12/09/2009

Com a palavra: PAPA BENTO XVI

O Papa Bento XVI deixou nesta manhã de sábado, 12, a cidade de Castel Gandolfo para presidir a Santa Missa, na Basílica de São Pedro, na qual ordenou cinco novos bispos italianos: Dom Gabrielle Giordano Caccia, Dom Franco Coppola, Dom Pietro Parolin, Dom Raffaele Martinelli e Dom Giorgio Corbellini, que trabalharam na Secretaria de Estado, na Congregação para a Doutrina da Fé e no Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano.


A homilia foi a ocasião para Bento XVI refletir sobre o sacramento da Ordem. O Pontífice recordou que Jesus reuniu todos os vários aspectos de seu sacerdócio em uma única frase: "O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate de muitos" (Mc 10, 45).

"Servir e, com isso, doar-se a si mesmo, ser não para si, mas para os outros, da parte de Deus e em vista de Deus: isto é o núcleo mais profundo da missão de Jesus Cristo e, junto, a verdadeira essência do seu Sacerdócio."

Cristo fez do termo servo um título de honra. Ele que é o verdadeiro patrão veio ao mundo como servo. Seu sacerdócio não é domínio, mas serviço.

Em Jerusalém, na última semana de sua vida, Jesus destacou as três características do servir, sendo a primeira a fidelidade. A fidelidade é altruísmo e, desse modo, é libertadora para o próprio ministro e para aqueles que são confiados a ele. A fidelidade não é estéril ou estática, é criativa. Fidelidade não é medo, mas é inspirada pelo amor e por seu dinamismo.

A segunda característica que Jesus pede ao servo é a prudência. Prudência, esclareceu o Papa, é diferente da astúcia.

Prudência, segundo a tradição filosófica grega, é a primeira das virtudes cardeais, indica a primazia da verdade, torna-se critério do nosso agir. Prudência significa colocar-se em busca da verdade e agir segundo ela. Assim, a primeira virtude cardeal do sacerdote consiste em deixar-se plasmar pela verdade que Cristo nos mostra.

A terceira característica sobre a qual Jesus fala nas parábolas do servo é a bondade. "Bom no sentido pleno é somente Deus. Ele é o Bem, o Bom por excelência, a Bondade em pessoa. Em uma criatura, como no homem, o ser bom se baseia, portanto, necessariamente sobre uma profunda orientação interior em direção a Deus. A bondade pressupõe, sobretudo, uma viva comunhão com Deus. Somente se a nossa vida se desenvolve no diálogo com Ele, poderemos nos tornar verdadeiramente servos bons", disse o Papa.

Por fim, Bento XVI recordou que no calendário da Igreja hoje se recorda o Nome de Maria, que, na tradição ocidental, foi traduzido como "Estrela do Mar":

"Quantas vezes a história na qual vivemos se parece com um mar escuro que atinge com ondas ameaçadoras o barco da nossa vida. Muitas vezes, a noite parece impenetrável. Muitas vezes, tem-se a impressão de que somente o mal tem poder. Muitas vezes, percebemos somente de longe a grande luz, Jesus Cristo, que venceu a morte e o mal. Mas então vemos muito próxima a luz que se acendeu, quando Maria disse: 'Eis a serva do Senhor'. Ele nos deu a sua Mãe como nossa Mãe, a fim de que aprendamos com Ela a pronunciar o 'sim' que nos torna bons."

11/09/2009

Os girassóis e nós

Nós estamos todos num mesmo campo

Eles são submissos. Mas não há sofrimento nesta submissão. A sabedoria vegetal os conduz a uma forma de seguimento surpreendente. Fidelidade incondicional que os determina no mundo, mas sem escravizá-los.

A lógica é simples. Não há conflito naquele que está no lugar certo, fazendo o que deveria. É regra da vida que não passa pela força do argumento, nem tampouco no aprendizado dos livros. É força natural que conduz o caule, ordenando e determinando que a rosa realize o giro, toda vez em que mudar a direção do Regente.

Estão mergulhados numa forma de saber milenar, regra que a criação fez questão de deixar na memória da espécie. Eles não podem sobreviver sem a força que os ilumina. Por isso, estão entregues aos intermitentes e místicos movimentos de procura. Eles giram e querem o sol. Eles são girassóis.

Deles me aproximo. Penso no meu destino de ser humano. Penso no quanto eu também sou necessitado de me voltar para uma força regente, absoluta, determinante. Preciso de Deus. Se para Ele não me volto corro o risco de me desprender de minha possibilidade de ser feliz. É n'Ele que meu sentido está todo contido. Ele resguarda o infinito de tudo o que ainda posso ser. Descubro maravilhado. Mas no finito que me envolve posso descobrir o desafio de antecipar no tempo o que n'Ele já está realizado.

Então intuo. Deus me dá aos poucos, em partes, dia a dia, em fragmentos.

Eu d'Ele me recebo, assim como o girassol se recebe do sol, porque não pode sobreviver sem sua luz. A flor condensa, ainda que de forma limitada, porque é criatura, o todo de sua natureza que o sol potencializa.

O mesmo é comigo. O mesmo é com você. Deus é nosso sol e nós não poderíamos chegar a ser quem somos, em essência, se n'Ele não colocarmos a direção dos nossos olhos. Cada vez que o nosso olhar se desvia de Sua regência, incorremos no risco de fazer ser o nosso sol o que na verdade não passa de luz artificial.

Substituição desastrosa que chamamos de idolatria. Uma força humana colocada no lugar de Deus.

A vida é o lugar da Revelação Divina. É na força da história que descobrimos os rastros do Sagrado. Não há nenhum problema em descobrir, nas realidades humanas, algumas escadarias que possam nos ajudar a chegar ao céu. Mas não podemos pensar que a escadaria é o lugar definitivo de nossa busca. Parar os nossos olhos no humano que nos fala sobre Deus é o mesmo que distribuir fragmentos de pólvora pelos cômodos de nossa morada. Um risco que não podemos correr.

Tudo o que é humano é frágil, temporário, limitado. Não é ele que pode nos salvar. Ele é apenas um condutor. É depois dele que podemos encontrar o que verdadeiramente importa. Ele, o fundamento de tudo o que nos faz ser o que somos. Ele, o Criador de toda realidade. Deus trino, onipotente, fonte de toda luz.

Sejamos como os girassóis...

