16/12/2011

Que a Palavra de Deus esteja sempre em nossos lábios

No livro de Ezequiel, capítulo 37, lemos o que Deus está fazendo conosco. O Senhor dá ao profeta a visão de um imenso campo, repleto de ossos ressequidos e espalhados pelo chão. Acompanhe: “Então ele me disse: ‘Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel.’” (Ez 37,11a).

Hoje o Senhor nos diz: “Essas ossadas são sua família, sua casa. É o povo ao qual você pertence. São as pessoas que você ama que estão assim. Esta é a situação de sua nação, de tantos filhos e filhas da Igreja batizados que estão ao seu redor.”

Então ele me disse: “Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel”. Eles dizem: “Nossos ossos estão secos, nossa esperança acabou, estamos perdidos!” Por isso, profetiza e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus” (Ez 37,11-12a).

A primeira ordem do Senhor é esta: “Por isso, profetiza”. Devemos ter a Palavra de Deus em nossa boca. O Senhor quer que a pronunciemos para a graça acontecer. Se não o fizermos, ela não virá.

O Senhor nos ordena que pronunciemos Sua Palavra para que a ressurreição que Ele prometeu aconteça. Essas ossadas são nossa casa, nossa família, nossos filhos, nosso casamento, nossa situação. Essas ossadas somos nós mesmos e a situação do nosso povo. A verdade de Deus, a certeza que Ele semeou em nosso coração, é: “Teus mortos, porém, reviverão! Seus cadáveres vão se levantar! Acordai para cantar, vós que dormis debaixo da terra! Pois teu orvalho é orvalho de luz e a terra restituirá à luz seus mortos” (Is 26,19).

É uma certeza. Contudo, para que ela aconteça, é essencial que pronunciemos a Palavra de ordem do Senhor.

Deus o abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

(Trecho do livro "O Espírito sopra onde quer" de monsenhor Jonas Abib)

15/12/2011

Tomar uma decisão radical

Padre Roger Luis
Foto: Robson Almeida
Como filhos obedientes precisamos estar atentos às Palavras de Deus, pois não podemos pensar que estamos totalmente preparados e convertidos. Há áreas da nossa vida que ainda não experimentaram a ação poderosa de Deus.

É na caminhada que Ele nos molda. Não é um num passe de mágica que nossa conversão acontece. Precisamos ser perseverantes, pois o trabalho do Senhor na nossa vida é diário, mesmo que estejamos no pecado radical, do qual não vemos saída. Dia após dia ele continua realizando, em nossa vida, a obra de transformação.

Temos que aproveitar todas as chances que o Senhor nos dá, pois ela nos é dada a cada novo dia. Não podemos desperdiçá-la cometendo os mesmos erros.

Ao olhar para a cruz devemos encontrar vida. Esse símbolo, antigamente, era sinal de morte, de fim e erro, porque a crucificação era destinada aos piores criminosos daquele época.; mas Jesus, com seu amor e misericórdia, foi capaz de transformar esse símbolo em algo bom, em sinal de vida eterna.

O que ainda o impede de ser totalmente de Deus? Qual é o pecado que o afasta da presença e do amor d'Ele? Pense nisso, faça uma avaliação da sua vida e tente encontrar onde você tem falhado.

Precisamos ser radicais em nossas conversões, e esse é o primeiro passo. Devemos ter coragem para decidir por Nosso Senhor e aceitar todos os planos que Ele tem reservado para nós.

Nosso Senhor se fez pecado por nós, para que encontrássemos, em Seu sofrimento, a salvação de todos os erros que cometemos. Ele se faz paciência por nós para que tudo aconteça no seu tempo.

Deus, hoje, vai abençoá-lo e mostrar que é possível, mesmo nas dificuldades, vencer os desafios que a vida santa nos impõe. Ele quer ver mudanças na sua vida.

"Nós não podemos ser contra testemunhos na Igreja", diz padre Roger Luis
Foto: Robson Almeida

O ativismo nos afasta de Jesus, nos separa da salvação, faz com que enfraqueçamos a ponto de achar que não precisamos de mais nada, que somos autossuficientes em nossas vidas.

Muitas vezes, estamos roubando o tempo de Deus. Será que você tem dado ao mínimo o dízimo do seu tempo para Ele? Orar é uma necessidade vital. Se não nos apegarmos À oração, iremos cair nas artimanhas do pecado.

