15/11/2011

A orientação sexual na adolescência

Ensinemos aos jovens o autocontrole de suas paixões

A orientação sexual na adolescência ganha cada vez mais importância. Mais do que transmitir que sexo por sexo é fuga e sexo com consciência é amor, discutir as formas de relacionamento entre adolescentes é também uma das grandes preocupações da sociedade. Causa estranheza observar o descaso e o desrespeito com que o assunto ainda é tratado. Nem é preciso ser um especialista para perceber a discrepância das atitudes.

A sociedade vem se preocupando em proporcionar segurança e liberdade sexual para os adolescentes, mas não consegue orientar adequadamente os representantes do futuro da nação sobre o assunto. Isso sem contar a forma com que o tema é tratado na mídia, principalmente em novelas, filmes nacionais e em programas de auditório. Sem contar que, associada à distribuição gratuita dos preservativos e da abortiva “pílula do dia seguinte”, a liberdade de atos sexuais entre adolescentes torna-se cada vez mais normal, como um incentivo à promiscuidade.

O ser humano não deve ser considerado apenas como um corpo. Sua alma necessita de afago. A simples promoção de sexo acintoso, sem responsabilidade e sem compromisso, também incita consequências trágicas como milhões de meninas gerando filhos, sendo violentadas, prostituindo-se à beira das estradas, crianças abandonadas por pais e mães despreparados para formar uma família e postadas em faróis à procura do sustento de cada dia. É claro, quem planta vento colhe tempestades.

A moral e a ética exigem que ensinemos aos jovens o autocontrole de suas paixões intensas. Que devem vencer a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis com atos responsáveis e não pelo uso da camisinha. João Paulo II assim se expressou sobre a camisinha: Além de o uso de preservativos não ser 100% seguro, liberar o seu uso convida a um comportamento sexual incompatível com a dignidade humana […]. O uso da chamada camisinha acaba estimulando, queiramos ou não, uma prática desenfreada do sexo […]. O preservativo oferece uma falsa ideia de segurança e não preserva o fundamental”.

Devemos incentivar a formação de famílias com conceitos, raízes e sentimentos puros e morais. Conservadora ou não, a família é o sustento do espírito e a fonte de conforto nos anseios individuais.

A sociedade, de maneira geral, deve ter mais cuidado com o que simplesmente “controla a transmissão de doenças e evita filhos indesejados”. Ela deve transmitir princípios e valores por intermédio da orientação, em busca do resgate das origens e do respeito à moral e à ética.

A satisfação do sexo não está restrita ao corpo, ela deve estar atrelada ao coração, espírito e mente.

14/11/2011

Um olhar simples sobre todas as coisas

Traumatizantes são as reações que temos diante dos acontecimentos

Nós falamos várias vezes sobre o olhar de Deus, Ele tem o olhar que nos cura. Muitas vezes, olhamos para a Hóstia Consagrada, mas é importante nos darmos conta de que o que nos cura é o olhar que o Senhor tem para nós.

Mas, neste texto, quero falar sobre o nosso olhar, existe o olhar de Deus sobre nós, mas se nós somos curados pelo olhar do Senhor, essa cura proporciona a nós um olhar curado, uma forma nova de olhar o mundo.

Ninguém traz uma lâmpada para colocá-la num lugar escondido ou debaixo de uma vasilha; coloca-a no suporte, a fim de que os que entram vejam a claridade. A lâmpada que ilumina o corpo é o olho (cf. Lc 11,33-34a). São Lucas era médico, mas também era pintor, fez diversos ícones da Virgem Maria, como nos ensina a Sagrada Tradição. Jesus diz que a lâmpada que ilumina o corpo é o olho, todos sabemos que o olho não tem luz própria, mas aqui Ele não fala sobre a biologia do nosso corpo, Ele revela o segredo da alma, existe uma forma de enxergar o mundo que nos ilumina e uma forma que nos leva às trevas, Ele fala da visão espiritual.

"Se teu olho for simples, ficarás todo cheio de luz; mas se teu olho for ruim, ficarás todo em trevas!35. Examina, pois, se a luz em ti não são trevas!36.Se então teu corpo estiver todo cheio de luz, sem traço algum de escuridão, ficarás totalmente iluminado, como acontece quando a lâmpada te ilumina com seu clarão" (Lc 11,34b-36). Ele fala de uma iluminação interior. O olho seria a janela da alma, essa abertura pela qual a luz entra no nosso interior, na nossa alma. Nós precisamos ter um olhar diferente sobre o mundo, isso faz a diferença.

Nenhum acontecimento na sua vida o traumatiza, o que traumatiza é a reação que você teve diante do acontecimento. Nós somos livres para reagir diante da vida. O que muda é nossa reação, não é o que você viveu, mas como você reagiu no que viveu. A diferença está no olhar de como você olha diante das realidades, diante do mundo. Sofrimento todo o mundo tem, mas como você reage diante da cruz da vida?

A maturidade humana se mede diante da capacidade que a pessoa tem de experimentar o sofrimento e transformá-lo numa coisa positiva. Existem dois tipos de adulto, aquele que sofre e se torna algo destruidor, transformando em coisas que fazem mal a ele (depressão), e aquele que sofre e é capaz de transformar aquilo em cruz que o leva à ressurreição. Ou você abraça sua cruz e corre para ressurreição ou você foge dela e morre esmagado por ela.

O olho é a lâmpada do corpo. “Se teu olho for simples, ficarás todo cheio de luz”. Simples é ser sem dobras. Uma coisa complicada é uma coisa que foi dobrada, que não consegue se ver facilmente. Simples é uma coisa aberta, as coisas de Deus são simples, nós que somos complicados; o Altíssimo quer que tenhamos um olhar simples sobre as coisas. Eu quero ajudá-lo a ter um olhar simples sobre as coisas.