Uma coisa é certa. Nós estamos todos num mesmo campo. Há em cada um de nós uma essência que nos orienta para o verdadeiro lugar a que precisamos chegar, mas nem sempre realizamos o movimento da procura pela luz.

Sejamos afeitos a este movimento místico, natural. Não prenda os seus olhos no oposto de sua felicidade. Não queira o engano dos artifícios que insistem em distrair a nossa percepção. Não podemos substituir o essencial pelo acidental. É a nossa realização que está em jogo.

Girassol só pode ser feliz se para o sol estiver orientado. É por isso que eles não perdem tempo com as sombras.

Eles já sabem, mas nós precisamos aprender.

10/09/2009

A caderneta vermelha

O carteiro estendeu o telegrama. José não agradeceu e enquanto abria o envelope, uma profunda ruga apareceu-lhe na testa. Uma expressão mais de surpresa do que de dor tomou-lhe conta do rosto. Palavras breves e incisas:

- Seu pai faleceu. Enterro 18horas. Mamãe.

José continuou parado, olhando para o vazio. Nenhuma lágrima lhe veio aos olhos nenhum aperto no coração. Nada! Era como se houvesse morrido um estranho. Por que nada sentia pela morte do velho? Com pensamentos que lhe confundia, avisou a esposa, tomou o ônibus e se foi. No íntimo, não queria ir ao funeral e, se estava indo, era apenas para que a mãe não ficasse mais amargurada, ela sabia que pai e filho não se davam bem.

A coisa havia chegado ao final no dia em que, depois de mais uma chuva de acusações, José havia feito as malas e partido prometendo nunca mais botar os pés naquela casa. Refez sua vida na medida do possível... O velório: poucas pessoas. A mãe está lá, pálida, gelada, chorosa. Quando reviu o filho, as lágrimas correram silenciosas, foi um abraço de desesperado silêncio. Depois, ele viu o corpo sereno envolto por um lençol de rosas vermelhas - como as que o pai gostava de cultivar. José não verteu uma única lágrima, o coração não pedia. Era como estar diante de um desconhecido um estranho.

Ele ficou em casa com a mãe até a noite, beijou-a e prometeu que voltaria trazendo os netos e esposa para conhecê-la. Agora, ele poderia voltar a casa, porque aquele que não o amava não estava mais lá para dar-lhe conselhos ácidos nem para criticá-lo. Na hora da despedida, a mãe colocou-lhe algo pequeno e retangular na mão...

- Há mais tempo você poderia ter recebido isto - disse. Mas, infelizmente só depois que ele se foi eu encontrei entre os guardados mais importantes... Foi um gesto mecânico que, minutos depois de começar a viagem, colocou a não no bolso e sentiu o presente, uma caderneta de capa vermelha. Abriu-a, curioso. Páginas amareladas. Na primeira, no alto, reconheceu a caligrafia firme do pai:

"Nasceu hoje o José. Quase quatro quilos! O meu primeiro filho, um garotão! Estou orgulhoso de ser o pai daquele que será a minha continuação na Terra!".

"Hoje, meu filho foi para escola. Está um homenzinho! Quando eu o vi de uniforme, fiquei emocionado e desejei-lhe um futuro cheio de sabedoria. A vida dele será diferente da minha, que não pude estudar por ter sido obrigado a ajudar meu pai. Mas para meu filho desejo o melhor. Não permitirei que a vida o castigue".

Outra página - "José me pediu uma bicicleta, meu salário não dá, mas ele merece porque é estudioso e esforçado. Fiz um empréstimo que espero pagar com horas extras". "É duro para um pai castigar um filho e bem sei que ele poderá me odiar por isso; entretanto, devo educá-lo para seu próprio bem. Foi assim que aprendi a ser um homem honrado e esse é o único modo que sei de ensiná-lo".

José fechou os olhos e viu toda a cena quando por causa de uma bebedeira,os amigos tinham ido para a cadeia e naquela noite, se o pai não tivesse aparecido para impedi-lo de ir ao baile. Lembrava-se apenas do automóvel retorcido e manchado de sangue que tinha batido contra uma árvore... Parecia ouvir sinos, o choro da cidade inteira enquanto quatro caixões seguiam para o cemitério.

As páginas se sucediam com ora curtas, ora longas anotações, cheias das respostas que revelam o quanto, em silêncio e amargura, o pai o havia amado. O "velho" escrevia de madrugada. Momento da solidão, em um grito de silêncio, porque era desse jeito que ele era, ninguém o havia ensinado a chorar e a dividir suas dores, o mundo esperava que fosse durão para que não o julgassem nem fraco e nem covarde. E, no entanto, agora José estava tendo a prova que, debaixo daquela fachada de fortaleza havia um coração tão terno e cheio de amor. A ultima pagina.

Aquela do dia em que ele havia partido:

- "Deus, o que fiz de errado para meu filho me odiar tanto? Por que sou considerado culpado, se nada fiz, senão tentar transformá-lo em um homem de bem? Meu Deus, não permita que esta injustiça me atormente para sempre. Que um dia ele possa me compreender e perdoar por eu não ter sabido ser o pai que ele merecia ter".

Depois, não havia mais anotações e as folhas em branco davam a idéia de que o pai tinha morrido naquele momento, José fechou depressa a caderneta, o peito doía. O coração parecia haver crescido tanto que lutava para escapar pela boca. Nem viu o ônibus entrar na rodoviária, levantou aflito e saiu quase correndo porque precisava de ar puro para respirar.

O dia amanhecia."Honre seu pai para que os dias de sua velhice sejam tranqüilos!" - certa vez ele tinha ouvido essa frase e jamais havia refletido na profundidade que ela continha, pois na sua cegueira de adolescente, jamais havia parado para pensar em verdades mais profundas. Devemos valorizar cada segundo de nossa existência, pois Jesus nos colocou nas mãos de quem somente Ele confia para criar Suas jóias raras e preciosas...Somos valiosos para Deus...

08/09/2009

Vamos nos unir para o bem..


Nós já estaríamos com todos os problemas resolvidos. "Traga para o meio" que vemos hoje no Evangelho é o discurso da inserção. Jesus não admite que alguém possa ficar jogado do lado de fora. Antes enfermidade era sinal de que pessoa não tinha predileção por Deus. Jesus insere quem está do lado de fora. Faz o bem independente de ser sábado, domingo...