Nós não podemos ser contra-testemunhos na Igreja, mas sinais. Devemos pregar o que vivemos; não o contrário, pois mais do que em palavras, devemos evangelizar por meio dos nossos atos, mostrando que é possível viver uma vida santa.

Jesus precisa ser uma necessidade diária em nossas vidas. Não devemos ser cristãos por obrigação, mas por satisfação, e sentir que a presença d'Ele em nossas vidas é tão essencial como o ar que respiramos.

Não podemos buscá-Lo apenas em nossa necessidade. Precisamos procurar Deus na oração em todos os momentos do nosso dia. Seja em um pensamento, em uma palavra, em uma oração ou até mesmo no silêncio, pois quando nos calamos é porque realmente ouvimos o que o Senhor tem reservado para nós. Como verdadeiros cristãos, podemos e devemos viver segundo a Sua vontade.

Transcrição e adaptação: Gustavo Souza

14/12/2011

Homens e mulheres diferentes



Devemos começar transformando nosso pequeno mundo pessoal

Se olharmos para o mundo de hoje, nos perguntaremos: por que os cristãos, em mais de 2 mil anos, mudamos tão pouco o mundo? Por que se perdeu aquele espírito de conquista dos apóstolos e primeiros cristãos? Não será porque se tem vivido o Cristianismo de uma maneira egoísta e individualista?

Algo disso acontece também com alguns santuários cristãos: convertem-se em lugares de refúgio, nos quais as pessoas só giram em torno dos próprios problemas e se escondem das exigências do mundo e da vida.

Nossos templos não são um refúgio, mas um lugar de onde Deus e Maria nos enviam. Enviam-nos a renovar nossa cultura e sociedade atuais, a mudar a história da Igreja e do mundo. Como nós podemos colaborar com esta graça? Como podemos aportar para a transformação do mundo?

Creio que devemos começar transformando nosso pequeno mundo pessoal: nosso lar, o entorno familiar, o ambiente de trabalho, vizinhos, amigos, grupo, entre outros. Geralmente não se trata de fazer coisas extraordinárias, mas de cumprir bem e com amor nossos afazeres de cada dia. E ver esses afazeres diários, por monótonos ou pesados que sejam à luz e ao serviço da grande missão. Porque são o aporte que neste momento Deus nos pede, para construir um mundo novo.

Podemos também sair de nosso pequeno mundo e ajudar a mudar o mundo de nossa pátria: como a política, a cultura, os meios de comunicação, a sociedade. Esperam-nos muitas e grandes tarefas, para poder ser colaboradores aptos de Deus e da Virgem Santíssima na transformação de nosso mundo:
1. Devemos ser homens e mulheres filiais. O filho diz sempre "sim" para a vontade do Pai. O filho luta por um mundo digno do Pai, onde reinam a fraternidade, a justiça, a paz. E essa abertura e disponibilidade filial diante de Deus permitem abrir caminhos para um mundo novo. Porque é a atitude que deixa lugar à atividade paternal de Deus na história, tal como o fez Cristo. Trata-se aqui de uma atitude filial madura, própria de um filho adulto do Pai e corresponsável de sua obra. É o homem que enfrenta a história confiado no Pai e que, por isso, é audaz e criador. Recordemos que a grandeza ou a miséria de nossa vida não se mede por nossas capacidades nem por nossos limites, mas pela magnitude da obra a qual nos consagramos: “Um herói é quem consagra sua vida a algo grande”, costumava dizer padre Kentenich, fundador do Movimento de Schoenstatt.

2. Devemos ser homens e mulheres diferentes. Creio que todos percebemos que esta missão de transformar o mundo e criar um mundo novo nos converte em homens diferentes, em homens e mulheres que vivem de maneira distinta dos demais. Temos que atuar de forma diferente no matrimônio, na vida familiar, nos negócios e na empresa, na política, na relação com os homens. Em tudo isso temos que ser distintos da sociedade atual com seus valores. Também os primeiros cristãos tiveram a audácia de ser diferentes. E por isso criaram um mundo novo; um mundo impregnado pelos valores cristãos. Ser diferentes significa, muitas vezes, passar por loucos, assim como os primeiros cristãos.