O que nos faz ter um olhar complicado diante das coisas é ficarmos olhando para nós mesmos; atitude do egoísmo. Vamos olhar o mundo com a simplicidade de Deus. Ele nos colocou neste mundo para preparar o céu, mas nos esquecemos disso e complicamos tudo. Esquecemo-nos dessa realidade e ficamos perdidos em nossa vida. Esta vida é muito simples. Jesus disse para Marta: “Marta, tu te inquietas e te agitas por muitas coisas, uma só coisa é necessária”, ou seja, prepararmos a nossa vida para Deus.

Eu sou padre para preparar o meu céu e ajudá-los a chegarem ao céu. Olhe para sua vida de uma maneira muito simples, de quem está preparando o seu céu. Minha vida seria muito complicada se eu, como sacerdote, estivesse preocupado com minha carreira, em ser bispo, ser famoso. Não adiantaria nada conseguir tudo isso e perder o meu céu. A simplicidade é preparar o meu céu.

Da mesma forma, para você que vai se casar: a felicidade existe, mas não será seu (a) esposo (a) que lhe dará a felicidade. Sua felicidade está em preparar o céu. Seu (a) companheiro (a) é alguém que o ajuda a ir para o céu. Jesus nunca prometeu felicidade a ninguém nesta terra. Mas no céu você terá a felicidade. Quem promete felicidade aqui é o diabo e ele sempre dá o inferno.

Esta vida é bonita, é boa, tem alegria, sim, para nos dar, mas a felicidade é sempre marcada por uma tristeza, o prazer é sempre empanado por uma dor, a vida é assim. Não há nada errado com sua vida, aqui existem coisas boas e bonitas, mas aqui é só um "tira-gosto", o "banquete" será no céu. Aqui nunca haverá felicidade completa; eu sou profundamente feliz por saber que isso aqui não é tudo. A vida é bonita, mas se ela for tudo ela se torna uma má notícia. O "tira-gosto" é bom, mas ele pesa no estômago. A vida é bela, mas queremos muito mais.

Jesus olhava para esta vida, dando a vida, nós precisamos dar a vida, amar. O que complica nesta vida é não enxergarmos o amor de Deus. Se você ama os outros, Deus o amou primeiro. O olhar complicado é da pessoa que não abre o olho para ver o amor de Deus em primeiro lugar. Muitos acham que amam primeiro e, então, se cansam de amar e querem somente ser amados. Isso é um olhar complicado. Abra o olho e enxergue que Deus o amou primeiro! Você responde ao amor de Deus amando as outras pessoas. Você já é amado. Se seu olhar for simples, você enxergará que já foi amado. Uma pessoa que não se sente amada é como um homem que possui trilhões em dinheiro no banco e fica na rua mendigado.

Se seu olhar é complicado a sua vida se tornará trevas e, dessa forma, viverá sem a luz que vem de Deus. Nós como cristãos podemos pedir a Deus um novo olhar, um olhar simples, para enxergarmos as coisas sem que elas nos destruam, sem que elas afetem o amor do Senhor em nossa vida. Jesus também sofreu, chorou, viveu a cruz. Não estou aqui propondo a "mágica da Poliana", que é uma menina da literatura que descobriu que sofreria menos se visse o lado positivo de todas as coisas; não é isso que estou propondo. O pecado continua sendo terrível, satanás continuará nos tentando para perdemos a vida eterna, mas faz parte do nosso arsenal de guerra ter um olhar simples.
Estou aqui para preparar o meu céu e a única forma de conseguir isso é amando os outros. Dizer que crer no céu atrapalha o amor é não entender nada de céu. Nós queremos a Páscoa do céu, mas não existe ressurreição se nós não abraçarmos a cruz. Examine como você está olhando a vida, se está olhando o "tira-gosto" como se fosse um "banquete", querendo da vida aquilo que ela não pode lhe dar. Se você mantém o foco no amor de Deus tudo muda.

Eu não sei o que será de mim amanhã, a vida muda tanto. Quando fui ordenado sacerdote nunca pensei que faria programa na TV, que teria um site na internet, eu pensava no meu sacerdócio de uma forma totalmente diferente. Pense se eu ficasse apegado aos sonhos de 19 anos atrás. Deus lhe dá circunstâncias diferentes.

As pombas são simples, pois elas voam reto, e sabem aonde vão chegar. Precisamos ter a simplicidade da pomba, mas a prudência da serpente, ela caminha de forma sinuosa e dribla os obstáculos. Tenha jogo de cintura, saiba refazer os seus planos em cima das cinzas de seus planos antigos. Deus preparou um lugar para mim no céu e lá há felicidade. Enquanto isso a felicidade daqui é sempre manchada por um pouco de tristeza, por isso precisamos viver a simplicidade da pomba e a prudência da serpente.

Padre Paulo Ricardo

11/11/2011

Entre pessoas e povos, perdoar sempre

A melhor forma de vencer o mal é justamente valorizar o bem

O coração de Deus é apaixonado pelo ser humano, criado por Ele à Sua imagem e semelhança. O Todo-poderoso não nos ama porque sejamos amáveis, mas para que sejamos bons. Seu amor é gratuito. Esta paixão de amor se manifesta de modo único na misericórdia, com a qual as feridas são sanadas e todos podem erguer-se do chão pisado dos próprios pecados. O Senhor põe num prato da balança nossas falhas e no outro a obra de Suas mãos, para dizer, continuamente, que somos mais importantes do que todos os limites. Acreditar no Pai misericordioso!

Trata-se de uma história de salvação a que Deus constrói conosco, infinitas vezes renovada quando d'Ele nos aproximamos. Desde o princípio, os apóstolos de Jesus e Seus discípulos de todos os tempos tiveram que entrar nessa aventura da misericórdia. Em nome dos outros, coube a Pedro perguntar a Cristo sobre a “contabilidade” da misericórdia (Cf. Mt 18, 21-35). O perdão recebido de Deus há de ser repartido setenta vezes sete vezes! É para trazer os critérios do céu à terra. Como Deus nos deu o precioso dom da liberdade, assenta-se conosco à mesa da vida para barganhar! Doa uma misericórdia infinita, mas exige a contrapartida. Quer uma opção consciente pelo perdão e pela misericórdia, de cuja presença o mundo tem sede e fome. Escolher o caminho do perdão!