A Eucaristia é um acontecimento no tempo, do que no tempo não cabe. É um acontecimento tão lindo que não coube no tempo e esparramou-se na história. Na poesia, chamaríamos de "acontecências".
O bem que você realiza não cabe no tempo. Quando você se recorda do bem que fez, seu coração se enche de gratidão, é como se aquele acontecimento acontecesse de novo. É a grande ousadia que cristianismo nos empresta. Faça este tempo já ser eterno. Faça a dinâmica da eternidade valer agora.

Complete na sua carne o sofrimento de Cristo. A realidade é bela, mas, é sofrida. Não é fácil estar ali, no papel do Crucificado. Jesus dizia: "Bem aventurados os que sofrem porque serão consolados..." Bem aventuranças tem valor porque só podem ser vistas pelos olhos da sabedoria, de quem está inundado no amor de Deus. Somos convidados a viver na nossa carne sacrifício do Cristo. Isso não é brincadeira. Aquilo que não coube no tempo está em mim, na história dos meus dias.

Você é história: tem início, meio e fim. Em nós acaba em realidade o que não cabe no tempo. A realidade divina plenifica tudo isso.
Eu, você, somos convidados a fazer a dinâmica do Evangelho, trazer para dentro que está jogado para fora. Para que você paga seus impostos, anda em dia com suas dívidas? Por que é obrigado? Muitas vezes não vemos ser aplicado dinheiro que a gente pagou. Que país é esse que não trás para o meio aquele que não pode, não sabe, não tem? Lamentavelmente se precisamos ter saúde, segurança, precisamos pagar.

Nosso país não cuida como precisaria cuidar. É falta de vergonha na cara de quem tem governo nas mãos. Quando vamos em outros países vemos dinheiro das pessoas serem aplicados. Você pode sair a noite sem medo de ser assaltado, sequestrado... é a conversão que o Brasil precisa viver. Não podemos continuar achando que chegamos ao destino final.
O bom brasileiro é aquele que continua lutando, de olho em quem votou. Nosso país precisa ser moralizado e isso começa com nossa exigência. Não podemos ser omissos. Corrupção começa em pequenas coisas, quando faço proveito de algo público, aproveito algo que não é meu... Levar para o meio é recordar que se quem está no poder não estiver com Deus no coração, não podemos esperar muita coisa.



'Como eu não como será o dia de amanhã, só me resta viver bem'

Não sei se você acompanhou movimento que teve para tirar figuras religiosas das repartições públicas. O que quadro do sagrado Coração de Jesus pode fazer mal a uma repartição pública? Será que com quadros eles recordam um valor que não querem mais viver? Este país não vai ficar melhor no dia em que tirarmos, mas, no dia em que os governantes tiverem caráter, agirem de maneira correta.

Ontem eu dava exemplo de Dom Hélder Câmara, que trazia para o meio aqueles que não tinham vez. Muito mais do que ficar preocupados com a religião que cada um tem, precisamos nos preocupar com caráter que cada um tem.

É o deputado que você elegeu que pode assinar leis contrárias ao Evangelho. Se essas mentes diabólicas são capazes de tramar estas coisas, são capazes de tramar coisais piores. Não podemos ficar fazendo política, mas, temos que ficar de olho na política. Eles são nossos empregados, trabalham para nós.

Os deputados são nossos representantes. Usar o povo só em período de eleição? Aquele povo que troca voto por uma dentadura! O sorriso que queremos é definitivo! Queremos jovens com oportunidade de trabalho, estudo. Quando trabalhamos problemas educacionais criminalidade vai embora. Assim como com emprego... assim, criminalidade vai embora.

Não é fácil a vida de um assalariado. Nosso povo sofre, não tem transporte digno! O Brasil precisa mudar. Existem muitas coisas boas sendo feitas pelo país afora, mas, existe muita porcalhada embaixo do tapete. Proclamar a independência é reassumir a cidadania. "Eu te elegi e não vou tirar olhos de você".

"A política é uma das formas mais elaboradas de caridade", dizia Santo Agostinho. Aquele que tem poder usa para quem não tem e distribui aquilo que é direito. Queremos nosso direito de cidadão. É vida que você merece viver bem. Não há cristianismo sem comprometimento.

Não podemos ser o que fomos ontem. Processo de Deus é nos fazer evoluir, ir adiante.
Nosso projeto é chegar a esse brilho que é apagado porque trabalhamos nossa vida de jeito errado. Este é o dia em que temos que tomar consciência de tudo o que Deus precisa fazer em nossa vida. Nosso país e nós precisamos ser transformados! Ficamos indiferentes aos processos que estão do nosso lado.

Quando você fica indiferente, se fecha na sua história. Nunca diga que você não tem nada com isso. Pode respingar em você! Aquilo que não dá certo na casa do outro pode repercutir na sua vida. Nós estamos interligados mesmo sem saber porque. Pessoa que passou pela sua vida pode ter influência sobre você. Pode ser que mais cedo ou mais tarde você precise daquela pessoa. Estamos interligados e não podemos nos esquecer do nosso compromisso com a bondade. Jesus enquanto pôde fez o bem.

'Não podemos nos esquecer, nosso compromisso é com a bondade' Padre Fábio
Foto: Robson Siqueira


De alguma maneira alguém bate a porta da nossa vida, da nossa história. Nós não sabemos o dia de amanhã, então só nos resta viver bem o dia de hoje, construir pontes ao invés de barricadas. Passe pela vida do outro de um jeito certo. Às vezes temos somente uma oportunidade de passar por uma pessoa. Ela pode até não saber quem eu sou, mas, eu sei.

Não podemos viver pelo outro, mas a parte que podemos fazer não podemos abrir mão. Tenho pedido a Deus a graça de amadurecer para perceber o que eu posso fazer pelo outro.

Preste atenção nesta frase: "Estamos todos na lama, mas, alguns de nós resolvemos olhar para as estrelas". São estes que mudam o mundo, que fazem as coisas acontecerem. Estas pessoas completam sacrifício de Jesus na carne. Chega de contendas. Já tem guerra demais neste mundo.

Precisamos lutar pela paz, pela harmonia... acender luz para quem não tem... Proclame a independência! Assim como os santos da Igreja, os santos dos nossos dias. È isso que precisamos. Independência de hoje depende de nós. Precisamos ter fé, acreditar que pode ser diferente. Cristão que é cristão não fica parado, fica na direção do futuro.