Significa também lutar contra o pecado em todas suas formas, começando por si mesmos, mas também lutar contra muitas situações de pecado no mundo que nos rodeia. É por isso que os antigos cristãos diziam: “não sem sangue”. O Reino de Deus não avança sem sangue, sem sacrifício, sem dor, sem luta. O mundo não se transforma sem sangue. Por isso, temos que nos arriscar a ser diferentes, a passar por loucos, a lutar contra o mal em nós mesmos - e assim viver antecipadamente o mundo de amanhã.

Padre Nicolás Schwizer
Movimento apostólico Shoenstatt

13/12/2011

Adorar a Jesus Eucarístico

Adoração a Jesus Eucarístico, a melhor terapia Jesus, pessoalmente, vem até nós, para nos curar e libertar. Passar horas com Jesus Sacramentado, diante do Sacrário, é o melhor remédio, a melhor terapia. Não imaginamos o efeito que isso produz em nossa vida, em nossa mente, em nosso coração, nas nossas emoções e também na nossa sexualidade. O Senhor realiza até mesmo curas físicas de que precisamos.

Jesus Eucarístico, pela força do Espírito Santo, quer curar toda a área da nossa afetividade e sexualidade, Ele vem curar toda a esterilidade que o mundo nos trouxe. Ele vem nos devolver vida.

É necessário expor a Deus tudo o que marcou a nossa sexualidade e afetividade. Há pessoas que, ainda crianças ou adolescentes, foram violentadas por seus pais ou por outras pessoas, foram vítimas de desregramentos. Muitos pais levaram seus filhos para a prostituição. As experiências negativas vividas durante a infância minam a pureza do nosso coração. Todos temos marcas e precisamos nos deixar curar pelo Senhor.

Diante de Jesus Eucarístico, permita que Ele realize toda a obra de restauração em sua afetividade e sexualidade.

Deus o abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova


(Trecho do livro "Eucaristia, nosso tesouro" de monsenhor Jonas Abib)

12/12/2011

O pecado da ganância

Não podeis servi a Deus e a riqueza

A Igreja classifica este pecado [ganância] como "capital". São Paulo chama a avareza de idolatria: "Mortificai, pois, os vossos membros terrenos: fornicação, impureza, paixões, desejos maus, cupidez e a avareza, que é idolatria” (Cl 3,5).

A razão do apóstolo ver como idolatria o apego aos bens materiais, sobretudo ao dinheiro, é que isto faz a pessoa amá-lo como a um deus. Torna-se escrava da riqueza. Desde o princípio, Jesus alertou os discípulos para este perigo já no Sermão da Montanha: "Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedica-se a um e desprezará o outro. Não podeis servi a Deus e a riqueza” (Mt 6,24).

O que importa é que a pessoa não seja escrava do dinheiro e dos bens. É claro que todos nós precisamos de dinheiro; o próprio Jesus tinha um “tesoureiro” no grupo dos apóstolos. São Paulo diz a Timóteo que “a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro” (1Tm 6,10). Veja, portanto, que o mal não é o dinheiro em si, mas o “amor” a ele; isto é, o apego desordenado que faz a pessoa buscá-lo como um fim, não como um meio.

É importante notar que não são apenas os ricos que podem se tornar avarentos, embora sejam mais levados a isto. Não é raro encontrar também pobre avarento. Por isso, no mesmo Sermão da Montanha, Jesus alerta:

"Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furam nem roubam" (Mt 6,19-20).

Se Jesus recomenda "não ajuntar tesouros na terra", é porque esta riqueza e segurança são ilusórias e não podem nos satisfazer por mais que o mundo nos diga que sim.

É justo e necessário ter o dinheiro que precisamos para nossas despesas. O próprio Jesus manda pedir ao Pai, todos os dias, "o pão nosso de cada dia"; o que se condena é a obsessão pelo dinheiro, que faz com que a pessoa sacrifique no altar desse "deus" os verdadeiros valores.
Por causa do dinheiro muitos aceitam praticar a mentira, a falsidade e a fraude. Quantos produtos falsificados! Quantos quilos que só possuem 900 gramas! Quanta enganação e trapaças nos negócios!

Não é verdade que mesmo entre os cristãos, tantas vezes um engana o outro, o "passa para trás" em algum negócio, compra e venda?

