20/07/2012

Um coração cheio de Deus

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A conversão autêntica é inseparável da alegria

“Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, sente em si mesmo uma suavidade e uma doçura que inebriam e uma luz maravilhosa que o envolve”. (Santo Cura d’Ars (1))

São Pedro Apóstolo, de forma magistral, nos aconselha: “Santificai Cristo em vossos corações” (1Pd 3,15). Sim, quando nosso coração está santificado e pronto para entronizar Cristo como Senhor (1Pd 3,15), a nossa vida está totalmente pronta para viver a alegria de Jesus (Lc 6,45).

Em nosso coração não há espaço para outra coisa senão para o amor de Jesus (Jo 14,21) que nos é derramado pelo Espírito Santo (Rm 5,5).

Desse modo, temos um novo coração (Ez 36,26) cheio de uma alegria que ninguém pode tirar de nós (Jo 16,22).

Alguém da sua casa, do seu círculo de amizades, do seu trabalho, ou da sua escola já perguntou o motivo da esperança e da alegria que você tem demonstrado (1Pd 3,15)?

Você acha estranha esta pergunta? Saiba que a nossa vida em Cristo e o nosso amor por Ele não conseguem ser mantidos apenas dentro do nosso coração santificado, pois eles se avolumam e extravasam pelo nosso corpo todo. Essa alegria transbordante flui por meio de nós (cf. Jo 7,38; 4,14) e vai contagiar esse mundo triste, ressequido e carente das águas vivificantes do Espírito Santo (cf. S1 63,2).

Amados irmãos e irmãs, vamos santificar Jesus em nossos corações (cf. 1Pd 3,15). Vamos dar testemunho, com nossas palavras e com nossas ações, da alegria que há em nossos corações (Lc 6,45). Vamos motivar as pessoas a buscar Jesus e encontrar a Sua alegria (Fm 20).

“Para São João Bosco, a conversão autêntica é inseparável da alegria; nem pode ser diferente, pois consiste em acolher Jesus e o Seu Santo Evangelho de que Deus é o nosso Pai e nos ama para sempre”.

Fonte: Canção Nova - Formação

19/07/2012

Escravos do pecado

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Pecar é destruir o próprio ser e caminhar para o nada

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) nos mostra toda a gravidade do pecado: “Aos olhos da fé, nenhum mal é mais grave do que o pecado e nada tem consequências piores para os próprios pecadores, para a Igreja e para o mundo inteiro” (§ 1488).São palavras fortíssimas, pois mostram que não há nada pior do que o pecado.

Por outro lado, o Catecismo afirma que ele é uma realidade: “O pecado está presente na história dos homens: seria inútil tentar ignorá-lo ou dar a esta realidade obscura outros nomes” (CIC, §386).

Deus disse a Santa Catarina de Sena, em 'O Diálogo':”O pecado priva o homem de Mim, Sumo Bem, ao tirar-lhe a graça”. São Paulo, numa frase lapidar, explica toda a hediondez do pecado e razão de todos os sofrimentos deste mundo: “O salário do pecado é a morte” (Rom 6,23).

Tudo o que há de mal na história do homem e do mundo é consequência do pecado que começou com Adão. “Por meio de um só homem, o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, e assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rom 5,12).

O Catecismo ensina que: “A morte corporal, à qual o homem teria sido subtraído se não tivesse pecado (GS,18), é assim o último inimigo do homem a ser vencido” (1Cor 15, 26).

Santo Agostinho dizia que: "É desígnio de Deus que toda alma desregrada seja para si mesma o seu castigo”, e acrescentava: “O homem se faz réu do pecado no mesmo momento em que decide cometê-lo.” Sintetizava tudo dizendo que “pecar é destruir o próprio ser e caminhar para o nada”. Ele dizia de si mesmo nas confissões: “Eu pecava, porque em vez de procurar em Deus os prazeres, as grandezas e as verdades, procurava-os nas suas criaturas: em mim e nos outros. Por isso precipitava-me na dor, na confusão e no erro.”

Toda a razão de ser da Encarnação do Verbo foi para destruir, na sua carne, a escravidão do pecado. “Como imperou o pecado na morte, assim também imperou a graça por meio da justiça, para a vida eterna, através de Jesus Cristo, nosso Senhor”. (Rom 5,21)

O demônio escraviza a humanidade com a corrente do pecado, mas Jesus vem exatamente para quebrá-la. São João deixa bem claro na sua carta: “Sabeis que Ele se manifestou para tirar os pecados” (1Jo 3,5).

“Para isto é que o Filho de Deus se manifestou, para destruir as obras do diabo” (1 Jo 3,8).

Essa “obra do diabo” é exatamente o pecado, que nos separa da intimidade e da comunhão com Deus e nos rouba a vida bem-aventurada.Com a Sua Morte e Ressurreição triunfante, Jesus nos libertou das cadeias do pecado e, por Sua graça, podemos agora viver uma nova vida. É o que São Paulo nos ensina na Carta aos Colossenses: “Se, pois, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus” (Col 3,1).

Aos romanos ele garante: “Já não pesa mais condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus. A Lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te libertou da lei do pecado e da morte” (Rom 8,1).

Aos gálatas o apóstolo diz: “É para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei firmes, portanto, e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão” (Gal 5,1).

A vitória contra o pecado custou a vida do Cordeiro de Deus. São João Batista, o precursor, aquele que foi encarregado por Deus para apresentar ao mundo o Seu Filho, podia fazê-lo de muitas formas: “Ele é o Filho de Deus”, ou, “Ele é o esperado das nações”, como diziam; ou ainda: “Ele é o Santo de Israel”, ou quem sabe: “Eis aqui o mais belo dos filhos dos homens”, etc.; mas, em vez de usar essas expressões que designavam o Messias que haveria de vir, João preferiu dizer: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29).

