangue, aquela escritura na qual declarava que Maria era nossa Mãe. São João testemunha esse fato no seu Evangelho:

“Vendo assim a sua mãe, e perto dela o discípulo que ele amava, Jesus disse à sua mãe: 'Mulher, eis aí o teu filho'. A seguir, disse ao discípulo: 'Eis a tua mãe'” (João 19, 26-27a)

Nosso Senhor Jesus Cristo estava realizando uma questão jurídica. Ali, no Calvário, Ele assinava com Seu Sangue, derramado naquele momento, e promulgava, com a Sua Palavra, do alto da cruz: “Mulher, eis aí o teu filho, eis a tua mãe”. Estava falando em linguagem jurídica romana, porque era preciso fazer o documento e promulgá-lo.

Desde toda a eternidade, desde que Deus é Deus, desde que o Pai concebeu esse plano maravilhoso: Seu Filho viria a este mundo, se chamaria Jesus e seria o Primogênito de toda criatura. Desde esse momento, Maria já era a escolhida d'Ele para ser a nossa Mãe.

Preste atenção: “Para ser a minha Mãe desde toda a eternidade. Maria já tinha sido escolhida pelo Pai. Mãe de Jesus, minha Mãe e Mãe de todos os meus irmãos, para que Ele fosse o Primogênito de todas as criaturas”.

Proclame:

“Eu pertenço a Maria desde toda a eternidade. Desde quando Deus Pai concebeu esse lindo plano no qual Jesus seria o Primogênito no meio de uma multidão de irmãos, Ele já escolhera Maria para ser a Mãe de Jesus, minha Mãe e Mãe de todos os meus irmãos. Muito obrigado, ó Pai, pela linda escolha! Desde toda a eternidade, antes que eu existisse, Maria já era minha Mãe e eu o seu filho”.


(Trecho extraído do livro “Maria, mulher de Gênesis ao Apocalipse” de monsenhor Jonas Abib).

07/05/2014

É possível ver homem e mulher viver em sadia convivência!

Vivendo em sadia convivência

O processo para transformar a cana em álcool é muito demorado. A cana precisa ser passada várias vezes na moenda até o bagaço ficar totalmente seco; surge, aí, a garapa, que também não é pura ainda, pois possui muito resquícios da cana. Para retirar toda a impureza, a garapa vai para o fogo e, depois de fervida, é destilada. O líquido sobe por uma serpentina e, à medida que sobe, vai sendo purificado, até se tornar álcool puro. A cana já possui o álcool em si, mas precisa se deixar moer, ferver e destilar num longo processo de purificação.

Você, nesse processo, precisa deixar-se trabalhar pelo Espírito Santo para que venha à tona o "álcool puro" que você é. Pode ser que você já esteja passando pela serpentina, já bastante destilado, mas não está puro totalmente; pode ser também que você esteja como caldo grosso ou ainda passando pela moenda, o que é doloroso. É preciso que você aguente firme: é a hora em que Deus quer trabalhar em você!

Nesse processo de purificação, Deus colocou homem e mulher juntos. É um erro pensar que para poder ser puro é necessário "separar as águas". No meu tempo de menino, na escola, nós brincávamos separados: homem com homem e mulher com mulher. Mas compreenda: Deus criou homem e mulher para viverem juntos, em sadia convivência.

Para que os homens sejam puros e consigam chegar aonde Deus quer, precisam das mulheres. Eles precisam conviver com elas de forma sadia, como Deus sempre quis, e não da maneira que o mundo apresenta. Da mesma forma, para que as mulheres sejam puras e passem por esse processo de destilação, precisam de uma sadia convivência com os homens.

A realidade mostra que todos nós fomos muito marcados quanto ao relacionamento homem e mulher. Fatos dolorosos aconteceram conosco. Principalmente a mulher tem sido muito marcada. Talvez você, mulher, nem queria saber de homens, pois acha que são todos iguais àquele que a decepcionou.

"Em sadia convivência" disse Momsenhor Jonas Abib


Muitos homens tiveram experiências com mulheres fáceis, que se insinuaram e se entregam facilmente. Para eles, a mulher se tornou apenas objeto de prazer. Nada disso, porém, corresponde à realidade linda que Deus criou.