Poderemos constatar que toda a corrupção, tráfico de drogas, armas, crimes, prostituição, comércio de mulheres, poluição da terra, do ar e da água tem, por detrás, a sede pelo dinheiro. O próprio domingo, dia do Senhor, está se transformando, para muitos, num dia de ganhar dinheiro.

Por amor ao dinheiro muitos pais perdem os próprios filhos e muitos casamentos acabam. Por causa da ganância vemos o mundo numa situação de grande injustiça e miséria para muitos. Como disse o papa Paulo VI, os ricos estão cada vez mais ricos às custas dos pobres cada vez mais pobres. O nosso Catecismo diz:


"Uma teoria que faz do lucro a regra exclusiva e o fim último da atividade econômica é moralmente inaceitável. O apetite desordenado pelo dinheiro não deixa de produzir seus efeitos perversos. Ele é uma das causas dos numerosos conflitos que perturbam a ordem social (GS. 63,3). Toda prática que reduz as pessoas a não serem mais do que meros meios que têm em vista o lucro, escraviza o homem, o conduz à idolatria do dinheiro e contribui para difundir o ateísmo" (CIC § 2424).
"Guardai-vos escrupulosamente de toda avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas" (Lc 12,15).

A Igreja nos ensina que somos apenas administradores de todos os bens e riquezas que Deus põe em nossas mãos, para que com eles façamos o bem aos outros. Deveremos prestar contar a Deus de tudo, como Jesus mostrou na parábola dos talentos (Mt 25,14s).

O apego aos bens desse mundo é algo muito forte em nós, quase que uma "segunda natureza" e, portanto, só com o auxílio da graça de Deus poderemos vencer esta tentação forte. Desde pequenos fomos educados para “ganhar a vida”. Será preciso a força do Espírito Santo em nossa alma para nos “convencer” da necessidade de uma vida de desprendimento e pobreza.

Para dominar este forte impulso que age dentro de cada um de nós é preciso oração, meditação e grande esforço de nossa parte; sobretudo, no sentido de convencermos a nós mesmos da grandeza do desprendimento. Mais do que nunca o Espírito Santo terá que vir em auxílio da nossa fraqueza.

A liturgia nos ensina a “caminhar por entre as coisas que passam, abraçando somente as que não passam”. Seja senhor de suas posses, não seu escravo. Santo Agostinho dizia: “não andes averiguando quanto tens, mas o que tu és”. E ainda: “A verdadeira felicidade não consiste em ter muito, mas em contentar-se com pouco”.

Profº- Felipe Aquino
Comunidade Canção Nova

09/12/2011

O Rosário, uma arma eficaz

Somos um povo de oração. Temos necessidade de momentos de intimidade com Deus, quando ouvimos o Senhor e somos por Ele ouvidos. O rosário é uma das várias possibilidades de oração do cristão, e Nossa Senhora tem insistido conosco sobre a importância dele. O problema é que não compreendemos seu valor; achamos que o rosário é uma simples repetição de Pai-Nosso e Ave-Maria, meditando os mistérios. Na realidade, quem torna eficaz essa forma de oração não somos nós, mas Deus. Como acontece na Eucaristia, antes é simples pão feito com um pouco de farinha e água, mas, após a consagração, pela eficácia do poder do Espírito, torna-se Jesus vivo no meio de nós.


A eficácia do rosário não vem dos homens, mas do Céu.

A recitação do rosário vem do ano 1200, quando Nossa Senhora revelou a São Domingos a eficácia dessa oração. Havia, na época, hereges que faziam mal à Igreja sem que ninguém conseguisse detê-los. São Domingos, então, ia, de cidade em cidade, rezando o rosário com as pessoas; a partir disso a situação começou a mudar. Como resultado, os hereges começaram a se converter.

"Una-se a Maria e reze, principalmente o terço", recomenda monsenhor Jonas


Podemos nos lembrar o que a Santíssima Virgem Maria falou em Lourdes, Fátima, e o que tem falado em Medjugorje. Até quando ela vai ter de insistir conosco para que compreendamos o valor dessa oração?