A prática se inicia em casa, estende-se ao trabalho e à convivência comunitária e social. Dar o perdão e pedir perdão é um bom começo. Quem espera o esquecimento para dizer que perdoou as faltas alheias não entendeu a misericórdia. Merecimento tem quem acolhe a outra pessoa mesmo lembrando as ofensas! E esta é uma verdadeira ginástica, que pede muitas vezes esforço hercúleo, de homens e mulheres fortalecidos pelo Espírito Santo, dispostos a acolher este dom vindo do alto. Dar o primeiro passo!

“O rancor e a raiva são coisas detestáveis; até o pecador procura dominá-las...Há pessoas que se exercitam no autocontrole dos impulsos naturais da raiva. Não se trata apenas de “contar até dez”, mas olhar as pessoas e os acontecimentos com os critérios de Deus, descobrindo que em todos existe uma marca de bondade, maior do que o mal que assola. Abrir-se para a cura que Deus quer realizar!

Temos à disposição, pela bondade de Deus, o sacramento da reconciliação ou penitência, a confissão. Quem não o procura desperdiça a oportunidade única da graça. E sabemos que de um modo ou de outro as pessoas acabam falando de seus problemas. Mas é só nesse sacramento que se pode ouvir a sentença da misericórdia: “Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Celebrar a misericórdia no sacramento!

A melhor forma de vencer o mal é justamente valorizar o bem existente em nossos ambientes. Do fundo do mar em que o homem bíblico via uma imagem do mal, emerge como ponta de um iceberg a força da marca criadora de Deus, que fez a todos para a realização e a felicidade. O bem é maior do que o mal!

Muitos terão condições de intervir nas estruturas da sociedade, para mediar os conflitos entre pessoas e grupos, exercendo um papel de inestimável valor. É o perdão em processo! Entre pessoas e povos, perdoar sempre!

10/11/2011

Porque a Cruz é o sinal do cristão?

Algumas pessoas não católicas dizem que a cruz é um símbolo pagão ou que é um símbolo de morte e que não deve ser usada e em alguns paises foi proibida nos lugares públicos, aqui no Brasil pode ser também. Mas esta afirmação não está de acordo com o que a Igreja Católica sempre viveu e ensinou desde os seus primórdios e também não concorda com os textos bíblicos, que louvam e exaltam a Cruz de Cristo, ou pior, dizem sem conhecimento que nós idolatramos a santa cruz. Celebrar a Exaltação da Santa Cruz é celebrar a Páscoa, a vida e a salvação que Jesus Cristo conquistou por este instrumento de suplicio da época, que hoje para nós cristãos é símbolo de vitória e salvação. Senão vejamos:

Mt 10, 38 – Jesus disse: “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim”.

Mt 16, 24 – “Em seguida, Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”.

Lc 14, 27 “E quem não carrega a sua cruz e me segue, não pode ser meu discípulo”.

Gl 2, 19 – “Na realidade, pela fé eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à cruz de Cristo”.

Gl 6, 12.14 – “Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”.

1Cor 1,18: “A linguagem da Cruz… para aqueles que se salvam, para nós, é poder de Deus”.

1Cor 1, 17: “… anunciar o Evangelho, sem recorrer à sabedoria da linguagem, a fim de que não se torne inútil a Cruz de Cristo”.

Quando o imperador Constantino o Grande, enfrentou seu rival Maxêncio sobre a ponte Milvia, próximo do ano 300, viu nos céus uma cruz luminosa acompanhada dos dizeres: “In hoc signo vinces!” (Por este sinal vencerás). Constantino, então, colocou a sua pessoa e o seu exército sob a proteção do sinal da cruz e venceu Maxêncio, tornando-se imperador supremo de Roma, proibindo em seguida a perseguição aos cristãos pelo Edito de Milão, em 313.

O símbolo resultante da sobreposição das letras gregas X e P, iniciais de Cristo em grego, lembrava Cristo e a Cruz e foi representado no estandarte de Constantino. No fim do século IV, tomou a forma que lembrava a Cruz.

Após a conversão de Constantino († 337) a cruz deixou de ser usada para o suplício dos condenados e tornou-se o símbolo da vitória de Cristo e o sinal dos cristãos, como mostram de muitas maneiras a arte, a Liturgia, a piedade particular e a literatura cristã. A cruz tornou-se, então, sinal da Paixão vitoriosa do Senhor. Conscientes deste seu valor, os cristãos ornamentavam a cruz com palmas e pedras preciosas.

Os Padres da Igreja como Tertuliano de Cartago e Hipólito de Roma, já nos séculos II e III, afirmavam que os cristãos se benziam com o sinal da Cruz. Os mártires tomavam a cruz antes de enfrentar a morte e os santos não se separavam da cruz. As Atas dos Mártires mostra isso.

No entanto, muito antes de Constantino, Tertuliano (†202) já escrevera: “Quando nos pomos a caminhar, quando saímos e entramos, quando nos vestimos, quando nos lavamos, quando iniciamos as refeições, quando nos vamos deitar, quando nos sentamos, nessas ocasiões e em todas as nossas demais atividades persignamo-nos a testa o sinal da Cruz” (De corona militis 30). *

S. Hipólito de Roma († 235), descrevendo as práticas dos cristãos do século III, escreveu: “Marcai com respeito as vossas cabeças com o sinal da Cruz. Este sinal da Paixão opõe-se ao diabo e protege contra o diabo, se é feito com fé, não por ostentação, mas em virtude da convicção de que é um escudo protetor. É um sinal como outrora foi o Cordeiro verdadeiro; ao fazer o sinal da Cruz na fronte e sobre os olhos, rechaçamos aquele que nos espreita para nos condenar” (Tradição dos Apóstolos 42). *

No Novo Testamento a Cruz é símbolo da virtude da penitência, domínio das paixões desregradas e do sofrer por amor de Cristo e da Igreja pelas salvação do mundo. Seria preciso apagar muitos versículos do Novo Testamento para dizer que a Cruz é um símbolo introduzido no século IV na vida dos cristãos. O sinal da Cruz é o sinal dos cristãos ou o sinal do Deus vivo, de que fala Ap 7, 2, fazendo eco a Ez 9,4: “Um anjo gritou em alta voz aos quatro Anjos que haviam sido encarregados de fazer mal à terra e ao mar: “Não danifiqueis a terra, o mar e as árvores, até que tenhamos marcado a fronte dos servos do nosso Deus”.