Na Canção Nova, Deus nos deu a graça da experiência de homens e mulheres vivendo em sadia convivência, mostrando que é possível criar um oásis no meio desse deserto de depravação e malícia. Não é fácil; é uma luta. Mas é possível. É nesta convivência sadia de homens e mulheres que vai acontecer a purificação de que todos nós precisamos.

Esse é o projeto de Deus! Isso é possível! E é isso que vai nos levar a ser homens e mulheres puros, como o álcool que começou como cana; depois, garapa suja, e se tornou álcool puro.

Somos assim! Somos como os peixes na piracema: nessa subida, damos saltos para chegar lá. Às vezes, erramos, mas tentamos de novo até conseguir. Vamos sangrar na subida, mas não somos destinados a morrer na praia da baixaria deste mundo.

Os que não lutam e se deixam levar pela correnteza morrem e geram morte.

Não ceda! Precisamos povoar céus novos e terras novas com homens e mulheres novos. Se você destruiu sua vida, Deus pode refazê-la. Basta você permitir. Será um processo que não acontecerá num estalar de dedos; será preciso passar pela moenda. Você precisará fazer "violência" a si mesmo: vencer a própria concupiscência e colocar rédeas em si. Muitas vezes, será preciso ser como Francisco de Assis, que rolou na neve e se jogou nos espinhos das roseiras para não pecar contra a castidade.


Fonte: Canção Nova

06/05/2014

Sacralidade do trabalho



Todo trabalho é imagem e extensão da ação criadora de Deus

A celebração do dia primeiro de maio, pela consideração reverente ao trabalhador, é oportunidade para reavivar a compreensão do trabalho como necessidade e dom de Deus. A concepção cristã do trabalho tem suas raízes numa articulada e clarividente compreensão antropológica e teológica. Deus, Criador onipotente, Pai de todos, cria o homem e a mulher à Sua imagem e semelhança e lhes confia o cultivo da terra. O Pai sublinha a primazia da humanidade em relação às outras criaturas, que devem merecer cuidados e respeitos. Cultivar a terra, como ponto especial na narrativa da missão do homem e da mulher, no conjunto da obra da criação, significa não abandoná-la. E exercer domínio sobre ela significa comprometimento com o seu cuidado e com sua guarda, como um pastor deve cuidar de seu rebanho. Esse horizonte inspirador é determinante nos rumos escolhidos para a dinâmica da economia com seus desdobramentos incisivos sobre a questão social e política.

Nesse sentido, no atual momento político e econômico, os construtores da sociedade pluralista devem superar a lógica perversa do lucro. Precisam buscar uma efetiva sustentabilidade, necessária para se alcançar o equilíbrio social. Imprescindível é deixar-se iluminar por um horizonte com princípios antropológicos inequívocos. Isso é um enorme desafio para quem se orienta por parâmetros de funcionamentos mecanicistas e, consequentemente, não consegue compreender o que se pode chamar de subjetividade do trabalho. O conjunto de recursos, atividades, instrumentos e técnicas que permite a cada pessoa o exercício adequado de suas tarefas não pode se sobrepor ou minar a dimensão subjetiva do trabalho humano. O respeito a essa perspectiva é a consideração insubstituível de cada ser humano e de sua vocação pessoal. Assim, alcança-se a compreensão de que todo trabalho é imagem e extensão da ação criadora de Deus, de que o homem e a mulher, em suas muitas tarefas, participam da obra da criação.

A Doutrina Social da Igreja enfatiza, por isso mesmo, que o trabalho não somente procede da pessoa, mas também é ordenado a ela e a tem por finalidade. Assim sendo, todo ofício, mesmo aquele mais humilde, é caminho para que cada pessoa tenha preservada a sua dignidade. Consequentemente, o trabalho se torna uma necessidade e, ao mesmo tempo, um dever de todos. Trabalhar refere-se ao respeito moral ao próximo e, por desdobramento, é reverência à própria família e à sociedade. Abominável, pois, é o enquadramento do trabalhador na condição de escravo. Trata-se de um verdadeiro atentado contra a dignidade, ferida na cultura solidária e civilizada, com consequências nefastas também para escravocratas.