Aqueles que querem dar outro sentido à vida de Jesus, que não o d'Aquele que “tira o pecado do mundo”, esvaziam a Sua Pessoa, a Sua missão e a missão da Igreja. A partir daí, a fé é esvaziada e toda a “sã doutrina” (1Tm4,6) é pervertida. Eis o perigo da “teologia da libertação”, que exigiu a intervenção direta da Santa Sé e do próprio Papa João Paulo II, pois, na sua essência, esta “teologia” substitui o Cristo Redentor do pecado por um Cristo apenas libertador dos males sociais e terrenos, reinterpreta o Evangelho e o Cristianismo dentro de uma exegese e de uma hermenêutica que não é aceita pelo Magistério da Igreja.

Assim como a missão de Cristo foi libertar o homem do pecado, a missão da Igreja, que é o Seu Corpo místico, a Sua continuação na história, é também a de libertar a humanidade do pecado e levá-la à santificação. Fora disso, a Igreja se esvazia e não cumpre a missão dada pelo Senhor. "Jesus" quer dizer, em hebraico, “Deus salva”. Salva dos pecados e da morte.

Na anunciação, o anjo disse a Maria: "… lhe porás o nome de Jesus" (Lc 1,31).

A José, o mesmo anjo disse: “Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21).

A salvação se dá pelo perdão dos pecados; e já que “só Deus pode perdoar os pecados” (Mc 2, 7),

Ele enviou o Seu Filho para salvar o Seu povo dos pecados. “Foi Ele quem nos amou e nos enviou Seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados” (1Jo 4,10).

“Este apareceu para tirar os pecados “ (1Jo 3,5).

Isto mostra que a grande missão de Jesus era, de fato, “tirar o pecado do mundo”, e Ele não teve dúvida de chegar até a morte trágica para isto. Agora, Vivo e Ressuscitado, Vencedor do pecado e da morte, pelo ministério da Igreja, dá o perdão a todos os homens. Jesus disse aos apóstolos na Última Ceia:

“Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15).

Guardar os mandamentos é a prova do amor por Jesus. Quem obedece aos Seus mandamentos, foge do pecado.O grande São Basílio Magno (329-379), bispo e doutor da Igreja, ensina, em seus escritos, que há três formas de amar a Deus: a primeira é como o mercenário, que espera a retribuição; a segunda, é como escravo que obedece, por medo do chicote, o castigo de Deus; e o terceiro é o amor filial, daquele que obedece, porque, de fato, ama o Pai. É assim que devemos amar o Senhor; e, a melhor forma de amá-Lo é repudiando todo mal.

Os Dez Mandamentos são a salvaguarda contra o pecado. Por isso, o primeiro compromisso de quem almeja a santidade deve ser o compromisso de viver, na íntegra, os mandamentos. Diante da gravidade do pecado, o autor da Carta aos Hebreus chega a dizer aos cristãos:

“Ainda não resististes até ao sangue na luta contra o pecado” (Hb 12,4).

Nesta luta, justifica-se chegar até ao sangue, se for preciso, como Jesus o fez.

Fonte: Canção Nova - Formação

18/07/2012

Você é teimoso ou persistente?

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É fácil identificar a diferença entre os dois
O teimoso é fechado às opiniões alheias, é rebelde e intransigente, faz tudo contrário ao que lhe é pedido. Por vezes, chega a ser avesso, simplesmente pelo prazer de contrariar. A Palavra de Deus nos apresenta os fariseus e escribas no tempo de Jesus como exemplo de teimosia.

Já o persistente tem a mente aberta às visões diferentes, por isso mesmo tem mais propriedade e sensibilidade para crer em sua intuição. Ele acata ordens, age com humildade e, quando não prevalece sua "certeza", confia que as coisas se resolverão no tempo de Deus, e não segundo sua urgência. A tenacidade que ele manifesta não é sinal de obediência cega e irracional, mas fruto da esperança evangélica, pois, ele acredita que a verdade prevalecerá.

Realmente não é fácil nos dobrarmos a um direcionamento que, a princípio, nos parece absurdo e infundado, como aquelas ordens que recebemos e sabemos que não tratam da verdade, mas sim da vontade, do bel-prazer de quem detém o poder.

A teimosia leva à incoerência e ao descrédito; já a persistência gera constância e solidez nos propósitos que trazemos no coração. Se você tem razão, se o que faz é, verdadeiramente, de qualidade, não se preocupe, porque, em algum momento, você será justificado, pois tudo provém de Deus e “Deus é verdade”.

São Francisco de Assis é um grande exemplo de persistência. Em atenção à Palavra do Senhor, ele corrigiu os erros de muitos religiosos de sua época, não por força de argumentos ou de acusações, mas por seus atos coerentes, por meio de uma fidelidade inabalavél a Deus e à Igreja. Sua convicção do que deveria ser mudado foi combustível, primeiramente, de seu próprio carisma de vida: “viver a radicalidade da pobreza”. Assim, por meio de seu testemunho, demonstrou que as igrejas deveriam, urgentemente, rever muitos de seus conceitos aplicados naquele tempo.

Entretanto, diante das dificuldades e dos julgamentos, São Francisco podeira ter virado as costas para a Igreja Católica e fundar sua própria, como fizeram tantas pessoas ao longo dos séculos. Porém, preferiu se manter obediente, pois, se assim procedesse, estaria acatando o pedido do Senhor: “Francisco, reconstrua a minha Igreja”.

“A Igreja não precisa de reformadores, mas de santos”, afirmava o saudoso beato Papa João Paulo II. Desta forma, para vivermos a vontade de Deus devemos ter persistência, "esperança", principalmente nos relacionamentos, no trabalho, na escola... Enfim, em todos os momentos de nossa vida.

Possamos assim, mesmo diante das injustiças ou simplesmente do não reconhecimento dos dons que trazemos, sermos fiéis àquilo que Deus nos pede ou confia a nós.