A vitória é para os atletas. Os moles não vão conseguir nada. Para você ter fôlego na oração, reze o rosário. Se não conseguir logo de início, não se preocupe! Comece com o terço e, em pouco tempo, estará rezando dois terços. Logo, o rosário. Por amor de Deus, por amor de você e por amor dos seus, reze o rosário todos os dias!

Una-se a Maria e reze, principalmente, o terço. Ao contrário do que, às vezes, se pensa, não é uma oração ingênua, mas de poder. Nós precisamos rezar mais e melhor. Em Medjugorje, os jovens videntes perguntaram a Nossa Senhora como fariam para "rezar melhor", uma vez que ela recomendava sempre a eles que “rezassem com o coração”. A Virgem Maria respondeu como Mãe: “Rezem mais!”.

É assim: se você começa a caminhar – e muitas pessoas fazem caminhada de manhã cedo, à tarde ou à noite depois que voltam do trabalho, porque não têm outra hora –, quanto mais caminha, mais vai melhorando na caminhada. Por outro lado, quanto menos você caminha, mais mole fica. Seus músculos vão ficando mais flácidos, você se cansa mais facilmente, fica sem fôlego. Da mesma forma, quanto mais você corre, melhor fica na corrida. Quanto mais você reza, melhor fica na oração. Para rezar melhor é preciso rezar mais.

A Santíssima Virgem deu uma receita excelente para todos nós. Além das orações que fazemos, é preciso rezar o rosário todos os dias.

Sei que você já tem rezado, porém precisa rezar mais, para rezar melhor. Como um atleta que intensifica seu treinamento quando se aproximam as competições, agora é a hora de intensificarmos nossas orações. Como família, estejamos unidos também por meio desta oração. Nós, da Família Canção Nova, estamos unidos também pela oração do Santo Rosário. Temos diversas necessidades e podemos apresentá-las a Deus por meio do Santo Rosário. Vamos lá, terço na mão e fé no coração. É assim que iniciamos a oração todos os dias na nossa programação. Eu rezo por você e conto com a sua oração.

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

08/12/2011

Reaja e confie no poder de Deus

O Senhor está fazendo uma promessa. É a certeza d'Ele em nossos corações: “Teus mortos, porém, reviverão! Seus cadáveres vão se levantar!” (Is 26,19a).

Por isso nos dá uma ordem: “Acordai para cantar, vós que dormis debaixo da terra! Pois teu orvalho é orvalho de luz e a terra restituirá à luz seus mortos”
(Is 26,19b).


Mesmo que as coisas estejam ruins em nossas vidas, em nossa família, na comunidade ou até mesmo se já sofremos muito, com diversas decepções, sem esperança. Deus quer plantar em nosso coração a semente da ressurreição. Podemos reagir e confiar no poder do Senhor. Ore com fé:

Obrigado, Senhor, pela certeza que inspiras em meu coração. Por mim, estaria desanimado e sem esperança. Mas o Senhor inspira agora essa certeza em meu coração. Eu a acolho e quero que ela seja semente dentro de mim. Não quero mais me deixar guiar pelos meus sentimentos, mas sim, pela certeza da ressurreição que o Senhor põe em mim.

Deus o abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova


(Trecho do livro "O Espírito sopra onde quer" de monsenhor Jonas Abib)

07/12/2011

Por que não consigo vencer o mal?


Porque quem vence o mal é Deus!

Faz trágico caminho faz a pessoa que, por displicência ou má formação cristã e humana, determina-se a vencer o mal com as próprias forças, valendo-se de uma ideia equivocada de que está pronta para tal feito. Com certeza, encontrar-se-á em grande perigos e aflições na alma!
Bem ao contrário, encontra a vitória a pessoa que vai aprendendo que é preciso dedicar tempo e luta para adquirir o interior cheio de Deus e encontrar uma forma de manter-se assim.
Quem um exemplo? São Afonso de Ligório afirma que dificilmente o demônio consegue perturbar a alma de quem é humilde.
Portanto, nossa luta não pode ser contra o mal, se o desejarmos longe de nós. Nossa maior batalha trava-se nos descuidos da alma que não quer oferecer tempo e esforços para encher-se de Deus!

Coragem! Também estou aprendendo a lutar assim!