A sacralidade do trabalho implica compreendê-lo, na escala de valoração e prioridade, como superior a todo e qualquer fator de produção, inclusive o capital. No horizonte largo e diversificado sobre a sua abordagem como importante chave social, é prioritário considerá-lo como direito. A necessidade do trabalho não se refere apenas ao sustento familiar e pessoal, prioridade incontestável, mas, particularmente, ao bem que promove a cada pessoa. Trata-se de direito fundamental. Por isso, a Igreja considera o desemprego uma perversa calamidade social. E sublinha que uma sociedade orientada para o bem comum tem sua capacidade avaliada, também, com base nas perspectivas de trabalho que ela pode oferecer.

Com a oferta do trabalho, caminha a exigência de se promover a capacitação, já que a manutenção do emprego depende, cada vez mais, da competência profissional. O Estado, então, é chamado à responsabilidade, por seu dever de promover políticas ativas de trabalho, particularmente pela regulação do funcionamento econômico, convocando as corporações a cumprirem seu papel social. As empresas têm o dever de garantir a oferta adequada de emprego. O tratamento desse desafio não pode prescindir de uma correta visão antropológica e cristã pelo respeito à sacralidade do trabalho.

05/05/2014

O mundo e a Igreja




A luz do Evangelho é o que existe de melhor para o mundo


A Igreja de Jesus Cristo saiu, literalmente, à praça pública, no dia dacanonização de São João XXIII e São João Paulo II, dois Papas de nossa geração, testemunhas das muitas vicissitudes e alegrias do tempo desafiador e maravilhoso em que nos encontramos. Quem acompanhou pessoalmente ou pelos meios de comunicação pôde conferir a diversidade de culturas, línguas e povos ali representados. Chamava à atenção o fato de que chefes de Estado e de Governo compartilhavam espaço e emoção com a multidão presente em Roma. As várias confissões cristãs, representantes de outras religiões e pessoas de convicções diferentes... Um mundo inteiro se sentia atraído por duas figuras ímpares quanto à missão exercida a seu tempo e quanto à têmpera de seu modo de ser homens e cristãos.

Papa Francisco salientou, em sua homilia da Missa da Festa da Divina Misericórdia, que João XXIII e João Paulo II não tiveram medo de se defrontar com as chagas do mundo e de sua geração. João XXIII quis abrir as janelas da Igreja para que o sopro do Espírito se espalhasse, a fim de alcançar todos os homens e mulheres. João Paulo II, o missionário mais ardoroso de que temos conhecimento nos últimos tempos, além de todo o empenho pela Evangelização, foi ao encontro das pessoas, conversou com todos, não fugiu das situações mais dolorosas da Igreja e do mundo. É que os cristãos se encontram dentro das realidades do mundo, são passíveis de erros e pecados, podem colocar tudo a perder, se não é a graça de Deus que os acompanha e sustenta.

A chave que abre as portas da esperança e da felicidade é, justamente, o reconhecimento simultâneo das fragilidades humanas e da força de Deus. Aquele que pode abrir o livro da vida das pessoas e da história humana é Jesus Cristo, o Cordeiro Imolado, o Santo de Deus. Só Ele tira o pecado do mundo (Cf. Ap 5, 1-8). Como Deus não nos fez para amassar barro na maldade e no egoísmo, o desejo de ser puros e santos atrai a todos. Por isso, apresentar a Boa Nova de Jesus Cristo, malgrado todos os pecados do mundo, é a estrada mestra para todos, sem exceção. Cabe à Igreja ter a ousadia de apontar para frente e para o alto, fazendo tudo para que o maior número possível de pessoas se envolva nesta grande marcha rumo à perfeição das relações das pessoas com Deus e entre si. Por isso, tantos irmãos e irmãs são inscritos no catálogo dos santos, reconhecidos como modelos no seguimento de Jesus

As imagens do dia da Divina Misericórdia eram suficientemente eloquentes para nos convencermos de que a Igreja tem uma palavra e um testemunho a oferecer ao mundo. Trata-se de sua missão, na qual não pode se omitir. Ela deve ser anunciadora da verdade e lutar pela dignidade das pessoas, assim como há de mostrar que o melhor para todos é o amor ao próximo e o amor a Deus. Ao mostrar este caminho, que tem o nome de santidade, a Igreja e os cristãos aprenderão a se confrontar com as realidades humanas, inclusive quando as diferenças vêm à tona. E o diálogo entre diferentes começa com a valorização recíproca, que comporta superação de julgamentos e preconceitos. Acreditar no bem que existe no outro, seja qual for sua origem, idade ou prática religiosa, é um passo fundamental. Convergem na direção do bem as pessoas que apostam tudo nas próprias convicções e, ao mesmo tempo, se abrem para o bem que existe em quem procede de outras plagas.