Acredite que a intuição e o talento que lhe são dados pelo Senhor terão mérito um dia. Mas para isso é preciso ser persistente, mas não teimoso!

São Francisco de Assis, rogai por nós!

Fonte: Canção Nova - Formação

17/07/2012

Esperar em Deus não é loucura

Em todas as etapas da vida somos confrontados a falar de nossas conquistas, sejam elas materiais, pessoais e/ou intelectuais. O mundo nos cobra uma postura e posição de destaque em meio a tudo. Mas quando essas expectativas são frustradas por parte de quem as faz, há um julgamento cruel. Somos rotulados de inutilidade, excluídos do “grande grupo”.


Somos diferentes. Os filhos de Deus nasceram para dar certo, mas que certo é esse?

Geralmente, a escala usada como medida hoje é aquela que a sociedade nos impôs como sinônimo de realização. É bem sucedido aquele que tem mais dinheiro, fama, popularidade, bens materiais, ou seja, os que vivem os “prazeres da vida”. A cada dia surgem novos indicadores de “sucesso”. A corrida desenfreada para conseguir tudo isso em curto prazo não resulta no objetivo que antes era primordial: a felicidade.


Vivemos nos projetando para os outros em palavras de autopromoção, acreditando em uma verdade que, muitas vezes, não é a nossa, que não nos faz bem. O pensamento imediatista faz da vida um anseio constante para o que nos é ofertado diariamente, uma busca sem fim por “coisas” que nunca nos contentam.

Prazer imediato = “felicidade” passageira.

É natural haver crescimento e prosperidade em meio a tudo o que fazemos quando colocamos Deus no centro de nossa vida, porque nossos projetos não são nossos, mas é o plano do próprio Deus para nós. O “dar certo”, sob uma visão cristã, é bem diferente da visão deturpada da sociedade.

Muitas vezes, nós cristãos temos de esperar em Deus para receber a resposta ou a bênção que tanto pedimos, pois Ele prepara o caminho para a que a graça chegue no momento certo. Quando somos agraciados, sabemos reconhecer a obra do Senhor e a desfrutamos em sua plenitude.

Esperar em Deus não é loucura, mas agir na certeza de que acontecerá o melhor no tempo certo. Contudo, hoje muita gente prefere correr para o mundo do que esperar em Deus.

“Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios.”
(cf. Romanos 8, 28.)

Sabe aquele vazio que não preenchemos com dinheiro, coisas nem pessoas? Pois é, Deus preenche! Essa cobrança desleal dos padrões de ostentação atual nos inferioriza e coloca nossa vida em segundo, terceiro…último plano.

Deus está em que colocação em nossos anseios? Não coisifiquemos nossa vida nem a do outro, pois somos filhos de Deus, capacitados, dotados de inteligência, dons e carismas com um potencial imenso para fazer a diferença no ambiente que estamos inseridos. Não somos iguais, temos natureza divina.

Deus, mesmo sabendo o caminho que nos faria feliz, deu liberdade para nossas escolhas. Não deixe que alguém roube isso de você. Tenha certeza de que o Senhor suprirá suas necessidades, pois nem tudo que pedimos é o que precisamos. Ele certamente vê e chega exatamente onde nos falta.

“Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a Sua justiça, e todas as coisas vos serão dadas por acréscimos” (Mateus 6, 33).

Muitos procuram a chave para felicidade em lugares errados, e, às vezes, tem-se a ilusão de tê-la encontrado. No entanto, logo damos conta de que algo ainda nos falta, e a procura continua. A felicidade é algo complexo, abrange uma plenitude que contempla todas as particularidades do nosso ser. Eis que há uma chave-mestra, responsável por unir todos os segredos e combinações em uma única solução: Deus. Eis o caminho:

“Ser aquilo que Deus quer”! Ele sempre quer o melhor para nós e sabe, ao certo, a glória que está guardada para Seus filhos. “Pois morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Colossenses 3,3).

Tenhamos a certeza de que nossa vida está em Deus, e o melhor: na vida eterna!

Fonte: DESTRAVE

16/07/2012

Oração e trabalho

Neste mês de julho, a Igreja celebrou no dia 11, a memória de São Bento. Ele nasceu em Núrsia, no ano 480, e faleceu em 547. Foi enviado por sua família para estudar em Roma e, diante de tanta decadência moral e espiritual da sociedade e do Império, o jovem Bento não se deixou conformar com a perversidade daqueles tempos, mas escolheu fazer a diferença nadando contra a correnteza.

A vida de São Bento foi profundamente marcada pela radicalidade, profundíssima espiritualidade, prodígios extraordinários e destemida batalha espiritual.

Depois de três anos vividos em uma afastada gruta, ele desperta o interesse de vários seguidores, os quais foram orientados com uma austera regra de vida inspirada em São Pacômio e São Basílio, o que mais tarde daria a São Bento o título de pai do monaquismo.

"O nosso trabalho não pode ser desculpa para não estarmos rezando", adverte monsenhor Jonas


A Regra Beneditina forma os monges e cristãos por meio do seguimento dos ensinamentos de Jesus e da prática dos mandamentos e conselhos evangélicos, principalmente com a máxima “Ora et labora” (Oração e trabalho). São Bento aproximou a oração e o trabalho sem que um roubasse o tempo e a qualidade do outro.

Para nós que vivemos atualmente nesses tempos de imensa agitação, no qual se trabalha muito e quase não sobra tempo para a oração, esse princípio da 'Oração e Trabalho' se torna um manual de sobrevivência para nós cristãos.

O nosso trabalho não pode ser desculpa para não estarmos rezando, assim como nossa vida de oração não pode ser um obstáculo para a nossa vida profissional. É completamente possível que nós, trabalhando tanto, também possamos conciliar nossa vida de oração, para não rezarmos menos do que trabalhamos.