Padre Fabio de Melo
Comunidade Canção Nova

07/09/2009

O desafio das seitas

Professor Felipe
Foto: Wesley Almeida
É muito bom meus irmãos poder lembrar que logo que nossos colonizadores chegaram aqui no Brasil, eles foram dando nomes de santos a algumas coisas que encontravam. Por isso é triste hoje vermos algumas propostas de se retirar os símbolos religiosos das repartições públicas, dos lugares públicos, será que seremos obrigados a tirar o Cristo Redentor do Rio de Janeiro? Será que deixaremos que arranquem as nossas raízes católicas? Isso vai depender de nós!

Martin Luther King, pastor protestante dizia: “Eu não tenho medo dos maus, eu tenho medo do silêncio dos bons”, e é certo que não podemos deixar que os maus pela omissão dos bons tomem conta de tudo. O Papa Leão XIII dizia também: “A audácia dos maus se alimenta da covardia dos bons”. Não podemos nos calar diante do que estão querendo fazer com nossa fé.

A nossa terra de Santa Cruz nasceu católica e muito sangue foi derramado nesta terra para que o catolicismo se concretizasse aqui. O primeiro Bispo que chegou ao Brasil foi mártir e muitos morreram aqui, enfrentando os índios, as doenças e outros perigos. Lembro de um massacre em 1630 onde os holandeses calvinistas invadiram uma região do Brasil e assassinaram um padre chamado André de Soveral e mais 70 pessoas, porque eram católicos e estavam celebrando a Missa.

Também lembro um outro martírio quando mataram o padre Inácio de Azevedo e seus trinta e nove companheiros jesuítas. Em todos os lugares onde a semente do Evangelho foi lançada no solo ela teve que ser regada com o sangue dos mártires. Hoje, para nós chega a ser “fácil” viver o catolicismo. Precisamos prestar uma homenagem a tantos missionários e padres que vieram de suas pátrias para implantar o Evangelho no nosso Brasil, terra de Santa Cruz.

Prestemos uma homenagem a estes que vieram para o Brasil e morreram nesta terra, muitas vezes sem voltar nunca mais para sua pátria. Eu cito alguns que vieram para cá deixando tudo, padre Hugo Greco, salesiano, um outro padre Júlio Comba que morreu há 2 anos atrás, vindo da Itália. O terceiro padre que quero lembrar é o padre Renodem, padre francês que está em processo de beatificação, porque morreu em santidade. Por isso que este país é chamado terra de Santa Cruz, não só porque Cabral foi dando nomes de santos a algumas coisas, mas porque muitos deram seu sangue, seu suor, nesta terra.

João Paulo II diz em uma de suas cartas que surgem seitas que fazem ruir a estrutura de fé de muitas nações e ainda diz em outra de suas cartas diz que a expansão das seitas constituem uma ameaça para a Igreja católica. Em 1990 o CELAM (Conselho Episcopal Latino Americano) disse que existe um movimento chamado “Amanhecer” que tem como objetivo descristianizar o continente americano, ou seja, acabar com o cristianismo.

E o Papa João Paulo II diz também quais são os cinco pontos em que as seitas atacam a Igreja Católica, o primeiro é o ataque a eucaristia, o interessante é que um dia destes encontrei um folheto na rua onde estavam chamando a eucaristia de “o biscoito da morte”, aquilo para nós que é o Pão da Vida. O segundo ponto é o culto a Virgem Santíssima, porque sabem que a Virgem Santíssima é a mãe do Brasil e da América, cada nação latino americana tem sua devoção a Nossa Senhora. O terceiro ponto é o ataque ao Papa, como se o Papa não estivesse recebido em Pedro o primado da Igreja, as seitas querem destruir o primado de Pedro na Igreja porque sabem que Pedro foi constituído Papa por Jesus Cristo, as seitas sabem que é preciso quebrar no coração do povo o amor ao Papa. O quarto ponto de ataque é a estrutura hierárquica da Igreja e o último ponto que o Papa coloca são os sinais exteriores da fé que o povo precisa e gosta, porque somos seres humanos e precisamos também destes sinais.

"A audácia dos maus se alimenta da covardia dos bons", frase do Papa Leão XIII
Foto: Wesley Almeida

E o Papa pergunta aos Bispos: “Será que as seitas não tomaram conta de parte do Brasil, da América e da Igreja porque nós escondemos o Sagrado?”. Nós vimos que em alguns lugares muitos se preocuparam muito com o social, com a política e esqueceram o Sagrado, deixando o povo a míngua com uma catequese insuficiente. Muitas pessoas chegam até ao indiferentismo religioso, porque buscaram curas em diversas igrejas e por não receberem se revoltaram contra Deus. O povo de Deus não quer uma Igreja Católica política, mas sim uma Igreja que traga sua identidade, sua espiritualidade. O Papa pede que as músicas, suas melodias, o ministério da Palavra sejam utilizados para conduzir o povo a Deus, a oração. Muita gente só vai a missa aos domingos e querem uma homilia firme, que alimente sua fé e algumas vezes vemos padres pregando uma homilia vazia, sem saber direito o que quer dizer, por isso quando encontram um pastor protestante pregando sua fé convicta mudam de igreja.

Meus irmãos as simples vestes de um religioso já dizem para nós de Deus, se vemos uma irmãzinha com seu hábito já nos remete a Deus. O Papa pede uma evangelização ousada, nós precisamos usar de novos métodos, não podemos andar de carro de boi no asfalto, o asfalto é para se andar a 100 quilômetros por hora e não com carro de boi. O Papa pede um novo rosto da Igreja e isso já acontece com as novas comunidades, pessoas que entregam sua vida inteira em prol da evangelização, da missão.

O Papa quer ouvir com alegria bater os sinos da Igrejas chamando o povo a rezar, mas ele diz que muitos sinos emudeceram. Meus irmãos na idade média, quando não se tinha microfone, como se chamava o povo? Com os sinos! Assim que se chamava o povo, os sinos se tornaram um simbolo da fé. O Papa diz aos Bispos, “Não está havendo uma certa acomodação em buscar as ovelhas que se afastaram? Não é uma ou outra que vai se perdendo, mas uma parte do rebanho que foi embora”.