As pessoas com quem dialogamos venham também a ter conhecimento de que temos algo a oferecer. Não somos incapazes quanto à humanidade e a cultura. A luz do Evangelho é o que existe de melhor para o mundo. Nada de omissão. Sejam, pois, superados os eventuais complexos de inferioridade com os quais muitos cristãos se apresentam diante das estruturas do mundo. Cresça a presença qualificada dos cristãos nos diversos campos profissionais. Amadureça sua capacidade de dar razão da esperança, segundo o caminho proposto pelo Apóstolo São Pedro: “Se tiverdes que sofrer por causa da justiça, felizes de vós! Não tenhais medo de suas intimidações, nem vos deixeis perturbar. Antes, declarai santo, em vossos corações, o Senhor Jesus Cristo e estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que a pedir. Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência" (1Pd 3,14-16).

A aventura da santidade se tornou mais atraente ainda com São João XXIII e São João Paulo II. Mas o que fazer para ser santo? Santo é quem olha ao seu redor e não se cansa de colher as flores e os frutos da árvore da vida, plantada pelo próprio Deus. Santo é quem não receia olhar nos olhos dos outros e ver o brilho que neles se acende. Santo é quem não se rende diante da maldade, mas persevera na busca do bem e dá nome ao bem que encontra. Santo é quem se convence de que Deus só sabe amar e olha para as pessoas com amor infinito. Santo é quem gosta do bem, da beleza, da verdade.

Nestes primeiros dias do mês de maio, venha em relevo um campo específico, no qual a santidade pode e deve crescer, o do trabalho. Ninguém separe sua vida de fé das suas atividades profissionais, sejam quais forem. E vale oferecer, justamente para o trabalho, dois outros sinais esplêndidos. Trata-se de Maria, Mãe do Redentor, uma simples Mãe de Família, no mês que lhe é dedicado. Outro é São José, o operário! As duas figuras, indispensáveis na vida cristã, foram mundo e Igreja, mãos que trabalharam e santidade inigualável. Os dois santos, apenas canonizados, souberam oferecer tais exemplos e deles foram devotos. É a hora da Igreja, é a hora do mundo, a quem o Senhor Jesus oferece a salvação, pelos méritos de Sua Paixão, Morte e Ressurreição. Ninguém desperdice o tempo de Deus, que se chama hoje!

02/05/2014

É muito bom trabalhar e nos sentirmos úteis!


Padre Márcio José
Foto: Natalino Ueda/ Fotos: Canção Nova
Queridos irmãos, que bom podermos comemorar, nesse tempo pascal, o Dia de São José Operário. Nós comemoramos, no dia dezenove de março, o Dia de São José e hoje o dia desse carpinteiro santo, São José Operário. E todos nós, de alguma maneira, trabalhamos: em casa, na Igreja, nos escritórios, fábricas, entre outros. Temos que rezar bastante pelas mulheres, e os maridos precisam ajudá-las em casa. No Dia do Trabalho não dê mais trabalho para sua esposa! Ajude-a todos os dias!

Todos nós trabalhamos. O trabalho foi algo que Deus colocou no mundo desde o início da criação, como está escrito no Livro do Gênesis, o Criador nos fez à Sua imagem e semelhança, Ele trabalhou e viu que Sua obra era boa. Todo o bem criado tem a sua dignidade e tem o seu respeito. Deus fez a montanha, as plantas e os animais e viu que tudo era bom, e quando Ele olhou para mim e para você, Ele disse que era muito bom o que Ele havia feito! É por isso que nós, como cristãos, precisamos cuidar da ecologia, precisamos cuidar também das pessoas que estão do nosso lado. Existem muitas ONGs que defendem a natureza e os animais, mas precisamos defender também o ser humano, a pessoa. Deus não disse apenas: “Valeu a pena ter feito o homem”, mas Ele disse: “Foi muito bom”!