Muitos, hoje, acabam vivendo essas duas realidades de modo desigual, exagerando em uma e faltando na outra. Porém, aprendamos com São Bento que é possível conciliar oração e trabalho. Assim como uma moeda tem sempre dois lados (cara e coroa), nossa vida deve estar marcada por essas duas realidades: oração e trabalho.

Falo, aqui, desde os trabalhos no lar até a vida profissional na sociedade, da oração pessoal até a sua ativa participação na sua paróquia. Assim como não existe moeda que só tenha um lado, não podemos ser cristãos que ou só rezam ou só trabalham. Podemos, dentro de nossas realidades, desde as mais simples até as mais exigentes, conciliar as duas atividades.

Assim, juntos, peçamos a intercessão deste santo para que nos eduque nessa realidade de Oração e Trabalho. Juntos, temos muito que rezar e trabalhar pela Evangelização. Agradeço a sua fidelidade e o incentivo a perseverar! A toda Família Canção Nova, deixo aqui, como dica de oração, para você, neste mês, a poderosa oração da medalha de São Bento:

A cruz sagrada seja a minha luz
Não seja o dragão o meu guia
Retira-te satanás,
nunca me aconselhes coisas vãs
É mal o que tu ofereces
Bebe tu mesmo os teus venenos.

Deus o abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

13/07/2012

Bateu aquela tristeza?

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Não se perca em seus sentimentos
As expressões "estou triste" ou "estou deprimido" parecem tão comuns em nossos dias, mas pouco paramos para pensar no que nos leva a esses “estados de tristeza”. Mais ainda: algumas pessoas pensam tanto nela, que alimentam, eternamente, um sentimento que, usualmente, representaria e expressaria apenas uma fase passageira de sua vida.

Situações difíceis e estressantes exigem de nós uma capacidade de adaptação que nos permite voltar a alcançar um estado emocional normal. Pensar naquilo que é positivoé uma forma de superar os momentos de tristeza sem negá-los, mas, também, sem valorizar fortemente tal situação. Buscar atividades sociais, esportivas e de lazer também são formas externas de lidar com este sentimento.

Estar triste e sentir tristeza são condições psicológicas que fazem parte da vida humana, e não há por que temer vivenciar tal estado. Sentir dor pela perda, viver o luto, terminar um namoro, ter frustrações nas amizades e experimentar que a vida não é feita só de alegrias é o conjunto dinâmico e equilibrado da vida. Porém, muitas vezes, desenvolvemos respostas emocionais negativas e, a partir delas, tudo se torna uma tristeza constante; ou mesmo criamos nossos filhos deixando-os “protegidos” de qualquer ameaça.

Depressão é muito mais do que uma tristeza, mas esta, se for cultivada e excessivamente valorizada, pode se tornar uma doença. Ficar triste faz parte da vida, não precisa de tratamento e nos permite experimentar o lado bom e o ruim da vida. Muitas pessoas evitam, a todo custo, o sofrimento ou mesmo evitam que as pessoas ao seu redor sofram. Com isto, apenas alimentam uma vida de conto de fadas. O tempo da tristeza é relativo e está bastante relacionado ao tipo de situação que vivemos.

Por outro lado, pense no seguinte: nosso tempo nos coloca um ritmo para que vivamos os processos da vida sem dor, sem sofrimento e com muita rapidez. Não admitir a amargura é um mecanismo de defesa, algo que nos protege, que faz com que evitemos as situações.

O que a tristeza tem para nos ensinar? Nem toda melancolia é depressão, nem tudo é curado com remédios. Encarar as situações negativas com serenidade, observando os fatos e as consequências é muito importante. Quando admitimos que somos parte de um problema, podemos rever nossas atitudes e crescer. Ao fazer o papel de vítima – que pode ser mais confortável e bastante cômodo – não assumimos nossas culpas e “terceirizamos” nossos os problemas. Sempre haverá um culpado, uma situação difícil ou coisa assim.

Mas vale lembrar também o quanto algumas pessoas têm uma visão extremamente negativa de si, sem perceber nada de positivo no que fazem, olhando o mundo por um olhar altamente crítico, negativo; apenas valorizando as desolações.


A satisfação é feita de frustrações, de perdas e dores. Evitar o sofrimento é como “negar” uma parte importante da vida e experimentar apenas o imediato, a necessidade urgente de estar melhor, as alegrias de um mundo que cultiva o imediatismo e o prazer de uma vida fácil. Nesta reflexão, faço a você um novo convite: que possamos dar um significado às tristezas da vida sem fugir delas, mas saindo fortalecidos desta batalha, superando as dificuldades do momento, valorizando as experiências e retomando o ciclo normal de nossas vidas.

Não há solução fácil, mágica ou imediata, mas é algo possível a partir da nossa iniciativa e nosso empenho, com uma forma diferente de encarar a vida.

Fonte: Canção Nova - Formação

06/07/2012

Os transtornos da beleza: vale a pena?

Uma jovem francesa seguiu a carreira de modelo desde seus 12 anos, mas foi aos 25 que ficou famosa. A fama não veio tanto por sua profissão, mas por se deixar fotografar, em 2005, pesando apenas 25kg nos seus 1,65 metro de altura. Estamos falando da modelo Isabelle Caro, que morreu em novembro de 2010, vítima de anorexia nervosa, uma doença que altera a percepção da figura corporal. Isso ocorre quando a pessoa está com a forma corporal esquelética, mas, mesmo assim, se enxerga acima do peso (gorda).

Casos como o de Isabelle não são fatos isolados, sobretudo entre mulheres adolescentes, quando a atenção e a preocupação com alguma parte do corpo é comum nesta etapa do desenvolvimento humano.

A modelo Isabelle Caro foi símbolo da luta contra a anorexia

Especialistas da área de saúde mental se preocupam com um fator social que desencadeia a doença, sobretudo, entre jovens. São os chamados padrões de beleza corporal da modernidade; para ser mais claro, as chamadas “mulheres cabides” que aparecem na mídia com todo glamour, fama e dinheiro, ou seja, a carreira tão desejada pelas jovens quanto o futebol pelos rapazes.