São Clemente de Alexandria, no século III, chamava a letra T (tau), símbolo da cruz, de “figura do sinal do Senhor” (Stromateis VI 11). *

Por tudo isso, a vivência e a iconografia dos cristãos, desde o século I, deram à cruz sagrada um lugar especial entre as expressões da fé cristã. Daí podemos ver que é totalmente errônea a teoria de que a Cruz é um símbolo pagão introduzido por influência do paganismo na Igreja e destinado a ser eliminado do uso dos cristãos. Rejeitar a Cruz de Cristo é o mesmo que rejeitar o símbolo da Redenção e da esperança dos cristãos.

Oração: A cruz sagrada seja minha luz, não seja o dragão o meu guia retira-te satanás nunca me aconselhes coisas vãs, bebes tu mesmo o teu veneno. Amém.

Fonte: Blog do Padre Luizinho - Canção Nova

09/11/2011

Tome posse da unção de Jesus sobre você

Quando a Bíblia diz: “Oráculo do Senhor”, quer dizer “Palavra do Senhor”. A Palavra de Deus não é palavra de homem. É como se Deus dissesse: “Eu estou aqui arriscando minha própria palavra, minha própria reputação”.

Deus Pai está empenhando a Sua veracidade nisso, e então “dias virão – oráculo do Senhor – em que firmarei uma nova aliança com as casas de Israel e de Judá” (Jr 31,31). Trata-se de uma nova aliança. Qual é o essencial dessa aliança? O Senhor diz que ela será diferente da que concluiu com os pais. Então, o acesso à sabedoria é a característica da nova aliança. Uma das características dos tempos messiânicos é a posse dessa virtude [sabedoria].

Deus fez uma primeira aliança com Seu povo e faz agora uma nova aliança, a aliança dos tempos do Messias, dos tempos em que Jesus derramou o Seu Espírito sobre nós. Messias quer dizer “ungido” e nós estamos nos tempos em que o Ungido derramou a Sua unção sobre nós.

Jesus é o ungido por excelência, porque o Pai fez com que tivéssemos acesso ao Corpo de Cristo e fôssemos um com o Ressuscitado, um mesmo corpo com Ele. Ele é a cabeça, nós, os membros. A unção que está em Jesus, Ele a derramou sobre nós. Imaginem o óleo derramado sobre a cabeça de Jesus em Sua unção, e este óleo escorrendo sobre os seus cabelos, escorrendo pela sua barba e se derramando sobre o restante do corpo: as costas, os braços, os membros, todos vão recebendo a unção, o derramamento do óleo do Espírito de Jesus.

O que eu digo em imagens é uma realidade, é o maravilhoso tempo de graças em que estamos, em que participamos da própria unção de Jesus. Participamos da mesma unção de Cristo: é o óleo do Espírito derramado sobre o Senhor que se derrama sobre nós.

Deus o abençoe!
Monsenhor Jonas Abib Fundador da Comunidade Canção Nova

(Trecho do livro "A sabedoria está no ar" de monsenhor Jonas Abib)

08/11/2011

O que são livros apócrifos?

Sem a autoridade da Igreja eles não podem ser interpretados.

São aqueles livros que foram escritos pelo povo de Deus, mas que não foram considerados pelo Magistério da Igreja como revelados pelo Espírito Santo, portanto, não são canônicos, isto é, não fazem parte do cânon (índice) da Bíblia. As razões que levaram a Igreja a não considerá-los como Palavra de Deus é que muitos são fantasiosos sobre a Pessoa de Jesus e sobre outros personagens bíblicos. Além disso, muitos destes possuem até heresias como o gnosticismo. No entanto, neles há algumas verdades históricas e isso faz a Igreja considerá-los importantes nos estudos. Há livros apócrifos referentes ao Novo e ao Antigo Testamento. Alguns deles são os seguintes:

A. Referentes ao Antigo Testamento

Jubileus; A Vida de Adão e Eva; 1 Henoque; 2 Henoque; Apocalipse de Abraão; Testamento de Abraão; Testamento de Isaac; Testamento de Jacó; Escada de Jacó; José e Asenet; Testamento dos Doze Patriarcas; Assunção de Moisés; Testamento de Jó; Salmos de Salomão; Odes de Salomão; Testamento de Salomão; Apocalipse de Elias; Ascensão de Isaías; Paralipômenos de Jeremias; Apocalípse Siríaco de Baruc; Apocalipse de Sofonias; Apocalipse de Esdras; Apocalipse de Sedrac; 3 Esdras; 4 Esdras; Sibilinos; Pseudo-Filon; 3 Macabeus; 4 Macabeus; Salmos 151-155; Oração de Manassés; Carta de Aristeu; As Dezoito Bênçãos; Ahigar; Vida dos Profetas; Recabitas;

B. Referentes ao Novo Testamento

Evangelhos
Evangelho segundo os Hebreus (gnóstico) – fim do século I.
Proto - Evangelho de Tiago (História do nascimento de Maria).
Evangelho do Pseudo Tomé.
Evangelho de Pedro (docetismo) – meados do século II.
Evangelho de Nicodemos.
Evangelho dos Ebionitas ou dos Doze Apóstolos– meados do século II.
Evangelho segundo os Egípcios – meados do século II.
Evangelho de André – séculos II/III
Evangelho de Filipe – séculos II/III
Evangelho de Bartolomeu – séculos II/III
Evangelho de Barnabé – séculos II/III

Outros Assuntos

O drama de Pilatos
A morte e Assunção de Maria
A Paixão de Jesus
Descida de Jesus aos Infernos
Declaração de José de Arimatéia
História de José, o carpinteiro

Atos

Atos de Pedro; Atos de Paulo; Atos de André; Atos de João; Atos de Tomé; Atos de Felipe; Atos de Tadeu.