Nós trazemos imperfeições em nós, mas temos a dignidade de Deus em nós. Muitas vezes, temos uma visão errada do trabalho. E quando Deus nos criou Ele nos deu a incumbência de cuidar da criação e de dominá-la. Mas esse dominar a criação não significa explorar, destruir; mas significa administrar, trabalhar bem aquilo que Deus nos deu! Dominar significa isso: administrar bem o que Deus criou. 

O trabalho que eu realizo, tudo aquilo que eu faço, também deve ter esse sentido. Por isso devemos tomar toda atenção aos bens que nos foram dados. Cuidado com a natureza, com o ser humano, mas também cuidado com as coisas do Senhor, isso é amar o Senhor.

Quantas vezes não percebemos o cuidado e o trabalho das coisas que chegam até nós. Como o arroz, o feijão e tudo aquilo que comemos e usamos. Quantas pessoas trabalharam e muito para que aquele alimento, aquele arroz e feijão chegassem até nós.

Se olharmos para o Criador, veremos que Ele também trabalhou e nos criou. Por isso o trabalho é santificador. Como o trabalho faz bem para nós! Nós nos sentimos úteis ao realizá-lo. Quando eu era adolescente eu via meus pais trabalhando e eu ficava na ociosidade. Quando a pessoa adulta está na ociosidade vemos nela um ar triste. Depois que eu comecei a trabalhar eu me senti útil. É muito bom trabalhar e nos sentirmos úteis. O Senhor abençoou o homem e a mulher. Muitas pessoas trabalham com as mãos, e nós padres trabalhamos para escutar as pessoas, o que também não é fácil, cansa muito, mas vale a pena! O trabalho nos santifica quando damos sentido a ele e trabalhamos para Deus.

"É muito bom trabalhar e nos sentirmos úteis!", disse padre Márcio José
Foto: Natalino Ueda/ Fotos: Canção Nova
Na Encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII, ele abordou a questão da Revolução Industrial, naquele tempo em que as máquinas chegaram. E não é muito difícil olharmos para a nossa Igreja e vermos que muitas instituições dela cuidam de pessoas e trabalham para a promoção da dignidade delas. Nesse documento do Pontífice ele fala das coisas novas que aquelas pessoas estavam vivendo e da dignidade humana. Deus trabalhou na criação do mundo e da humanidade. Nessa exortação apostólica o Papa Leão XIII denuncia que os ricos ficavam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Hoje ainda existe muita falta de dignidade no trabalho. Por isso esse documento pontifício ainda é muito atual. A Igreja propõe que os patrões não sejam rivais dos trabalhadores. Ele aconselha os dois, patrão e funcionário, a não serem inimigos, mas sim a caminhar juntos em um trabalho que favoreça a dignidade do ser humano. Na exortação o Sumo Pontífice também recorda que devemos guardar os dias de festa, o repouso e nos colocarmos em oração. Para nós católicos o dia de descanso é o domingo.

Será que nós temos colocado o trabalho em primeiro lugar também? Será que estamos dedicando o nosso tempo a Deus? Principalmente no domingo, que é o dia de repouso, mas também da nossa espiritualidade com Deus, assim como nós precisamos do alimento para alimentar o corpo, nós precisamos também da oração, até mesmo para lidar com as pessoas. Em nosso trabalho precisamos ter paciência. Onde precisamos buscar essa paciência? É na oração. Precisamos valorizar o domingo, os dias santos, os feriados, para poder render mais.

Já vi uma entrevista sobre um estudo em que havia pessoas que trabalhavam muito e sem descanso e pessoas que tinham um dia de descanso. O resultado do estudo foi que as que tiravam esse tempo de repouso produziam muito mais. Mas também não vamos fazer igual ao homem que disse: “Não consegui trabalho em janeiro, vou ficar de descanso até o fim do ano”. Não podemos ser ociosos.

Nenhum trabalho é pior ou melhor do que o outro. Se você não tem trabalho, reze e peça a Deus que Ele providencie um para você. Existe a passagem bíblica dos talentos, nela Jesus achou anormal aquele que enterrou seus talentos, por isso não enterremos os nossos [talentos].


Transcrição e adaptação: Jakeline Megda D'Onofrio

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Padre Márcio José 
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Fonte: Canção Nova