Ricardo Sá
Comunidade Canção Nova


06/12/2011

Perdão, coisa de gente inteligente

O portador do ódio é sempre o mais prejudicado

Uma de nossas reações mais comuns diante do sofrimento é a busca de justificativas e de culpados para tais situações. Não é fácil lidar com a dor, mais difícil ainda é enfrentar perdas e injustiças. Qual o pai que, ao perder seu filho em um assassinato, não ficará revoltado? A dor humana é compreensível e não pode ser pormenorizada, porém, precisamos aprender a trabalhá-la em nós.

Diante da injustiça, a mágoa e a revolta são consequências reais, contudo, a história nos revela que tais realidades são apenas consequências da dor e não um remédio para ela.

A violência sempre gerará mais violência, desencadeando assim um gradativo processo de disseminação do ódio, o qual, por sua vez, nunca encontrará o seu fim.

Mas como finalizar esses processos inaugurados pelo ódio? Para a violência se ausentar faz-se necessário a consciência de que um dos lados precisará ceder, perdoando.

Somos muito orgulhosos, em consequência do pecado original enraizado em nós e, por vezes, contemplamos as situações somente a partir do ângulo de nossas próprias razões. Nunca queremos dar o “braço a torcer” e queremos sempre ter a razão nas situações. E, muitas vezes, até a [razão] possuímos mesmo, contudo, “amar significa perder para ganhar” e perdoar é abrir mão da própria razão por uma realidade mais nobre.

Por mais injustiça que tenhamos experienciado, a atitude mais racional diante dessa realidade é o perdão. Por quê? Porque a mágoa nos torna pequenos e empobrecidos demais, além de ser a raiz de inúmeras enfermidades (segundo muitas comprovações científicas). O portador do ódio é sempre o mais prejudicado. Quando estamos magoados pensamos na pessoa que nos causou a dor durante as 24 horas do dia e acabamos por “aprisioná-la” dentro de nós.

Aquele que alimenta o ódio enxerga apenas a si mesmo e o seu sofrimento, fragmentando assim a própria existência e deixando de lado outras realidades essenciais. Quem vive magoado não tem qualidade de vida, não tem paz…

Perdoar é extinguir a trama de angústias que o ódio produz em nós, é libertar-se para descobrir a beleza até mesmo na desventura.


Sei que, em determinadas situações, o perdão não é coisa fácil, porém, perdoar é uma questão de decisão e não de sentimento. A graça de Deus não nos desampara, ela está sempre pronta a auxiliar aqueles que desejam verdadeiramente viver a reconciliação.

Não percamos mais tempo: libertemo-nos de toda mágoa! Existe muita vida para se viver e ainda muita alegria/realização para se conquistar.

Coragem!

Padre Adriano Zandoná
Comunidade Canção Nova

05/12/2011

O coração e o peso de suas contradições


Quem concorda com tudo perde a força para decidir

Muitas vezes, é difícil compreender o coração e o que, de fato, ele deseja. O coração, como bem dizia o filósofo Blaise Pascal: “Tem razões que a própria razão desconhece”. Ele é uma conexão entre silêncios e mistérios.

Por coração, compreendemos aqui o centro de nossa vontade, emoções e percepções. Esse é verdadeiramente um território onde existem muitas riquezas a serem descobertas e muitas incertezas a serem desveladas.

Por vezes, quando olhamos para nossa vida e história, torna-se difícil entender o “porquê” de muitas das nossas atitudes e escolhas. A vontade humana é um campo minado, no qual a inconstância e a fraqueza fazem questão de constantemente se hospedar, assim deixando rastros de confusão.

O que hoje se deseja ardentemente se pode não mais apreciar no amanhã. A vontade é, muitas vezes, uma sede de inconstância e contradição. Contudo, ela precisa ser trabalhada e modelada à luz da “Graça”, para que venha a se transformar em uma vontade constante no bem e inteira no que decide.

O coração, que se torna palco de inconstâncias, corre o sério risco de se tornar um lugar no qual a felicidade não consegue morar, pois, ele ficará ausentado da possibilidade de saciar sua natural sede de alegrias não transitórias.

Existem contradições próprias de nosso caminho de crescimento rumo à maturidade, outras, porém, são o resultado de uma vontade fraca e confusa que se acostumou a não decidir com firmeza pelo melhor. Essa, porventura, acarretará sobre si o peso das contradições por ela fabricadas.