Hoje nós não podemos esperar as ovelhas virem para as paróquias, mas as paróquias devem ir às ovelhas. O Papa nos convoca como Igreja a buscar estas ovelhas que eram católicas e estão perdidas por aí. Devemos ser uma Igreja que vai ao encontro do povo, em um trabalho permanente e respeitoso, mas sempre presente dispostos a buscar estas ovelhas. Eu noto que uma das principais razões que muitas ovelhas deixam as Igrejas é a falta de uma acolhida e estas chegam a outras igrejas e são acolhidas.
"Hoje nós não podemos esperar as ovelhas virem para as paróquias, mas as paróquias devem ir às ovelhas", diz Prof. Felipe
Foto: Wesley Almeida

Meus irmãos vamos abrir os olhos para isso que o Papa chama de ministério da acolhida, a paróquia não pode ser simplesmente um escritório de serviços religiosos, onde as pessoas vão somente marcar batismo, casamento e muitas vezes saem de lá bravas porque não foram bem acolhidas. Nós para ganharmos uma pessoa para Deus precisamos ganhar primeiro para gente. Um dia Madre Teresa encontrou um homem caído na rua que tinha até bichos em suas feridas, cuidou dele e levou para a casa, e aquele homem que era hindu perguntou: “Madre porque a senhora está cuidando de mim que sou hindu?” e ela respondeu: “Porque eu amo Jesus e Jesus te ama” e aquele homem disse: “Eu também amo Jesus!”.

Nós precisamos ter novos métodos, nova expressão e novo ardor para fazer esta nova evangelização. O Papa fala também sobre o ecumenismo dizendo que não é querer mudar o nosso credo, querer aceitar outras coisas que não são da nossa fé. Ele diz que a inculturação do Evangelho não é uma adaptação mais ou menos oportuna dos valores do ambiente, mas uma verdadeira purificação da cultura e a remissão dela. Algumas teologias e manias querem que o Evangelho se adapte a cultura e não a cultura se adapte ao Evangelho.

Hoje há um sincretismo religioso, isso é um crime, pois quantos e quantos cristãos entregaram suas vidas para não abrirem mão da pureza da nossa fé católica. O Papa diz também que as coisas precisam ser feitas na lei e que a Igreja não pode fomentar a invasão das terras, pois isso esta fora da lei, pois se não meus irmãos entramos em uma anarquia como vemos por aí muitas vezes, um derramamento de sangue sem fim.

Professor Felipe Aquino

Comunidade Canção Nova
felipeaquino@cancaonova.com
Formado em Matemática, tendo concluído o Mestrado e o Doutorado em Engenharia Mecânica. É pregador de Retiros de Aprofundamentos, em todo o país.

06/09/2009

A vida é feita de escolhas

A vida é feita de escolhas Deus quer ter uma oportunidade em nossa vida. Nada pode ser mais importante do que você deixar Deus fazer uma tenda no seu coração. O Brasil mudará, quando cada um deixar o seu coração ser um lugar privilegiado de Deus, onde Deus esparrama seus amores, seus objetivos, sua vontade.

A vida de Deus está em mim, está em você.

É tão interessante percebemos que aquilo que somos hoje é um conjunto de escolhas que fizemos e que fizeram por nós. Muitas coisas nós não conseguimos entender porque somos fenômenos, estamos em construção, em constante manifestação.

Padre Fábio de Melo durante a pregação
Foto: Wesley Almeida
Quando fazia faculdade, minha professora de psicologia dizia diante dos meus questionamentos: “Nenhum ser humano é incoerente”. Eu questionei mais uma vez, ‘como não’? E ela explicou: “cada um escolhe de acordo como aprendeu”. Eu entendi que cada um escolhe diante do contexto da sua história.

Não importa o contexto de incoerência, não importa as escolhas, mas hoje somos convocados a vê nossas escolhas diante da Palavra de Deus, e tomando consciência, tenha disposição de viver o novo. Está diante de ti a vida e a morte, você escolhe.

Aquilo que eu e você somos hoje é resultado das escolhas que fizemos, e que fizeram por nós. Há traumas, que são as escolhas erradas que optaram por nós, ou nós mesmos optamos.

Motivos inconscientes também nos motivam a escolher. Muitas vezes o que chega para nós são escolhas que fizeram por nós. Assaltantes, chegam roubando, matando, são incoerentes, mas essa foi a preparação que eles receberam, porque infelizmente faltou na vida dele um dizer não, um conselho, um carinho.

Nós estamos buscando viver um caminho de lei porque esquecemos que quando a Palavra de Deus é bem compreendida somos bem formados para escolher. Criar uma lei dizendo o que pode ou não pode fazer com os nossos filhos, é um absurdo; lei que venha proibir um pai a bater em seu filho. Construa família de Deus, e se deixe instruir pela Palavra.

Milhares de fiéis acompanhando a pregação do sacerdote
Foto: Wesley Almeida

Não é possível educar alguém se não ensinamos a liberdade. Um país só dará certo se entendermos que somos livres, e na nossa liberdade é preciso fazer a opção da vida.

Se nós não damos o contexto da escolha, as pessoas vão viver uma obrigação. Quando nós construímos uma oportunidade para escolher, damos a liberdade ao outro.

Coloco diante de ti a vida e a morte a opção é a sua.

A Palavra de Deus deve entrar em nossa veia. O que você escolhe viver e trazer para sua vida é o caminho de bênção ou de maldição.

Você não pode falar o que você quer investir em seu país, em sua cidade, em seu estado, mas lembre-se que você é quem elege as pessoas que vai administrá-lo.

A vida é feita de eleições, um dia você elegeu o prefeito da sua casa, seu esposo, e no tempo de campanha mandava flores, era todo carinhoso, depois casou tomou posse da prefeitura, e muitos se tornaram o que bem sabemos. Um casamento precisar viver sempre em tempo de campanha.

Muitas vezes as coisas dão errado em nossas vidas por causa das nossas eleições. Quantas vezes a morte entra na nossa vida, diante daquele que elegemos em acolher os conselhos. Cuidado com o que você elege de importante em sua vida.

Só podemos dizer que o Brasil é um país cristão, se nós somos cristãos, Deus quer esparramar Suas coisas dentro de nós.

Algumas pessoas estão escolhendo a morte, eu escolho a vida; algumas pessoas estão escolhendo o que não presta, eu quero escolher o que presta.

Fiquemos no lado de quem é justo.