Epístolas

Epístolas de Barnabé
Terceira Epistola aos Coríntios – século II d.C.
Epístola aos Laodicenses – fim do século II d.C.
Carta dos Apóstolos – 180 d.C.
Correspondência entre Sêneca e São Paulo – século IV d.C.

Apocalípses

Apocalipse de Pedro – meados do século II
Apocalipse de Paulo – 380 d.C.
Sibila Cristã – século III

Isso mostra que a Igreja foi muito criteriosa na seleção dos livros que formariam a Bíblia, isto é, revelados, Palavra de Deus. Por Intermédio de sua Tradição, interpretada pelo Magistério, a Igreja nos deu a Bíblia como a temos hoje. Portanto, sem a autoridade dela [Igreja] a Sagrada Escritua não pode ser interpretada, pois não existiria a Bíblia, como a temos hoje, sem a Igreja.

Foto

Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

Prof. Felipe Aquino, casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Trocando Idéias". Saiba mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: www.cleofas.com.br

07/11/2011

Aceite o amor que a Virgem Maria tem por você

Você não foi feito para o mal, para o pecado: Deus o criou para o amor. Você não foi concebido para a bebida, os tóxicos, o jogo; para o roubo, para se aproveitar dos outros e, assim, ganhar mais; tampouco para a mentira, a hipocrisia, o ódio, o rancor; para a revolta consigo mesmo e com sua família... Não. Você foi criado para amar! Deus é amor e habita em seu coração e você, no fundo, percebe isso. Ao cometer um erro você se sente mal, mas não tem coragem de mudar a situação, pois o mundo o aliciou demais. O mundo apresentou o caramelado, e por causa desse caramelo, você vai à infelicidade.

A Santíssima Virgem Maria está dizendo: “Meu filho, minha filha, veja o que o pecado fez com você. Mas eu que sou Mãe, tomo-o no colo, como tomei o Corpo de meu Filho estraçalhado na cruz. Talvez você não tenha errado muito, mas é infeliz. Eu vejo a infelicidade em seu lar dividido porque seu marido é infiel, sua mulher é neurótica, seu pai é autoritário demais, e seu filho muito revoltado... Eu vejo seu coração de pai, de homem, despedaçado, vejo seu coração de mãe pequenininho, machucado, ferido e me condoo. Contemplo seu coração de jovem que não está feliz com a escola, o namoro, a família, e como lhe estraçalharam o corpo, a alma, o espírito. O mundo só lhe deu ódio, sexualidade, prazer; não lhe deu amor. Eu entrego todo meu amor de Mãe a você, tomando-o em meu colo e abraçando-o ternamente. Sinta isso agora. Eu me condoo com você e o acaricio para curar seu coração ferido. Você precisa muito da minha cura de Mãe. Não fique pensando muito em seus problemas, mas aceite meu amor”.

Responda agora a Maria: "Sim, mãezinha, eu aceito seu amor. Obrigado porque entendeu minha situação e me tomou no colo, envolvendo-me com ternura. Muito obrigado, Maria, minha Mãe, Mãe de Jesus, por seu amor curador".

E ela lhe diz: “Assim como fiz com o Corpo de meu Filho, quero prepará-lo agora para a ressurreição. As flores que foram pisadas, machucadas, jogadas ao chão não podem se refazer; criatura alguma pode levantá-las. Mas eu posso restaurá-lo, e estou aqui para fazer de você uma linda obra porque é esse o desejo de meu Filho. Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura; passou por aquilo que era velho e estragado, foi pisado e estraçalhado, e se faz novo. Meu Filho quer que eu faça essa obra com Ele e por Ele. Por essa razão, em primeiro lugar é preciso que você acredite no amor de Deus. Ele o ama com o amor mais terno, mais puro. O Altíssimo sabe tudo a respeito de você, inclusive dos pecados a que a vida o levou a cometer. Mas apesar de tudo isso Ele o ama. Justamente porque você ficou estraçalhado pela vida, Deus o ama com aquele amor que uma mãe tem por seu filho doente, acidentado, jogado em uma cama de hospital. E, como Mãe, estou agora tocando e curando seu coração para que você acredite e aceite o amor do Pai por você”.

Responda agora a Santíssima Virgem Maria, não deixe para depois: "Maria, minha Mãe, eu aceito a obra que está fazendo em mim. Muito obrigado. Eu creio: Deus me ama com tudo aquilo que eu tenho, com tudo aquilo que eu sou. Ele não olha para o meu mal, o meu pecado, mas para mim, e com muito carinho, ternura, misericórdia me ama. Muito obrigado, Maria".

(Trecho extraído do livro "Consolados por Maria" de monsenhor Jonas Abib)

04/11/2011

Transformação social

“Ninguém vem a mim se meu pai não o atrair”. Se você está aqui é porque o amor de Deus te atingiu e tirou todas as barreiras do seu caminho. O Pai providenciou tudo para você vir. Ele quer dizer algo ao seu coração. E você não sairá daqui sem a bênção própria do dia de hoje. A bênção que você necessita.

Talvez hoje seja um dia decisivo na sua história, Deus está aqui com seu poder total e o medicamento que Ele tem para nós, cura qualquer ferida. Todas as coisas que Deus quer fazer, curar traumas, feridas Ele quer agir usando nossas mãos. Entregue as suas mãos para que o Senhor possa utilizar delas para alcançar outras pessoas.

"Ao mesmo tempo que Deus nos cura, Ele se utiliza de nós para curar outras pessoas."
Foto: Maria Andrea/cancaonova.com

“Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, ele se assentará em seu trono glorioso. Todas as nações da terra serão reunidas diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos, à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! Pois eu estava com fome, e me destes de comer; estava com sede, e me destes de beber; eu era forasteiro, e me recebestes em casa; estava nu e me vestistes; doente, e cuidastes de mim; na prisão, e fostes visitar-me’. Então os justos lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede, e te demos de beber? Quando foi que te vimos como forasteiro, e te recebemos em casa, sem roupa, e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar? ’ Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade, vos digo: todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes! ’” (Mt 25,31-38)

Se você olhar para o Social da Canção Nova verá que o trabalho que é feito é exatamente o que está dizendo essa parábola. Essa Palavra tem a ver com nossa vida, pois quando morrermos e ressuscitarmos ouviremos exatamente isso “todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!”. E talvez nem nos lembraremos, e o Senhor nos recordará do bem que fizemos as pessoas.