Com resultado disso, a anorexia é apenas uma das muitas enfermidades que surgem dentro da busca por um corpo “perfeito” e “rentável”. Hoje, com a cultura do corpo ideal aparecem novas doenças, frutos desta sociedade moderna e seu estilo de vida.

“Nós temos aí a bulimia e a anorexia que são mais conhecidas pelos casos que vemos na mídia, mas já começam a surgir novas doenças como a ortorexia, que é uma busca incontrolável por comida saudável. A pessoa come algo e fica sempre preocupada em quantas calorias consumiu, quantas calorias tem isso ou aquilo”, revela o psicólogo Élisson Santos.

Segundo o psicólogo, os padrões de beleza da modernidade vão fazendo com que muitos jovens desenvolvam certos tipos de patologia em busca de um físico perfeito. “Nós temos o caso de outra doença que é a vigorexia, a busca compulsiva por exercícios físicos. Muitos jovens estão chegando ao consultório médico com este tipo de doença”, afirma Santos.

vigorexia e ortorexia

Vigorexia: cumpulsão por exercícios físicos.

Ortorexia: obsessão em comer comidas 'saudáveis'

Os transtornos alimentares têm sua origem geralmente na fase púbere e juvenil (adolescência), pois os jovens enfrentam, nesta etapa, as mudanças corporais e alterações psíquicas. Além disso, o adolescente se preocupa de forma particular com a sua imagem estética, porque está exposto num certo grupo e tem necessidade de aceitação. A maioria dos casos de bulimia e anorexia, segundo pesquisas, tem início nessa fase (dos 13 aos 25 anos).

Com o apelo midiático de um corpo supermagro ou escultural é preciso ficar atento quando parentes, amigos e familiares começam a tender para o exagero, a fim de atender este estímulo da ditadura da beleza. Os “transtornos” alimentares são patologias psíquicas e merecem ser tratados com especialistas da área (psiquiatras e psicólogos). É importante salientar que, como toda enfermidade, a pessoa precisa ser acolhida, compreendida e amada, nunca julgada e condenada.

ONEIOMANIA - compulsão por comprar

ONEIOMANIA - compulsão por comprar

Um outro transtorno que vai ao extremo no cuidado com o corpo é a vigorexia. Apesar de não ser considerada um transtorno alimentício, a vigorexia está relacionada com alguns sintomas da anorexia como baixa autoestima, dificuldade de se integrar à sociedade e de aceitar a própria imagem corporal. Esse transtorno começa a ser mais comum entre os homens que, em nome de um corpo escultural, se submetem à compulsão por musculação e outras atividades do chamado “Body (corpo) Designer”.

Outro transtorno decorrente da ditadura da beleza é o consumismo compulsivo (ONEIOMANIA). A pessoa precisa comprar, comprar e comprar para ficar feliz. Especialistas comparam o prazer que a pessoa sente ao adquirir um bem com o de pessoas viciadas em álcool, nicotina e até mesmo cocaína. A pessoa que sofre desse tipo de compulsão apresenta quadros de ansiedade, depressão, frustração, além de arruinar o orçamento familiar. Estima-se que de 2 a 8% da população mundial sofra deste mal, tudo pelo estímulo exagerado da cultura do material e em nome da beleza.

Mas quando detectar estes exageros?

“A pessoa sabe que não está bem, mas precisa atender aos apelos da mídia. Geralmente, ela se isola do convívio social, deixa os relacionamentos de lado, torna-se uma pessoa intolerante com os outros e gasta mais dinheiro com a beleza do que com a vida social”, declara o psicólogo.

os sintomas da anorexia e bulimia

Fonte: Destrave

05/07/2012

A verdadeira amizade tem valor de eternidade

O Salmo 132,1 diz assim: “Oh, como é bom, como é agradável para irmãos unidos viverem juntos”.

Com certeza, todos nós podemos contar lindos momentos de partilha, de festa, de alegria, de convivência com os irmãos, não apenas com os biológicos, mas com todas as pessoas que Deus põe no nosso caminho ao longo da vida e que se tornam grandes amigos e companheiros.

São momentos inesquecíveis com sabor e valor de eternidade, mas sabemos que há também os desencontros causados por nossa humanidade fragilizada. No entanto, com a graça de Deus, temos um excelente remédio para que nada nos impeça de viver o amor aos nossos irmãos.

Jesus nos ensina hoje: “Quando tu estiveres levando tua oferta para o altar, e ali te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmãos” (Mt 5,23-24). Talvez, num momento de alegria e confraternização, alguém tenha nos magoado sem querer, ou nós tenhamos magoado alguém e nos afastado dele a ponto de nos tornarmos inimigos.

Hoje, é dia de darmos um passo em direção a estas pessoas e retomar a amizade delas. A vida é breve, e não podemos deixar o tempo passar, porque, no fim, seremos julgados pelo amor.

Senhor, dê-nos, hoje, a graça de começar tudo de novo.

Jesus, eu confio em Vós!

Luzia Santiago Comunidade Canção Nova

Fonte: Canção Nova

04/07/2012

Eutanásia: qual é a hora de morrer?


Padre Anísio Baldessin, atual capelão do Hospital das Clínicas em São Paulo,
nesta reportagem especial sobre assuntos relacionados à bioética, o tema em questão é a eutanásia. Se por um lado defende-se essa prática por ela abreviar o sofrimento de um doente em estado terminal, por outro os contrários a ela argumentam que, com doença ou não, trata-se de uma vida que não pode ser tirada.

As primeiras discussões sobre eutanásia surgiram com os ingleses por volta de 1900. O atual capelão do Hospital das Clínicas em São Paulo, padre Anísio Baldessin, explicou que, nesta época, avaliava-se mais a questão do custo-benefício em manter um doente. Já na sociedade atual, a prática assume outra conotação.