Coisa boa quando queremos para nossa vida a mesma coisa que Deus quer. Quantas coisas você elegeu para sua vida que não vale a pena, limpa a tenda do seu coração, expulsa os lixos que o mundo colocou, limpe para que Deus possa esparramar Suas coisas em seu coração.

A cada acampamento nós Canção Nova queremos que saia pelo Brasil uma nova fração de cristãos decididos por Deus.

Padre Fábio de Melo
Comunidade Canção Nova

05/09/2009

Não pela força, mas pelo Espírito


" Não é pela força, não é pelo poder, mas pelo Espírito Santo de Deus. É assim que o Senhor quer; não é na base do grito, na base da violência, não é pela força, mas sim, pelo poder do Espírito de Deus. Para conseguirmos conceder perdão a alguém, precisamos do Espírito, pois se não for por Ele, nós não conseguimos essa graça. Muitos pais estão chateados, magoados, revoltados com seus filhos; da mesma forma, há muitos filhos adolescentes, jovens, mas também adultos, casados, revoltados com os pais.

Baixe e ouça essa pregação

E essa revolta não vem dessas pessoas, mas vem do veneno do próprio tentador que o coloca em seus corações. Não há coisa que mais o maligno queira do que promover discórdia em nossas famílias, ele quer usar de nós para destruí-las e procura motivos para isso e os põe na nossa frente para que fiquemos revoltados com nossos entes queridos. Ele usa da nossa revolta para que sejamos “bucha de canhão” e ele possa explodir a nossa família.

Existem muitas situações na nossa vida que a gente diz: “Só por Deus!”. E realmente é assim a questão de revolta; há filhos revoltados com os pais, e não há somente filhos decepcionados com pais, mas muitos pais decepcionados com os filhos. E então, revoltadas, essas pessoas se tornam como que animais dentro de casa, explodindo; se não explodem por fora, explodem por dentro. E tudo isso precisa mudar, pois, caso contrário, nos tornamos “bucha de canhão” do próprio tentador para destruir nossa família.”

Trecho da pregação

Nesta pregação “Não pela força, mas pelo Espírito”, Monsenhor Jonas Abib nos fala da importância de cultivarmos o perdão, de tirarmos as revoltas de nossos corações e nos deixarmos ser conduzidos pelo Espírito. A não resolvermos os problemas pela força, mas sim, pelo Espírito Santo.

04/09/2009

Um Pequeno Retiro com a Bíblia


“Prática piedosa dos que se afastam das solicitações da vida quotidiana a fim de consagrar algum tempo à meditação, à oração, à reflexão e à conversão de vida
”.

Essa é a definição do Aurélio, mas a decisão de fazer um retiro em primeiro lugar deve ser interior, deve ser sua. Retirar-se um pouco sem precisar sair muito do seu cotidiano, mesmo em casa ou reservando um pequeno tempo de parada ou distribuindo ele durante o meu dia, manhã, tarde ou noite, eu posso fazer um retiro. Faz bem para o corpo, para a mente e para a alma, quantas coisas poderiam ser evitadas, ou melhor, resolvidas e vividas se eu tivesse esse pequeno e valioso habito.

Nós estamos iniciando o mês da Bíblia, fonte de formação e vida para todo cristão, dizia são Jerônimo: “Ignorar a Sagrada Escritura é ignorar a cristo”. Desconhecer a Palavra de Deus é desconhecer seu amor e seu Filho Jesus Cristo, que é o Verbo feito carne para nos salvar. A Palavra de Deus será nossa condutora neste retiro, vamos meditar e rezar com a Palavra de Deus, é simples, vai ser muito bom! Jesus vai nos abraçar através do estudo e reflexão da Palavra. Darei alguns passos muito fazeis para nos ajudar a viver bem este retiro:

1- Momento de interiorização: invocando o Espírito Santo, tendo-o como auxilio para entrar no próprio intimo, silenciar, colocar-se na presença de Deus;

2- Salmo 27 “Espera no senhor, sê forte, firme-se teu coração e espera no Senhor”.

3- Faça o possível para escolher um ambiente e horário mais adequado, talvez não seja possível um período inteiro, faça uma hora ou o tempo que você conseguir.

4- Leitura: ler e reler o Texto, tentar entrar no contexto e na espiritualidade.

Meditação: reflexão profunda, interiorizar, misturar-se com o texto, descansar sobre a Palavra, sem pressa colocando-se dentro do texto.

Oração: responder a Deus, rezar com a Palavra, pedir ajuda agradecer, suplicar… De acordo com a direção que o Espírito Santo lhe der.

Contemplação: conhecer Deus com a experiência do coração; Quem é Deus e como sou eu. Deixar Deus falar ao coração, escutar, acolher as moções do Espírito Santo e direções que Ele der para sua vida.

O Texto da Palavra que nós vamos trabalhar é Lucas 4,14-22, relata quando Jesus vai à sinagoga e tem contato com a Palavra, que naquela época foi lida no livro de Isaias 61,1-3, Ele se auto-revela ungido do Senhor, O libertador do povo. Siga os passos que estão à cima e saboreie da unção que todo batizado tem e termine fazendo o seguinte questionamento.

5- Em que esta leitura ilumina minha vida? Como posso colocá-la em prática?

Conclua rezando novamente o Salmo 27 e agradeça a Deus pelo poder de Sua Palavra em sua vida, pois a Palavra de Deus tem poder de destruir toda força contraria a Vontade de Deus na nossa vida.

03/09/2009

Bíblia Católica: LEGÍTIMA E COMPLETA


Demoraram alguns séculos para que a Igreja Católica chegasse à forma final da Bíblia com os 72 livros como temos hoje. Em vários Concílios, ao longo da história, a Igreja, assistida pelo Espírito Santo (cf. Jo 16,12-13), estudou e definiu o Índice (cânon) da Bíblia; uma vez que nenhum de seus livros traz o seu Índice. Foi a Igreja Católica quem berçou a Bíblia. Garante-nos o Catecismo da Igreja e o Concílio Vaticano II que: “Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deviam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados” (Dei Verbum 8; CIC,120). Portanto, sem a Tradição da Igreja não teríamos a Bíblia. Santo Agostinho dizia: “Eu não acreditaria no Evangelho, se a isso não me levasse a autoridade da Igreja Católica” (CIC,119).