Deus quer fazer em nós uma obra nova e quer se utilizar de nós para fazer obras novas em outras pessoas. Ao mesmo tempo que Ele nos cura, Ele se utiliza de nós para curar outras pessoas. Com a vinda do Espírito Santo, Deus revestiu os discípulos com poder, a ponto das pessoas serem libertas com a sombra de Paulo.

“Entre eles não havia quem passasse necessidade” Entre os primeiros cristãos era gerado um amor concreto. Os primeiros cristão oravam a ponto de Paulo e Silas serem libertados. Enquanto estavam presos eles não reclamaram, murmuram, eles louvaram, abençoaram a vida das pessoas, tiveram compaixão dos outros presos, e através do louvor aconteceu a manifestação do poder de Deus, todas as portas se abriram, não somente a deles, mas de todos que estavam ao seus lados. Se a libertação é verdadeira, aqueles que estão ao seu lado percebem esse acontecimento.

A oração e a ação, a fé e as obras são coisas naturais de um cristão autêntico, um resultado natural de um caminhada de oração. Essas duas realidades: prodígios e sinais, e “entre eles não havia quem passasse necessidade”são consequência de uma vida em Deus. Se isso não existe é porque há um incoerência na vida do cristão.

A oração e as obras não podem estar desconectadas, a medida que mais trabalhamos, mais devemos rezar. A nossa fé tem que perfumar todos os ambientes, se eu quero que meu país seja melhor, eu devo rezar mais por ele, preciso participar e abençoar. Nós precisamos fazer de que a nossa fé, nossa oração seja capaz de transformar as estruturas.


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Eros Biondini
Banda Nova Aliança. Belo Horizonte (MG)

03/11/2011

O processo de ressentimento

Não podemos mudar o passado

Ressentimento é o sentimento que surge em nós quando nossas expectativas são frustradas. Quando alguém (até mesmo Deus) faz algo diferente daquilo que esperavámos. Recebemos o fato como se fosse um insulto, uma ofensa, uma violência. É até natural sentir a quebra das expectativas, mas não podemos nos ressintir com ela. Ressintir é maturar o sentimento, e com isso abrimos espaço para a transformação da mágoa em ressentimento.

Todos nós somos limitados e emocionalmente imprevisíveis.

O ressentimento é sempre subjetivo. No princípio é mudo; depois, pela força da lamúria, ele se reproduz rapidamente. Como um vírus, ele se instala por meio da queixa. Quando nos sentimos agredidos, passamos a agredir. O ressentimento reclama sempre da mesma coisa, para as mesmas pessoas. Quanto mais conta, mais sente. O problema maior está na reação, e não no fato.

Assumimos o acontecimento em caráter muito pessoal. “Essa afronta foi pra mim”. Assumimos o acontecimento como uma afronta pessoal. Aluga-se o coração para a decepção. A pessoa ferida coloca-se no centro. Na vida nada tem esse caráter de exclusividade que o ressentimento tanto defende. As coisas acontecem para todos.

A grande maioria das ofensas que recebemos não foi direcionada para nós, ao menos intencionalmente. Em sua maior parte, as pessoas que nos ofenderam o fizeram por indelicadeza, descuido, sem querer. Ou porque também estavam machucadas e acabaram reagindo. O enfoque no caráter pessoal do sofrimento é o primeiro passo para o nascimento da mágoa. Guardamos a mágoa e começamos a incubá-la com o calor das queixas e lamúrias.

Nós nos assumimos com uma vítima – passamos a culpar os outros. É preciso culpar o autor da ofensa, pelo que ele fez, mas também acabamos por culpá-lo pelo modo como estamos nos sentindo. Devemos aprender a olhar para os problemas e para os acontecimentos como um treinamento que estamos recebendo da vida. É como o peso na musculação.

Normalmente a necessidade de culpar alguém, para não se responsabilizar pelos problemas, acaba sendo um passo fundamental para a transformação da mágoa em ressentimento. O triste é que, quando delegamos a causa dos problemas aos culpados que elegemos, estamos também delegando as soluções.

Embora não possamos mudar o passado, você é a única pessoa capaz de construir seu futuro. O que passei me faz melhor. A vida é bela. Podemos perdoar e tocar adiante nossa vida ou vivermos enfocados no passado. Tentar mudar o que não pode ser mudado reduntará em fracasso e causara esgotamento emocional.

(Texto extraído do livro: 'Gotas de cura interior')
Pe. Leo, SCJ

02/11/2011

O Dia de Finados: não se comemora a morte, mas a ressurreição




A COMEMORAÇÃO NA HISTÓRIA

Os primeiros vestígios de uma comemoração coletiva de todos os fiéis defuntos são encontrados em Sevilha (Espanha), no séc. VII, e em Fulda (Alemanha) no séc. IX.

O fundador da festa foi Santo Odilon, abade de Cluny, o qual a introduziu em todos os mosteiros de sua jurisdição, entre os anos 1000 e 1009. Na Itália em geral, a celebração já era encontrada no fim do séc. XII e, mais precisamente em Roma, no início do ano de 1300. Foi escolhido o dia 2 de novembro para ficar perto da comemoração de todos os santos.

Neste dia, a Igreja especialmente autoriza cada sacerdote a celebrar três Missas especiais pelos fiéis defuntos. Essa prática remonta ao ano de 1915, quando, durante a Primeira Guerra Mundial, o Papa Bento XV julgou oportuno estender a toda Igreja esse privilégio de que gozavam a Espanha, Portugal e a América Latina desde o séc. XVIII.