“A conotação que a eutanásia assume hoje é de solucionar um problema, porém seria solucionar o problema de quem: da pessoa ou da sociedade?”, disse. O padre comentou ainda a diferença entre eutanásia, distanásia, ortotanásia e suicídio assistido, além de deixar um conselho para as famílias de doentes em estado terminal. Veja abaixo a íntegra da entrevista:

noticias.cancaonova.com - Desde quando existe a polêmica em torno da eutanásia e como ela foi sendo compreendida ao longo do tempo?

Pe. Anísio Baldessim–
A eutanásia começa a ser discutida pelos ingleses por volta de 1900, em que se tinha a questão da Teoria da Evolução, de Darwin. Ele acreditava que abreviar a vida das pessoas que eram consideradas inúteis, ou seja, que não tinham uma perspectiva de colaboração para a sociedade, era benéfico para a sociedade. Alguns apoiavam, outros se questionavam se quem era inútil era a pessoa ou a sociedade. Então podemos dizer que, no começo, foi mais relacionado à questão de custo-benefício; era visto como se isso fosse proporcionar um bem para a sociedade, uma vez que não traria custos, ou seja, se a pessoa não pode produzir como é que a sociedade vai ter que arcar com os custos que essa pessoa produz? Hoje, para nós, isso veio à tona, em se tratando de hospitais e de questões de doenças, com o advento das Unidades de Tratamentos Intensivos (UTIs), a partir da década de 1950, em que a tecnologia começou a prolongar a vida. A conotação que a eutanásia assume hoje é de solucionar um problema, porém seria solucionar o problema de quem: da pessoa ou da sociedade? É o que se discute hoje.

noticias.cancaonova.com - Os pesquisadores utilizam também os termos distanásia e ortotanásia para determinar o fim da vida no caso de doentes terminais. Alguma dessas práticas é considerada correta sob o ponto de vista da bioética?

Pe. Anísio –
Distanásia é o contrário da eutanásia. Eutanásia é tomar uma atitude que venha abreviar o sofrimento da pessoa. A distanásia é o prolongamento, seriam as chamadas “terapias inúteis”, que não vão proporcionar bem estar algum às pessoas e isso também é questionável. Aliás, hoje o que se discute muito é o que se pratica nos hospitais: a eutanásia ou a distanásia? Com o advento da tecnologia, o que se prolonga hoje é o sofrimento, e isso é decorrente do novo processo do morrer. Então hoje o que a gente percebe na nossa realidade é mais a distanásia do que propriamente a eutanásia. Falando num contexto bioético, o que seria correto é a ortotanásia, ou seja, a morte no momento certo. É preciso distinguir sim entre eutanásia e distanásia. Distanásia seria prolongar a vida de maneira indeterminada com sofrimentos e a ortotanásia seria não prolongar e nem abreviar, mas saber a hora certa. O grande desafio, e isso é o que os bioeticistas discutem, é qual é o momento certo de parar, existe esse momento? Na visão bioética, o correto seria nem a eutanásia nem a distanásia, mas sim a ortotanásia, a morte tranquila, sem sofrimento, sem abreviar e também sem prolongar deliberadamente.

"A melhor coisa é fazer com que a pessoa possa morrer perto daqueles que são importantes para ela", aconselha pe. Anísio


noticias.cancaonova.com -
Qual a diferença entre eutanásia e suicídio assistido? As pessoas confundem esses dois termos?

Pe. Anísio –
Existe muita confusão. A eutanásia, na verdade, seria uma atitude direta, ou seja, dar um medicamente para que a pessoa morra mais rápido. É como o que o Dr. Morte fazia, ele fazia um procedimento que iria levar a pessoa à morte num período curto de tempo. O suicídio assistido seria o paciente desejar morrer e tomar algumas atitudes, como não comer, não beber, não tomar os remédios. A pessoa que cuida estaria vendo essa atitude, porém não tomaria nenhuma decisão, ficaria omisso diante de uma atitude que o próprio paciente está fazendo. Isso é considerado ético? Você não está provocando diretamente, você está assistindo o processo do morrer, é uma questão bastante complexa, porque quando a pessoa não quer viver, muitas vezes ela praticamente se entrega, talvez não tomando uma atitude direta, mas interiormente vai se desligando e se deprimindo e com isso acaba morrendo. Eu não sei se, concretamente, a pessoa que a assiste tem alguma coisa a fazer nesse sentido. Então eu acho que não dá pra saber se realmente é uma atitude ética aí nessa questão.

noticias.cancaonova.com - A explicação para a eutanásia acaba sendo o fim do sofrimento do paciente. Dessa forma, a morte acaba sendo encarada como uma solução. Esse entendimento que se tem da morte condiz com o significado cristão da morte?

Pe. Anísio –
Para muitos realmente é a explicação. Agora se nós partirmos do princípio cristão, a morte pode ser uma solução de um problema, pode solucionar o problema do sofrimento. Esse entendimento está certo? Se nós recordarmos o próprio Papa João Paulo II, ele pediu para não ser levado para o hospital nos últimos momentos, porque ele queria morrer em casa. Aí nós podemos entender isso como uma eutanásia, uma abreviação da vida? Do ponto de vista cristão, e nisso a Igreja é até um pouco avançada, ela diz que, mesmo que a pessoa tenha todos os recursos, quando os recursos que serão usados trarão mais sofrimentos do que benefícios, você deveria deixar a pessoa, ou seja, quando os recursos tecnológicos trouxerem mais malefícios, mais sofrimento do que benefício, então isso seria correto.

noticias.cancaonova.com - A ética utiliza um termo técnico que é o chamado princípio do “duplo efeito”, em que a pessoa, movida por uma única intenção, pode ter um efeito desejado e um para-efeito indesejado. É o caso, por exemplo, em que se ministra uma alta dose de medicamento visando sanar o sofrimento do paciente, mas isso pode acabar causando a morte da pessoa. Isso é aceito pela Igreja? Como distinguir esse princípio do duplo efeito da eutanásia?