Por que a Bíblia católica é diferente da protestante? Esta tem apenas 66 livros porque Lutero e, principalmente os seus seguidores, rejeitaram os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácida), 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-16; Daniel 3,24-20; 13-14.

A razão disso vem de longe. No ano 100 da era cristã, os rabinos judeus se reuniram no Sínodo de Jâmnia (ou Jabnes), no sul da Palestina, a fim de definir a Bíblia Judaica. Isto porque nesta época começavam a surgir o Novo Testamento com os Evangelhos e as cartas dos Apóstolos, que os judeus não aceitaram. Nesse Sínodo, os rabinos definiram como critérios para aceitar que um livro fizesse parte da Bíblia, o seguinte: Deveria ter sido escrito na Terra Santa escrito somente em hebraico, nem aramaico e nem grego, antes de Esdras (455-428 a.C.), sem contradição com a Torá ou lei de Moisés. Esses critérios eram puramente nacionalistas, mais do que religiosos, fruto do retorno do exílio da Babilônia em 537 aC.

Por esses critérios não foram aceitos na Bíblia judaica da Palestina os livros que hoje não constam na Bíblia protestante, citados anteriomente. Mas a Igreja católica, desde os Apóstolos, usou a Bíblia completa. Em Alexandria no Egito, cerca de 200 anos antes de Cristo, já havia uma influente colônia de judeus, vivendo em terra estrangeira e falando o grego. O rei do Egito, Ptolomeu, queria ter todos os livros conhecidos na famosa biblioteca de Alexandria; então mandou buscar 70 sábios judeus, rabinos, para traduzirem os Livros Sagrados hebraicos para o grego, entre os anos 250 e 100 a.C, antes do Sínodo de Jâmnia (100 d.C). Surgiu, assim, a versão grega chamada Alexandrina ou dos Setenta, que a Igreja Católica sempre seguiu. Essa versão dos Setenta, incluiu os livros que os judeus de Jâmnia, por critérios nacionalistas, rejeitaram. Havia, dessa forma, no início do Cristianismo, duas Bíblias judaicas: a da Palestina (restrita) e a Alexandrina (completa – Versão dos LXX). Os Apóstolos e Evangelistas optaram pela Bíblia completa dos Setenta (Alexandrina), considerando inspirados (canônicos) os livros rejeitados em Jâmnia. Ao escreverem o Novo Testamento, utilizaram o Antigo Testamento, na forma da tradução grega de Alexandria, mesmo quando esta era diferente do texto hebraico. O texto grego “dos Setenta” tornou-se comum entre os cristãos; e portanto, o cânon completo, incluindo os sete livros e os fragmentos de Ester e Daniel, passaram para o uso dos cristãos.

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Das 350 citações do Antigo Testamento que há no Novo, 300 são tiradas da Versão dos Setenta, o que mostra o uso da Bíblia completa pelos Apóstolos. Verificamos também que nos livros do Novo Testamento há citações dos livros que os judeus nacionalistas da Palestina rejeitaram.

Por exemplo: Rom 1,12-32 se refere a Sb 13,1-9; Rom 13,1 a Sb 6,3; Mt 27,43 a Sb 2, 13.18; Tg 1,19 a Eclo 5,11; Mt 11,29s a Eclo 51,23-30; Hb 11,34 a 2 Mac 6,18; 7,42; Ap 8,2 a Tb 12,15. Nos séculos II a IV, houve dúvidas na Igreja sobre os sete livros por causa da dificuldade do diálogo com os judeus. Mas a Igreja, ficou com a Bíblia completa da Versão dos Setenta, incluindo os sete livros. Após a Reforma Protestante, Lutero e seus seguidores rejeitaram os sete livros já citados. É importante saber também que muitos outros livros, que todos os cristãos têm como canônicos, não são citados nem mesmo implicitamente no Novo Testamento. Por exemplo: Eclesiastes, Ester, Cântico dos Cânticos, Esdras, Neemias, Abdias, Naum, Rute.

Outro fato importantíssimo é que nos mais antigos escritos dos santos Padres da Igreja (patrística) os livros rejeitados pelos protestantes (deutero-canônicos) são citados como Sagrada Escritura. Assim, São Clemente de Roma, o quarto Papa da Igreja, no ano de 95 escreveu a Carta aos Coríntios, citando Judite, Sabedoria, fragmentos de Daniel, Tobias e Eclesiástico; livros rejeitados pelos protestantes. Ora, será que o Papa S. Clemente se enganou, e com ele a Igreja? É claro que não. Da mesma forma, o conhecido Pastor de Hermas, no ano 140, faz amplo uso de Eclesiástico, e de Macabeus II; Santo Hipólito (†234), comenta o Livro de Daniel com os fragmentos deuterocanônicos rejeitados pelos protestantes, e cita como Sagrada Escritura Sabedoria, Baruc, Tobias, 1 e 2 Macabeus. Fica assim, muito claro, que a Sagrada Tradição da Igreja e o Sagrado Magistério sempre confirmaram os livros deuterocanônicos como inspirados pelo Espírito Santo. Vários Concílios confirmaram isto: os Concílios regionais de Hipona (ano 393); Cartago II (397), Cartago IV (419), Trulos (692). Principalmente os Concílios ecumênicos de Florença (1442), Trento (1546) e Vaticano I (1870) confirmaram a escolha.

No século XVI, Martinho Lutero (1483-1546) para contestar a Igreja, e para facilitar a defesa das suas teses, adotou o cânon da Palestina e deixou de lado os sete livros conhecidos, com os fragmentos de Esdras e Daniel. Lutero, quando estava preso em Wittenberg, ao traduzir a Bíblia do latim para o alemão, traduziu também os sete livros (deuterocanônicos) na sua edição de 1534, e as Sociedades Biblícas protestantes, até o século XIX incluíam os sete livros nas edições da Bíblia. Neste fato fundamental para a vida da Igreja (a Bíblia completa) vemos a importância da Tradição da Igreja, que nos legou a Bíblia como a temos hoje. Disse o último Concílio: “Pela Tradição torna-se conhecido à Igreja o Cânon completo dos livros sagrados e as próprias Sagradas Escrituras são nelas cada vez mais profundamente compreendidas e se fazem sem cessar, atuantes.” (DV,8). Se negarmos o valor indispensável da Igreja Católica e de sua Sagrada Tradição, negaremos a autenticidade da própria Bíblia.