NA TRADIÇÃO DA IGREJA

Tertuliano (†220) – Bispo de Cartago - afirma: “A esposa roga pela alma de seu esposo e pede para ele refrigério, e que volte a reunir-se com ele na ressurreição; oferece sufrágio todos os dias aniversários de sua morte” (“De monogamia”, 10).

O prelado atesta o uso de sufrágios na liturgia oficial de Cartago, que era um dos principais centros do Cristianismo no século III: “Durante a morte e o sepultamento de um fiel, este fora beneficiado com a oração do sacerdote da Igreja” (“De anima” 51; PR, ibidem).

São Cipriano (†258), Bispo de Cartago, refere-se à oferta do Sacrifício Eucarístico em sufrágio dos defuntos como costume recebido da herança dos seus antecessores bispos (cf. epist. 1,2). Nas suas epístolas é comum encontrar a expressão: “oferecer o sacrifício por alguém ou por ocasião dos funerais de alguém” (Revista PR, 264, 1982, pag. 50 e 51; PR ibidem).

Falando da vida de Cartago, no século III, afirma Vacandart, sobre a vida religiosa: “Aí vemos o clero e os fiéis a cercar o altar [...] ouvimos os nomes dos defuntos lidos pelo diácono e o pedido de que o bispo ore por esses fiéis falecidos; vemos os cristãos [...] voltar para casa reconfortados pela mensagem de que o irmão falecido repousa na unidade da Igreja e na paz do Cristo” (“PR”, ibidem).

São Gregório Magno (540-604), Papa e Doutor da Igreja, declara:

“No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma Aquele que é a Verdade, dizendo que se alguém tiver cometido uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem no presente século nem no século futuro (cf. Mt 12,31). Dessa afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro” (dial. 4, 39).

São João Crisóstomo (349-407), Bispo e Doutor da Igreja, afirma:

“Levemos-lhe socorro e celebremos a sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelos sacrifícios de seu pai (Jó 1,5), porque duvidar que as nossas oferendas em favor dos mortos lhes leva alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer as nossas orações por eles” (Hom. 1Cor 41,15). E “Os Apóstolos instituíram a oração pelos mortos e esta lhes presta grande auxílio e real utilidade” (“In Philipp”. III 4, PG 62, 204).

São Cirilo, Bispo de Jerusalém (†386), recorda:

“Enfim, também rezamos pelos santos padres e bispos e defuntos e por todos em geral que entre nós viveram; crendo que este será o maior auxílio para aquelas almas, por quem se reza, enquanto jaz diante de nós a santa e tremenda vítima” (“Catequeses. Mistagógicas”. 5, 9, 10, Ed. Vozes, 1977, pg. 38).

“Da mesma forma, rezando nós a Deus pelos defuntos, ainda que pecadores, não lhe tecemos uma coroa, mas apresentamos Cristo morto pelos nossos pecados, procurando merecer e alcançar propiação junto a Deus clemente, tanto por eles como por nós mesmos” (idem).

“Em seguida [na oração Eucarística], mencionamos os que já dormiram: primeiro os patriarcas, profetas, apóstolos, mártires, para que Deus em virtude de suas preces e intercessões, receba nossa oração. Depois, rezamos pelos nossos santos pais e bispos falecidos, e em geral por todos os que já dormiram antes de nós. Acreditamos que esta oração aproveitará sumamente às almas pelas quais é feita, enquanto repousa sobre o altar a santa e temível vítima” (idem)

“Quero, neste ponto, convencer-vos por um exemplo. Sei que muitos dizem: “Que aproveita à alma que passou deste mundo, em pecado ou sem ele, se a recordo na oferenda?” Se um rei, porventura, banir cidadãos subversivos, mas depois os súditos fiéis tecem uma coroa e a oferecem ao rei pelos que estão cumprindo pena, não é certo que lhes concederá o perdão do castigo? Da mesma forma, nós, oferecendo a Deus preces pelos mortos, sejam ou não pecadores, oferecemos, não coroa tecida por nossas mãos, mas Cristo crucificado por nossos pecados; assim, tornamos propício o Deus amigo dos homens aos pecados nossos e deles” (idem)

Santo Epifânio (†403), Bispo da ilha de Chipre, diz:

“Sobre o rito de ler os nomes dos defuntos (no sacrifício) perguntamos: que há de mais nisso? Que há de mais conveniente, de mais proveitoso e mais admirável que todos os presentes creiam viverem ainda os defuntos, não deixarem de existir, e sim existirem ao lado do Senhor? Com isso se professa uma doutrina piedosa: os que oram por seus irmãos defuntos abrigam a esperança (de que vivem), como se apenas casualmente estivessem longe. E sua oração ajuda aos defuntos, mesmo se por elas não fiquem apagadas todas as dívidas [...]. A Igreja deve guardar este costume, recebido como tradição dos Pais [...] a nossa Mãe, a Igreja, nos legou preceitos, os quais são indissolúveis e definitivos” (“Haer”. 75, c. 8: pág. 42, 514s).

Os “Cânones de Santo Hipólito (160-235)”, que se referem à Liturgia do século III, contêm uma rubrica sobre os mortos [...] “[...] Caso se faça memória em favor daqueles que faleceram [...]” (“Canones Hippoliti, em Monumenta Ecclesiae Liturgica; PR”, 264, 1982).

Serapião de Thmuis (século IV), Bispo, no Egito, compôs uma coletânea litúrgica, na qual se pode ver a intercessão pelos irmãos falecidos:

“Por todos os defuntos dos quais fazemos comemoração, assim oramos: “Santifica essas almas, pois Tu as conheces todas; santifica todas aquelas que dormem no Senhor; coloca-as em meio às santas Potestades (anjos); dá-lhes lugar e permanência em teu reino” (“Journal of Theological Studies” t. 1, p. 106; PR , 264, 1982).

“Nós te suplicamos pelo repouso da alma de teu servo (ou de tua serva); dá paz a seu espírito em lugar verdejante e aprazível, e ressuscita o seu corpo no dia que determinaste” (“PR”, 264,1982).