A vontade precisa ser educada e direcionada para a constância no bem. Isso se chama virtude – realidade que precisa ser cultivada e conquistada -, pois não acontece apenas como um dom natural. Para adquiri-la é necessário nosso empenho e esforço.



Vontade fraca é aquela que não sabe ser constante no que escolhe, e mais: é aquela que não sabe decidir, mas apenas concordar. Quem concorda com tudo o que lhe é imposto pela cultura, pela mídia, pelos vícios, sem se posicionar diante de nada, perde a força para decidir e acaba por não ser livre. Por outro lado, adquire virtude aquele que tem disposição para perseverar nas boas escolhas, persistindo sempre no bem, mesmo quando suas fraquezas e más inclinações exigirem o contrário.

Em um mundo marcado pelo transitório e pelo descartável, somos convidados para decidir pelo bem, com constância, nas grandes e pequenas ocasiões apresentadas pela vida. Dessa forma, vamos eliminando as contradições que não são inerentes ao nosso crescimento como pessoa.

O homem “é o que escolhe”. Por isso, faz-se necessário mergulhar no mistério de nossas contradições, acolhendo com humildade o silêncio do que ainda não somos capazes de compreender, direcionando com nossa liberdade nossas escolhas, rumo à construção de um bem permanente e amadurecido no cotidiano.

Padre Adriano Zandoná
Comunidade Canção Nova

02/12/2011

Cristianismo

"Uma religião da Palavra de Deus, não do livro", diz biblista

Mirticeli Medeiros
Da Redação Canção Nova


Na exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini, o Papa Bento XVI salienta que “o cristianismo não é a religião do livro”

“O cristianismo não é a religião do livro”, afirma Bento XVI na exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini, publicada em 30 de setembro de 2010, dia de São Jerônimo. O que o Santo Padre quis dizer com uma frase tão forte e ao mesmo tempo tão desafiadora?

O biblista italiano que participou do Sínodo dos bispos sobre a Palavra de Deus em 2008, padre Giorgio Zevini, responde a este questionamento detalhando o que o Santo Padre considera a essência da relação entre Igreja e Sagrada Escritura.

“O cristianismo é a religião da Palavra de Deus, e não do livro, não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivente. No início do cristianismo não existia uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá vida e horizonte e, com isto, a direção decisiva”, explicou.

“Ler além do que está escrito”

A difusão de uma doutrina fundamentalista que diz basear-se na Sagrada Escritura sempre preocupou a Igreja Católica. O Papa Bento XVI durante o discurso proferido aos luteranos, na sua ultima viagem apostólica internacional à Alemanha chegou a afirmar: “Trata-se de um cristianismo de escassa densidade institucional, com pouca bagagem racional, sendo ainda menor a bagagem dogmática, e também com pouca estabilidade”. (Discurso de Bento XVI aos membros da Igreja Evangélica Alemã, 23 de setembro de 2011). O biblista também fez referências ao que o Pontífice considera uma verdadeira hermenêutica da fé, ou seja, a interpretação da fé.

“O papa, falando da interpretação da Sagrada escritura insistiu muito sobre a exegese teológica, que valoriza não somente o sentido literal do texto, mas também o sentido espiritual, através do Espírito Santo, o verdadeiro exegeta das Sagradas Escrituras. È decisivo colher a passagem entre letra e espírito, sublinhando uma unidade interna de toda a Escritura, para uma correta hermenêutica da fé”, salientou.

Anunciar a Palavra: missão de todos

A missão da Igreja Católica é anunciar a Palavra de Deus. Não existe um “grupo restrito de anunciadores”, mas aquilo que é tarefa dos bispos, padres e diáconos é também tarefa de cada cristão. Padre Zevini fala como na terceira parte do documento chamado de Verbum Ecclesia, o Pontífice traz orientações precisas sobre a evangelização.

“A palavra de Deus envolve todos os cristãos: todos somos servos e anunciadores da Palavra. Não somos só destinatários da revelação divina, mas também portadores aos outros da Palavra de Salvação, já que esta é para todos. Naturalmente isto exige que nos deixemos envolver pessoalmente pela Palavra de Deus, conhecendo-a e fazendo-a germinar dentro de nós sob a direção do Espirito Santo”, disse.