Note que os seguidores de Lutero não acrescentaram nenhum livro na Bíblia, o que mostra que aceitaram o discernimento da Igreja Católica desde o primeiro século ao definir o Índice da Bíblia. É interessante notar que o Papa São Dâmaso (366-384), no século IV, pediu a S. Jerônimo que fizesse uma revisão das muitas traduções latinas que havia da Bíblia, o que gerava certas confusões entre os cristãos. São Jerônimo revisou o texto grego do Novo Testamento e traduziu do hebraico o Antigo Testamento, dando origem ao texto latino chamado de Vulgata, usado até hoje.

02/09/2009

Setembro: Mês da Bíblia

Aqueles que leem a Bíblia progridem na vida do Evangelho

A Palavra de Deus está sempre ao alcance da mão e do coração de quem segue a Deus. E por moção do Espírito Santo, a Palavra vai transformando o coração das pessoas e moldando a comunidade cristã. É claro, supondo um coração aberto, como de discípulo diante do mestre. O profeta Jeremias fez uma experiência profunda: nas mãos de Deus sentiu-se como um vaso de barro nas mãos do oleiro.

As famílias, os grupos e as comunidades que leem a Bíblia de fato progridem na vivência do Evangelho, em unidade com a vontade de Deus e na comunhão fraterna. A Palavra meditada impulsiona as pessoas a superar o pecado e o azedume, causando certa plenitude espiritual com uma aura de paz e de alegria.

É o encantamento espiritual, a força interior, a capacidade de passar imune pelas tentações que nos rodeiam.

São Francisco de Assis, um dos grandes revolucionários da humanidade, apregoava a vida fraterna em meio ao egoísmo; a vida em Deus, mesmo em meio ao prurido da carne e do consumismo; a alegre adesão à vontade de Deus, vencendo o orgulho e a sede do poder. Quando se chega a uma fraternidade assim, logo se capta o perfume do Evangelho.

Por pedagogia, destinamos o mês de setembro a conhecer a Bíblia. Aliás, primeiro a ter a Bíblia em casa. Depois, a lê-la diariamente. Aprender a meditá-la diante de Deus, num coração orante.

A família aprende a acolher de modo afável seus membros: os pais se relacionam de modo afetivo com os filhos, como Deus, com Seu povo. Os filhos, por sua vez, acolhem os pais de modo pacífico, criando um ambiente sereno e alegre. É o encantamento da família.

É neste ambiente que germinam as vocações cristãs, que se alimentam ideais generosos e se superam obstáculos à felicidade.

Seja feliz! Conheça, leia e medite a Palavra de Deus.

01/09/2009

O Homem que liberta (Lc 4,31-37)

Este episódio da expulsão de um espírito impuro, narrado por Lucas, ocorre logo no início do ministério de Jesus. Ele passava o seu ensinamento às multidões, com sua ação amorosa e libertadora. É interessante o fato de que os primeiros atos de Jesus narrados por Lucas estejam ligados à expulsão dos demônios. Para os antigos, todos os males que afligiam as pessoas eram considerados obra de algum demônio, principalmente as doenças. Para conseguir a cura, era necessário expulsar o demônio. Jesus pode fazer isso porque venceu as tentações: abundância, poder, riqueza e prestigio, através das quais o diabo age, provocando os males do povo. Isso é o sinal concreto da chegada do Reino de Deus, que traz liberdade e vida para todos.

Cafarnaum é o centro da atividade de Jesus na Galileia, e aí Ele costuma ensinar na sinagoga no dia de sábado, que é o dia santo dos judeus. As pessoas se espantam com o seu ensinamento, porque Ele “fala com autoridade”. Que autoridade é essa? Certamente uma compreensão nova das Escrituras, aplicando diretamente o seu anúncio à uma prática de libertação concreta. Enquanto os doutores da Lei ficavam em especulações abstratas, Jesus vai direto ao que interessa ao povo: a Palavra de Deus como libertação concreta, interna e externa, dentro das situações em que o povo vive.

O primeiro milagre contado por Lucas é a expulsão de um demônio, indicando que, para libertar as pessoas primeiro é preciso expulsar o demônio. Quem é ele? É alguém que conhece Jesus, e sabe que Jesus é uma ameaça para seu império demoníaco. Ele chama Jesus de o “Santo de Deus”. Isto é, que Jesus, concebido por obra do Espírito Santo, é portador desse mesmo Espírito, capaz de vencer o domínio do espírito do mal. Para compreendermos bem o que isto significa, devemos nos lembrar de que a principal ação do demônio é alienar as pessoas, impedindo-as de pensar e agir por si mesmas. Tudo aquilo que aliena as pessoas é mau e demoníaco, e então compreendemos que as ideologias, as propagandas mentirosas, os sistemas, as estruturas opressoras são agentes do demônio, enganando e manipulando o povo. Quem seria esse demônio de hoje? Todos aqueles que tapeiam e manipulam o povo, para explorá-lo e oprimi-lo, a fim de conseguir vantagem. E esses agentes do demônio sabem muitos bem que Jesus é perigoso para eles, porque pode destruir o seu “negócio rentável”.

Entendemos, então, o espanto do povo e a fama de Jesus, que vai se espalhando pela redondeza. Jesus, com sua palavra e ação, vence os demônios que alienam o povo. Ele devolve ao povo a capacidade de ver, de pensar e agir por si, usando sua liberdade para conquistar a vida a que todos têm direito. O povo só é impedido disso por alguns que, demoniacamente, só pensam e buscam a própria abundância, poder, riqueza e prestigio, deixando todos os outros na miséria.

Quais são os demônios que hoje te deixam alienado, impedindo-te de ver, ouvir, falar e agir com liberdade, para descobrir e seguir o caminho da santidade? É justa uma lei que impede de curar? Em tua casa, bairro, cidade ou país existem leis assim? Quais são os demônios que provocam as doenças na tua casa e entre os teus familiares? Como esses demônios agem? Não te esqueça nunca: Jesus veio e Ele está presente ao teu lado, na tua casa e no teu coração para expulsá-los todos. Basta acreditar, confiar e saber esperar que Ele agirá!

Pai, faça-me forte para enfrentar e vencer as forças malignas que cruzam meu caminho, tentando afastar-me de Ti. Como Jesus, quero abalar e derrotar o poder do mal deste mundo.

Padre Bantu (Comunidade Canção Nova)