As Constituições Apostólicas, do fim do século IV, redigidas com base em documentos bem mais antigos, no livro VIII da coleção, relata:

“Oremos pelo repouso de (citar nome), a fim de que o Deus bom, recebendo a sua alma, lhe perdoe todas as faltas voluntárias e, por sua misericórdia, lhe dê o consórcio das almas santas”.

SOBRE AS INDULGÊNCIAS

Constituição Apostólica Doutrina das Indulgências – Papa Paulo VI, 1967, diz:

“A doutrina e o uso das indulgências vigentes na Igreja Católica há vários séculos encontram sólido apoio na Revelação divina, a qual vindo dos Apóstolos “se desenvolve na Igreja sob a assistência do Espírito Santo”, enquanto “a Igreja no decorrer dos séculos, tende para a plenitude da verdade divina, até que se cumpram nela as palavras de Deus (“Dei Verbum”, 8) e ( DI, 1).

“Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos” (“Norma” 1).

“Assim nos ensina a revelação divina que os pecados acarretam como conseqüência penas infligidas pela santidade e justiça divina, penas que devem ser pagas ou neste mundo, mediante os sofrimentos, dificuldades e tristezas desta vida e, sobretudo, mediante a morte, ou então no século futuro [...]” (DI, 2).

“Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório, a remissão das penas temporais, seqüelas dos pecados” (Catecismo da Igreja Católica, 1498).

CONDIÇÕES PARA GANHAR A INDULGÊNCIA PLENÁRIA

Para si ou para uma alma

1 – Confessar-se bem, rejeitando todo pecado;

2 – Participar da Santa Missa e comungar com esta intenção;

3 – Rezar pelo Papa ao menos um Pai Nosso, Ave Maria e Glória e

4 – Visitar o cemitério e rezar pelo falecido.

Obs.: – Fora da semana dos falecidos, o item 4 pode ser substituído por: Terço em família diante de um oratório, Via-Sacra na igreja; meia hora de adoração do Santíssimo ou meia hora de leitura bíblica meditada.

Fonte: www.cleofas.com.br

01/11/2011

Obediência


Está ligada ao sentido da procura incessante da vontade de Deus

Pela profissão da obediência, os religiosos oferecem a Deus, como sacrifício de si mesmos, a plena entrega de sua vontade e por isso se unem mais constante e plenamente à vontade salvífica de Deus” (Perfectae Caritatis n. 14).

A prática das virtudes e o desejo da santidade são, nesta vida, preparação e desenvolvimento da vida eterna. Para o monge, constitui isso o conteúdo de sua vocação, pois este é convidado a viver já aqui na terra as realidades celestes. Para a realização desta tão sublime vocação, São Bento estabelece o recinto do mosteiro, como lugar propício ao seu desenvolvimento, é a chamada “escola do serviço do Senhor”.

Nessa escola, porém, a perfeição não é buscada como algo particular do monge, mas, comum a todos os membros desta comunidade que poderá chamar-se santa, já que somará mais que santos individualmente.

A comunidade é formada pelo Abade e pelos irmãos, a quem Bento dedica os capítulos 2 e 3 da Regra. É na obediência que encontramos o ponto fundamental de união entre essas duas partes, é ela o elemento vital que une todos os membros desse corpo único, que é o mosteiro. É pela obediência também que se viabiliza a prática da tão importante virtude da estabilidade, destacada por São Bento no capítulo IV de sua Regra, quando indica os instrumentos das boas obras, pois é por meio da autoridade que se evita tudo que perturbe a comunidade, ao passo que se realiza tudo que possa favorecê-la; se não há uma relação harmônica de obediência entre a cabeça e os membros do corpo é impossível haver comunidade e comunhão.

Podemos dizer que a obediência é o que caracteriza a vida do monge cenobita. É ela a alma do seu compromisso cristão.
Descrevendo os quatro gêneros de monges – anacoretas, sarabaítas, giróvagos e cenobitas – no capítulo I de sua Regra, São Bento caracteriza o “poderosíssimo gênero dos cenobitas” como “aquele que milita sob uma regra e um abade” (RB1,2), ou seja, que vive sob a obediência.

Para São Bento, a obediência não é apenas a aceitação e o cumprimento das prescrições das constituições e dos superiores pela obrigação, nem confere a ela o mero valor funcional, sendo necessário para o bom funcionamento da comunidade apenas.

Obediência em São Bento tem um sentido mais dinâmico e amplo; traz uma noção teológica e cristológica, uma noção que inclui tudo o que a Sagrada Escritura expressa com o complexo conceito de obediência.
Como tudo na vida do monge, a obediência, que é simultaneamente amor e serviço aos irmãos, é um sinal escatológico, isto é, tem uma referência à dimensão de eternidade da vida humana. Pelo voto de obediência, o monge coloca-se de maneira mais eficaz no mistério da vontade do Pai, aceito e vivido por Jesus. Por intermédio de seu voto, o monge entra diretamente no caminho escolhido por Cristo e participa com Ele da missão de levar o mundo a seu verdadeiro destino, o Pai.

Para compreender-se o sentido real da obediência que o monge professa, segundo Dom André Louf, é preciso fazer-se a distinção entre a obediência política e a obediência evangélica na comunidade monástica.

Segundo ele, ainda hoje, na espiritualidade corrente há uma confusão entre essas duas formas de obediência. A obediência política consiste em que os membros de uma sociedade prestem obediência a um chefe, em vista do bem comum e este, por sua vez, é obrigado a dar ordens a serviço do bem comum também.

A obediência evangélica está ligada ao sentido da procura incessante da vontade de Deus, à escuta dessa vontade e estar disponível a ela, entregando-se ao seguimento de Cristo até o Pai, passando pela morte. É claro que as duas são importantes e necessárias no mosteiro, porém, a primeira está dentro da dimensão da segunda. Bento não se esquece da organização material da Casa de Deus, no entanto, realça também nelas a realidade sobrenatural. “Veja todos os objetos do mosteiro e demais utensílios como vasos sagrados do altar” (RB.31,10).




Por um monge do Mosteiro da Transfiguração

Mosteiro da Transfiguração - Santa Rosa - RS – Bra
http://www.transfiguracao.com.br