Pe. Anísio –
Essa é uma questão muito complicada, porque a primeira intenção daquele que coloca em prática o princípio do duplo efeito é não provocar a morte, mas sim proporcionar um bem estar para aquele que sofre. Porém o primeiro efeito é inseparável do segundo. Ou seja, vai-se aplicar um medicamento para aliviar a dor e sofrimento, mas ao mesmo tempo ele pode antecipar um pouco a morte, porém, na visão cristã, com essa atitude não se está querendo abreviar a vida. Este é o princípio que está sendo levado adiante: não fazer o mal. Mas ao tentar fazer o bem, você pode causar um certo mal, mas nesse caso seria o que a gente chama de um cuidado paliativo, a pessoa não vai agir diretamente, mas sim de acordo com aquilo que é possível. Mas é uma questão muito complicada, porque você pode mascarar uma realidade.

noticias.cancaonova.com - O senhor, como atual capelão do Hospital das Clínicas de São Paulo, lida diretamente com doentes e também com suas famílias. Que conselho o senhor daria para que pessoas que enfrentam enfermidades possam lidar melhor com a situação, em especial no caso de doenças terminais?

Pe. Anísio –
Isto é uma coisa importante. Nesse ano em que a Campanha da Fraternidade fala sobre saúde, tem uma parte em que ela fala “aprender o bem morrer”. O que nós precisamos entender é que a morte faz parte da vida. O meu pai, por exemplo, morreu fora do hospital, longe das tecnologias e eu achei isso muito bom, porque na verdade o que se prolonga não é a vida, mas sim o sofrimento da pessoa. Sempre que eu tenho a oportunidade de conversar com as famílias, eu digo que a melhor coisa é fazer com que a pessoa possa morrer perto daqueles que são importantes para ela. É claro que há esperança, mas em meio à esperança há sofrimento, eu sempre enfatizo muito isso para as famílias. Eu acho que nós precisamos entender que o morrer faz parte do processo natural da vida e nós temos que dar o direito para que a pessoa possa morrer, mesmo quando se trata daquele que amamos, deixar as pessoas dizerem adeus. Muitas pessoas me perguntam: “padre, mas será que é a hora do meu pai morrer, da minha mãe morrer?”. Para nós que amamos as pessoas nunca é hora. Nós precisamos aprender a arte do “bem morrer”. Nós fomos preparados e esperados para nascer e eu acho que nós precisamos aprender também a arte de “bem morrer”.

Fonte: Notícias Canção Nova

03/07/2012

Ser inteiramente Seu

Padre Paulo Ricardo
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com
O tratado à Devoção a Virgem Maria é um atalho para que nós cristãos vivamos o nosso batismo. Mas para isso nós precisamos ter, verdadeiramente, Deus como nosso Senhor.

O batismo é a entrega total a Deus, é quando renunciamos ao pecado e a satanás para seguir o Senhor. Viver este sacramento é se esforçar para viver uma aliança com o Pai, e o tratado é o conselho da Mãe para vivermos essa tarefa tão árdua e difícil de deixar Deus ser o nosso Senhor.

Vemos duas figuras bem distintas de Deus no Velho e no Novo Testamento, mas isso não quer dizer que Ele tenha mudado. Na verdade, quem mudou foi Seu povo, porque, a partir do momento em que aceitamos o senhorio d'Ele em nossas vidas, conseguimos vislumbrar Sua face misericordiosa e amorosa.

Precisamos entender que, com Deus, nós fazemos uma aliança. Ele não se interessa por um contrato, pois não quer suas coisas nem seu dízimo; Ele quer tudo, quer você.

Assim também acontece no sacramento do matrimônio, pois este não é um contrato, mas sim uma entrega por inteiro. Nele, você jura devoção, fidelidade e, acima de tudo, entrega total para que a união do casal seja fonte de grandes obras para o Senhor. Da mesma forma deve ser nossa relação com Ele no batismo. Ninguém quer ser feliz pela metade, por isso o Pai também não nos quer pela metade. Só nos entregando por inteiro a Ele seremos capazes de ser plenamente felizes.

O mesmo acontece na parábola do filho pródigo, pois ele só volta à vida quando se entrega ao pai como um escravo, tendo este como seu senhor. Essa nova vida gera alegria ao filho, pois seu progenitor o trata de forma única, vestindo-o com as melhores roupas, colocando um anel em seu dedo e preparando-lhe um banquete.

A escravidão de que falamos aqui é a do amor, aquela que acontece com confiança, amor e compreensão de quem reconheceu o melhor para sua vida e já não consegue viver longe d'Aquele que o amou primeiro.
Deus quer nos dar a Sua glória, mas para isso precisamos ser escravos d'Ele. Agora, já sabemos como, porém, a tarefa mais difícil é colocar em prática tudo isso que aprendemos.

"Deus quer nos dar a sua glória." diz Padre Paulo Ricardo
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Maria é exemplo de quem seguiu e devotou toda sua vida ao Senhor. Tudo o que ela tinha e possuía foi entregue a Ele, inclusive Seu Filho.

Hoje, estou celebrando vinte anos do meu sacerdócio e também de minha entrega total a Deus, a quem entreguei meu futuro e todo meu ser. Naquele momento em que fui ordenado, não tinha ideia do que estava fazendo, pois entregava a Ele um papel em branco com a minha assinatura.

O futuro não nos é mostrado por Deus, porque não seríamos capazes de assumi-lo. Em Sua sabedoria, o Pai nos mostra apenas o hoje para que tenhamos força suficiente para trilhar no Seu caminho.

O Senhor, em Seu infinito, nos constrange, pois somos incapazes de vislumbrá-lo. Foi exatamente por isso que Ele nos deu a Virgem Maria, reflexo de Seu amor, bondade e humildade. Assim como a lua, que nada mais faz do que refletir a grandiosidade do sol.

Jesus, do alto da cruz, já nos entregou a Sua Mãe, assim como fez com João, o apóstolo amado. Então, aceitemos os desígnios de Deus e nos entreguemos também a Maria, pois ela estará sempre ao nosso lado, guiando-nos nesse caminho para que sejamos capazes de assumir tudo o que escolhermos viver por meio do batismo.
Transcrição e adaptação: Gustavo Souza

Fonte: Canção Nova

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Padre Paulo Ricardo
Sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá (MT)
www.padrepauloricardo.org

02/07/2012

De que necessito para ser um cristão de fibra?

"Então, agora, filhinhos, permanecei nele. Assim poderemos ter plena confiança, quando ele se manifestar, e não seremos vergonhosamente afastados dele, quando da sua vinda" (I Jo 2,28).

João foi o apóstolo que mais se demorou em vida. O Senhor precisava que fosse assim, que o apóstolo permanecesse para dar força, coragem e base à Igreja, porque a perseguição foi se tornando cada vez mais terrível. Esta começou logo após o Pentecostes. João já percebia, nos vários anticristos que estavam surgindo para acabar com a Igreja, o próprio anticristo. Portanto, ele já nos mostra a visão do fim.

"Quem quiser ser cristão de fibra, siga-me, porque, na verdade, estou seguindo Jesus e lutando para permanecer n'Ele"


A Palavra de Deus é muito clara quando diz que o Senhor acabará com o inimigo com o sopro da Sua boca. Mas não precisamos ter medo, embora saibamos que a Igreja vai sofrer muito, como sofreu no começo.

Todos os apóstolos morreram como mártires. No tempo da grande perseguição romana contra os judeus, todos os governadores estavam perseguindo e "acabando" com os cristãos. São João foi preso em Éfeso e depois mandado para realizar trabalhos forçados na ilha de Patmos, onde se fazia a extração de cobre. É por isso que, quando ele escreve o Livro do Apocalipse, ele se intitula de "vosso companheiro de tribulação". Foi de lá, nessa ilha, que este grande apóstolo, mesmo correndo risco de vida, mandava os trechos do Apocalipse para um dos discípulos, e este os passava para outros, em sigilo. Dessa forma, esse grande santo da Igreja se torna uma fortaleza para outros cristãos que também estão sendo perseguidos.

"Escrevo isto a respeito dos que procuram desencaminhar-vos" (I Jo 2,26). Além das perseguições externas à Igreja, naquele tempo também começam as heresias, pois o inimigo percebeu que o sangue dos mártires não estava conseguindo acabar com o Cristianismo. Ao contrário, estava fortalecendo os cristãos. Por outro lado, os que não aguentaram a perseguição, começavam a desanimar, e assim, eles incentivavam seus irmãos a desanimar também.

Também nesse tempo começam a surgir as heresias para minar a Igreja por dentro, causando uma "hemorragia interna" nela. Essas heresias são erros contra aquilo que os apóstolos ensinaram, contra aquilo que Cristo nos ensinou. É por isso que São João nos apresenta, por diversas vezes, o verbo "permanecer". Uma coisa que nos parece estranha e que João nos diz: "Quanto a vós mesmos, a unção que recebestes da parte de Jesus permanece convosco, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine. A sua unção vos ensina tudo, e ela é verdadeira e não mentirosa. Por isso, conforme a unção de Jesus vos ensinou, permanecei nele" (I Jo 2,27).

João diz que tudo o que eles aprenderam no começo, quando tiveram a conversão e foram batizados no Espírito Santo, deixou-os cheios da unção do próprio Cristo. Todos os primeiros cristãos, naquela época, usavam os dons, era coisa comum entre eles. Pena que hoje, na Igreja, muitos cristãos não queiram saber disso. Na necessidade dos nossos tempos de hoje, para a Igreja poder aguentar a perseguição externa e as heresias que estão surgindo, ela precisa do Espírito Santo e de homens e mulheres que, tendo os dons, usem-nos para evangelizar e tornar outras pessoas também cheias do mesmo Espírito de Deus.

Grandes pregadores e escritores que falam sobre o derramamento do Espírito nos têm mostrado que, se nós não nos abrirmos à graça do batismo [no Espírito Santo de Deus] e aos dons, a Igreja sofrerá muito.

Meus irmãos, de maneira muito clara, vemos como a Igreja está sofrendo na China, onde há cristãos que professam a fé às escondidas, mas cheios de vigor. Precisamos de uma nata de cristãos e só conseguimos isso pelo Espírito Santo de Deus.

São João nos coloca com os "pés no chão" e nos mostra que a nossa missão é a mesma de João Batista. O precursor também foi cercado e teve de dizer que era a voz que "gritava no deserto" e que veio preparar o mundo para a primeira vinda de Jesus Cristo. João Batista já vê, naquele tempo, o anticristo.

Agora, meus irmãos, estamos, a cada dia mais, perto do fim, da vinda gloriosa de Jesus, do nosso encontro com Ele. Por essa razão, nós também precisamos dizer que a nossa missão é preparar o caminho do Senhor. Não nos sentindo egoístas, porque temos a unção e vamos ser arrebatados, mas como missionários, como João que, reunindo os discípulos, conversava com eles e escrevia para que outros cristãos, que não estavam em Patmos, pudessem ler.

Senhor, obrigado, porque nos traz esta Palavra e esta mensagem. Por intermédio de João Evangelista e de João Batista, o Senhor nos põe com os "pés no chão". Eu quero viver assim. Os corajosos, os que querem aguentar firmes, sigam-me. Eu sou pequenininho, mas quero seguir Jesus, permanecer com Ele. Quero ser cristão de fibra! Quem quiser ser cristão assim, siga-me, porque, na verdade, estou seguindo Jesus e lutando para permanecer n'Ele. Que assim seja com você.

Deus o abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

Fonte: Canção Nova